O candidato do PSB ao governo da Paraíba, Ricardo Vieira Coutinho, 50 anos, venceu ontem o governador e candidato à reeleição pelo PMDB, José Targino Maranhão, 74 anos. No primeiro turno, Coutinho venceu Maranhão por apenas 8.367 votos de maioria. Ele obteve 942.121 votos (49,74%), contra 933.754 votos (49,30%).
Coutinho ganhou disparado nas duas maiores cidades do Estado, João Pessoa e Campina Grande, embora com uma votação um pouco menor em relação ao primeiro turno. Em João Pessoa, onde Maranhão elevou sua votação, a queda no eleitorado de Coutinho foi de cerca de 20 mil votos. Em vários municípios onde Maranhão venceu no primeiro turno, Coutinho ganhou adesões de prefeitos e lideranças políticas e provocou reversão da maioria do eleitorado a seu favor no segundo turno.
Aliados do governador eleito saíram às ruas das principais cidades da Paraíba, antes do término da apuração, para comemorar a vitória. As maiores comemorações ocorreram em João Pessoa, Campina Grande, Patos, Sousa e Cajazeiras, cinco das dez maiores cidades do Estado. Coutinho derrotou Maranhão em todas elas. Na orla marítima de João Pessoa, centenas de pessoas saíram às ruas com bandeiras laranjas em carros e a pé, gritando o nome de Ricardo Coutinho.
Antes de votar, no período da manhã, Coutinho disse que usou o bom combate e que não aplicou golpe baixo durante a campanha eleitoral. "Não usei armas sujas, nem golpe baixo e lutei o bom combate", disse Coutinho, que daria uma entrevista coletiva às 22h (23h no horário de Brasília) sobre o resultado do pleito.
O resultado da eleição na Paraíba também confirma a força política do ex-governador cassado Cássio Cunha Lima (PSDB), que mostrou ser um cabo eleitoral mais poderoso que o próprio Lula na Paraíba. Embora o PMDB e o PSB fossem aliados de Dilma no plano nacional, Lula gravou pedido de votos no horário eleitoral apenas para José Maranhão, ao argumento de que o vice dele era do PT. Além disso, Coutinho coligou-se com o PSDB de José Serra - que indicou o seu candidato a vice, o deputado federal Rômulo Gouveia - e o DEM do senador Efraim Morais, que não conseguiu se reeleger.
Mas nem Lula superou a idolatria que Cássio desperta no eleitorado da Paraíba. Os eleitores do tucano não perdoaram Maranhão, que assumiu o Palácio da Redenção depois que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassou o mandato do tucano, no ano passado, por abuso de poder econômico e político na eleição de 2006.


