Política

Pedido de Cassação

Vereadores da base de Adriane "entram em guerra" na Câmara de Campo Grande

Beto Avelar acusa vereador de associá-lo, sem provas, à Operação Tapa-Buraco e cita histórico de confrontos; Maicon afirma que representação tenta intimidar sua atuação fiscalizadora

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A crise interna do Progressistas (PP) em Campo Grande ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira (10). O líder da prefeita Adriane Lopes (PP) na Câmara Municipal, vereador Beto Avelar (PP), protocolou um pedido de cassação do mandato do vereador Maicon Nogueira (PP).

A representação, que será analisada pela Comissão de Ética, foi encaminhada ao presidente da Câmara Municipal, vereador Epaminondas Vicente Neto, o Papy (PSDB), e acusa Maicon Nogueira de suposta quebra de decoro parlamentar.

O embate ocorre entre dois vereadores do mesmo partido. Beto Avelar e Maicon Nogueira integram o Progressistas (PP), legenda da prefeita Adriane Lopes.

Nos últimos meses, porém, os dois passaram a protagonizar divergências públicas sobre a condução da administração municipal e o papel da base governista na Câmara.

O pedido tem como base declarações feitas por Maicon Nogueira durante sessão realizada em 19 de maio, dias após a deflagração da Operação Tapa-Buraco, investigação da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU) que apura suspeitas de irregularidades em contratos públicos e levou ao cumprimento de mandados contra empresários e servidores ligados à Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep).

Segundo Beto Avelar, em entrevista ao Correio do Estado, durante o pronunciamento Maicon Nogueira fez acusações genéricas de corrupção sem apontar nominalmente os supostos envolvidos.

O líder da prefeita afirmou que, na ocasião, apenas alertou o colega sobre a responsabilidade de tratar de um tema dessa gravidade.

"Quando se faz uma acusação tão grave de corrupção, é preciso apontar quem é a pessoa. Também disse que é necessário aguardar o devido processo legal, porque, se essas acusações não forem comprovadas, quem as faz pode responder civil e criminalmente."

No dia seguinte ao discurso, segundo Avelar, Maicon publicou em suas redes sociais uma imagem do vereador ao lado de uma notícia sobre a Operação Tapa-Buraco. Para ele, a postagem levou seguidores a associá-lo às investigações.

"Eu me senti alvo de uma acusação velada de que estaria envolvido nessa corrupção. Quem acompanha a publicação não vai abrir a reportagem para verificar se meu nome aparece ou não. A imagem fica associada à corrupção e isso atinge diretamente minha honra."

O parlamentar informou que pediu à Comissão de Ética que oficie o Ministério Público para esclarecer se seu nome figura como investigado, indiciado ou denunciado em qualquer procedimento relacionado à operação.

"Estou pedindo que o Ministério Público esclareça oficialmente se existe qualquer investigação contra mim. Construí toda a minha vida pautada pela idoneidade e, de repente, minha imagem é vinculada a uma notícia de corrupção. Isso preocupa não apenas a mim, mas toda a minha família."

Beto Avelar também afirmou que estuda adotar medidas judiciais contra Maicon Nogueira.

"Também estou avaliando apresentar uma representação ou uma queixa-crime por conta dessa publicação."

Histórico de conflitos

Na representação, Beto Avelar sustenta que o pedido não se limita ao episódio envolvendo a publicação nas redes sociais. Segundo ele, Maicon Nogueira acumula episódios de comportamento incompatível com o decoro parlamentar.

"No nosso meio ele é conhecido como extremamente truculento. Já chamou os vereadores Juari e Lívio para briga, em episódios diferentes."

O líder da prefeita também citou a postura do parlamentar durante a CPI do Consórcio Guaicurus e uma fiscalização realizada nesta semana em uma escola municipal.

"Ele atacou o presidente do Consórcio durante um depoimento na CPI e, na quarta-feira, invadiu uma escola acusando a merendeira e outras funcionárias de que seriam responsabilizadas por uma intoxicação alimentar."

Segundo Avelar, há entendimento recente do Supremo Tribunal Federal (STF) de que esse tipo de fiscalização individual por parlamentares encontra limites constitucionais.

