Política

REFORMA TRIBUTÁRIA

Riedel defende reforma tributária, mas volta a cobrar ações contra perdas de receita

O governador participou nesta terça-feira (13) de uma reunião em Brasília com governadores do Centro-Oeste e o relator do projeto, deputado Agnaldo Ribeiro

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Na manhã desta terça-feira (13), o governador do Estado, Eduardo Riedel participou de uma reunião em Brasília para debater a reforma tributária com os governadores do Centro-Oeste e o relator do projeto, deputado Agnaldo Ribeiro.

Durante o encontro, Riedel defendeu a reforma tributária para o País, mas afirmou que é preciso criar mecanismos e ações para proteger as perdas dos Estados, incluindo Mato Grosso do Sul. 

“A reforma é importante para o país, mas nós temos que proteger alguns aspectos, para que não tenha a desconstrução de um caminho longo e árduo que foi criado pelos estados nestes últimos anos. O relator [Agnaldo Ribeiro] ouviu atentamente nossos pontos e vai passar para o grupo de trabalho que trata do assunto”, afirmou Riedel.

O governador também destacou que tais mecanismos de proteção aos estados precisam estar previstos já no texto constitucional, não ficando para um segundo momento. “Que esteja já no texto [constitucional] e não coloque esta regulamentação depois, para que tenhamos garantia e assim a reforma possa avançar no Congresso Nacional com estas premissas colocadas”.

Entre os pontos citados está o período de transição, para que seja mais longo e assim as “perdas” sejam mais arrefecidas, assim como fundo constitucional para recuperação de eventuais receitas. Desde o início da discussão Riedel se colocou a favor da reforma tributária, mas defende medidas para que Mato Grosso do Sul não sofra prejuízos com esta mudança constitucional.

O governador do Mato Grosso, Mauro Mendes, também citou a necessidade de criar medidas para proteger os estados que estão em desenvolvimento. “Passamos ao relator os pontos importantes que possam trazer impacto aos estados do Centro-Oeste. Nós concordamos nos pilares da reforma como a simplificação e novo modelo de tributação, mas existem impactos regionais que devem ser tratados”.

Mendes citou a importância de mecanismos para proteger indústrias de pequeno e médio porte no Centro-Oeste, assim como a manutenção de fundos regionais de desenvolvimento. “Houve um esforço muito grande destes estados para levar a industrialização nestas regiões nos últimos anos, a reforma não pode prejudicar este cenário, nós fizemos estes alertas ao relator”, explicou o governador de Mato Grosso.

O relator da reforma, deputado Agnaldo Ribeiro destacou que ouviu todos os pontos dos governadores e que o momento é de construção e diálogo com todos. “Este trabalho conjunto vai nos permitir um texto com tranquilidade e segurança jurídica, ouvindo a todos, inclusive quem produz e os consumidores, para que ele possa ser aprovado na Casa de Leis”.

Acompanharam o governador Eduardo Riedel na reunião o chefe da Casa Civil, Eduardo Rocha e a procuradora-geral do Estado, Ana Ali Garcia. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado também participou por videoconferência.

Perdas de receita

Em maio deste ano, durante a 14º edição do Fórum dos Governadores, em Brasília, Riedel já havia chamado atenção para as perdas de receita que Mato Grosso do Sul pode sofrer com a reforma tributária e cobrou definições para que seja feita uma compensação.

"A reforma conceitualmente é muito boa para o Brasil. Todos carregam um pouco desse sentimento. Sabemos os pontos centrais dela, e as angústias, como o Fundo Regional, da relação arrecadação e crescimento", destacou.

A perda em Mato Grosso do Sul se deve, principalmente, ao fato do Estado ter se tornado exportador, e as novas regras da reforma devem tirar parte da arrecadação. O governador se mostrou desconfiado em relação aos mecanismos apresentados pelo Governo Federal, e pediu garantias.

"Claro que a reforma é excepcional para o crescimento do país, mas como fica nossa arrecadação [estadual]?", questionou o deputado na época.

A preocupação do chefe do Executivo também se deve ao fato de que Mato Grosso do Sul possui apenas oito deputados federais entre os 513 que formam a Câmara, que vão poder, em um momento futuro, discutir como o fundo de recomposição deve funcionar.

