Política

ELEIÇÕES

PSDB vai com Simone; em MS, tucanos vão com Bolsonaro

Enquanto Simone Tebet (MDB) terá apoio tucano em sua candidatura nacional, dentro de casa, a sul-mato-grossense não deve contar com a mobilização do PSDB

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Selado acordo em âmbito nacional no qual a senadora Simone Tebet (MDB-MS) terá apoio do PSDB, sendo seu vice o também senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), dando formato à terceira via na corrida pela Presidência da República, as executivas estaduais começam a rascunhar como deve ficar o cenário em Mato Grosso do Sul, e a tendência é de que o caminho seja outro.

Isso porque a sigla tucana tem como pré-candidato ao governo do Estado o ex-secretário Eduardo Riedel, que possivelmente terá apoio do presidente e pré-candidato à reeleição, Jair Bolsonaro (PL). Inclusive a aliança pode ser oficializada após o dia 20 deste mês, quando Bolsonaro vem a Mato Grosso do Sul.

A candidatura de Simone foi justamente colocada como opção aos descontentes com o atual governo e que também não querem que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) retorne ao comando do País, conforme foi anunciado pelo próprio PSDB após reunião que consolidou apoio à senadora emedebista.

“O partido segue firme e convicto na construção de uma alternativa a Lula e Bolsonaro por um País mais próspero e unido”.

Simone disse estar ciente da responsabilidade de protagonizar a terceira via em um embate tão polarizado quanto a eleição de logo mais.

“Este é um reencontro do centro democrático não agendado pela história, mas exigido por ela. No passado, democracia, cidadania, justiça social. Hoje, pelos mesmos valores e com a mesma urgência, unimos forças por um Brasil sem fome e sem miséria”, complementou.

Embora faça parte da gestão de Reinaldo Azambuja (PSDB), o secretário de governo e marido de Simone, Eduardo Rocha (MDB), acredita que o PSDB sul-mato-grossense ficará ao lado da senadora, mesmo sabendo que entre os aliados de Riedel está a ex-ministra da Agricultura e pré-candidata ao Senado Tereza Cristina (PP-MS), que compõe palanque bolsonarista.

“Fechando essa aliança nacionalmente, o PSDB de Mato Grosso do Sul e o MDB devem apoiar Simone como candidata a presidente e, claro, dentro da coligação do Riedel temos a [ex] ministra Tereza Cristina, que traz o apoio à candidatura do presidente Bolsonaro. Sem problema nenhum, e eu vou votar na Tereza Cristina para senadora”, disse.

Questionado sobre o desalinho entre os cenários nacional e estadual, ele acredita que não haverá rachas. “Não vai ter divisão, as pessoas são livres para apoiar quem quiser”.

PRESSÃO

Além disso, há ainda a questão de o MDB regional ter como pré-candidato ao governo o ex-governador André Puccinelli. A executiva nacional do PSDB chegou colocar como condição que a candidatura fosse retirada, mas não obteve sucesso.

Segundo o ex-ministro de Michel Temer Carlos Marun (MDB-MS), ambas as nacionais foram convencidas de que não seria viável recuar com o nome de Puccinelli. O mesmo ocorreu em Pernambuco e Rio Grande do Sul, mas a tratativa avançou somente em terras gaúchas.

TERCEIRA VIA

Vários nomes foram cogitados para dar rosto à terceira via, entre eles o ex-governador de São Paulo João Doria (PSDB), que acabou sendo preterido pelo próprio partido.

O tucano apresentou bons números nas prévias feitas em 2021, porém perdeu apoio interno a ponto de desistirem de seu nome.

Com a consolidação do PSDB ao lado de Simone, caso não haja mudanças, será a primeira vez que o partido não terá candidato próprio à Presidência, este seria um dos motivos que arrastou a negociação entre as cúpulas.

O ex-ministro da Justiça Sergio Moro (União Brasil) também chegou a ser citado como opção para antagonizar o embate entre Lula e Bolsonaro, mas o plano acabou frustrado. Ele deve disputar vaga na Câmara ou Senado.

