Política

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Trabalho sob medida

Trabalho sob medida

Redação

19/03/2010 - 04h06
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Armários planejados milimetricamente, ou popularmente chamado de embutidos, gavetas escamoteáveis, nichos bem posicionados, portas que escondem e revelam. Tudo é válido na hora de aproveitar da melhor forma possível todos os espaços disponíveis, independentes da área. Seja um pequeno apartamento, seja uma casa de dimensões generosas, o planejamento bem feito é fundamental para corresponder às expectativas. Os móveis feitos em marcenaria são como uma obra de arte, produzidos pelas mãos cuidadosas do marceneiro, uma profissão que tem sua origem nos tempos bíblicos e que é comemorada hoje em homenagem ao Dia de São José, pai de Jesus na Terra, que é o primeiro marceneiro que a história registra. Embora seja uma das profissões mais antigas do mundo tem-se constatado que os primeiros marceneiros da história surgiram na França e na Itália por volta do século XVI. Desde então, o trabalho de transformar madeira em um objeto útil ou decorativo ganhou o mundo. A marcenaria não ficou parada no tempo, tanto que hoje os profissionais dessa área usam, principalmente, laminados industrializados (madeira), como o compensado, o aglomerado, o MDF, a fórmica, as folhas de madeira, etc. A habilidade deste profissional da marcenaria não faz do seu trabalho um simples ofício. O marceneiro deve ser criativo, detalhista e ainda ter a destreza de desenhar em perspectiva. Além, é claro, de ter conhecimento do uso das ferramentas e materiais da área. No uso de máquinas (serra circular ou de fita, tupia, formão, desempenadeira) a cautela é primordial, pois qualquer acidente pode ser irreversível. A marcenaria, de um modo geral, abrange a fabricação de móveis, mas está mais ligada ao trabalho artesanal do que ao trabalho industrial. E apesar de o marceneiro moderno fazer uso de máquinas – para grande parte de seu trabalho – ele ainda é um artesão. Hoje, a grande dificuldade que o marceneiro encontra é a concorrência com as grandes empresas que produzem em série, que são chamados de móveis planejados, diferentes daqueles sob medida. Por isso é de grande importância o investimento do profissional em cursos e técnicas diferenciadas para poder atrair sua clientela por meio do dom e da arte. E ao contrário do que muita gente pensa, marceneiro e carpinteiro são duas profissões completamente diferentes. Pois a marcenaria distingue-se da carpintaria pelo refinamento tecnológico e pelo teor estético, além de compreender um conjunto de técnicas empregadas no trato e embelezamento da madeira para a fabricação de móveis, painéis, objetos de decoração ou de uso pessoal. Design O design mudou de status. Se antes era cultuado por poucos, agora, faz parte da vida da maioria. Um bom desenho é requisitado tanto em embalagens de xampus e perfumes, quanto em móveis. Um bom desenho é condição fundamental, mas isso não significa formas esculturais. Além da originalidade estética, contam a funcionalidade, facilidade de transporte e armazenamento, preocupação ecológica. Neste sentido é fundamental a interação do arquiteto com o marceneiro. Hoje, quando se fala na execução de mobi l iário e deta l hamento de acabamentos que envolvam o profissional da marcenaria, o arquiteto ou decorador que realiza a concepção do projeto não abre mão de contratar um profissional que, além da qualidade na mão de obra, seja bem atualizado e conheça os produtos que estão em destaque no mercado. Segundo o arquiteto Paulo Delmontes o marceneiro é peça fundamental para a entrega de um projeto perfeito. Com a escassez e alto custo da madeira maciça, o uso dos materiais industrializados como MDF, MDP e laminados vem crescendo no conceito dos profissionais da arquitetura e decoração, já que o móvel não precisa ser caro para ser belo. É possível criar peças com materiais de baixo custo e que sejam funcionais e de bom gosto. O importante é a junção do belo com o funcional. Neste sentido, a execução de um móvel sob medida, utilizando o conhecimento e talento de um profissional como o marceneiro – que é um artista – traz um resultado sem comparações. O marceneiro Salvador Nantes, há 38 anos no ramo, acrescenta que o uso da ferragem correta enobrece, valoriza e torna o móvel ainda mais prático e funcional. Há no mercado diversos modelos de corrediças e dobradiças que tornam a abertura de portas e gavetas fácil e leve, podendo ser acionadas com um simples toque. Atualmente, existem empresas especia l izadas no mercado da marcenaria, que ajudam este profissional a ficar sempre informado dos lançamentos de produtos diferenciados, e que estão em tendência no mercado. A pioneira nesse segmento no Brasil é a empresa Leo Madeiras, que abriu uma franquia em Campo Grande recentemente. “O acesso aos materiais de ponta fazem a diferença no produto final”, conclui Nantes.

