Política

BRASÍLIA

Senado aprova texto-base do projeto das Fake News

Após várias polêmicas, texto recebeu 44 votos favoráveis e 32 contrários

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O Senado aprovou na terça-feira (30) o texto-base do projeto de lei das fake news após um "vai e vem" de versões e uma série de polêmicas em torno da proposta. O texto recebeu 44 votos favoráveis e 32 contrários. Os senadores precisam agora analisar os destaques, pedidos de alteração ao texto. Até o momento são nove pedidos cadastrados, mas os partidos podem retirar esses requerimentos. Depois disso, o texto será analisado pela Câmara dos Deputados.

O projeto tenta alterar a lei e implantar um marco inédito na regulamentação do uso das redes sociais, criando a chamada Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet. O tema ganhou relevância nas eleições de 2018 e foi pautado pelo Senado neste ano de disputas municipais. Companhias do setor, porém, apontam risco de censura à livre manifestação do pensamento com a mudança na legislação.

O relator do projeto, Angelo Coronel (PSD-BA), desistiu de diversos pontos polêmicos, como o aumento de pena para crimes cometidos por usuários na internet e medidas para enquadrar milícias digitais. O temor de parlamentares, tanto governistas como de oposição, era que uma mudança na lei se voltasse contra as redes ligadas a políticos no País. As plataformas, contudo, poderão ser responsabilizadas se não adotarem práticas contra a disseminação de notícias falsas.

Pelo texto, as plataformas digitais - como Facebook, Twitter e WhatsApp - deverão colocar em prática uma política de controle da disseminação de notícias falsas da internet. Se não houver regras, a pena pode ser advertência ou multa relativa a 10% do faturamento das empresas no Brasil - a medida que previa suspensão das atividades foi retirada.

As normas valem para plataformas com mais de 2 milhões de usuários. Essas empresas deverão barrar o uso de contas falsas e deixar claro publicamente quando determinado perfil é um robô, operado de forma automatizada. Aplicativos como WhatsApp e Telegram, por sua vez, deverão limitar a possibilidade de encaminhamentos em massa de uma mesma mensagem.

O projeto enfrenta resistência das gigantes digitais. Além de resistirem à responsabilização, as companhias argumentam que há risco para os usuários. Um dos itens obriga os aplicativos de mensagens privadas a armazenar por três meses os dados de usuários que encaminharem correntes em massa. O argumento é chegar na raiz de uma fake news em investigação judicial ou na quebra de sigilo, por exemplo.

Em entrevista ao Broadcast Político, o diretor de Políticas Públicas do WhatsApp na América Latina, Pablo Bello, afirmou que a nova lei, se aprovada, será um "presente" do Brasil a regimes autoritários. "Eventualmente, países não democráticos poderiam acessar esse tipo de informação para perseguir ativistas, jornalistas e cidadãos comuns como nós que têm uma opinião, simplesmente. Em nenhum país do mundo existe um mecanismo de rastreabilidade como se propõe nesse projeto."

Defensores do projeto argumentam, por outro lado, que apenas os metadados - uma espécie de "capa" no entorno das informações dos usuários - seriam guardados, e não os conteúdos. Para o executivo da empresa, esse nível de informação é preocupante e pode comprometer a privacidade de quem usa o aplicativo para conversas pessoais.

"O argumento de vigilância sobre usuário é falacioso e descabido Importante dizer que isso não difere em nada do que a Justiça hoje já faz. O Whatsapp, por exemplo, muitas vezes já é compelido pela Justiça para identificar uma cadeia de encaminhamentos", afirmou o relator.

CPF LARANJA

Outra medida do projeto para chegar aos autores de fake news é obrigar as empresas de telefonia móvel a recadastrar e autenticar a identidade de todos os portadores de chip pré-pago, evitando o uso de CPF "laranja" - em nome de outra pessoa - na linha de celular. Em uma quebra de sigilo, por exemplo, seria possível com isso identificar quem enviou mensagens com desinformação.

Companhias do setor começaram a desenvolver um recadastramento dos números pré-pago, mas a avaliação é que a medida ainda é insuficiente para evitar o uso de CPF "laranja", o que motivou a obrigação do cadastro no projeto de lei.

