Política

Eleições 2026

Retotalização após veto a Jerson pode mudar suplência na Alems

TRE-MS refaz cálculo dos votos nesta quarta-feira (21), após TSE barrar candidatura do ex-conselheiro, que recebeu 16,8 mil votos

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O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) vai refazer a totalização dos votos para deputado estadual e federal nesta quarta-feira (21), após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indeferir o registro de candidatura de Jerson Domingos, da Federação União Progressista (União Brasil e PP). A decisão pode alterar a ordem de suplência e a distribuição das vagas, mas não significa, necessariamente, mudança no número de cadeiras de cada grupo político.

Jerson recebeu 16.884 votos no primeiro turno das eleições, realizado em 4 de outubro, e terminou a disputa como segundo suplente da federação. O TSE indeferiu o registro por unanimidade, entre os dias 6 e 8 de outubro, ao acolher recurso do Ministério Público Eleitoral contra a decisão anterior do TRE-MS, que havia autorizado a candidatura.

Com a decisão, Jerson deixa a lista de suplentes. Dione Hashioka, também do União Brasil, passa a ocupar a posição seguinte, conforme informações publicadas após o julgamento. A Federação União Progressista elegeu quatro deputados estaduais: Gerson Claro, Londres Machado, Hélio Peluffo e Rinaldo Modesto.

 Retotalização

A retotalização é o reprocessamento dos cálculos eleitorais para adequar o resultado a uma decisão judicial que altera a situação de uma candidatura ou a destinação dos votos. No sistema proporcional, utilizado para eleger deputados, as vagas são distribuídas conforme o desempenho dos partidos e das federações, considerando os votos válidos, o quociente eleitoral e as regras de distribuição das sobras.

Por isso, a retirada de um candidato da disputa não significa simplesmente convocar o próximo mais votado entre todos os concorrentes. A Justiça Eleitoral precisa recalcular a votação e verificar a distribuição das cadeiras e a ordem dos suplentes dentro de cada partido ou federação.

No caso de Jerson, a decisão do TSE afeta a situação individual do candidato e exige a atualização oficial do resultado. A federação, porém, manteve as quatro cadeiras conquistadas na Assembleia Legislativa, segundo informações divulgadas após o julgamento.

O procedimento está marcado para as 16h30, no plenário da sede do TRE-MS, em Campo Grande. Partidos, federações, Ministério Público Eleitoral e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) poderão acompanhar a cerimônia. Ao final, será emitido um relatório com o resultado atualizado da totalização.

A convocação foi publicada pelo TRE-MS em cumprimento à decisão do TSE. O tribunal informou que o reprocessamento poderá considerar também eventuais decisões posteriores que alterem a situação de candidaturas ou a destinação dos votos.

Flaviômetro

Mais da metade dos políticos eleitos em MS não pede voto para Flávio Bolsonaro nas redes

Levantamento aponta que apenas 14 dos 31 políticos monitorados fizeram campanha para o presidenciável nas últimas 24 horas

17/10/2026 10h07

Flaviômetro monitora a atuação de políticos eleitos nas redes sociais e destaca Mato Grosso do Sul, onde menos da metade dos parlamentares e gestores acompanhados publicou mensagens de apoio a Flávio Bolsonaro nas últimas 24 horas

Flaviômetro monitora a atuação de políticos eleitos nas redes sociais e destaca Mato Grosso do Sul, onde menos da metade dos parlamentares e gestores acompanhados publicou mensagens de apoio a Flávio Bolsonaro nas últimas 24 horas Reproduççao

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A oito dias do segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro, mais da metade dos políticos eleitos de Mato Grosso do Sul monitorados pelo Flaviômetro ainda não utiliza as redes sociais para pedir votos ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). 