Investigação

Relatório da CPI do Crime conecta facções com sistema financeiro

Texto cita Banco Master; controle de armas e papel das redes sociais

14/04/2026 13h34

Edilson Rodrigues/Agência Senado

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Em cerca de 220 páginas, o relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado (CPI) no Senado, apresentado nesta terça-feira (14) pelo relator Alessandro Vieira (MDB-SE), conecta o crime organizado em facções e milícias com operações do mercado financeiro realizadas para lavagem de dinheiro. 

“Os grupos criminosos, além de criptoativos e outros ativos – virtuais ou não –, têm igualmente se valido do sistema financeiro formal para ocultar ou dissimular a natureza ilícita dos bens originários”, escreveu o relator.

Vieira aponta o caso do Banco Master como exemplo do uso do sistema financeiro para lavagem de dinheiro do crime organizado no Brasil.

“O caso Master evidenciou de forma incontornável que o crime organizado brasileiro atingiu um patamar de sofisticação em que facções criminosas de base territorial, como o PCC, operam em simbiose com operadores do mercado financeiro formal, valendo-se de fundos de investimento, gestoras de ativos e instituições bancárias para lavar bilhões de reais, corromper agentes públicos e capturar parcelas do aparato estatal e regulatório”, explicou.

O relator acrescentou que a CPI constatou que a lavagem de dinheiro permanece como o mecanismo central de sustentação do crime organizado, que utiliza mercados lícitos para reciclar o dinheiro do tráfico de drogas e armas.

“A infiltração em setores como tabaco, ouro, combustíveis, mercado imobiliário e bebidas, aliada ao uso sofisticado de fintechs, criptomoedas e fundos de investimento, demonstra que a criminalidade organizada opera com grau de sofisticação empresarial que exige resposta igualmente qualificada do Estado”, pontuou Alessandro Vieira.

O relatório apresentado ainda precisa de aprovação da CPI do Crime Organizado, que ainda pode pedir vistas do texto, em sessão marcada para a tarde desta terça-feira (14).

Áreas dominadas pelas facções

Diante da relação do crime organizado com o sistema financeiro, o relator da CPI Alessandro Vieira defende que o enfrentamento à criminalidade não pode se limitar ao combate ostensivo de facções em territórios dominados.

“É igualmente necessário atuar sobre as cadeias econômicas que financiam essas estruturas, com especial atenção para mercados de consumo massivo, rotas logísticas já consolidadas e setores em que a aparência de legalidade”, disse.

O relator da CPI acrescenta que, sem esse olhar econômico e patrimonial, a repressão tende a incidir apenas “sobre manifestações visíveis da criminalidade, preservando-se, entretanto, os mecanismos que garantem sua reprodução financeira e institucional”.

A CPI do Crime no Senado foi instalada após operação policial no Complexo da Penha, no Rio de Janeiro, que resultou na morte de 122 pessoas, a maior letalidade de uma operação na história do país.

