Política

PRESIDÊNCIA

Quaest mostra Lula e Flávio em empate técnico no 2º turno

Pesquisa divulgada nesta quarta-feira mostra Augusto Cury em terceiro lugar, com 10% da intenções de voto. No segundo turno, Lula teria 40% e Cury, 34%

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) estão tecnicamente empatados em uma eventual disputa de segundo turno pelo Palácio do Planalto, segundo pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira, 2. Lula registra 42% das intenções de voto, ante 41% de Flávio.

A vantagem do petista caiu de três para um ponto porcentual desde a rodada divulgada em 14 de agosto. Na ocasião, Lula tinha 43%, enquanto Flávio alcançava 40%. Brancos, nulos ou eleitores que não pretendem votar somam 13%, e os indecisos 4%.

Lula também lidera os demais cenários de segundo turno testados. Contra Ronaldo Caiado (PSD), o presidente tem 42%, ante 37% do governador de Goiás. Diante de Renan Santos (Missão), o placar é de 43% a 36%. Em uma disputa com Augusto Cury (Avante), Lula registra 40%, contra 34% do adversário.

1º turno

No primeiro turno, o presidente aparece à frente com 37% das intenções de voto, seguido por Flávio, com 30%, e Cury, com 10%. Renan Santos registra 3%. Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Pablo Marçal e Samara Braga têm 1% cada.

Outros 7% dos entrevistados pretendem votar em branco ou anular o voto, enquanto 11% estão indecisos.

Em um cenário de primeiro turno sem Marçal, Lula mantém os 37%, Flávio registra 29% e Cury continua com 10%.

Flávio Bolsonaro é rejeitado por 55% dos eleitores, enquanto a rejeição a Lula alcança 53%.

A pesquisa Quaest foi realizada entre os dias 30 de agosto e 1º de setembro, com 2.004 eleitores. A margem de erro é de 2 pontos porcentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-07065/2026.

CRISE NO STF

Mensagens indicam encontros entre Moraes e Daniel Vorcaro

Diálogos apreendidos pela PF apontam ao menos seis encontros e pedidos de ajuda para conter investigações; PGR pede anulação do relatório

02/09/2026 07h20

Ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes

Ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes Divulgação/STF

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Mensagens encontradas pela Polícia Federal (PF) no celular do banqueiro Daniel Vorcaro apontam uma relação próxima com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e indicam a realização de pelo menos seis encontros entre os dois antes da prisão do empresário.

Os diálogos também mostram pedidos de ajuda para tentar conter investigações que atingiam o Banco Master.

Os primeiros encontros teriam sido articulados pelo ex-ministro das Comunicações Fábio Faria. Um deles ocorreu no dia 2 de fevereiro de 2024, na casa de Faria, com a presença das esposas.

No dia 17 de julho daquele ano, Faria enviou a Vorcaro uma mensagem com a indicação "Careca 19:30". No dia 5 de novembro, o banqueiro contou à filha que estava com Moraes.

No dia 26 de fevereiro de 2025, o motorista de Vorcaro informou por mensagem que "ministro Alexandre chegou". No dia 19 de março, o banqueiro escreveu para a namorada, Martha Graeff, e para o ex-diretor do Banco Central Paulo Sérgio: "Tô com Moraes aqui rsrs".

Outro encontro teria ocorrido em abril, nas proximidades da residência de Moraes, aparentemente em Campos do Jordão.

A prisão de Vorcaro ocorreu no dia 17 de novembro de 2025, no aeroporto de Guarulhos, quando ele se preparava para embarcar em um jato particular com destino a Malta.

Dois dias antes, no dia 15 de novembro, o banqueiro perguntou a um interlocutor apontado como ligado a Moraes: "Acha que segunda já tenho que estar fora?" No dia seguinte, questionou: "Você acha que existe alguma chance de isso acontecer amanhã de manhã?" Também afirmou que estava voando e iria diretamente encontrar o ministro.

Segundo os documentos da PF, foram identificadas 12 capturas de tela relacionadas a encontros e tentativas de contato nas proximidades da prisão.

Em uma das mensagens, Vorcaro afirmou: "Eu iria para Brasília somente pra te ver e atualizar de tudo. Muita coisa acontecendo". Em outra, escreveu: "Estamos juntos sempre".

Os diálogos também mostram que o banqueiro buscava apoio para evitar o agravamento da situação do Banco Master.

Em uma das conversas, aparece a afirmação de que seria necessário contar com "Andrei e Paulo", em referência, segundo a investigação, ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.

"Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco não quebra", diz uma das mensagens. Em outra, há o pedido para "não deixar ninguém de baixo fazer uma sacanagem, que aí vai tudo pro saco".

Paralelamente, a Fictor Holding Financeira articulava a aquisição do Banco Master com investidores internacionais. O anúncio da operação, inicialmente previsto para o dia 21 de novembro, foi antecipado para o dia 17 de novembro, justamente no dia da prisão de Vorcaro.

As mensagens também lançaram luz sobre contratos milionários entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes. Segundo o material, os contratos somariam aproximadamente R$ 131 milhões.

Um relatório aponta ainda que Moraes teria feito alterações no contrato. Uma segunda proposta, de cerca de R$ 50 milhões, envolveria a transferência de cotas de um jato particular e de um helicóptero como forma de pagamento.

A relação entre Vorcaro e Moraes também aparece em eventos jurídicos. O ministro teria feito sugestões e vetos de convidados para duas edições do Fórum Jurídico de Londres, organizado com participação do banqueiro.

Apesar da quantidade de mensagens, há uma ressalva importante no material da PF: os registros encontrados no celular de Vorcaro não permitem saber o que Moraes teria respondido às mensagens. Segundo os documentos, os dois utilizavam mensagens que desapareciam e capturas de tela de anotações.

A PF recuperou apenas o conteúdo enviado pelo banqueiro. Além disso, os documentos não comprovam que todos os encontros planejados efetivamente ocorreram.

Nulidade?

O caso ganhou ontem novo contorno institucional, quando o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a anulação do relatório da PF. Para Gonet, o ministro André Mendonça teria utilizado a Polícia Federal para investigar um colega do Supremo sem autorização do plenário da Corte.

Na avaliação do procurador-geral, um ministro do STF somente poderia ser investigado após autorização dos próprios integrantes do Tribunal.

Gonet afirma que Mendonça teria se valido da polícia para "impor a investigação" de Moraes e que um magistrado não poderia conduzir uma investigação antes da existência de um processo.

Plenário

Mendonça, por sua vez, pretende levar a discussão ao plenário do STF. A expectativa é de que o ministro libere o caso para inclusão na pauta na próxima semana, cabendo ao presidente da Corte, Edson Fachin, definir a data do julgamento.

A justificativa de Mendonça para a apuração é identificar a suposta rede de influência e monitoramento mantida por Vorcaro.

Em decisão anterior, o ministro afirmou que os diálogos sugeriam que o banqueiro tinha conhecimento antecipado de informações relacionadas à própria prisão e buscava interferir junto a autoridades públicas.

O nome de Paulo Gonet também aparece no material analisado pela PF. Um advogado teria encaminhado a Vorcaro mensagens atribuídas ao procurador-geral. O filho de Gonet também teria convidado o banqueiro para um evento em Londres, com despesas pagas.

*Saiba

Mendonça quer levar caso ao plenário do STF

A expectativa é de que o ministro André Mendonça, relator do caso, libere o caso para inclusão na pauta na próxima semana, cabendo ao presidente da Corte, Edson Fachin, definir a data do julgamento.

caso master

Mendonça quer levar ao plenário diálogos atribuídos a Vorcaro e Moraes

A partir do parecer, Mendonça deve decidir se abre ou não uma investigação formal contra o ministro

01/09/2026 19h00

 Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça

Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça Fotos: Carlos Moura/ SCO/ STF

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 O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça afirmou, em decisão proferida nesta terça-feira, 1º de setembro, que os novos elementos trazidos pela Polícia Federal (PF) na investigação sobre o Banco Master devem ser analisados pelo plenário da Corte.

"Diante do teor das informações apresentadas pela autoridade policial, independentemente de qual venha a ser a manifestação exarada pela douta Procuradoria-Geral da República, o caminho inevitável dos presentes autos leva ao Plenário deste Supremo Tribunal Federal, instância soberana para analisar, de modo técnico e estritamente jurídico, os novos elementos trazidos pela autoridade policial", afirmou.

Mendonça ressaltou que a deliberação deverá ser tomada em sessão presencial, "de forma pública e transparente", em data a ser definida pelo presidente do Supremo, Edson Fachin.

Na decisão, Mendonça retirou o sigilo do processo que trata dos diálogos entre o ex-dono do Master, Daniel Vorcaro, e o ministro do STF Alexandre de Moraes.

Após a PF apresentar relatório sobre as conversas, Mendonça pediu parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR).

A partir do parecer, Mendonça deve decidir se abre ou não uma investigação formal contra o ministro.

 

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