Um candidato ao Governo de Mato Grosso do Sul precisará conquistar mais da metade dos votos válidos para encerrar a disputa eleitoral já no primeiro turno, marcado para este domingo (4). Isso significa alcançar a maioria absoluta dos votos destinados aos candidatos, sem considerar os votos brancos e nulos, que ficam fora desse cálculo.
Caso nenhum dos concorrentes ultrapasse a marca de 50% dos votos válidos, os dois mais votados avançam para o segundo turno, previsto para 25 de outubro.
A regra vale para a eleição de governador em todos os estados e no Distrito Federal. Dessa forma, o número de votos necessário para uma vitória no primeiro turno não é calculado sobre o total de eleitores aptos a votar, mas sobre a quantidade de votos válidos efetivamente registrada nas urnas.
Isso significa que não existe, antes da votação, um número exato de votos capaz de garantir matematicamente a vitória no primeiro turno.
A quantidade necessária somente poderá ser conhecida conforme avançar a apuração, já que votos em branco e nulos são excluídos desse cálculo.
Mato Grosso do Sul possui cerca de 2 milhões de eleitores aptos a votar nas Eleições 2026, conforme dados da Justiça Eleitoral. O número, porém, não deve ser simplesmente dividido pela metade para estabelecer a quantidade necessária para eleger o próximo governador.
Isso ocorre porque nem todos os eleitores necessariamente comparecerão às urnas. Além das abstenções, também ficam fora da conta usada para definir o vencedor os votos brancos e nulos.
Como funciona a conta
A legislação eleitoral determina que será eleito governador no primeiro turno o candidato que alcançar a maioria absoluta dos votos válidos, sem computar votos brancos e nulos.
Caso nenhum concorrente ultrapasse metade dos votos válidos, os dois candidatos mais votados avançam para uma nova votação.
Por exemplo, se Mato Grosso do Sul registrar hipoteticamente 1,5 milhão de votos válidos para governador, serão necessários pelo menos 750.001 votos para que um candidato seja eleito no primeiro turno.
Se forem contabilizados 1,6 milhão de votos válidos, a barreira sobe para 800.001 votos. Caso o total seja de 1,7 milhão, serão necessários pelo menos 850.001.
Portanto, o percentual exibido durante a apuração é mais importante para identificar a possibilidade de definição no primeiro turno do que comparar o número absoluto recebido pelo candidato com os mais de 2 milhões de eleitores cadastrados no Estado.
Brancos e nulos ficam fora
Os votos brancos e nulos não são atribuídos a nenhum candidato e também não entram na base utilizada para calcular os percentuais dos concorrentes.
A Justiça Eleitoral esclarece ainda que, mesmo que os votos nulos ultrapassem 50% dos votos registrados, isso, por si só, não provoca a anulação da eleição.
Assim, quanto maior for a quantidade de abstenções, votos brancos e votos nulos, menor será o número absoluto de votos necessário para representar mais da metade dos votos válidos.
Se ninguém passar dos 50%
Caso nenhum dos candidatos ao Governo de Mato Grosso do Sul alcance mais de 50% dos votos válidos neste domingo, os dois mais votados disputarão o segundo turno em 25 de outubro. A mesma regra é aplicada à eleição para presidente da República.
Nas eleições estaduais de 2022, Mato Grosso do Sul precisou de segundo turno. Naquela ocasião, Capitão Contar terminou a primeira votação com 26,71% dos votos válidos, enquanto Eduardo Riedel recebeu 25,16%.
Como nenhum dos concorrentes alcançou a maioria absoluta, a disputa prosseguiu para uma segunda votação.
A última eleição para governador de Mato Grosso do Sul decidida no primeiro turno ocorreu em 2010, quando André Puccinelli conquistou a reeleição com 704.407 votos, equivalentes a aproximadamente 56% dos votos válidos.
Desde então, as disputas estaduais de 2014, 2018 e 2022 tiveram segundo turno.