O projeto autoriza as plataformas a apagar conteúdos antes mesmo de uma decisão judicial em alguns casos, como quando há risco de indução ao suicídio, à pedofilia ou ainda um conteúdo manipulado sobre a identidade de algum candidato a cargo político. A exclusão de publicações sem aval da Justiça é outro alvo de críticas ao projeto.

No caso de publicidades, as redes sociais deverão deixar claro para os usuários quando uma publicação é paga por patrocínio. "Não estamos atribuindo às redes sociais o papel de sensores ou juízes. O que pretendemos é assegurar um maior grau de transparência e objetividade, evitando que uma opinião livre sobre política, por exemplo, seja censurada", declarou Angelo Coronel.

POLÍTICOS

Na votação do projeto, o Senado fez um movimento para restringir a atuação de políticos nas redes sociais, entre eles o presidente Jair Bolsonaro. O texto proíbe mandatários de cargos eleitos do Executivo e do Legislativo de bloquear seguidores em seus perfis nas redes sociais.

Se a proposta for aprovada, a mesma regra valerá para ministros de Estado, secretários estaduais e municipais, dirigentes de autarquias e titulares dos Tribunais de Contas da União, dos Estados e dos Municípios. "As contas não poderão restringir o acesso de outras contas às suas publicações", diz o texto do parecer do senador Angelo Coronel (PSD-BA).

Usuário ativo de perfis no Facebook e no Twitter, Bolsonaro provocou polêmica em diversas ocasiões pelas publicações em suas contas sociais. Em março do ano passado, por exemplo, publicou um vídeo com cenas obscenas durante o carnaval, episódio conhecido como "golden shower." O chefe do Planalto também bloqueou alguns seguidores ao longo de sua atuação no Twitter.

DIREITOS AUTORAIS

O relator do projeto desistiu da proposta de remuneração de conteúdo na internet. Inédita no País, a medida obrigaria plataformas de internet a remunerar produtores de conteúdo, como empresas de comunicação, por aquilo que é publicado em redes como Facebook e Twitter.

LUTO

Assembleia suspende sessão em razão do falecimento da esposa de Zé Teixeira

Ivanilde Zanfolin Teixeira, de 83 anos, faleceu vítima de um AVC nesta quarta-feira (21)

22/10/2026 12h00

Ivanilde foi casada por 66 anos com o deputado Zé Teixeira

Ivanilde foi casada por 66 anos com o deputado Zé Teixeira DIVULGAÇÃO

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Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS) suspendeu a sessão plenária desta quinta-feira (22), em razão do falecimento de Ivanilde Zanfolin Teixeira, esposa do deputado estadual reeleito Zé Teixeira (PL).

Presidente da Casa de Leis, deputado estadual Gerson Claro (PP), anunciou a suspensão logo após o início dos trabalhos, com base no artigo 116 do Regimento Interno da Casa, que prevê a deliberação do plenário para a suspensão ou levantamento da sessão.

O presidente também propôs uma moção de pesar em homenagem a Ivanilde e familiares, em nome da Assembleia Legislativa.

Zé e Ivanilde foram casados por 66 anos e têm dois filhos. Ela permaneceu ao lado dele por toda a sua trajetória política: Zé está há 32 anos na vida política – oito mandatos consecutivos.

O deputado foi reeleito em 2026 para mais quatro anos de cadeira na ALEMS, com 54.080 votos tornando-se o deputado estadual mais votado de Mato Grosso do Sul, garantindo o nono mandato.

Deputado estadual reeleito, Paulo Corrêa (PL), manifestou condolências ao colega.

“Nesse momento desejamos grande força ao nosso amigo e deputado Zé Teixeira para que cuide da família”, disse.

LUTO

Ivanilde Zanfolin Teixeira, de 83 anos, faleceu na tarde desta quarta-feira (21), em Dourados, município localizado a 226 quilômetros de Campo Grande.

O falecimento foi comunicado pela família Teixeira por meio de nota oficial divulgada nas redes sociais.

Ela sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e estava internada desde domingo (18) no Hospital Unimed, em Dourados.

O velório ocorre das 6h às 14h desta quinta-feira (22), na Pax Primavera, localizada na rua Hilda Bergo Duarte, nº 1.135, sala Master, na Vila Planalto, em Dourados. O sepultamento ocorrerá às 15h, mas, o local não foi divulgado.

