Política

CAMPO GRANDE

Vereador pede cassação de Benites e promete denunciar participantes de atos contra a democracia

Professor André Luís fez pedido para cassar mandato de colega nesta terça-feira, e diz que monitora outros participantes de atos em frente ao CMO

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O vereador Professor André Luís (Rede) protocolou na sessão desta terça-feira (8) requerimento pedindo abertura de processo disciplinar contra seu colega vereador Dr. Sandro Benites (Patriota), por ter participado de atos antidemocráticos em frente ao Comando Militar do Oeste (CMO), em Campo Grande.

André Luís ainda informou que acionou sua equipe para filmar, fotografar e obter informações sobre os atos, que obstruem a Avenida Duque de Caxias, em Campo Grande, há mais de uma semana. O material, segundo ele, será entregue a todos os órgãos de fiscalização, como as polícias Civil, Militar, Federal, além de órgãos do Poder Judiciário, como o Supremo Tribunal Federal e o Superior. 

Caso a representação disciplinar contra Sandro Benites avance, o vereador do Patriotas pode ser punido até mesmo com a cassação. Para que tal medida fosse adiante, seria necessária a abertura de um processo no Conselho de Ética do Legislativo Municipal.  

“Ele foi eleito em um regime democrático, e está pedindo que a democracia seja revogada. É uma grande incoerência”, queixa-se André Luís. 

O autor do pedido de abertura de processo disciplinar contra o colega, ainda afirmou que não há sequer cabimento tentar pedir desculpas por ter participado dos atos antidemocráticos. “Isso é uma tentativa de homicídio contra a democracia. O que ele está pedindo é um golpe militar. Isso não é um ato de apoio ao atual presidente (Jair Bolsonaro-PL). Isso é crime e tem de ser punido”, queixou-se. 

Na sessão desta terça-feira, Sandro Benites não pediu desculpas. Apenas disse ter sido mal-interpretado.

“General Davi, nós Campo-grandenses, patriotas, humildemente, pedimos socorro, nos livre desse mal, e juntos não aceitamos ser governados por um ladrão, por um narcotraficante, nos ajude General, é o que pedimos hoje, em nome da pátria. Brasil acima de tudo e Deus acima de todos!”, disse Sandro Benites, em cima do Trio Elétrico, ao pedir intervenção militar contra o resultado das eleições. 

No segundo turno disputado em 30 de outubro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sagrou-se vencedor, com mais votos que Jair Bolsonaro (PL). 

Fiscalização

André Luís ainda disse que, juntamente com sua equipe, pretende catalogar todas as pessoas que subiram no caminhão de som colocado em frente ao Comando Militar do Oeste. “Já estou fazendo as manifestações, para que todos tenham ciência dos atos cometidos”, disse. 

Na noite de segunda-feira (7), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou que todas as polícias estaduais e federais monitorem todos os bloqueios de rodovias e vias urbanas, e cataloguem e identifiquem os participantes e seus veículos. 

A multa para os que promoverem os atos antidemocráticos pode chegar a R$ 100 mil. Nesta terça-feira (8), a Secretaria de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp-MS) informou que atendeu à ordem de Moraes, e passou a identificar os responsáveis. Os policiais também iriam pedir para os que ainda obstruem vias, que desocupem os locais públicos.

Presidente da Câmara

Procurado, o presidente da Câmara, Carlão (PSB), disse que ainda irá ler a representação feita por André Luís.

“Se entender que cabe mandar para o Conselho de Ética, vou mandar para o Conselho de Ética”, afirmou. “Não posso dizer se é caso de cassação, de suspensão ou de advertência. Mas eu vou analisar o pedido”, complementou o presidente da Câmara. 

Carlão disse que ainda não consegue afirmar se é o caso de Benites é de advertência, ou de uma punição mais drástica, como a cassação. “Vamos ver. Se ele repetir isso, começar com brincadeira de novo, e achar que é o “bambambam” da ver. Ele poderá se ferrar”, disse o chefe do Legislativo.

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Tribunal Federal

Gilmar suspende julgamento no STF sobre permissão de nomeação de parentes em cargos políticos

Gilmar disse ser necessário um "referencial seguro" sobre o tema

15/04/2026 21h00

Foto: Divulgação / STF

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O decano do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, apresentou nesta quarta-feira, 15 um pedido de suspensão do julgamento que analisa a possibilidade de gestores públicos, como prefeitos, governadores e presidentes, nomearem parentes para cargos políticos.

Gilmar disse ser necessário um "referencial seguro" sobre o tema. "Se trata de proibir a nomeação, então que façamos de uma maneira mais enfática e, eventualmente, com cláusula de transição", afirmou em tom de crítica ao voto do relator, ministro Luiz Fux. Ainda faltam registrar os votos Gilmar e o presidente do STF, Edson Fachin.

Fux ajustou o seu voto nesta quarta, e defendeu a permissão de que parentes sejam indicados para os cargos de natureza política desde fique comprovado que terceiros aptos a exercerem a função recusaram a indicação. Além dessa mudança, o ministro também mudou de posição sobre o caso concreto e rejeitou o recurso da prefeitura de Tupã (SP) que pleiteava a manutenção de uma lei municipal que permitia a nomeação de parentes como secretários.

