lidiane kober
O deputado estadual Ary Rigo (PSDB) negou ontem ter usado dinheiro da Assembleia Legislativa para pagar propina a autoridades e afastou prática de tráfico de influência para proteger o prefeito de Dourados Ari Artuzi (sem partido) da prisão. “Jamais cometi qualquer crime ou desviei qualquer centavo da Assembleia”, declarou, em nota de esclarecimento (leia na íntegra na página 4A). Ele, no entanto, confessou procurar “demonstrar força e poder para resolver problemas de um amigo”, no caso Artuzi. Ainda ressaltou que “o conteúdo da gravação não traduz a conclusão apresentada” e disse que as imagens foram editadas para tentar incriminá-lo.
Vídeos divulgados no YouTube mostram conversa de Rigo com o jornalista Eleandro Passaia, ex-assessor do prefeito de Dourados. No diálogo, o parlamentar garante que, por meio do Poder Legislativo, seriam repassados mensalmente ao Tribunal de Justiça R$ 900 mil; ao Ministério Público, R$ 300 mil; a cada deputado pelo menos R$ 120 mil e ao governador André Puccinelli (PMDB), eram devolvidos R$ 2 milhões, em espécie. Rigo também afirmou, no vídeo, ter influenciado a decisão do desembargador Claudionor Abss Duarte a negar o pedido de prisão de Artuzi, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Owari, no ano passado.
Segundo Rigo, os repasses referidos na gravação referem-se à redução do duodécimo do Poder Legislativo, em 21,8%, enquanto o repasse ao Judiciário caiu em 7,8% e do MPE, em 5,48%. “Como a redução maior foi da Assembleia, exatamente para beneficiar os demais, senti-me o grande articulador da ajuda”, disse. Quanto ao dinheiro entregue a Puccinelli, ele voltou a informar que o montante equivale “a redução do duodécimo e a economias” da Casa de Leis e dos deputados.
Em relação aos R$ 120 mil repassados aos demais parlamentares, Rigo garantiu referir-se “ao valor total do custo do gabinete de cada um”. Indagado sobre o momento no qual fala que o montante terá de baixar para R$ 42 mil, ele disse que “as Assembleias começaram a fazer uma adaptação”. Ainda informou que, se o Poder Legislativo colocasse em prática a lei, cada deputado receberia R$ 123 mil, mas, como a Casa abriu mão de alguns benefícios, cada parlamentar embolsaria R$ 70 mil mensais.
Questionado sobre o motivo pelo qual, na gravação, demonstra preocupação com a Lei da Transparência, Rigo afirmou: “não me mostro preocupado.” Em seguida, lembrou o dia no qual Passaia gravou o vídeo. Segundo ele, a gravação foi feita em hotel de Maracaju, depois de o autor das gravações o procurar para resolver crise entre vereadores e Artuzi. “Nunca imaginei que um cara próximo do prefeito, que eu era companheiro, fosse me gravar e, mesmo se eu soubesse, tinha dado uma cadeirada na cabeça dele por fazer gravação ilegal”, comentou, na sequência.
Em relação ao momento no qual diz, no vídeo, que a nova turma do MPE “aceita (dinheiro), aceita, mas tem que ir devagarinho”, Rigo repetiu que “não tínhamos interferência nenhuma nas decisões do Ministério Público e do Judiciário”. “O Ministério Público pediu tudo o que tinha que pedir: prisão, afastamento do cargo, sequestro de bens. O Tribunal de Justiça fez tudo o que tinha que fazer, então não houve interferência alguma. Acontece que no decorrer da conversa, eu não vi o total da fita, só vi a fita montada, surgiu este fato”, completou.
Indagado se pensa em afastar-se do cargo de primeiro-secretário da Assembleia por conta das supostas irregularidades, Rigo afastou a possibilidade. “Não cometi crime algum, porque que é que eu vou me afastar?”, questionou.