Dos 31 nomes acompanhados pela plataforma, apenas 14 fizeram publicações de apoio à candidatura nas últimas 24 horas, o equivalente a 45% do total. O levantamento, atualizado às 9h36 deste sábado (17), revela que outros sete políticos movimentaram seus perfis nas redes sociais, mas sem mencionar o candidato do PL à Presidência da República, sendo que os dez restantes não fizeram nenhuma publicação durante o período analisado.

Apesar da baixa mobilização de parte dos aliados, o desempenho de Mato Grosso do Sul supera a média nacional. Em todo o País, dos 1.521 políticos eleitos acompanhados pela plataforma, somente 470, ou 31%, publicaram conteúdos relacionados ao presidenciável nas últimas 24 horas.

No vizinho Mato Grosso, o engajamento é ainda menor, com apenas 15 dos 52 políticos monitorados, o equivalente a 29%, participando da campanha digital de Flávio Bolsonaro.

O Flaviômetro é uma ferramenta criada para acompanhar a atuação de políticos eleitos nas redes sociais durante o segundo turno, identificando aqueles que fazem publicações ou pedidos de votos em favor do candidato do PL.

Senadores lideram

Entre os políticos sul-mato-grossenses que mais se dedicam à campanha digital estão os dois senadores eleitos no primeiro turno, Reinaldo Azambuja (PL) e Capitão Contar (PL).

Contar acumula seis dias consecutivos de publicações relacionadas à candidatura presidencial, enquanto Azambuja registra quatro dias seguidos de manifestações de apoio.

Na sexta-feira (16), o ex-governador reforçou seu posicionamento político ao publicar a mensagem “Mato Grosso do Sul é Flávio Bolsonaro 22”, acompanhada de um convite para que apoiadores participassem de um adesivaço programado para este sábado.

Na bancada federal, apenas três dos sete deputados acompanhados pelo levantamento fizeram pedidos de votos para o presidenciável: Marcos Pollon (PL), Mara Caseiro (PL) e Rodolfo Nogueira (PL).

Os outros quatro parlamentares monitorados — Rose Modesto (União Brasil), Beto Pereira (Republicanos), Isa Marcondes (Republicanos) e Dagoberto Nogueira (PP) — utilizaram as redes sociais nas últimas 24 horas, mas não fizeram referências à candidatura de Flávio Bolsonaro.

Entre os deputados federais, Rodolfo Nogueira aparece como o mais ativo na divulgação da campanha presidencial. O parlamentar soma dez dias consecutivos de publicações, liderando o ranking de frequência entre os políticos de Mato Grosso do Sul.

Um vídeo divulgado por ele na noite de sexta-feira alcançou aproximadamente 1,39 milhão de visualizações no Facebook e outras 214 mil no Instagram, concentrando boa parte do alcance das publicações relacionadas à campanha no Estado.

Somadas, as postagens dos políticos monitorados em Mato Grosso do Sul alcançaram 2,4 milhões de visualizações e aproximadamente 190 mil curtidas nas últimas 24 horas, período em que foram contabilizadas 88 publicações.

Assembleia Legislativa

Na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems), nove dos 16 deputados estaduais eleitos acompanhados pela plataforma fizeram publicações pedindo votos para Flávio Bolsonaro.

A mobilização é liderada por integrantes do PL, partido que elegeu a maior bancada estadual. Entre os parlamentares que divulgaram conteúdos em favor do presidenciável estão Zé Teixeira, Paulo Corrêa, Coronel David, Gianni Nogueira, Odilon Ribeiro, Daverson Matos, André Salineiro e Lucas de Lima, todos da legenda.

O deputado estadual eleito Hélio Peluffo (PP) também integra a relação dos parlamentares que participaram da campanha digital nas últimas 24 horas.

Por outro lado, Renato Câmara (Republicanos) fez publicações sobre outros assuntos, sem mencionar o candidato à Presidência.

Já André Puccinelli (MDB), Gerson Claro (PP), Londres Machado (PP), Professor Rinaldo Modesto (União Brasil), Márcio Fernandes (PL) e Pedrossian Neto (Republicanos) não registraram publicações no intervalo analisado.

