A senadora sul-mato-grossense Tereza Cristina (PP) foi contra a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional que põe fim à escala 6x1, aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na tarde desta quarta-feira (2). Além dela, os senadores Jaime Bagattoli (PL-RO), Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Rogerio Marinho (PL-RN) também foram contrários ao texto aprovado.
Em sua justificativa, destacou não ser contrária à redução trabalhista e sim a pressa sobre a aprovação do texto sem a construção do debate necessário por parte dos senadores.
"Eu acho muito complicada a definição de um texto constitucional de uma escala fixa, para que todos os tipos de atividades, sem considerar as diversas realidades do mercado de trabalho. Seria preciso uma nova Pec. O tema é de extrema importancia, mas a pressa da votação é o que me traz preocupação, ninguem pode fazer uma lei para um pais tão continental quanto o nosso, tão diverso quanto o nosso, tantas cadeias produtivas quanto o nosso sem uma discussão aprofundada", declarou a senadora.
Na sequência, destacou que o papel dos senadores acerca da proposta não deveria ser somente de "carimbar" proposições advindas da Câmara dos Deputados.
"(...) nós podiamos ter relator indicado, várias audiencia publicas convocadas, mas nada disso foi feito. Será que essa casa aqui é carimbadora? Seá que não temos nada a oferecer para o texto dessa Pec, nós vamos de novo carimbar pela pressa de resolver um problema tão importante", frisou.
Em resposta, o senador Omar Aziz (PSD-AM) destacou que as particularidades cabiveis a algumas categorias seriam deliberadas posteriormente dada a complexidade da pauta.
De modo geral, o texto manteve integralmente a versão aprovada pela Câmara dos Deputados e prevê redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, além da garantia de dois dias de descanso remunerado por semana.
O parecer foi apresentado pelo relator, senador Omar Aziz, que rejeitou as 36 emendas apresentadas durante a tramitação no Senado. A decisão mantém o texto original e evita que a PEC precise retornar à Câmara dos Deputados para nova análise.
Entre as emendas rejeitadas estavam propostas para manter a jornada de 44 horas em determinadas situações, ampliar a possibilidade de negociação individual ou coletiva, aumentar o período de transição, flexibilizar o segundo dia de repouso remunerado e estabelecer exceções para algumas categorias profissionais.
Conforme o relator, nenhuma das sugestões apresentadas teria corrigido um vício, suprido uma lacuna ou aperfeiçoado o texto aprovado pela Câmara. Por isso, Aziz defendeu a manutenção integral da proposta.
Na mesma sessão, os senadores aprovaram o andamento de um calendário especial para que a proposta possa ser votada ainda nesta quarta-feira junto ao plenário da Câmara dos Deputados. Para ser aprovada, são necessários pelo menos 49 votos favoráveis em dois turnos de votação.
Encaminhamento
Caso o texto seja aprovado pelos senadores sem alterações, poderá seguir para promulgação. Se houver mudanças no conteúdo aprovado pela Câmara, a proposta terá de retornar aos deputados para nova análise.
Se a PEC for aprovada pelo Plenário e posteriormente promulgada, a jornada máxima semanal será reduzida de 44 para 40 horas, mantido o limite de oito horas diárias.
A Constituição também passará a garantir dois dias de repouso semanal remunerado, com preferência para que um deles seja aos domingos.
A redução da jornada não poderá resultar em diminuição dos salários, o que inclui os pisos das categorias.
A mudança será implantada em duas etapas. Dois meses após a promulgação, a jornada máxima cairá para 42 horas semanais. Um ano depois do encerramento dessa primeira etapa, o limite passará para 40 horas.
A negociação coletiva continuará permitida para definir mecanismos de compensação de horários e regimes de descanso, desde que sejam respeitados os novos limites constitucionais.


