Política

LEGISLADOR

"Tenho saudade do tempo em que pelo menos havia respeito à palavra" , diz Figueiró

"Tenho saudade do tempo em que pelo menos havia respeito à palavra" , diz Figueiró

MILANE CRESTANI

16/03/2014 - 17h50
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Político de destaque nas décadas de 1970 e 1980, Ruben Figueiró ficou conhecido pelo apelido Formiguinha, dado pela dedicação ao trabalho. Há um ano, voltou à política para ocupar a vaga de senador e não decepcionou. Aos 82 anos de idade, continua mostrando que mantém a mesma disposição. Está entre os campeões de presença no Senado, conforme levantamento da revista Congresso em Foco. Porém, destaca, nesta entrevista, ter saudade do respeito à palavra e aos cofres públicos da política de antigamente, ressalvadas algumas exceções. No período como senador, já apresentou 33 proposições importantes para MS, as quais serão melhor detalhadas abaixo:

O senhor iniciou na política há muitos anos, em 1970, passando por diferentes cargos. Depois de um período afastado de candidaturas, assumiu vaga no Senado e destacou-se entre os campeões de presença no Plenário. Qual sua avaliação sobre esta recente experiência na política?

Para mim não foi surpreendente. Dediquei 33 anos de minha vida ao exercício da causa pública. Neles emprestando o meu idealismo e dedicação intensiva ao trabalho. A esses se somam os anos de militância política nos quais adquiri, em lutas memoráveis, os valores que me conduziram a exercer mandatos públicos. Por circunstâncias conhecidas, fui conduzido ao Senado e aqui estou com os ideais que sempre me animaram, inclusive, em respeito ao codinome que me deram e que guardo com calor humano: “o Formiguinha”, ou seja, o trabalhador.

Considerando esse período em que ficou afastado, quais as principais diferenças constatadas na atividade política?

Seria insincero se para agradar alguns dissesse que a atividade política teve ganhos na valorização perante a opinião pública. Inegavelmente há méritos a ressaltar, mas em razão da ineficácia das ações em todos os Poderes da República, dos males que os campeiam de maneira desassombrada, confesso que tenho saudade daqueles tempos em que pelo menos havia respeito à palavra empenhada e aos cofres públicos. Ressalto as honrosas exceções.

O que destaca de projetos e proposições como senador?

Desde que assumi o mandato no Senado, minhas bandeiras têm sido a luta por uma solução para a questão indígena no Mato Grosso do Sul; a recuperação do Rio Taquari; a defesa da instalação de uma usina separadora de gás no Estado; e a melhoria da logística de transportes para a nossa região. Em relação à atuação no Senado, já apresentei 33 proposições, entre projetos de lei, sugestões para realização de audiências públicas e requerimentos de informação a ministros e órgãos governamentais sobre os mais diversos assuntos. Dos meus projetos, destaco os relacionados à legislação eleitoral, como o que garante o voto em trânsito para os cargos de senador, governador e prefeito, já aprovado no Senado; e o projeto que determina que o julgamento de processos sobre impugnação de mandato, anulação de eleição e expedição de diploma deva ocorrer em até 60 dias, a fim de evitar a cassação de mandato dos eleitos e já em exercício do cargo, como tem ocorrido, inclusive, em nosso Estado, com prefeitos e vereadores empossados.
Outra proposição minha estabelece prazo máximo de 180 dias para liberação do registro de agrotóxicos. Também apresentei o PLS que facilita o transplante de células do sangue do cordão umbilical; o que transforma em crime hediondo falsificação, adulteração ou alteração de alimentos; e o que aumenta a pena do presidiário que praticar extorsão – o golpe do telefone, quando a vítima recebe a ligação do bandido preso, forjando que sequestrou um ente querido. Um projeto que já foi aprovado e está tramitando na Câmara dos Deputados é o que exige pagamento de comissão para comerciários. O percentual da comissão pelas vendas será acertado entre lojistas e comerciantes e formalizado no contrato de trabalho.

Seu mandato vai até 31 de janeiro de 2015. Pretende concorrer a algum outro cargo nas eleições deste ano?

