Política

TERREMOTO NA POLÍTICA DE MS

Rigo nega divisão de dinheiro com outras autoridades

Rigo nega divisão de dinheiro com outras autoridades

Redação

23/09/2010 - 07h32
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lidiane kober

O deputado estadual Ary Rigo (PSDB) negou ontem ter usado dinheiro da Assembleia Legislativa para pagar propina a autoridades e afastou prática de tráfico de influência para proteger o prefeito de Dourados Ari Artuzi (sem partido) da prisão. “Jamais cometi qualquer crime ou desviei qualquer centavo da Assembleia”, declarou, em nota de esclarecimento (leia na íntegra na página 4A). Ele, no entanto, confessou procurar “demonstrar força e poder para resolver problemas de um amigo”, no caso Artuzi. Ainda ressaltou que “o conteúdo da gravação não traduz a conclusão apresentada” e disse que as imagens foram editadas para tentar incriminá-lo.
Vídeos divulgados no YouTube mostram conversa de Rigo com o jornalista Eleandro Passaia, ex-assessor do prefeito de Dourados. No diálogo, o parlamentar garante que, por meio do Poder Legislativo, seriam repassados mensalmente ao Tribunal de Justiça R$ 900 mil; ao Ministério Público, R$ 300 mil; a cada deputado pelo menos R$ 120 mil e ao governador André Puccinelli (PMDB), eram devolvidos R$ 2 milhões, em espécie. Rigo também afirmou, no vídeo, ter influenciado a decisão do desembargador Claudionor Abss Duarte a negar o pedido de prisão de Artuzi, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Owari, no ano passado.
Segundo Rigo, os repasses referidos na gravação referem-se à redução do duodécimo do Poder Legislativo, em 21,8%, enquanto o repasse ao Judiciário caiu em 7,8% e do MPE, em 5,48%. “Como a redução maior foi da Assembleia, exatamente para beneficiar os demais, senti-me o grande articulador da ajuda”, disse. Quanto ao dinheiro entregue a Puccinelli, ele voltou a informar que o montante equivale “a redução do duodécimo e a economias” da Casa de Leis e dos deputados.
Em relação aos R$ 120 mil repassados aos demais parlamentares, Rigo garantiu referir-se “ao valor total do custo do gabinete de cada um”. Indagado sobre o momento no qual fala que o montante terá de baixar para R$ 42 mil, ele disse que “as Assembleias começaram a fazer uma adaptação”. Ainda informou que, se o Poder Legislativo colocasse em prática a lei, cada deputado receberia R$ 123 mil, mas, como a Casa abriu mão de alguns benefícios, cada parlamentar embolsaria R$ 70 mil mensais.
Questionado sobre o motivo pelo qual, na gravação, demonstra preocupação com a Lei da Transparência, Rigo afirmou: “não me mostro preocupado.” Em seguida, lembrou o dia no qual Passaia gravou o vídeo. Segundo ele, a gravação foi feita em hotel de Maracaju, depois de o autor das gravações o procurar para resolver crise entre vereadores e Artuzi. “Nunca imaginei que um cara próximo do prefeito, que eu era companheiro, fosse me gravar e, mesmo se eu soubesse, tinha dado uma cadeirada na cabeça dele por fazer gravação ilegal”, comentou, na sequência.
Em relação ao momento no qual diz, no vídeo, que a nova turma do MPE “aceita (dinheiro), aceita, mas tem que ir devagarinho”, Rigo repetiu que “não tínhamos interferência nenhuma nas decisões do Ministério Público e do Judiciário”. “O Ministério Público pediu tudo o que tinha que pedir: prisão, afastamento do cargo, sequestro de bens. O Tribunal de Justiça fez tudo o que tinha que fazer, então não houve interferência alguma. Acontece que no decorrer da conversa, eu não vi o total da fita, só vi a fita montada, surgiu este fato”, completou.
Indagado se pensa em afastar-se do cargo de primeiro-secretário da Assembleia por conta das supostas irregularidades, Rigo afastou a possibilidade. “Não cometi crime algum, porque que é que eu vou me afastar?”, questionou.

Parceria

Empréstimo de R$ 415 milhões para o Hospital Regional é aprovado pelo Senado

Resolução que valida a operação de crédito externo foi aprovada nesta quinta-feira (13)

13/08/2026 17h00

Resolução que valida a operação de crédito externo foi aprovada nesta quinta-feira (13)

Resolução que valida a operação de crédito externo foi aprovada nesta quinta-feira (13) Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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O Senado aprovou o empréstimo de US$ 80 milhões (aproximadamente R$ 415 milhões), repasse entre Governo do Estado e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), destinados à parceria público-privada (PPP) do Hospital Regional. 

A resolução parlamentar que valida a operação de crédito externo foi aprovada nesta quinta-feira (13) pelo Plenário do Senado e segue à promulgação. 

O empréstimo conta com garantia da União, nos termos da mensagem da Presidência da República (MSF 48/2026) ratificada pelos senadores.

A Secretaria do Tesouro Nacional (STN) e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) confirmaram o cumprimento dos requisitos legais para a tomada dos recursos pelo governo do Estado.