Ela nasceu em 22 de junho de 1943 e deixa o esposo e dois filhos, Nilson e Eliana. Ivanilde deixa o legado de fé, companheirismo e dedicação à família.

REORGANIZAÇÃO PARTIDÁRIA

Cláusula de barreira pode pôr Lidio e Delcídio juntos

Deputado deixou o Patriota em 2023 para não ficar sob o comando do ex-senador no PRD e agora a situação se repete

22/10/2026 08h00

O ex-senador Delcídio Amaral e o deputado Lidio Lopes

O ex-senador Delcídio Amaral e o deputado Lidio Lopes Montagem

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O fracasso de partidos políticos em superar a cláusula de barreira nas eleições deste ano poderá colocar novamente no mesmo grupo duas lideranças que se separaram justamente por causa de uma fusão partidária no Estado. 

Trata-se do deputado estadual reeleito Lidio Lopes (Avante) e do ex-senador Delcídio Amaral (PRD), que poderão voltar a dividir espaço político quase três anos depois de uma disputa pelo comando de uma legenda que levou Lidio Lopes a ficar mais de dois anos sem partido.

A ironia é que Lidio deixou o Patriota em dezembro de 2023 para não correr o risco de ficar sob a presidência de Delcídio no Partido Renovação Democrática (PRD), criado a partir da fusão de Patriota e Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) .

Agora, pouco mais de seis meses depois de ingressar no Avante, o deputado enfrenta novamente uma reorganização partidária que poderá aproximá-lo do ex-senador. O motivo é o desempenho insuficiente do Avante nas eleições do dia 4. 

A legenda elegeu apenas cinco deputados federais e recebeu 1,59% dos votos válidos nacionais para a Câmara dos Deputados, ficando abaixo das exigências da cláusula de barreira, que garante acesso ao Fundo Partidário e ao tempo gratuito de propaganda no rádio e na televisão.

Para tentar contornar as restrições, dirigentes nacionais do Avante iniciaram conversas com representantes do Solidariedade e do PRD, que já integram a Federação Renovação Solidária. Uma das possibilidades em discussão é a união de Avante e Solidariedade, com a manutenção da ligação federativa com o PRD.

Caso a articulação avance, Lidio e Delcídio poderão integrar a mesma estrutura político-partidária em MS, embora não necessariamente filiados na mesma legenda. Procurados pela reportagem para comentar a possibilidade de voltarem a integrar o mesmo grupo, Lidio Lopes e Delcídio Amaral preferiram não se manifestar.

DESENTENDIMENTO

A situação remete a novembro de 2023, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou a fusão entre o PTB e o Patriota, dando origem ao PRD.

Na época, Lidio Lopes presidia o Patriota em Mato Grosso do Sul, enquanto Delcídio Amaral comandava o PTB. Com a criação da nova legenda, os dois passaram a disputar a presidência estadual do partido resultante da fusão.

O impasse terminou em dezembro daquele ano, quando Delcídio foi escolhido para comandar o PRD no Estado. Antes mesmo da definição oficial, Lidio anunciou sua saída, no dia 12 de dezembro, diante dos indicativos de que não permaneceria à frente da estrutura partidária.

O deputado preferiu deixar a legenda a correr o risco de perder o controle político do partido e ficar sem possibilidade de trocar de sigla até uma nova janela partidária. 

A decisão fez com que permanecesse sem filiação por mais de dois anos, período em que continuou exercendo mandato na Assembleia Legislativa.

Só em abril deste ano, às vésperas do encerramento da janela partidária, Lidio oficializou sua entrada no Avante. Em maio, assumiu a presidência do partido no Estado e passou a trabalhar na organização da chapa de candidatos a deputado estadual.

A mudança garantiu sua participação nas eleições pela nova legenda e a conquista de mais um mandato na Assembleia Legislativa, mas o desempenho nacional do Avante acabou recolocando o parlamentar diante de um problema semelhante ao enfrentado em 2023.

Avante, PRD e Solidariedade elegeram 12 deputados federais, um a menos que o mínimo exigido. A fusão, porém, enfrenta obstáculos jurídicos, já que o PRD, registrado em novembro de 2023, só poderá participar desse tipo de operação após completar cinco anos. A opção é a união entre Avante e Solidariedade, mantendo a federação com o PRD.

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