Política

OPERAÇÃO ANTIVÍRUS

Acusações sofrem baixas na Justiça e MPMS defende absolvição de Gerson Claro

Presidente da Assembleia Legislativa recebe manifestação favorável na acusação de corrupção passiva e STJ mantém dois ex-diretores do Detran fora de ação de improbidade

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As investigações abertas a partir da Operação Antivírus, que apurou suspeitas em contratos do Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul (Detran-MS), acumularam decisões e manifestações favoráveis a alguns dos investigados ao longo da tramitação judicial.

O episódio mais recente envolve o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems), deputado estadual Gerson Claro Dino (PP). O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), responsável pela acusação, manifestou-se pela absolvição do parlamentar em relação ao crime de corrupção passiva, previsto no artigo 317 do Código Penal.

A manifestação não encerra todas as questões judiciais relacionadas a Gerson Claro, mas representa o afastamento, pelo próprio órgão acusador, de uma das imputações formuladas contra ele na esfera criminal. As apurações remontam ao período em que o atual presidente da Alems comandava o Detran-MS e alcançaram contratos celebrados pela autarquia.

Entre os negócios analisados está um contrato de R$ 7,416 milhões firmado com a empresa Pirâmide Central Informática. O objeto envolvia serviços de processamento e registro de informações referentes a veículos financiados. A contratação ocorreu em caráter emergencial e sem licitação. Posteriormente, passou a ser alvo das investigações conduzidas pelo Ministério Público.

EX-DIRETORES BENEFICIADOS

Antes da manifestação favorável a Gerson Claro, outro processo relacionado às investigações do Detran-MS já havia terminado com resultado positivo para antigos integrantes da direção do órgão.

A Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve Gerson Tomi e Donizete Aparecido da Silva fora de uma ação civil pública por improbidade administrativa. O julgamento ocorreu entre os dias 28 de março e 3 de abril de 2023 e terminou por unanimidade.

A controvérsia chegou ao STJ após o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) modificar uma decisão de primeira instância e extinguir a ação especificamente em relação aos dois ex-dirigentes. 

Na avaliação do TJMS, havia “absoluta ausência de indícios mínimos” que permitissem sustentar a acusação de improbidade administrativa contra eles. O Tribunal também considerou que as condutas atribuídas a Gerson Tomi e Donizete Aparecido da Silva faziam parte das funções que exerciam no Detran-MS.

Trecho posteriormente reproduzido pelo STJ apontou que não existia “verossimilhança nas alegações do órgão ministerial” nem elementos capazes de indicar a prática de atos ímprobos. A decisão destacou ainda que os ex-dirigentes “agiram nos limites das atribuições dos cargos que ocupavam junto ao Detran/MS”.

UNANIMIDADE

O Ministério Público tentou modificar esse entendimento e recorreu ao STJ para que a ação voltasse a tramitar contra os dois ex-diretores. A tentativa, porém, não prosperou.

Os ministros da Segunda Turma concluíram que uma eventual reversão da decisão do TJMS dependeria de uma nova avaliação dos fatos e das provas reunidas no processo.

Esse tipo de reexame não é admitido em recurso especial, conforme estabelece a Súmula 7 do Superior Tribunal de Justiça. “Nos termos em que a causa foi decidida, infirmar os fundamentos do acórdão recorrido [...] demandaria o reexame de matéria fática”, registrou o STJ.

Com esse fundamento, o recurso do MPMS foi rejeitado por unanimidade. A relatora, ministra Assusete Magalhães, teve o voto acompanhado pelos ministros Francisco Falcão, Humberto Martins, Herman Benjamin e Mauro Campbell Marques.

CASOS DIFERENTES

Embora tenham origem no mesmo ambiente de investigações relacionadas ao Detran-MS, os casos de Gerson Claro e dos dois ex-diretores possuem características jurídicas distintas.