ELEIÇÕES 2026

Tereza entra na campanha e reforça apoio à candidatura de Santullo à Assembleia Legislativa

Senadora afirma que trabalho conjunto ajudou na destinação de emendas para saúde, educação, infraestrutura, assistência social e agricultura familiar

19/09/2026 10h41

O candidato a deputado estadual Marco Aurélio Santullo com a senadora Tereza Cristina, ambos do PP

O candidato a deputado estadual Marco Aurélio Santullo com a senadora Tereza Cristina, ambos do PP Divulgação

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A senadora Tereza Cristina (PP) decidiu colocar o próprio nome no centro da campanha de Marco Aurélio Santullo, candidato a deputado estadual pelo PP. Em vídeo divulgado nas redes sociais, ela aparece ao lado do ex-assessor, destaca o trabalho realizado pelos dois nos últimos anos e pede voto diretamente para “Santullo da Tereza”, nome adotado por ele nas urnas.

A estratégia vai além de uma declaração convencional de apoio. Santullo incorporou o nome da senadora à própria identidade eleitoral e tenta transformar a parceria construída nos bastidores da articulação política e da liberação de recursos federais em um dos principais ativos de sua candidatura à Assembleia Legislativa.

“Nos últimos dois anos, eu e o Santullo, que é um municipalista nato, trabalhamos duro. Me auxiliou a garantir muitas emendas para vários municípios do nosso Estado”, afirmou Tereza Cristina.

Segundo a senadora, os recursos foram destinados a áreas como saúde, educação, assistência social, infraestrutura e agricultura familiar. Ela ressaltou que as demandas foram apresentadas por prefeitos, vereadores e lideranças municipais.

“Cada uma dessas demandas foi levantada de perto, junto com o prefeito, vereadores e lideranças. Não é sobre número, é sobre gente sendo atendida”, declarou.

Santullo reforça justamente a ligação com os municípios como um dos pilares da campanha. Ele afirma ter percorrido as cidades sul-mato-grossenses durante a atuação como assessor da senadora, mantendo contato direto com prefeitos, vereadores e representantes políticos locais.

“Como assessor, fui a cada município e continuo andando o Estado todo, vendo de perto o que precisa ser feito. Meu dever é trazer para a senadora todos os pleitos de todos os municípios do Estado”, disse.

No vídeo, Tereza e Santullo apresentam a candidatura à Assembleia como uma continuidade dessa atuação conjunta. “Essa parceria já provou que funciona”, afirmou o candidato. A senadora respondeu que o trabalho poderia avançar ainda mais com Santullo ocupando uma cadeira no Legislativo estadual.

Ao final da gravação, Tereza faz o pedido de voto de forma direta: “Para deputado estadual, Santullo da Tereza, onze mil. Tamo juntos”.

O apoio explícito reforça a tentativa de Santullo de se apresentar ao eleitor como um nome diretamente ligado à senadora. Além de utilizar “Santullo da Tereza” nas urnas, o candidato tem concentrado sua comunicação eleitoral na experiência acumulada ao lado da parlamentar e no relacionamento desenvolvido com gestores municipais.

Em suas redes sociais, ele afirma conhecer os 79 municípios de Mato Grosso do Sul e diz ter participado de reuniões com prefeitos, vereadores e lideranças para identificar necessidades nas áreas de estradas, saúde, educação e infraestrutura.

Santullo também apresenta como credencial uma trajetória de 44 anos no serviço público. Segundo o candidato, boa parte desse período foi dedicada à articulação para fazer recursos federais chegarem aos municípios. Agora, a campanha procura converter essa experiência de bastidor e a ligação com uma das principais lideranças do PP no Estado em votos para a Assembleia Legislativa. 

FRENTE A FRENTE

Promessa de Catan de entregar celular a 190 mil alunos custa R$ 2,28 bilhões

O candidato a governador pelo Novo também defendeu valorização de professores, tabela estadual do SUS e redução de impostos

19/09/2026 08h00

O deputado estadual João Henrique Catan (Novo) é candidato a governador de Mato Grosso do Sul

O deputado estadual João Henrique Catan (Novo) é candidato a governador de Mato Grosso do Sul Foto: Paulo Ribas/Correio do Estado

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Candidato a governador pelo Novo, o deputado estadual João Henrique Catan prometeu distribuir celulares de última geração aos estudantes da rede estadual de ensino caso seja eleito. 

