Política

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Quem são os políticos e autoridades citados por Vorcaro em mensagens obtidas na CPMI

Os arquivos foram recuperados do celular de Vorcaro e fazem parte de investigação que corre sob sigilo. Parte do material foi encaminhada à CPMI do INSS

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Conversas entre o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e a namorada, a influenciadora Martha Graeff, obtidas pela Polícia Federal e parcialmente compartilhadas com a CPMI do INSS, citam encontros e interações com autoridades e políticos.

As mensagens mencionam reuniões com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), com o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, além de contatos com outras figuras públicas, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-governador João Doria e o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha.

Os arquivos foram recuperados do celular de Vorcaro e fazem parte de investigação que corre sob sigilo. Parte do material foi encaminhada à CPMI do INSS.

Veja abaixo os contextos e o que os citados dizem sobre.

Hugo Motta

As mensagens indicam que Vorcaro relatou encontros com o presidente da Câmara, Hugo Motta. Aos 28 minutos do dia 20 de março do ano passado, Graeff questionou Vorcaro: "Você está com gente aí (em casa)? Ou está me ignorando de propósito?". Quatro minutos depois, Vorcaro respondeu: "Estou sim, acabou chegando Hugo e Ciro aqui para falarem com Alexandre. Não deve demorar Mas se vc for dormir eu saio e te chamo".

Em outras conversas, Vorcaro mencionou ter participado de um jantar com empresários na "residência oficial", referência à moradia dos presidentes da Câmara e do Senado em Brasília, onde disse estar com "Hugo e seis empresários".

Em mensagens trocadas pelo Instagram, o banqueiro também compartilhou com a companheira um post sobre a desistência do deputado Elmar Nascimento (União-BA) da disputa à presidência da Câmara em novembro de 2024, fato que abriu caminho para a eleição de Motta. Quando o deputado foi eleito presidente da Casa, em fevereiro de 2025, Vorcaro enviou notícias da eleição à namorada, que respondeu: "Estou acompanhando daqui!! Gosto dele, amor".

Ciro Nogueira

O senador Ciro Nogueira também aparece nas conversas. Vorcaro o descreveu em mensagens como um "grande amigo de vida". As mensagens indicam que o senador esteve com Vorcaro e Hugo Motta em uma reunião na casa do banqueiro para conversar com um homem chamado "Alexandre". Além disso, a Polícia Federal encontrou diálogos entre o senador e o empresário no celular do banqueiro

Os investigadores identificaram ordens de Vorcaro para pagamento a uma pessoa chamada "Ciro", citada sem sobrenome. O senador nega que a referência seja a ele e afirma não ter recebido pagamentos.

Em outra conversa, Vorcaro celebrou a apresentação de um projeto de lei do senador que sugeria elevar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para até R$ 1 milhão por depositante.

O nome "Ciro" também aparece em uma troca de mensagens entre Vorcaro e o deputado Fausto Pinato (PP-SP). O parlamentar disse que o nome citado na conversa não se refere ao senador, mas ao advogado Ciro Soares, que defendeu o banqueiro no fim do ano passado.

Alexandre de Moraes

As mensagens também indicam uma relação entre Vorcaro e o ministro do STF Alexandre de Moraes. Em conversa com a namorada, o banqueiro relatou encontros com o magistrado e afirmou que ele esteve em sua casa em reunião com Hugo Motta e Ciro Nogueira.

Em outra conversa, em 19 de abril de 2025, Vorcaro diz a Martha Graeff: "To indo encontrar Alexandre Moraes aqui perto de casa". Ela pergunta: "Como assim? Ele tá em Campos??? Ou foi pra te ver?". Vorcaro, então, respondeu: "Ele tá passando feriado". A referência é à cidade Campos do Jordão (SP), onde Vorcaro é sócio de um hotel de luxo.

Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes também conversaram por WhatsApp ao longo do dia 17 de novembro de 2025, data na qual foi cumprida a primeira ordem prisão contra o banqueiro.

Prints encontrados na extração de dados do celular de Vorcaro com data de 17 de novembro e que podem ter sido o de mensagens de visualização única enviadas a Moraes, fazem menção direta à negociação de venda do Banco Master.

Luiz Inácio Lula da Silva

O presidente Lula também aparece nas conversas. Em mensagens com a namorada, Vorcaro afirmou que um encontro com o petista no Palácio do Planalto, em dezembro de 2024, "foi ótimo".

Na ocasião, segundo ele relatou, Lula teria chamado o então presidente do Banco Central que assumiria o cargo, Gabriel Galípolo, para entrar na reunião. O banqueiro também disse que três ministros participaram do encontro.

Ibaneis Rocha

Em outra troca de mensagens com a namorada, Vorcaro disse que estava em Brasília, em 29 de agosto de 2025, para encontrar "o governador" e discutir uma "estratégia de guerra" relacionada às negociações para o Banco de Brasília (BRB) comprar o Banco Master.

O governador do Distrito Federal é Ibaneis Rocha (MDB). Ele não foi citado nominalmente na conversa, mas o próprio banqueiro já confessou ter conversado com Ibaneis sobre a venda do Master para o banco estatal.

Ibaneis afirmou que os encontros com Vorcaro foram "pontuais e rápidos". A operação de compra do Master pelo BRB acabou rejeitada pelo Banco Central cinco dias depois, em 3 de setembro

João Doria

Mensagens encontradas pela Polícia Federal também mostram que o ex-governador de São Paulo João Doria, atualmente presidente do grupo de empresários Lide, procurou Vorcaro para alertá-lo sobre informações negativas que estariam circulando sobre ele e executivos do banco.