Controle de armas

O relator Alessandro Vieira ainda destacou a importância de aumentar a fiscalização das armas e munições no Brasil. Segundo ele, alterações legislativas e falhas de fiscalização, “criam ambiente propício a desvios e usos indevidos de armas e munições. Esse ponto interessa diretamente ao crime organizado”.

Durante o governo de Jair Bolsonaro, foram editados decretos e regulamentos que flexibilizaram a posse de armas de fogo, em consequência da plataforma do governo anterior que defendia a flexibilização das regras para venda e posse de armas no Brasil. 

Estudo do Instituto Sou da Paz aponta que medidas de flexibilização favoreceu que parte desse armamento fosse desviada para as mãos de criminosos

Em 2023, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva editou decretos para restringir o acesso a armas no país, revertendo a flexibilização no monitoramento e acesso a armas que havia sido promovida durante o governo anterior. 

Redes Sociais e crianças

Um dos focos da CPI do Crime Organizado no Senado foi investigar o papel das plataformas digitais para a criminalidade organizada e os ganhos econômicos das bigtechs por meio da prática de crimes pela internet. 

No relatório final, o senador Alessandro Vieira aponta que o ambiente digital é elemento estruturante no aliciamento e exploração de crianças e adolescente.  

“Evidências mostram que plataformas amplamente utilizadas, como Facebook e Instagram, são centrais no aliciamento, enquanto sistemas de recomendação podem conectar usuários a redes ilícitas, inclusive de abuso sexual infantil”, escreveu.

O relatório aponta que esse quadro é agravado pela atuação “predominantemente passiva das plataformas”, a partir de denúncias realizadas por usuários.

“Esse modelo, no entanto, revela limitações evidentes quando se considera que o ambiente é amplamente frequentado por crianças e adolescentes, que não dispõem de plena capacidade de identificar, compreender e reagir adequadamente a situações de violência e exploração”, completou Vieira.

A SaferNet Brasil registrou, entre janeiro e julho de 2025, 49.336 denúncias de abuso e exploração sexual infantil online, aumento de 18,9%, correspondendo a 64% das denúncias de crimes cibernéticos.

Déficit do sistema prisional e das forças de segurança

O “alarmante” déficit de vagas no sistema prisional brasileiro, que ultrapassa as 202 mil, é apontado no relatório como grave porque os presídios seriam a principal plataforma das facções no Brasil.  

“[Essa situação] permitiu que os presídios se tornassem o berço e o centro de comando das organizações criminosas no país”, escreveu o relator. O Brasil possui a terceira maior população prisional do mundo, com 701 mil pessoas presas.  

Para suprir esse déficit, o relator calculou que seriam necessários aportes de RS 14 bilhões para construção de novas vagas.

Vieira ainda destaca o efetivo “diminuto” das forças de segurança em função das dimensões continentes do país, com a Polícia Federal operando com 40% de déficit no quadro funcional.

“A descapitalização dos órgãos de controle e inteligência representa, paradoxalmente, um dos maiores estímulos à expansão do crime organizado, pois reduz a capacidade do Estado de detectar, investigar e reprimir atividades ilícitas”, completou.

Indiciamentos e Intervenção do RJ

O relator da CPI do Crime Organizado no Senado Alessandro Vieira ainda pediu, no mesmo relatório, os indiciamentos dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet. 

A base para os indiciamentos dessas autoridades é o caso do Banco Master. Vieira aponta que há indícios do cometimento de crimes de responsabilidades de “proferir julgamento, quando, por lei, seja suspeito na causa”; e de “proceder de modo incompatível com a honra, dignidade e decoro de suas funções”.

Além disso, o relatório recomenda que o presidente da República decrete uma intervenção federal no estado do Rio de Janeiro (RJ) como medida “indispensável” diante da infiltração do crime no Poder Público local, o que comprometeria a capacidade do estado “de conduzir, com autonomia e idoneidade, as ações de enfrentamento necessárias”. 