Considero um fato excepcional ter assumido o cargo de senador da República, que muito me honra, mas sinceramente não previsto por mim, nada obstante ter sido incluído na chapa da sempre senadora Marisa Serrano, que prestou inegáveis serviços ao nosso Estado e ainda presta, como conselheira do Tribunal de Contas. Reconheço, no entanto, que aos 83 anos é imperioso conceder a honra do cargo que ocupo a um conterrâneo mais jovem, embora tenha a convicção de que “não se envelhece com o passar dos anos, mas sim pelo abandono dos ideais”.

Como avalia o fato de o PSDB ainda não ter cogitado seu nome para disputar o Senado ou outros cargos. Acha que está sendo excluído?

Sempre recebi a maior consideração e prestígio do meu partido, inclusive sou presidente de honra do Diretório Regional, como tenho sido instado pelo partido e por correligionários para pleitear, por assim dizer, a reeleição. A minha decisão de não participar do processo eleitoral se funda em razões de ordem pessoal e familiar – exclusivamente.

Um dos maiores gargalos enfrentados no setor econômico de Mato Grosso do Sul refere-se ao setor de logística, considerando as alternativas disponíveis para escoar a produção. Quais investimentos o senhor considera fundamentais para garantir maior competitividade a MS?

Há muitos gargalos para um estado como o nosso que se encontra numa fase exitosa de desenvolvimento graças ao espírito empreendedor da iniciativa privada, tanto no campo, quanto nas cidades. Todos reconhecem que o maior gargalo que estiola a nossa atividade econômica está na logística dos transportes, problema insistentemente debatido pela nossa bancada federal de senadores e deputados.
A duplicação da BR-163, hoje já com contrato firmado com empresas da mais alta eficiência do setor, já foi uma vitória. A disposição é lutar por outras BRs, como a 060, a 262 e a 267; pela recuperação da antiga Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, hoje praticamente abandonada pela atual concessionária, a ALL; pela implantação da ferrovia, que do território paulista vai a Dourados; e o trecho, que de Dourados vai a Cascavel, para interligação de outra, que vai ao porto de Paranaguá, no Paraná.
De minha parte, estou tentando motivar, por meio de debates no Senado, uma importante rodovia, a bioceânica, que seria implantada de Santos a Porto Murtinho e daí pelo território paraguaio, argentino e chileno ao porto de Arica, interligando, portanto, os oceanos Atlântico e Pacífico, visando à conquista do extraordinário mercado do oriente.

O senhor chegou a propor audiência pública para discutir a viabilidade do corredor bioceânico, que traria benefícios ao Estado. Quais os entraves?

Realmente, a proposta de audiência pública para estudar a viabilidade técnica e econômica do chamado corredor bioceânico foi aprovada pela Comissão de Infraestrutura e será realizada em conjunto com a Comissão de Relações Exteriores, ambas do Senado, até o fim de abril. Desde já estão convidados e indicados por mim, o ministro dos Transportes, César Borges, o governador André Puccinelli, o secretário de obras, Edson Giroto, o ex-governador, José Orcírio Miranda dos Santos, e o prefeito de Porto Murtinho, Heitor Miranda, todos amplos conhecedores da importância dessa rodovia, além de representantes dos países por onde ela percorreria. Por enquanto, há otimismo e creio que não haverá entraves, reconhecendo, porém, que sua implantação não será em curto prazo. A semente está lançada.

Além da atividade parlamentar, o senhor tem preocupação com a história de MS e por isso já lançou diversos livros. Conte-nos sobre essas obras e se tem pretensão de publicar mais alguma?

