Política

CASCALHOS DE AREIA

Relatório do MPMS escancara trama de empreiteira que recebia milhões sem terminar obras

No papel, a empresa afirmava que cuidava da manutenção de ruas; investigadores foram aos locais e viram um cenário bem diferente

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Relatório produzido pelos investigadores do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), braço do MP-MS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) sobre as obras tocadas em ruas de dois bairros de Campo Grande, o Jardim São Conrado e o Jardim Carioca, pela Engenex Construções, revelam que os serviços não eram, na prática, efetuados. 

Contudo, nos documentos mostrados pela empresa, é relatado o contrário. Ou seja, a prefeitura de Campo Grande injetava milhões de reais, arrecadados com impostos pagos pelos moradores da cidade, em contas de empreitadas que recebiam, mas não trabalhavam.

A Engenex é uma das empreiteiras investigadas pelo MP-MS por crimes de peculato, corrupção, fraude à licitação e lavagem de dinheiro, associados a contratos pactuados com a prefeitura de Campo Grande  para a manutenção de vias não pavimentadas e locação de maquinários de veículos. De 2017 para cá, a prefeitura pagou em torno de R$ 320 milhões às empreiteiras suspeitas.

RELATÓRIO

Parte do relatório, o qual o Correio do Estado teve acesso, indica, primeiro, que a empreteira em questão não executou a manutenção, na rua coronel Athos P. da Silva, num trecho compreendido entre as ruas major Juarez de Jesus e Vinícius de Moraes. 

A Engenex deveria ter agido na manutenção de um trecho de 480 metros de comprimento.
Narrativa dos investigadores indica que eles foram no bairro e nas vias do São Conrado para ver se a região tinha tinha recebido a manutenção.

Diz o relatório, que moradores do bairro informaram aos investigadores "... de forma unânime e contundente, que há muito tempo não há aplicação de revestimento primário na rua, enfatizando ainda que neste ano [2022], há cerca de alguns meses, foram realizados serviços de raspagem com a utilização de moniveladora, inexistindo qualquer tipo de aplicação de revestimento primário".

O cascalhamento de uma rua sem asfalto é o mesmo que a aplicação de revestimento primário.
Noutro trecho do relatório, o Gecoc arremata a ideia de que a empresa não efetuou o serviço pelo qual foi contrada pela prefeitura.

"Importante frisar, segundo consta na planilha oficial de medição, referente ao período de 01/07 a 31/07/2022, que o trecho em análise teria sofrido intervenções nos dias 18 e 19/07/2022, ou seja, há 50 dias da data da constatação, contemplando limpeza, conformação e aplicação de 234 metros cúbicos e revestimento primário", escreveram os investigadores.

No relatório aparecem fotografias da via investigada e é possível notar que a empresa não jogou na pista nada de revestimento primário.

O Gecoc foi também na rua Vitória Zardo, ainda no bairro Jardim São Conrado, e, lá, percebeu que a empreiteira também não aplicou na via o conhecido revestimento primário. Além da rua Vitória, a diligência seguiu toda a extensão das ruas Valer Gustavo Escheneek e Praia Grande, algo em torno 72 metros de comprimento.

MAIS FRAUDE

O Gecoc diligenciou também na rua Aiala Silveira, trecho entre as ruas Avenida 5 e rua Sem Saída, no bairro Jardim Carioca, região do Imbirussu.

Por lá, segundo a planilha que a empreiteira descreve o que fez nas ruas, é sustentado que as vias receberam "limpeza, conformação e aplicação de revestimento primário na via".

"No entanto, conforme observado por esta equipe durante diligência in loco, não existem indícios mínimos de intervenção na rua em análise, principalmente quanto a aplicação de revestimento primário", cita o relatório.

Investigadores do caso foram também na rua Eliza Regina, trecho entre as ruas Avenida 7 e Sílvio Aiala Silveira e, lá, também notaram que a empreiteira não executou o serviço.

Detalhe: as obras contratadas pela prefeitura deveriam ser supervisionadas por servidores da Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos).

Aqui uma das missões da pasta municipal:

"A supervisão e a fiscalização das atividades de construção, instalação, montagem, manutenção e conservação de pontes, galerias pluviais, bueiros, guias, sarjetas e pavimentação das vias urbanas e rurais do município".

PARENTES

A empreiteira Engenex tem como donos Edcarlos Jesus Silva e Paulo Henrique Silva Maciel, tio e sobrinho.
Outra empreiteira investigada pelo MP-MS é a JR Comércio e Serviços Ltda, que teria como dono Adir Paulino Fernandes, sogro de Edcarlos. Esta empresa teria recebido em torno de R$ 40 milhões da prefeitura.