A proposta foi apresentada durante o Frente a Frente, rodada de entrevistas promovida por Correio do Estado, Campo Grande News, SBT MS, TV Guanandi, JD1 Notícias e A Crítica com os candidatos ao governo do Estado.

“Nós vamos levar a tecnologia para dentro da escola. Eu vou colocar computador, vou colocar celular de última geração na mão dos estudantes”, afirmou Catan durante a sabatina.

A promessa surgiu após o candidato criticar a estrutura das unidades estaduais e dizer que escolas ainda enfrentam problemas básicos, como falta de computadores e dificuldades até mesmo para manter aparelhos de ar-condicionado funcionando.

A dimensão financeira da proposta, porém, dependeria diretamente do modelo escolhido e das condições de uma eventual compra pública. Afinal, a Rede Estadual de Ensino de Mato Grosso do Sul começou este ano letivo com cerca de 190 mil estudantes, distribuídos por 352 escolas nos 79 municípios, segundo a Secretaria de Estado de Educação (SED).

Catan não especificou durante a entrevista qual aparelho considera “de última geração”, nem apresentou uma estimativa do custo do programa. Porém, apenas como referência de mercado, o iPhone 18 Pro, lançado pela Apple neste mês, parte de R$ 11.999 no Brasil e, se um aparelho desse valor fosse adquirido para cada um dos cerca de 190 mil estudantes, a conta chegaria a aproximadamente R$ 2,28 bilhões.

Outro ponto que precisaria ser considerado na implementação da proposta são as regras atualmente existentes para o uso de celulares nas escolas. Desde janeiro de 2025, a Lei Federal nº 15.100 proíbe o uso, pelos estudantes, de aparelhos eletrônicos portáteis pessoais durante as aulas, recreios e intervalos em escolas públicas e privadas de educação básica. 

A legislação, entretanto, permite a utilização em sala de aula para finalidades estritamente pedagógicas ou didáticas, sob orientação dos profissionais de educação, além de prever exceções relacionadas à acessibilidade, inclusão, saúde e garantia de direitos fundamentais.

Em Mato Grosso do Sul, a Resolução/SED nº 4.388, de 5 de fevereiro de 2025, regulamentou a restrição especificamente nas unidades da Rede Estadual de Ensino. Dessa forma, uma eventual distribuição de smartphones pelo governo teria de ser acompanhada da definição das regras de utilização dos equipamentos nas escolas e de sua finalidade pedagógica.

SAÚDE

Na Saúde, Catan propôs uma tabela estadual do SUS, com repasses aos hospitais baseados em produtividade, número de leitos e especialistas. Para zerar em 12 meses as filas de consultas, exames e cirurgias, defendeu contratar a rede privada em horários ociosos, inclusive de madrugada. “Eu prefiro que uma pessoa que esteja passando por dificuldade faça na madrugada, mas resolva com um custo menor para o Estado”, disse.

Na Economia, prometeu reduzir impostos, rever incentivos fiscais e reformular o Fundersul e a pauta fiscal do ICMS. “Nós vamos acabar com o imposto garantido e com a pauta fiscal realizada com o intuito de apenas arrecadar”, afirmou.

Catan também defendeu maior transparência nas renúncias fiscais e mais incentivos para pequenos e médios produtores. Na área ambiental, propôs ampliar o pagamento por serviços ambientais aos proprietários que preservarem áreas. “Aquele que preserva vai receber por estar preservando”, disse. Ao relacionar a pecuária à prevenção de incêndios, afirmou que “o boi é o bombeiro do Pantanal”.

Em Segurança Pública, prometeu valorização das forças policiais, aumento do auxílio-alimentação e investimentos em tecnologia e investigação, além de ampliar a estrutura das polícias na fronteira com Paraguai e Bolívia para o combate ao crime organizado.

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