Em seu relatório, a senadora Tereza Cristina (PP) argumentou que “o principal objetivo deve ser assegurar uma estrutura hospitalar adequada, serviços de qualidade e utilização eficiente dos recursos públicos, mantendo sempre a saúde e o interesse coletivo como referências centrais da iniciativa”.

Em maio o Governo do Estado assinou a concessão do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul à empresa Inova Saúde, subsidiária da Construcap CCPS Engenharia e Comércio, vencedora do leilão para comandar administrativamente o hospital através de parceria público-privada. Conforme o contrato, a empresa deve iniciar os serviços em janeiro de 2027. 

De acordo com Riedel, a decisão da privatização do Hospital foi motivada por experiências bem-sucedidas no Brasil e no mundo em gestão de hospitais públicos. O objetivo é oferecer serviço gratuito à população com recursos compatíveis ao orçamento estadual. 

"Este foi o melhor modelo encontrado que envolvesse a ampliação do hospital, a construção, a parte estrutural, física, modernização do hospital, não só do ponto de vista de equimaneto e da sua estrutura, mas do ponto de vista da gestão. Temos muita convicção de que essa mudança traria um resultado muito positivo e impactaria a saúde e no projeto da saúde de todo o estado", afirmou o governador à época. 

O leião da concessão aconteceu na sede da B3, em São Paulo e teve cinco interessadas. A Construcap ofereceu um deságio de 22% ao valor de referência definido para a contraprestação do Estado, que era de R$ 20,3 milhões, ofertando R$ 15,9 milhões, valor muito inferior ao dos quatro outros concorrentes do leilão.

O plano de implementação será feito em fases progressivas. Em janeiro do próximo ano a empresa assume serviços de apoio não assistenciais, como a hotelaria, limpeza, lavanderia, segurança, recepção e infraestrutura de TI. 

Após 20 meses, a Inovar assume a indústria farmacêutica, que é a compra de medicamentos. Um ano depois, a empresa assume a reforma e modernização do chamado "Bloco Velho", passando para as outras áreas após a conclusão, até a consolidação total da operação, com previsão de 56 meses.

"Isso quer dizer que a gente ainda vai conviver com um pedaço de responsabilidade do Estado, e por isso é uma operação assistida, até a operação plena ser consolidada, com parte da PPP. Mas visando sempre o melhor e a melhor eficiência para o cidadão", explicou o Dr. Vinícius Batistela. 

Saiba*

Hospital Regional de Mato Grosso do Sul é considerado o maior hospital de alta complexidade do Estado, atendendo mais de 1,5 milhão de pacientes por ano. A PPP será responsável por modernizar e expandir os serviços essenciais por um período de 30 anos. 

"Me tirem!"

'Mais louco do Brasil' diz que PL pode expulsá-lo após apoiar petista ao Senado

Prefeito rebateu candidata a deputada estadual que pediu saída dele da legenda

13/08/2026 14h15

Vander Loubet foi um dos escolhidos por Juliano Ferro ao Senado

Vander Loubet foi um dos escolhidos por Juliano Ferro ao Senado Foto: Montagem

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Após declarar apoio à candidatura do petista Vander Loubet ao Senado, Juliano Ferro (PL), prefeito de Ivinhema autointitulado "Mais louco do Brasil" disse que o partido pode expulsá-lo, mas que mesmo assim manterá apoio àqueles que sempre os ajudaram duranto a construção de seu mandato.

Na manhã desta quinta-feira (13), a candidata a deputada estadual Vivi Tobias (PL) foi até a sede estadual do partido, em Campo Grande, e protocolou um pedido de expulsão de Juliano Ferro por infidelidade partidária. 

Amplamente identificado com a ala bolsonarista, a declaração de apoio a Vander em detrimento da candidatura de Capitão Contar, do mesmo partido, não foi bem acolhida por grande parcela de seus eleitores, fato que provocou uma enxurrada de declarações negativas de sua própria base eleitoral.  

Em suas redes sociais, reiterou o apoio a Vander Loubet e disse que o petista é o único da esquerda que decidiu apoiar, mantendo assim apoio para Flávio Bolsonaro à presidência, Riedel para Governador, Mara Caseiro na disputa pela Câmara Federal, Zé Teixeira, candidato a deputado estadual e Reinaldo Azambuja, sua primeira escolha no Senado. 

"Eu não estou fazendo "desfidelidade (sic) partidária não, eu não sou candado a deputado estadual e nem federal, não sou candado a nada, eu sou prefeito. Se quiserem me tirar do partido, tirem!"

Na sequência, diz que a escolha por Vander se deu como uma espécie de gratidão ao fato do atual deputado federal auxiliá-lo com recursos federais. Tenho que apoiar quem ajudou a construir o mandato, quem hoje atende a "necessidade da população", falou. 

"E eu não vou pelo partido, vou pelas melhores propostas pelo nosso estado, eu vou por queles que me ajudaram a conduzir o meu mandato. Fui reeleito com 82%, então antes de falar de mim vai lá e pergunta em Ivinhema como que é o nosso mandato." No mesmo vídeo, diz que a candidatura do do outro candidato ao Senado pelo PL (Capitão Contar) não o convenceu. Além de Ferro, Júlio Buguelo (PSD), prefeito de Glória de Dourados também declarou apoio a Vander. 

No vídeo, alguns de seus seguidores o apoiam, ao passo que outros o chamam de "petista enrustido". 

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