"Amigo Daniel, boa tarde. Estou preocupado com você. Tenho escutado coisas que vão precisar de reação sua. Sempre com equilíbrio e ponderação. Mas jamais com silêncio. Vamos marcar um café?", sugeriu Doria.

A conversa ocorreu em maio de 2025. Segundo o ex-governador, a mensagem foi enviada antes de haver investigação pública contra o banco. "Foi apenas um gesto cordial", afirmou por meio de sua assessoria.

Jair Bolsonaro

O ex-presidente Jair Bolsonaro também é citado nas mensagens. Em conversa com a namorada, em julho de 2024, Vorcaro reclamou de uma publicação de Bolsonaro nas redes sociais sobre uma reportagem que tratava da demissão de dois gerentes da Caixa após parecer contrário à compra de letras financeiras do banco.

"Idiota", comentou o banqueiro ao falar do ex-presidente. Em seguida, disse que amigos, entre eles o senador Ciro Nogueira, teriam intercedido em sua defesa.

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Diplomacia

Relações Rússia-Brasil se desenvolvem com sucesso, diz Putin em mensagem a Lula sobre 7/9

Na semana passada, Lula destacou que mantém boas relações com líderes globais

07/09/2026 22h00

O presidente russo, Vladimir Putin

O presidente russo, Vladimir Putin Foto: Reprodução / Perfil Brasil

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O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou em mensagem enviada nesta segunda-feira ao presidente do Brasil e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que as relações entre Rússia e Brasil "estão se desenvolvendo com sucesso no espírito da parceria estratégica". O texto, de felicitações pelo Dia da Independência no Brasil, foi publicado no perfil da embaixada da Rússia no País.

"Os nossos países cooperam ativamente nas mais diversas áreas, coordenam esforços no âmbito da ONU, do #BRICS, do G20 e de outras estruturas multilaterais", pontua o presidente russo.

Na mensagem, Putin chama Lula de "caro amigo" e observa que "nós, sem dúvida, continuaremos o trabalho junto construtivo para fortalecer ainda mais todo o conjunto de vínculos russo-brasileiros mutuamente benéficos. Isso atende plenamente aos interesses dos nossos povos amigos, está em consonância com a construção de uma nova ordem mundial - mais justa e multipolar".

Na semana passada, Lula destacou que mantém boas relações com líderes globais, incluindo Putin, o presidente da China, Xi Jinping, o presidente da França, Emmanuel Macron, o primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, e o presidente dos EUA, Donald Trump, com quem teve atritos recentemente devido à imposição de tarifas pelos EUA a produtos importados do Brasil "Eu não tenho adversários", ressaltou Lula em entrevista à Rádio Progresso.

Justiça

Fachin aguarda explicações de ministros para decidir sobre crise

Prazo de 5 dias para manifestação vence na sexta-feira

07/09/2026 13h30

Presidente do STF, Edson Fachin

Presidente do STF, Edson Fachin Foto: Paulo Ribas

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O ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), aguarda as explicações dos ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, também do Supremo, para decidir se leva a crise dos dois para julgamento no plenário, em sessão aberta ou fechada.

A crise ganhou, na última semana, gravidade sem precedentes na história recente do STF, com a divulgação recíproca de relatórios comprometedores e pedidos mútuos de investigações.

No desdobramento mais recente, Mendonça liberou para julgamento em plenário o relatório da Polícia Federal (PF) que indica relação de proximidade entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo dono do Banco Master e suspeito de praticar fraudes financeiras bilionárias e corromper autoridades públicas.

Antes de decidir, porém, ele deve aguardar até a próxima sexta-feira (11), quando vence o prazo de cinco dias que deu para que Moraes e Mendonça se manifestem.

Como alternativa, é possível que o presidente do Supremo convoque uma reunião reservada em seu gabinete para que todos os ministros decidam como conduzir a crise interna.

Essa foi a solução dada quando veio à tona uma suposta ligação entre Vorcaro e o ministro Dias Toffoli, em fevereiro deste ano. Na ocasião, a relatoria do caso Master foi transferida de Toffoli para Mendonça.

A diferença da crise atual é que Fachin decidiu concentrar em um processo próprio, de sua relatoria, os documentos e pedidos referentes ao caso. Embora improvável, é possível que o presidente do Supremo decida monocraticamente (de forma individual) sobre o arquivamento ou a abertura de investigação contra os colegas.

No processo consta, por exemplo, um pedido do procurador-geral da República, Paulo Gonet, para que o relatório da PF liberado por Mendonça seja anulado, sob o argumento de que somente o plenário do Supremo poderia ter autorizado o avanço das investigações contra um de seus ministros.

O próprio Gonet, entretanto, é citado no mesmo relatório da PF por possíveis ligações com Vorcaro.

Outro pedido feito a Fachin, desta vez por Alexandre de Moraes, é para que o próprio Mendonça seja investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.

Para embasar seu pedido, Moraes apresentou um relatório de inteligência da PF segundo o qual Mendonça poderia direcionar as investigações do caso Master, de modo a atingir desafetos políticos. O documento, contudo, não é assinado e traz na capa a advertência de se tratar de conjecturas “sem valor probatório”.

O Regimento Interno do Supremo prevê que somente o plenário tem a competência para processar e julgar membros da própria Corte, mas não traz detalhes sobre os procedimentos a serem adotados. 

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