Realmente, tenho interesse que a história ainda recente em nosso Estado seja mais bem estudada para que seu conhecimento chegue à leitura das novas gerações. Mato Grosso do Sul, como Estado, decorre de uma luta que considero heroica e que vem com sangue e lágrimas desde o fim do século 19. O Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul tem um trabalho extremamente meritório, colhendo valiosos subsídios, dentre esses, destaco livros que nos premiaram o professor J. Barbosa Rodrigues e o prof. Hidelbrando Campestrini. Quanto a mim, procurei registrar por meio de duas publicações: “Espelho do tempo” e “Movimento do Tempo”, além de artigos publicados em jornais, como me prestigia frequentemente o nosso Correio do Estado, muito de minhas lembranças sobre o que foi e o que é a luta pela existência e pelo engrandecimento de nosso MS. Assim, pretendo continuar amanhã, na doce ociosidade do meu tempo, acrescento, distante das peleias político eleitorais, porém atento às coisas do nosso Brasil.   

REFORMA ADMINISTRATIVA

Maurício Simões decide ficar na Saúde, enquanto Ovando faz lobby pela Pasta

Reestruturação do HRMS está entre os motivos para o secretário rever intenção de sair do comando no 2º mandato de Riedel

15/10/2026 07h45

O médico Maurício Simões Corrêa é o titular da Saúde no Estado

O médico Maurício Simões Corrêa é o titular da Saúde no Estado Foto: ARQUIVO

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O titular da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Maurício Simões Corrêa, teria revisto a intenção de deixar o cargo e pretende permanecer na equipe do governador reeleito Eduardo Riedel (PP) no segundo mandato, que começa em janeiro de 2027. 

Conforme informação repassada ao Correio do Estado, entre os motivos para a mudança de disposição está o interesse em acompanhar a reestruturação do Hospital Regional Rosa Pedrossian (HRMS), um dos principais projetos da Pasta.

A intenção de permanecer ocorre em meio às articulações do deputado federal Dr. Luiz Ovando (PP), que não conseguiu se reeleger e busca espaço no futuro secretariado.

O parlamentar passou a fazer lobby para ocupar a cadeira de Maurício depois do resultado das urnas e, como o Correio do Estado mostrou na edição de terça-feira, a movimentação de Ovando já incluiu até a divulgação de material de assessoria apresentando suas credenciais para assumir a Pasta.

Médico e integrante do mesmo partido do governador reeleito, ele tenta transformar a experiência profissional e a proximidade partidária em argumentos para chegar ao comando da SES.

Ainda segundo o relato recebido pelo Correio do Estado, Ovando teria sido convidado por Riedel para assumir a Pasta no início da primeira gestão, mas recusou a oferta. Agora, sem um novo mandato na Câmara dos Deputados, o parlamentar demonstra interesse em integrar a administração estadual.

As articulações pela SES também encontram uma diretriz já anunciada por Riedel para a montagem da próxima equipe: o governador afirmou que não pretende distribuir pastas apenas para acomodar interesses partidários. “A gente não loteia governo”, declarou no dia 6.

Segundo Riedel, a escolha dos integrantes do segundo mandato será precedida pela definição da estrutura administrativa e das necessidades de cada área, com foco na capacidade de execução das políticas públicas.

HRMS

Na Saúde, a continuidade da reestruturação do HRMS aparece entre os motivos apontados para Maurício desejar permanecer. O projeto combina ampliação da capacidade hospitalar, renovação dos equipamentos e mudança na administração dos serviços de apoio.

A parceria público-privada (PPP) foi contratada com a Inova Saúde MS, subsidiária da Construcap, por 30 anos. O hospital continuará público, com atendimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), enquanto a assistência médica e de enfermagem permanecerá sob responsabilidade do Estado.

A concessionária ficará encarregada das obras, dos equipamentos e dos serviços não assistenciais. O planejamento prevê ampliar o número de leitos de 362 para 577. 

No pronto-socorro, a capacidade projetada passa de 22 para 77 leitos, enquanto a média de internações poderá crescer de aproximadamente 1,4 mil para 2.760 pacientes por mês.

Na apresentação da parceria, o governo anunciou R$ 966 milhões para obras, modernização e renovação tecnológica. O cronograma divulgado estabelece dois anos para a expansão e mais dois para a reforma das instalações existentes.

Também estão previstos centros de cardiologia e oncologia, ampliação da UTI e fortalecimento da maternidade de alto risco. Maurício participa das discussões sobre o modelo desde antes da licitação. 