Preso na "Cascalhos de Areia", operação do MP-MS que revelou o esquema implicando as empreiteiras, por porte ilegal de arma, o "empreiteiro" deixou a entender que seria laranja de algum graúdo da trama.

Adir disse à polícia que vivia da venda de queijos e ganhava com o trabalho em torno R$ 2,5 mil mensais. A JR assinou de 2017 para contratos com a prefeitura que somaram em torno de R$ 225 milhões.

No dia que a Cascalhos de Areia foi deflagrada, quinta passada (15), foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão. Adir foi preso pela arma ilegal. O mandado não previa nenhuma prisão.


 

 

ELEIÇÕES 2026

Patrimônio de candidatos ao Senado em MS vai de zero a quase R$ 56 milhões

Reinaldo Azambuja lidera lista de bens declarados à Justiça Eleitoral; juntos, seis concorrentes informaram patrimônio de R$ 63,3 milhões

12/08/2026 11h03

Os seis candidatos ao Senado que já divulgaram o patrimônio à Justiça Eleitoral são Vander Loubet (PT), Soraya Thronicke (PSB), Reinaldo Azambuja (PL), Daniel Junior (Agir), Capitão Contar (PL) e Beto do Movimento (PSOL)

Os seis candidatos ao Senado que já divulgaram o patrimônio à Justiça Eleitoral são Vander Loubet (PT), Soraya Thronicke (PSB), Reinaldo Azambuja (PL), Daniel Junior (Agir), Capitão Contar (PL) e Beto do Movimento (PSOL) Montagem

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Os seis candidatos que disputam as duas vagas de Mato Grosso do Sul no Senado Federal nas eleições deste ano apresentam realidades patrimoniais bastante distintas. 

Enquanto o ex-governador Reinaldo Azambuja (PL) declarou quase R$ 56 milhões em bens, Daniel Junior (Agir) informou à Justiça Eleitoral não possuir patrimônio. Somadas, as declarações dos seis concorrentes chegam a R$ 63.317.810,90. 

Desse total, R$ 55.976.398,48 pertencem a Azambuja, candidato pela coligação “Fazendo o Futuro Acontecer”. O valor representa aproximadamente 88,4% de todo o patrimônio informado pelos postulantes ao Senado no Estado.

A análise foi feita pelo Correio do Estado com base no patrimônio já divulgado pelos seis candidatos no DivulgaCandContas, portal administrado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e que reúne informações sobre todos os candidatos registrados nas eleições brasileiras, além das prestações de contas de campanha.

A diferença fica ainda mais evidente quando o patrimônio do ex-governador é comparado ao dos demais candidatos. Juntos, o deputado federal Vander Loubet (PT), o ex-deputado estadual Capitão Contar (PL), Beto do Movimento (PSOL), a senadora Soraya Thronicke (PSB) e Daniel Junior declararam R$ 7.341.412,42.

Dessa forma, Azambuja possui patrimônio cerca de 7,6 vezes superior ao total informado pelos cinco adversários somados. O segundo maior patrimônio declarado é do deputado federal Vander Loubet, candidato pela coligação “Por um MS do Povo”. 

Ele informou possuir R$ 4.122.759,55 em bens, montante equivalente a cerca de 6,5% do patrimônio total dos seis concorrentes. Na terceira posição aparece Capitão Contar, que também concorre pela coligação “Fazendo o Futuro Acontecer”, que declarou patrimônio de R$ 1.660.693,63.

Beto do Movimento, candidato da “Federação PSOL-Rede”, aparece em seguida, com R$ 945 mil em bens declarados. A atual senadora Soraya Thronicke, que disputa a reeleição pela coligação “Por um MS do Povo”, informou patrimônio de R$ 612.959,24, o segundo menor entre os seis candidatos. Daniel Junior, do Agir, é o único concorrente ao Senado por Mato Grosso do Sul que declarou não ter bens à Justiça Eleitoral.

Considerando os dois extremos da lista, a diferença patrimonial entre Reinaldo Azambuja e Daniel Junior é de R$ 55.976.398,48. A corrida pelas duas cadeiras de Mato Grosso do Sul no Senado reúne seis candidatos.

Além de Azambuja e Contar, concorrem Soraya Thronicke, Vander Loubet, Beto do Movimento e Daniel Junior. Como duas vagas estão em disputa neste ano, cada eleitor poderá escolher dois candidatos ao Senado. Os dois mais votados no Estado serão eleitos para mandatos de oito anos.

