Política

CORRIDA ELEITORAL

PSDB oficializa candidatura e Rose diz que fará política com justiça, ética e honra

Candidata vendeu imagem de mudança durante convenção do partido

Da Redação

30/07/2016 - 13h04
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Por cerca de uma hora, com discurso centrado em mudança, crise econômica e crise política, Rose Modesto assumiu a posição de candidata à Prefeitura de Campo Grande na convenção do PSDB, realizada hoje no ginásio do Rádio Clube Campo.

O local ficou abarrotado de lideranças partidárias, apoiadores e foi montada uma super estrutura para realização do anúncio. No palanque montado na quadra do ginásio, Rose Modesto fez discurso sozinha, depois chamou seu vice na chapa, Cláudio Mendonça, do PR. Também foi entregue o microfone para o governador Reinaldo Azambuja.

"Tivemos um desgaste tremendo em todos as áreas. Crise de todos os tipos. Por isso estamos com um projeto político, cada um oferecendo o melhor de si", afirmou a candidata. "Orgulho-me de andar por Campo Grande de cabeça erguida. Orgulho de dizer que não respondo a nenhum processo", garantiu.

Seguindo a linha do discurso de que é preciso superar as suspeitas de corrupção que envolvem os poderes Executivo e Legislativo da Capital, Rose garantiu que a bandeira de uma possível administração dela será conduzida com três pilares: "Política tem que se fazer com justiça, ética e honra."

Ao seu lado, Cláudio Mendonça, que mais cedo foi indicado como candidato a vice na chapa em convenção do PR, explicou que seu nome foi escolhido para trazer o caráter de gestão a um possível governo de Rose. Ele está licenciado do cargo de superintendente do Sebrae Mato Grosso do Sul.

UNIÃO DE PARTIDOS

Coube ao governador Reinaldo Azambuja, em seu discurso, fazer uma defesa do Legislativo e levantar a bandeira que Rose Modesto seria a opção de mudança para a administração municipal.

Ele garantiu que a coligação PSDB, PR, PSB, PDT, SD, PRB, PROS e PSL é para oferecer uma opção. "Essa união de vários partidos que apoiam a candidatura da Rose estão vindo em uma causa coletiva, que é Campo Grande."

Azambuja fez questão de promover Cláudio Mendonça, ao apontar que ele poderia ajudar na geração de empregos na Capital por conta de sua experiência a frente do Sebrae.

E fez questão de dar um recado. "Essa é a oportunidade de tirar o político corrupto através do voto. Quiseram colocar toda a classe política como ruim, mas há nomes bons", assegurou. 

O governador mostrou uma certidão negativa da candidata, indicando que ela é "ficha limpa".

PROPORCIONAIS

Os tucanos foram para a convenção com as chapas proporcionais (vereadores). Uma é composta por candidatos do PSDB e PR; outra com PSB (que tem convenção amanhã) e PDT; e a terceira formada por SD, PRB, PROS e PSL.

presidência da república

Lula conquista virada inédita e se reelege para 4º mandato

Presidente impõe derrota a Flávio Bolsonaro (PL) e conquista a reeleição

26/10/2026 08h00

Foto: TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO CONTEÚDO

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito, neste domingo, para um quarto e inédito mandato como presidente da República. O presidente derrotou o senador Flávio Bolsonaro (PL), marcando a primeira virada em uma disputa presidencial na história entre o primeiro e o segundo turno.

Com 100% das urnas apuradas, Lula tem 51,79% dos votos válidos (64.256.232 votos) contra 48,21% de Flávio (59.826.041 votos).

Lula ampliará o período de poder do Partido dos Trabalhadores (PT) no Brasil pós-redemocratização. Esta é a sexta eleição presidencial vencida pelo PT desde o fim da ditadura militar e volta do voto direto para presidente.

A sigla perdeu uma vez para Fernando Collor (então no PRN, em 1989), duas vezes para Fernando Henrique Cardoso (PSDB, em 1994 e 1998) e uma vez para Jair Bolsonaro (então no PSL, em 2018).

Lula, aos 80 anos, aumentará a marca de presidente mais velho a tomar posse. Ele completará 81 anos amanhã. Michel Temer, aos 75 anos, e Getúlio Vargas, aos 68 anos, são o segundo e o terceiro lugar nesse ranking.

Lula é o líder democraticamente eleito a ocupar a Presidência do País por mais tempo e estenderá esse período por mais quatro anos. Serão 16 anos no posto mais alto do Poder Executivo do País. Getúlio Vargas ocupou o cargo por 18 anos e meio, mas a maior parte foi durante a ditadura do Estado Novo.