Riedel

O governador reeleito Eduardo Riedel (PP), uma das principais lideranças políticas de Mato Grosso do Sul, também aparece entre os que não fizeram pedidos de votos para Flávio Bolsonaro nas últimas 24 horas. 

De acordo com o monitoramento, o governador manteve suas redes sociais atualizadas, mas as publicações realizadas no período não fizeram referência ao candidato do PL.

A ausência de manifestações também foi registrada entre os cinco prefeitos acompanhados pela ferramenta.
A prefeita Professora Lurdes publicou conteúdos relacionados a outros assuntos, enquanto Rodrigo Basso, Rodrigo Sacuno, Dr. Max e Delegado Murilo não fizeram nenhuma postagem durante o período.

Campanha digital

Embora parte dos políticos eleitos ainda não tenha aderido à mobilização nas redes sociais, o levantamento aponta crescimento expressivo no volume de publicações em apoio ao presidenciável desde o início da semana.

Na terça-feira (13), quando o Flaviômetro entrou em funcionamento, foram identificadas 67 publicações de políticos sul-mato-grossenses. Na quarta-feira (14), o número subiu para 85 e, na quinta-feira (15), chegou a 88.

Na sexta-feira (16), o monitoramento registrou 92 postagens, consolidando a tendência de aumento da atividade digital na reta final da disputa presidencial.

O crescimento chama atenção porque, na semana anterior, a média diária de publicações relacionadas à candidatura de Flávio Bolsonaro em Mato Grosso do Sul estava próxima de 20.

Os números mostram que, apesar do avanço da mobilização entre lideranças do PL e de partidos aliados, a campanha presidencial ainda não conseguiu envolver todos os políticos eleitos no Estado, justamente no momento em que os candidatos intensificam a busca por votos para o segundo turno.

articulação

Câmara sela acordo para abertura imediata da CPI do Tapa-Buraco

Pedido teve a adesão de 29 vereadores e passará por análise jurídica antes da definição dos integrantes da comissão

17/10/2026 08h00

Ao centro, o presidente da Casa, Papy, faz o anúncio da criação da CPI, que recebeu o apoio de todos os 29 vereadores campo-grandenses

Ao centro, o presidente da Casa, Papy, faz o anúncio da criação da CPI, que recebeu o apoio de todos os 29 vereadores campo-grandenses Foto: Izaias Medeiros/CMCG

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A Câmara Municipal de Campo Grande decidiu, no fim da tarde desta sexta-feira, criar de imediato a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Tapa-Buraco para investigar falhas nos serviços de manutenção das ruas e avenidas da Capital. 

Ao centro, o presidente da Casa, Papy, faz o anúncio da criação da CPI, que recebeu o apoio de todos os 29 vereadores campo-grandensesFoto: Montagem

O anúncio foi feito pelo presidente da Casa de Leis, Epaminondas Vicente Silva Neto (PSDB), o Papy, após uma reunião com 24 dos 29 vereadores presentes. Os cinco parlamentares que estavam ausentes informaram remotamente o apoio irrestrito à decisão, totalizando 29 assinaturas.

A proposta foi apresentada em agosto pela vereadora Luiza Ribeiro (PT) e vinha sendo discutida pelos integrantes do Legislativo. Conforme Papy, a decisão de apoiar a investigação foi tomada coletivamente, depois de um debate sobre a crise na conservação das vias públicas e a falta de soluções para o problema.

“Coletivamente, a gente tomou uma decisão. Praticamente todos que estão presentes assinaram a CPI”, declarou o presidente, acrescentando que os vereadores ausentes também estavam se manifestando favoravelmente à iniciativa.