Para Gerson Tomi e Donizete Aparecido da Silva, houve uma decisão judicial que afastou a continuidade da ação de improbidade por falta de indícios mínimos suficientes.

No caso de Gerson Claro, não se trata de uma decisão definitiva envolvendo todas as acusações. O que ocorreu foi uma manifestação do próprio Ministério Público pela absolvição do parlamentar especificamente quanto à imputação de corrupção passiva.

As medidas também não significam o encerramento de todos os processos derivados da Operação Antivírus. Ainda assim, os episódios demonstram que algumas das acusações formuladas inicialmente no contexto das investigações perderam sustentação durante a análise dos processos pela Justiça e pelo próprio órgão de acusação.

CRISE NO STF

Mensagens indicam encontros entre Moraes e Daniel Vorcaro

Diálogos apreendidos pela PF apontam ao menos seis encontros e pedidos de ajuda para conter investigações; PGR pede anulação do relatório

02/09/2026 07h20

Ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes

Ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes Divulgação/STF

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Mensagens encontradas pela Polícia Federal (PF) no celular do banqueiro Daniel Vorcaro apontam uma relação próxima com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e indicam a realização de pelo menos seis encontros entre os dois antes da prisão do empresário.

Os diálogos também mostram pedidos de ajuda para tentar conter investigações que atingiam o Banco Master.

Os primeiros encontros teriam sido articulados pelo ex-ministro das Comunicações Fábio Faria. Um deles ocorreu no dia 2 de fevereiro de 2024, na casa de Faria, com a presença das esposas.

No dia 17 de julho daquele ano, Faria enviou a Vorcaro uma mensagem com a indicação "Careca 19:30". No dia 5 de novembro, o banqueiro contou à filha que estava com Moraes.

No dia 26 de fevereiro de 2025, o motorista de Vorcaro informou por mensagem que "ministro Alexandre chegou". No dia 19 de março, o banqueiro escreveu para a namorada, Martha Graeff, e para o ex-diretor do Banco Central Paulo Sérgio: "Tô com Moraes aqui rsrs".

Outro encontro teria ocorrido em abril, nas proximidades da residência de Moraes, aparentemente em Campos do Jordão.

A prisão de Vorcaro ocorreu no dia 17 de novembro de 2025, no aeroporto de Guarulhos, quando ele se preparava para embarcar em um jato particular com destino a Malta.

Dois dias antes, no dia 15 de novembro, o banqueiro perguntou a um interlocutor apontado como ligado a Moraes: "Acha que segunda já tenho que estar fora?" No dia seguinte, questionou: "Você acha que existe alguma chance de isso acontecer amanhã de manhã?" Também afirmou que estava voando e iria diretamente encontrar o ministro.

Segundo os documentos da PF, foram identificadas 12 capturas de tela relacionadas a encontros e tentativas de contato nas proximidades da prisão.

Em uma das mensagens, Vorcaro afirmou: "Eu iria para Brasília somente pra te ver e atualizar de tudo. Muita coisa acontecendo". Em outra, escreveu: "Estamos juntos sempre".

Os diálogos também mostram que o banqueiro buscava apoio para evitar o agravamento da situação do Banco Master.

Em uma das conversas, aparece a afirmação de que seria necessário contar com "Andrei e Paulo", em referência, segundo a investigação, ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.

"Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco não quebra", diz uma das mensagens. Em outra, há o pedido para "não deixar ninguém de baixo fazer uma sacanagem, que aí vai tudo pro saco".

Paralelamente, a Fictor Holding Financeira articulava a aquisição do Banco Master com investidores internacionais. O anúncio da operação, inicialmente previsto para o dia 21 de novembro, foi antecipado para o dia 17 de novembro, justamente no dia da prisão de Vorcaro.

As mensagens também lançaram luz sobre contratos milionários entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes. Segundo o material, os contratos somariam aproximadamente R$ 131 milhões.