DESAFIOS

O presidente reeleito terá o desafio de liderar, nos próximos quatro anos, uma agenda de ajuste fiscal, diante da deterioração da trajetória da dívida pública ao Produto Interno Bruto (PIB). Os integrantes da campanha responsáveis pela pauta econômica já anunciaram que será necessário conter gastos para evitar uma bomba fiscal nos próximos anos.

Lula também terá de lidar com um país ainda mais dividido do que em 2022 e com um Congresso mais hostil, com o fortalecimento da direita bolsonarista e o achatamento do centro liberal e do Centrão. Tem a seu favor, se souber utilizar, as numerosas mobilizações que tomaram as ruas após o primeiro turno.

A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) e um possível impeachment de ministros da Corte, em especial o ministro Alexandre de Moraes, também representarão um desafio para Lula neste quarto mandato.

O presidente reeleito contou, em seu terceiro mandato, com o apoio do STF para garantir sua governabilidade. Neste quarto mandato, terá de rever essa correlação de forças políticas para aprovar sua agenda.

LULA 3

Lula iniciou o terceiro e inédito mandato de um presidente da República tendo de lidar, logo de cara, com os atos golpistas do dia 8 de janeiro de 2023. A união causada pelo episódio, somada pelo resultado eleitoral e a campanha de “frente ampla” do petista, deu ao presidente da República uma aprovação grande no início do mandato.

Pouco antes disso, logo antes de assumir, teve de trabalhar com o Congresso de 2022 para aprovar uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para abarcar gastos prometidos durante a campanha, como o aumento do Bolsa Família.

Depois, já na Presidência da República, Lula aprovou uma reforma tributária e uma nova regra fiscal – chamada pela sua equipe econômica, liderada pelo ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, de “novo arcabouço fiscal” – logo em seu primeiro ano de mandato. Usou seu capital político para compensar políticas como o aumento de taxação sobre os mais ricos. Foram instituídos impostos sobre fundos exclusivos e fundos offshores, por exemplo.

CAMPANHA

O presidente e seu entorno adotaram como estratégia evitar ataques muito contundentes a Flávio Bolsonaro logo após ele se anunciar candidato à Presidência. O objetivo era evitar que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), deixasse o cargo e se candidatasse ao Planalto. Os petistas consideravam Tarcísio um candidato mais forte que o filho de Jair Bolsonaro.

A última campanha de Lula como presidente começou oficialmente com um ato em São Bernardo do Campo, no estádio da Vila Euclides, local onde foram realizados atos históricos das greves do ABC na década de 1970. Foi uma ideia de dar à campanha um tom de despedida e de defesa do legado do político mais longevo do País em atividade. Essa linha foi seguida ao longo de todo o primeiro turno.

Após o resultado decepcionante no primeiro turno, quando ficou atrás de Flávio Bolsonaro, a campanha fez uma correção de rotas. Lula e seus aliados passaram alguns dias discutindo os erros e como mudar o rumo da disputa. 

Vitória Petista

Vander Loubet vai cobrar um Lula "mais duro" com os governadores e prefeitos

O presidente estadual do PT acredita que Soraya Thronicke e Fábio Trad terão espaço garantido no quarto mandato

26/10/2026 07h45

O deputado federal Vander Loubet ao lado do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva

O deputado federal Vander Loubet ao lado do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva Foto: Divulgação

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Logo após a confirmação da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o quarto mandato, o deputado federal Vander Loubet, presidente estadual do PT, defendeu, na noite de ontem, durante entrevista exclusiva ao Correio do Estado, uma mudança na postura do chefe do Executivo, principalmente no relacionamento com os governadores e prefeitos. 

Para o parlamentar, o governo federal precisa adotar uma posição mais firme e garantir que suas ações sejam reconhecidas pela população, sem transferir o protagonismo político das entregas para administrações estaduais e municipais.

Vander comemorou o desempenho do presidente em Mato Grosso do Sul, onde Lula conquistou quase 40,40% dos votos válidos. O resultado representa um crescimento superior a cinco pontos porcentuais em comparação com o primeiro turno, quando o petista recebeu 34,68% dos votos no Estado.

“Nós apostamos e acreditamos. Mato Grosso do Sul contribuiu nacionalmente. Fizemos quase 41% dos votos. Nós crescemos mais de 5%. Eu acho que cada estado fez sua parte”, afirmou Vander Loubet.