Confira o patrimônio declarado pelos seis candidatos ao Senado em MS:

Reinaldo Azambuja — R$ 55.976.398,48
Vander Loubet — R$ 4.122.759,55
Capitão Contar — R$ 1.660.693,63
Beto do Movimento — R$ 945.000,00
Soraya Thronicke — R$ 612.959,24
Daniel Junior — R$ 0,00
Total declarado: R$ 63.317.810,90

RECURSOS PÚBLICOS

Fiscalização mira R$ 17,4 milhões de "emendas Pix" de Soraya

Auditorias apontam falhas nos planos de trabalho, falta de rastreabilidade, risco de desperdício e até mesmo superfaturamento

12/08/2026 07h40

Emendas da senadora Soraya Thronicke são alvos de investigação

Emendas da senadora Soraya Thronicke são alvos de investigação Foto: Carlos Moura/Agência Senado

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“Emendas Pix” que somam R$ 17,4 milhões indicadas pela senadora Soraya Thronicke (PSB) entraram no radar de órgãos de controle em diferentes procedimentos, relacionados à transparência, à rastreabilidade e à execução dos recursos públicos.

Conforme apuração do Correio do Estado, o montante milionário reúne dois conjuntos distintos, sendo o principal deles formado por duas emendas, que somam R$ 15,4 milhões, destinadas ao Instituto de Desenvolvimento Socioambiental (IDS) e submetidas à auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU). 

Os outros R$ 2 milhões correspondem a transferências destinadas a quatro municípios de Mato Grosso do Sul que apresentaram problemas relacionados aos planos de trabalho e às informações necessárias para permitir o acompanhamento da aplicação do dinheiro.

Os casos ganham novo destaque diante da ofensiva do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), para ampliar a transparência e a rastreabilidade das emendas parlamentares. 

O ministro considera que ainda persiste um “estado de inconstitucionalidade” na execução dessas verbas e tem determinado providências para permitir que os recursos sejam acompanhados desde a indicação parlamentar até o beneficiário final.

Em uma frente distinta, auditoria recente do Tribunal de Contas da União (TCU) examinou 100 transferências especiais, conhecidas como “emendas Pix”, destinadas a dezenas de entes públicos e que somavam aproximadamente R$ 198 milhões. Foram identificadas mais de 200 ocorrências irregulares e dezenas de milhões de reais em potenciais prejuízos.

A parcela mais significativa dos recursos envolve duas emendas de Soraya destinadas ao IDS nos anos de 2023 e 2024.

Uma delas, de aproximadamente R$ 7,48 milhões, tinha como finalidade promover capacitação e ações de fortalecimento da agricultura e da pecuária em Mato Grosso do Sul, com ênfase em Naviraí.

A segunda, de aproximadamente R$ 8 milhões, previa ações para promover produção, transferência de conhecimento, tecnologia e inovação por meio de feiras e qualificação de produtores rurais de Aquidauana, Coxim e Naviraí.

Os recursos foram empregados em iniciativas que incluíram eventos denominados Cozinha Show, concursos de merendeiras e ações relacionadas ao Pantanal Tech.

Na auditoria, a CGU considerou pouco detalhados os planos de trabalho apresentados pelo IDS. Entre os problemas encontrados estavam a ausência de metas e de indicadores capazes de permitir a avaliação dos resultados obtidos com a aplicação do dinheiro.

Outro ponto destacado pelos auditores foi a ausência ou insuficiência de extratos bancários. Segundo a CGU, a deficiência compromete a transparência e a rastreabilidade dos recursos públicos e dificulta a comprovação de que todo o dinheiro foi utilizado conforme os respectivos planos de trabalho.

Na avaliação do órgão, os problemas aumentam o risco de má aplicação do dinheiro. O relatório também apontou riscos de desperdício de recursos públicos e superfaturamento.

Além dos R$ 15,4 milhões destinados ao IDS, Soraya aparece como autora de outro conjunto de “emendas Pix”, no valor total de R$ 2 milhões, destinadas diretamente a quatro municípios.

A maior transferência foi para Aparecida do Taboado, que recebeu R$ 1,5 milhão. Outros R$ 200 mil foram para Corumbá, divididos em duas transferências de R$ 100 mil, Campo Grande recebeu R$ 200 mil e Dourados, R$ 100 mil.

Nesse conjunto, os questionamentos estão relacionados principalmente à apresentação dos planos de trabalho e das informações necessárias para assegurar a transparência e também a rastreabilidade das transferências.

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