O requerimento será encaminhado à Procuradoria da Câmara, que avaliará os aspectos regimentais, legais e constitucionais do documento. Depois dessa análise, estão previstas a formalização e a publicação dos atos necessários, seguidas da definição da presidência, da relatoria e dos demais integrantes da comissão, respeitando a proporcionalidade dos partidos.

Papy afirmou que o pedido reúne 10 fatos que deverão ser investigados. O detalhamento, segundo ele, será divulgado após a conclusão da coleta de assinaturas. Já o requerimento original, datado do dia 13 de agosto, propõe um prazo inicial de 120 dias para os trabalhos.

Ao justificar a iniciativa, o presidente da Câmara criticou a condução do serviço pela prefeitura e apontou descaso e negligência na manutenção das vias. Para ele, embora a execução dos reparos seja responsabilidade do Executivo, os vereadores também precisam responder à população pelas condições da cidade.

“O parlamento não é culpado disso, mas ele é responsável também pelo resultado da cidade”, afirmou, reconhecendo que as chuvas dificultaram os serviços e atingiram outros municípios, mas disse que a população cobra alternativas para enfrentar a deterioração do asfalto. 

Na avaliação dele, a gestão deixou de utilizar mecanismos de planejamento, como a priorização de avenidas e pontos críticos, além de enfrentar problemas relacionados a recursos e equipes.

A CPI, conforme Papy, também deverá pressionar o Executivo a organizar uma atuação mais eficiente, com procedimentos capazes de melhorar a qualidade e a durabilidade dos reparos.

Entre os pontos apresentados no requerimento original está a redução da previsão orçamentária para o projeto de modernização e requalificação das vias urbanas. Segundo o documento, a dotação passou de mais de R$ 132 milhões, em 2025, para pouco mais de R$ 40 milhões, neste ano, uma queda de quase 70%.

O texto também questiona a ausência de resposta ao Requerimento nº 34/2026, aprovado pela Câmara para solicitar informações sobre a execução do tapa-buraco. Conforme a justificativa apresentada, o prazo terminou sem que o Executivo encaminhasse os esclarecimentos.

Outro dado utilizado para fundamentar a investigação é o volume de demandas recebidas pelos vereadores. Das 24.673 indicações encaminhadas à prefeitura no primeiro semestre deste ano, quase 9 mil tratavam de serviços de tapa-buraco, segundo o requerimento.

A proposta ainda cobra explicações sobre a permanência dos problemas nas ruas mesmo com a disponibilidade da usina de asfalto do Consórcio Central-MS, presidido pela prefeita Adriane Lopes. O documento informa que a estrutura tem capacidade de produzir 120 toneladas por hora de concreto betuminoso usinado a quente.

Também são citadas investigações sobre suspeitas de fraudes em contratos, incluindo manipulação de medições e pagamentos por serviços executados parcialmente ou não realizados.

Esses episódios aparecem no requerimento como justificativas para aprofundar a fiscalização sobre a aplicação dos recursos públicos.

Além da apuração, Papy anunciou que está encaminhando um projeto de lei para modificar a forma de contratação dos serviços. Segundo ele, a proposta terá como referência orientações do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e buscará ampliar o foco dos contratos para a recuperação asfáltica.

O presidente ressaltou que a abertura da investigação deverá ser acompanhada de medidas para melhorar a manutenção das vias e recuperar a confiança dos moradores no poder público. “A população pode confiar na

Câmara que nós estamos trabalhando em favor da população, que não aguenta mais cair nos buracos, estragar o carro, ter acidentes”, declarou.

Para Luiza Ribeiro, os números demonstram a necessidade de aprofundar a fiscalização sobre a aplicação dos recursos públicos e a execução dos contratos de manutenção das ruas da Capital.

“A CPI do Tapa-Buraco é um instrumento legislativo necessário para esclarecer questões que ainda não estão transparentes na administração pública e permitir que a Câmara e a população compreendam o que está acontecendo com a execução desse serviço em Campo Grande”, afirmou.
 

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