O deputado também destacou o papel do Nordeste na vitória presidencial, ressaltando que a região correspondeu às expectativas da campanha e ampliou o apoio ao candidato petista em relação à primeira votação. Vander mencionou ainda a importância de Minas Gerais para o resultado nacional.

Apesar da comemoração, o presidente estadual do PT deixou claro que espera mudanças significativas na condução política do Palácio do Planalto a partir de janeiro de 2027.

“Eu tenho certeza de que esse quarto governo dele vai ser bem diferente desse que ele está terminando, principalmente nas relações com os governadores, com os prefeitos. Eu acredito que ele tem que ser muito mais duro agora”, declarou.

A principal crítica de Vander está relacionada à forma como os investimentos e programas federais chegam à população. Na avaliação do deputado, o governo de Lula destinou recursos e promoveu ações nos estados, mas não conseguiu transformar essas iniciativas em reconhecimento político na mesma proporção.
“Nós demos muito e recebemos pouco”, resumiu o parlamentar.

RELAÇÃO COM RIEDEL

Questionado sobre como deverá ficar a relação do governo de Lula com o governador Eduardo Riedel (PP), que apoiou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, Vander defendeu que o PT tenha participação mais efetiva na divulgação e no acompanhamento das iniciativas federais em Mato Grosso do Sul.

Para o deputado, o governo federal precisa encontrar mecanismos que impeçam a apropriação política de investimentos da União por governadores e prefeitos, especialmente aqueles que fazem oposição ao presidente.

“Acho que a gente tem que ser muito mais duro nessa relação e ser capitalizado pelo governo federal, e não entregar na mão dos municípios as ações do governo federal e na mão do governo do Estado”, afirmou.
A proposta defendida por Vander envolve a criação ou o fortalecimento de estruturas de articulação política capazes de acompanhar os programas federais nos estados e garantir que a população identifique a origem dos investimentos.

Nesse contexto, o presidente estadual do PT apontou a mobilização dos apoiadores de Lula como uma ferramenta que deverá ser aproveitada durante o próximo mandato.

Segundo ele, o chamado “exército do Lula”, formado por militantes e simpatizantes que participaram da campanha eleitoral, precisa continuar organizado depois da eleição.

“Eu acho que o exército do Lula é a melhor coisa que foi feita. Acho que ele tem que utilizar isso para governar o quarto mandato. São 10 milhões de ativistas, entendeu?”, declarou.

Vander defendeu que essa estrutura de mobilização seja fortalecida e tenha participação direta na divulgação dos programas e das realizações do governo federal.

“Esse exército tem que ser uma ferramenta para ajudar ele nos estados brasileiros, principalmente nas divulgações e nas ações do governo”, acrescentou.

FUTURO POLÍTICO

Vander também comentou seu futuro político após não conseguir uma das duas vagas de Mato Grosso do Sul no Senado nas eleições deste ano.

Questionado sobre a possibilidade de ocupar algum cargo no quarto governo de Lula, o deputado evitou demonstrar interesse imediato em uma nomeação e afirmou que sua prioridade será continuar à frente do diretório estadual do PT.

“Eu quero contribuir. Eu sou presidente do PT. Esse negócio de cargo é outra coisa lá na frente, mas eu quero é ser presidente do PT e coordenar as ações do governo federal pelo PT aqui no Estado”, afirmou.

A declaração reforça a intenção do parlamentar de manter protagonismo na articulação entre a administração federal e as lideranças petistas de Mato Grosso do Sul, especialmente em um cenário no qual o governo estadual continuará sob o comando de Eduardo Riedel.

O deputado também demonstrou confiança de que a senadora Soraya Thronicke (PSB) e o advogado Fábio Trad (PT), candidato derrotado ao governo estadual, poderão ser contemplados com espaços na próxima administração federal.

Ao ser questionado sobre a possibilidade de Soraya integrar o governo, Vander respondeu que acredita no reconhecimento político dos aliados que participaram da campanha presidencial. “Com certeza, eu não tenho dúvida. Acho que ela, o Fábio, são pessoas que contribuíram muito”, afirmou.

O parlamentar, entretanto, não mencionou cargos específicos nem revelou a existência de negociações concretas para acomodar os dois aliados na estrutura do Executivo federal. 

Ao final da entrevista, Vander destacou a atuação da militância petista em Mato Grosso do Sul, que, segundo ele, enfrentou ataques durante a campanha eleitoral, mas manteve a mobilização até o segundo turno.

O presidente estadual do PT classificou os apoiadores como guerreiros e atribuiu parte importante do resultado nacional à participação dos militantes. “Acho que o exército do Lula foi fundamental para ganharmos as eleições”, concluiu.

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