Em fevereiro de 2024, durante reunião com o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), ele já apresentava a possibilidade de uma PPP para determinados serviços hospitalares.

A participação também está formalizada no contrato da parceria: Maurício consta como ordenador de despesas e um dos signatários do documento, assinado em 23 de abril deste ano e publicado no Diário Oficial no dia 11 de maio.

SEGUNDO TURNO

Riedel e Azambuja mobilizam prefeitos para ampliar votação de Flávio em MS

Com meta de alcançar 70% dos votos no Estado, lideranças preparam ações nos 79 municípios neste fim de semana

15/10/2026 06h31

O senador eleito Reinaldo Azambuja, presidente estadual do PL, comandou o encontro com os prefeitos de Mato Grosso do Sul em apoio à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República

O senador eleito Reinaldo Azambuja, presidente estadual do PL, comandou o encontro com os prefeitos de Mato Grosso do Sul em apoio à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República Divulgação

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O governador reeleito Eduardo Riedel (PP) e o senador eleito Reinaldo Azambuja (PL) mobilizaram prefeitos e lideranças políticas, na noite desta quarta-feira (14), em Campo Grande (MS), para intensificar a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial. 

Com meta de elevar a votação do candidato de cerca de 58%, registrada no primeiro turno, para 70% em Mato Grosso do Sul, o ato político foi realizado no comitê de campanha do também senador eleito Capitão Contar (PL).

O encontro reuniu 70 dos 79 prefeitos do Estado, além de parlamentares e candidatos eleitos e não eleitos. 
Os nove prefeitos ausentes justificaram a falta, enquanto o deputado federal reeleito Marcos Pollon (PL) não compareceu.

Adesivaço

Riedel defendeu a participação das lideranças em atividades de campanha nos 79 municípios neste sábado (17) e domingo (18). A orientação é transformar o apoio político em ações de mobilização dos eleitores na reta final da disputa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Entre as iniciativas anunciadas está a “Missão Flávio 22”, com ações simultâneas de adesivagem nos 79 municípios no sábado. A mobilização deverá continuar até o segundo turno, marcado para 25 de outubro.

Ao defender o envolvimento dos aliados, Riedel afirmou que a eleição de Flávio poderá fortalecer a relação de Mato Grosso do Sul com o governo federal e facilitar o encaminhamento de demandas de saúde e infraestrutura.

“Estamos pensando nos 79 municípios, de onde saímos vitoriosos nesta eleição. Quando projetamos os próximos quatro anos, será muito importante termos o Flávio Bolsonaro”, declarou.

O governador também destacou a atuação que espera dos representantes do Estado no Senado a partir de 2027. “Temos questões na saúde, infraestrutura, que precisam ser resolvidas e será possível uma relação mais próxima e altiva com a eleição dele. Teremos uma bancada exemplar de MS para o Brasil com os senadores Azambuja, Tereza e Contar”, afirmou.

Durante o discurso, Riedel criticou Lula ao comparar o anúncio de recursos para uma ponte na Bahia com os entraves relacionados à ponte de Porto Murtinho. Na avaliação do governador, as demandas do município sul-mato-grossense precisam de maior atenção federal.

Emendas

Azambuja, por sua vez, cobrou empenho dos prefeitos e demais lideranças para que as vitórias do grupo em Mato Grosso do Sul sejam acompanhadas da eleição de Flávio à Presidência. O senador eleito defendeu uma “vitória completa” e uma “vitória maiúscula”.

“Não podemos acabar com gosto amargo”, disse, ao mencionar a possibilidade de derrota para Lula. Em outro momento, reforçou o discurso contrário à permanência dos petistas no governo federal: “O Brasil não aguenta mais o PT”.

Reinaldo também prometeu “premiar” com emendas parlamentares os municípios onde Flávio alcançar as maiores votações. Segundo ele, o compromisso envolve Capitão Contar e a senadora Tereza Cristina (PP).

“Os municípios onde o Flávio tiver a maior votação, nós vamos premiar com as emendas”, afirmou, vinculando a promessa de destinação dos recursos ao desempenho eleitoral do presidenciável nas cidades.
 

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