Um relatório aponta ainda que Moraes teria feito alterações no contrato. Uma segunda proposta, de cerca de R$ 50 milhões, envolveria a transferência de cotas de um jato particular e de um helicóptero como forma de pagamento.

A relação entre Vorcaro e Moraes também aparece em eventos jurídicos. O ministro teria feito sugestões e vetos de convidados para duas edições do Fórum Jurídico de Londres, organizado com participação do banqueiro.

Apesar da quantidade de mensagens, há uma ressalva importante no material da PF: os registros encontrados no celular de Vorcaro não permitem saber o que Moraes teria respondido às mensagens. Segundo os documentos, os dois utilizavam mensagens que desapareciam e capturas de tela de anotações.

A PF recuperou apenas o conteúdo enviado pelo banqueiro. Além disso, os documentos não comprovam que todos os encontros planejados efetivamente ocorreram.

Nulidade?

O caso ganhou ontem novo contorno institucional, quando o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a anulação do relatório da PF. Para Gonet, o ministro André Mendonça teria utilizado a Polícia Federal para investigar um colega do Supremo sem autorização do plenário da Corte.

Na avaliação do procurador-geral, um ministro do STF somente poderia ser investigado após autorização dos próprios integrantes do Tribunal.

Gonet afirma que Mendonça teria se valido da polícia para "impor a investigação" de Moraes e que um magistrado não poderia conduzir uma investigação antes da existência de um processo.

Plenário

Mendonça, por sua vez, pretende levar a discussão ao plenário do STF. A expectativa é de que o ministro libere o caso para inclusão na pauta na próxima semana, cabendo ao presidente da Corte, Edson Fachin, definir a data do julgamento.

A justificativa de Mendonça para a apuração é identificar a suposta rede de influência e monitoramento mantida por Vorcaro.

Em decisão anterior, o ministro afirmou que os diálogos sugeriam que o banqueiro tinha conhecimento antecipado de informações relacionadas à própria prisão e buscava interferir junto a autoridades públicas.

O nome de Paulo Gonet também aparece no material analisado pela PF. Um advogado teria encaminhado a Vorcaro mensagens atribuídas ao procurador-geral. O filho de Gonet também teria convidado o banqueiro para um evento em Londres, com despesas pagas.

*Saiba

Mendonça quer levar caso ao plenário do STF

A expectativa é de que o ministro André Mendonça, relator do caso, libere o caso para inclusão na pauta na próxima semana, cabendo ao presidente da Corte, Edson Fachin, definir a data do julgamento.

caso master

Mendonça quer levar ao plenário diálogos atribuídos a Vorcaro e Moraes

A partir do parecer, Mendonça deve decidir se abre ou não uma investigação formal contra o ministro

01/09/2026 19h00

 Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça

Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça Fotos: Carlos Moura/ SCO/ STF

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 O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça afirmou, em decisão proferida nesta terça-feira, 1º de setembro, que os novos elementos trazidos pela Polícia Federal (PF) na investigação sobre o Banco Master devem ser analisados pelo plenário da Corte.

"Diante do teor das informações apresentadas pela autoridade policial, independentemente de qual venha a ser a manifestação exarada pela douta Procuradoria-Geral da República, o caminho inevitável dos presentes autos leva ao Plenário deste Supremo Tribunal Federal, instância soberana para analisar, de modo técnico e estritamente jurídico, os novos elementos trazidos pela autoridade policial", afirmou.

Mendonça ressaltou que a deliberação deverá ser tomada em sessão presencial, "de forma pública e transparente", em data a ser definida pelo presidente do Supremo, Edson Fachin.

Na decisão, Mendonça retirou o sigilo do processo que trata dos diálogos entre o ex-dono do Master, Daniel Vorcaro, e o ministro do STF Alexandre de Moraes.

Após a PF apresentar relatório sobre as conversas, Mendonça pediu parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR).

A partir do parecer, Mendonça deve decidir se abre ou não uma investigação formal contra o ministro.

 

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