CLUBE DO BOLINHA

MS caminha para mais uma eleição ao governo sem candidaturas femininas

Diferentemente do pleito de 2022, quando duas mulheres concorreram, neste ano só há pré-candidatos masculinos no Estado

14/04/2026 08h05

As ex-candidatas ao governo Rita de Cássia Gomes (1994), Marisa Serrano (2002), Giselle Marques (2022) e Rose Modesto (2022)

As ex-candidatas ao governo Rita de Cássia Gomes (1994), Marisa Serrano (2002), Giselle Marques (2022) e Rose Modesto (2022) Montagem

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A presença nas disputas pelo cargo de governador de Mato Grosso do Sul permanece limitada ao sexo masculino, apesar de avanços pontuais ao longo das últimas décadas.

Desde a criação do Estado, em 1977, só quatro mulheres concorreram ao cargo máximo do Executivo sul-mato-grossense, mas nenhuma delas foi eleita governadora. A primeira candidatura feminina ao governo estadual foi registrada em 1994.

Trata-se de Rita de Cássia Gomes Lima (Prona), mas ela não foi eleita. Somente o pleito de 2002 voltou a ter uma mulher como candidata à cadeira de chefe do Executivo estadual, a então deputada federal Marisa Serrano (PSDB).

Ela teve o melhor desempenho feminino, chegando ao segundo turno contra o então governador Zeca do PT, que acabou reeleito.

Após esse intervalo sem protagonismo feminino competitivo, novas candidaturas surgiram na eleição de 2022, marcando um avanço na presença feminina, tendo na disputa pela cadeira de chefe do Executivo duas mulheres: a ex-vice-governadora Rose Modesto (União Brasil) e a advogada Giselle Marques (PT).

Rose Modesto terminou em terceiro lugar, ficando próxima de uma vaga no segundo turno, enquanto o segundo turno foi disputado pelo atual governador Eduardo Riedel (PP) e pelo então deputado estadual Capitão Contar, na época no PRTB, mantendo a predominância masculina na fase decisiva das eleições estaduais.

O histórico revela um padrão persistente: embora as mulheres sejam a maioria do eleitorado, sua presença nas disputas pelo governo do Estado ainda é reduzida e, em geral, com menor estrutura política.

O desafio agora é transformar essa participação crescente em competitividade real, abrindo caminho para que Mato Grosso do Sul eleja, pela primeira vez, uma governadora.

Pelo cenário até agora, o Estado terá outro pleito sem mulheres, pois os nomes colocados são todos de homens: Eduardo Riedel, Fábio Trad (PT), João Henrique Catan (Novo), Lucien Rezende (Psol), Renato Gomes (DC) e Jeferson Bezerra (Agir).

No único caso em que há uma mulher na chapa majoritária, ela aparece como pré-candidata a vice-governadora: a ex-primeira-dama do Estado Dona Gilda Maria dos Santos (PT), esposa de Zeca do PT e que está na chapa encabeçada por Fábio Trad.

O cenário reflete um problema estrutural no Estado: baixa presença feminina nos cargos políticos e sub-representação em praticamente todas as esferas.

Na disputa ao Senado, o quadro não muda em MS, pois há apenas duas pré-candidatas: a senadora Soraya Thronicke (PSB) e a vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira (PL).

De 1982 a 2022, seis mulheres concorreram ao Senado no Estado e quatro foram eleitas: Marisa Serrano (eleita em 2006), Simone Tebet (eleita em 2014), Soraya Thronicke (eleita em 2018) e Tereza Cristina (eleita em 2022).

Apenas Francisca Escobar (Prona) e Anita Borba (Psol) não foram eleitas, em 1994 e 2006, respectivamente. Isto é, em cerca de 40 anos, a presença feminina é extremamente baixa na disputa pelas três vagas de Mato Grosso do Sul no Senado.

*Saiba

A disputa pela Presidência da República também pode ocorrer sem nenhuma candidata mulher. Apesar do discurso recorrente dos partidos – da esquerda à direita — em defesa do eleitorado feminino, a prática mostra outra realidade.

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