Em outubro do ano passado, quando teve início o julgamento, Fux votou a favor de que parentes possam ser indicados para cargos na administração pública e disse que o chefe do Executivo tem o direito de escolher seu secretariado

A votação contava com maioria de seis votos a favor da tese proposta por Fux e apenas um contrário apresentado pelo ministro Flávio Dino. O magistrado mudou de posição nesta quarta para acompanhar o relator em relação ao caso concreto da prefeitura de Tupã após a apresentação do ajuste.

Dino, porém, manteve a divergência em relação à tese de julgamento que autoriza a nomeação de parente caso não haja outras pessoas aptas, posição que foi acompanhada pela ministra Cármen Lúcia.

"Dos princípios constitucionais da administração pública, formalizados no artigo 37 da Constituição, seja o de maior dificuldade de implementação. O princípio da impessoalidade significa a realização do princípio republicano. Nós temos uma infeliz tradição de que a coisa pública não é tão pública quando se chega a determinados cargos", afirmou a ministra.

Há dois placares atualmente na Corte. São oito votos (Luiz Fux, Cristiano Zanin, André Mendonça, Nunes Marques, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Flávio Dino e Cármen Lúcia) pela derrubada do recurso da prefeitura de Tupã.

Já em relação à tese de que parentes possam ser indicados quando outras pessoas não aceitarem o cargo, o placar é de seis votos a favor da proposta de Fux e dois contrários (Flávio Dino e Cármen Lúcia). Restam os votos de Gilmar Mendes e Edson Fachin.

O Supremo firmou em 2008 a Súmula Vinculante nº 13, que proíbe a nomeação de cônjuge, companheiro ou parente até o terceiro grau em cargos de confiança ou comissão. A exceção, como na lei municipal de Tupã aprovada cinco anos depois, é a nomeação para cargos de natureza política, como ministros, secretários estaduais ou municipais.
 

Mundo

Em aceno aos católicos, Lula presta solidariedade ao papa Leão XIV após críticas de Trump

A briga iniciou no último domingo, 12, após o presidente dos EUA dizer que Leão XIV deveria "parar de ceder à esquerda radical"

15/04/2026 19h00

Trump e Lula em encontro na Malásia recentemente

Trump e Lula em encontro na Malásia recentemente Foto: Ricardo Stuckert/PR

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manifestou nesta quarta-feira, 15 a "mais profunda solidariedade" ao papa Leão XIV (Robert Francis Prevost), que, segundo ele, vem sendo "atacado por poderosos".

O pronunciamento de Lula, enviado à 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) ocorre em meio às críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao líder da Igreja Católica.

A briga iniciou no último domingo, 12, após o presidente dos EUA dizer que Leão XIV deveria "parar de ceder à esquerda radical". Nos últimos dias, Trump intensificou suas críticas ao pontífice chamando-o de "fraco no combate ao crime e péssimo em política externa".

O primeiro papa americano da história respondeu: "(Jesus) não escuta as orações daqueles que fazem guerras, mas as rejeita, dizendo: 'Ainda que façais muitas orações, não ouvirei: as vossas mãos estão cheias de sangue'", declarou, citando a Bíblia

Na madrugada desta quarta-feira, 15, Trump voltou a atacar o líder católico dizendo: "Alguém pode dizer para o papa Leão que o Irã matou ao menos 42 mil manifestantes inocentes e desarmados nos últimos dois meses, e que o Irã ter uma bomba nuclear é completamente inaceitável? Agradeço a atenção", escreveu em um post na rede Truth Social.

No vídeo enviado aos bispos brasileiros, Lula faz um aceno aos católicos prestando solidariedade ao papa e ressaltando que líderes comprometidos com a paz e com a defesa dos mais vulneráveis frequentemente enfrentam oposição de grupos poderosos. O presidente também enfatizou o trabalho feito pela Confederação na defesa da democracia.

Lula disse querer reafirmar seu "respeito e admiração por uma instituição que, nos momentos mais dolorosos da nossa história recente, esteve na linha de frente em defesa da democracia", declarou o presidente.

"A CNBB enfrentou a ditadura, defendeu os perseguidos pelo regime militar, apoiou as greves dos trabalhadores urbanos e a luta dos trabalhadores rurais pela posse da terra", completou.

O presidente destaca também "os 200 anos das relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé" e as iniciativas da Igreja Católica, que, segundo Lula, "permanecem como referência na construção de políticas públicas e de inclusão social".

Lula fala ainda sobre a campanha da fraternidade escolhida pela Igreja neste ano, com o tema "Moradia e Fraternidade". O presidente relembra que o programa do governo Minha Casa, Minha Vida dialoga diretamente com a iniciativa da instituição religiosa.

Nesta quinta, Lula e o ministro das Cidades, Vladimir Lima, anunciaram que o governo fará um aporte de R$ 20 bilhões do Fundo Social para o Minha Casa, Minha Vida. Com isso, o orçamento do programa de habitação vai a R$ 200 bilhões.

No vídeo enviado aos bispos, Lula completa: "Quero terminar reafirmando o nosso compromisso com o Estado laico e a garantia plena de liberdade religiosa".

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