Demais governadores presentes na reunião concordaram com o pedido de Riedel, e reiteraram que a discussão deve ser mais abrangente, e que cada Estado deve ter a possibilidade de apresentar e discutir seus pontos na reforma tributária.

"Sei que a reforma está procurando ver o Brasil como um todo. Nós queremos isso também. Mas é preciso levar em consideração essas diferenças regionais", comentou o governador do Amapá, Clécio Luís.

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ELEIÇÕES 2026

Patrimônio de candidatos ao Senado em MS vai de zero a quase R$ 56 milhões

Reinaldo Azambuja lidera lista de bens declarados à Justiça Eleitoral; juntos, seis concorrentes informaram patrimônio de R$ 63,3 milhões

12/08/2026 11h03

Os seis candidatos ao Senado que já divulgaram o patrimônio à Justiça Eleitoral são Vander Loubet (PT), Soraya Thronicke (PSB), Reinaldo Azambuja (PL), Daniel Junior (Agir), Capitão Contar (PL) e Beto do Movimento (PSOL)

Os seis candidatos ao Senado que já divulgaram o patrimônio à Justiça Eleitoral são Vander Loubet (PT), Soraya Thronicke (PSB), Reinaldo Azambuja (PL), Daniel Junior (Agir), Capitão Contar (PL) e Beto do Movimento (PSOL) Montagem

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Os seis candidatos que disputam as duas vagas de Mato Grosso do Sul no Senado Federal nas eleições deste ano apresentam realidades patrimoniais bastante distintas. 

Enquanto o ex-governador Reinaldo Azambuja (PL) declarou quase R$ 56 milhões em bens, Daniel Junior (Agir) informou à Justiça Eleitoral não possuir patrimônio. Somadas, as declarações dos seis concorrentes chegam a R$ 63.317.810,90. 

Desse total, R$ 55.976.398,48 pertencem a Azambuja, candidato pela coligação “Fazendo o Futuro Acontecer”. O valor representa aproximadamente 88,4% de todo o patrimônio informado pelos postulantes ao Senado no Estado.

A análise foi feita pelo Correio do Estado com base no patrimônio já divulgado pelos seis candidatos no DivulgaCandContas, portal administrado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e que reúne informações sobre todos os candidatos registrados nas eleições brasileiras, além das prestações de contas de campanha.

A diferença fica ainda mais evidente quando o patrimônio do ex-governador é comparado ao dos demais candidatos. Juntos, o deputado federal Vander Loubet (PT), o ex-deputado estadual Capitão Contar (PL), Beto do Movimento (PSOL), a senadora Soraya Thronicke (PSB) e Daniel Junior declararam R$ 7.341.412,42.

Dessa forma, Azambuja possui patrimônio cerca de 7,6 vezes superior ao total informado pelos cinco adversários somados. O segundo maior patrimônio declarado é do deputado federal Vander Loubet, candidato pela coligação “Por um MS do Povo”. 

Ele informou possuir R$ 4.122.759,55 em bens, montante equivalente a cerca de 6,5% do patrimônio total dos seis concorrentes. Na terceira posição aparece Capitão Contar, que também concorre pela coligação “Fazendo o Futuro Acontecer”, que declarou patrimônio de R$ 1.660.693,63.

Beto do Movimento, candidato da “Federação PSOL-Rede”, aparece em seguida, com R$ 945 mil em bens declarados. A atual senadora Soraya Thronicke, que disputa a reeleição pela coligação “Por um MS do Povo”, informou patrimônio de R$ 612.959,24, o segundo menor entre os seis candidatos. Daniel Junior, do Agir, é o único concorrente ao Senado por Mato Grosso do Sul que declarou não ter bens à Justiça Eleitoral.

Considerando os dois extremos da lista, a diferença patrimonial entre Reinaldo Azambuja e Daniel Junior é de R$ 55.976.398,48. A corrida pelas duas cadeiras de Mato Grosso do Sul no Senado reúne seis candidatos.

Além de Azambuja e Contar, concorrem Soraya Thronicke, Vander Loubet, Beto do Movimento e Daniel Junior. Como duas vagas estão em disputa neste ano, cada eleitor poderá escolher dois candidatos ao Senado. Os dois mais votados no Estado serão eleitos para mandatos de oito anos.

Confira o patrimônio declarado pelos seis candidatos ao Senado em MS:

Reinaldo Azambuja — R$ 55.976.398,48
Vander Loubet — R$ 4.122.759,55
Capitão Contar — R$ 1.660.693,63
Beto do Movimento — R$ 945.000,00
Soraya Thronicke — R$ 612.959,24
Daniel Junior — R$ 0,00
Total declarado: R$ 63.317.810,90

RECURSOS PÚBLICOS

Fiscalização mira R$ 17,4 milhões de "emendas Pix" de Soraya

Auditorias apontam falhas nos planos de trabalho, falta de rastreabilidade, risco de desperdício e até mesmo superfaturamento

12/08/2026 07h40

Emendas da senadora Soraya Thronicke são alvos de investigação

Emendas da senadora Soraya Thronicke são alvos de investigação Foto: Carlos Moura/Agência Senado

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“Emendas Pix” que somam R$ 17,4 milhões indicadas pela senadora Soraya Thronicke (PSB) entraram no radar de órgãos de controle em diferentes procedimentos, relacionados à transparência, à rastreabilidade e à execução dos recursos públicos.

Conforme apuração do Correio do Estado, o montante milionário reúne dois conjuntos distintos, sendo o principal deles formado por duas emendas, que somam R$ 15,4 milhões, destinadas ao Instituto de Desenvolvimento Socioambiental (IDS) e submetidas à auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU). 

Os outros R$ 2 milhões correspondem a transferências destinadas a quatro municípios de Mato Grosso do Sul que apresentaram problemas relacionados aos planos de trabalho e às informações necessárias para permitir o acompanhamento da aplicação do dinheiro.

Os casos ganham novo destaque diante da ofensiva do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), para ampliar a transparência e a rastreabilidade das emendas parlamentares. 

O ministro considera que ainda persiste um “estado de inconstitucionalidade” na execução dessas verbas e tem determinado providências para permitir que os recursos sejam acompanhados desde a indicação parlamentar até o beneficiário final.

Em uma frente distinta, auditoria recente do Tribunal de Contas da União (TCU) examinou 100 transferências especiais, conhecidas como “emendas Pix”, destinadas a dezenas de entes públicos e que somavam aproximadamente R$ 198 milhões. Foram identificadas mais de 200 ocorrências irregulares e dezenas de milhões de reais em potenciais prejuízos.

A parcela mais significativa dos recursos envolve duas emendas de Soraya destinadas ao IDS nos anos de 2023 e 2024.

Uma delas, de aproximadamente R$ 7,48 milhões, tinha como finalidade promover capacitação e ações de fortalecimento da agricultura e da pecuária em Mato Grosso do Sul, com ênfase em Naviraí.

A segunda, de aproximadamente R$ 8 milhões, previa ações para promover produção, transferência de conhecimento, tecnologia e inovação por meio de feiras e qualificação de produtores rurais de Aquidauana, Coxim e Naviraí.

Os recursos foram empregados em iniciativas que incluíram eventos denominados Cozinha Show, concursos de merendeiras e ações relacionadas ao Pantanal Tech.

Na auditoria, a CGU considerou pouco detalhados os planos de trabalho apresentados pelo IDS. Entre os problemas encontrados estavam a ausência de metas e de indicadores capazes de permitir a avaliação dos resultados obtidos com a aplicação do dinheiro.

Outro ponto destacado pelos auditores foi a ausência ou insuficiência de extratos bancários. Segundo a CGU, a deficiência compromete a transparência e a rastreabilidade dos recursos públicos e dificulta a comprovação de que todo o dinheiro foi utilizado conforme os respectivos planos de trabalho.

Na avaliação do órgão, os problemas aumentam o risco de má aplicação do dinheiro. O relatório também apontou riscos de desperdício de recursos públicos e superfaturamento.

Além dos R$ 15,4 milhões destinados ao IDS, Soraya aparece como autora de outro conjunto de “emendas Pix”, no valor total de R$ 2 milhões, destinadas diretamente a quatro municípios.

A maior transferência foi para Aparecida do Taboado, que recebeu R$ 1,5 milhão. Outros R$ 200 mil foram para Corumbá, divididos em duas transferências de R$ 100 mil, Campo Grande recebeu R$ 200 mil e Dourados, R$ 100 mil.

Nesse conjunto, os questionamentos estão relacionados principalmente à apresentação dos planos de trabalho e das informações necessárias para assegurar a transparência e também a rastreabilidade das transferências.

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