O vereador também mencionou a discussão ocorrida durante a sessão de quinta-feira (9), quando Maicon retirou o paletó e a gravata após um bate-boca no plenário.

Segundo Beto Avelar, o vereador caminhou em sua direção para cobrar explicações, dando início a uma discussão acalorada.

A situação mobilizou parlamentares e servidores da Câmara, que intervieram para conter os ânimos, evitando que o desentendimento evoluísse para um confronto físico.

"Ele se transformou de forma destemperada durante a sessão, tirando o terno e a gravata. No final, novamente de forma truculenta, foi tirar satisfações comigo."

Maicon diz que pedido tenta intimidar fiscalização

Maicon Nogueira nega irregularidades, diz que apenas exerceu o papel de fiscalizador e classifica o pedido de cassação como uma tentativa de intimidá-lo. Foto: Câmara municipal de Campo Grande.

Procurado pelo Correio do Estado, Maicon Nogueira afirmou que recebeu o pedido de cassação com tranquilidade e classificou a iniciativa como uma tentativa de intimidar sua atuação fiscalizadora.

"Eu encaro com naturalidade esse pedido de cassação vindo do vereador Beto Avelar. Ainda mais ele sendo líder da prefeita na Câmara. A situação dele de submissão aos desejos da prefeita certamente o colocaria nesse momento vexatório, pedindo a cassação de um parlamentar por ter exigido do Executivo uma resposta clara sobre as denúncias de corrupção que se estendem sobre obras e sobre a saúde."

O vereador afirmou que, durante o discurso questionado na representação, apenas repercutiu fatos públicos relacionados à Operação Tapa-Buraco e negou ter antecipado qualquer condenação.

"Eu não antecipei condenações. Eu falei do que foi noticiado. Pessoas foram presas e a Prefeitura demorou para emitir uma nota, e a prefeita também não se expôs publicamente para explicar o que ocorreu."

Sobre a publicação que motivou a representação, Maicon afirmou que utilizou uma imagem de um agente público durante um debate de interesse coletivo.

"Ele é um homem público, em um local público, falando sobre um tema de interesse público e televisionado. Faz sentido eu utilizar esse trecho. Quem acusa tem que aguentar as consequências."

O parlamentar também afirmou que o pedido possui motivação política e criticou a iniciativa do líder da prefeita.

"Eu respeito a posição dele de defesa da prefeita, mas não entendo como é justa a reclamação de querer tirar o meu mandato. Se isso avançar e chegar ao plenário, o primeiro interessado será o próprio grupo político da Prefeitura, porque o primeiro suplente é o ex-vereador e ex-secretário municipal de Saúde Sandro Benítez."

Ao final, Maicon reafirmou que continuará cobrando esclarecimentos da administração municipal.

"Estou tranquilo, em paz. Sei das minhas responsabilidades e sei muito bem o que falei. A Prefeitura não deu explicações claras sobre os motivos pelos quais várias denúncias dentro da Sisep avançaram e essas pessoas haviam sido demitidas até aquele momento."

O que acontece agora

A representação será analisada pela Comissão de Ética da Câmara Municipal. Caso os vereadores entendam que existem indícios suficientes, será instaurado um processo disciplinar, garantindo a Maicon Nogueira o direito ao contraditório e à ampla defesa.

Se a comissão concluir pela existência de quebra de decoro parlamentar, o parecer será encaminhado ao plenário da Câmara Municipal, que decidirá sobre eventual aplicação de penalidades, incluindo a cassação do mandato.

Esclarecimento

Após a repercussão das discussões envolvendo a atuação fiscalizatória de vereadores e da representação protocolada contra Maicon Nogueira, o vereador Beto Avelar divulgou uma nota oficial nesta sexta-feira (10).

No texto, ele nega ter defendido qualquer proposta para restringir a fiscalização de órgãos públicos por parlamentares e afirma que suas declarações durante a sessão da Câmara foram baseadas em entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Leia a íntegra da nota oficial do vereador Beto Avelar.

NOTA OFICIAL

Diante de informações que vêm sendo divulgadas de forma equivocada, esclareço que em nenhum momento, durante a sessão da Câmara Municipal de Campo Grande ou em qualquer outro contato público ou privado, anunciei, apresentei ou defendi a existência de um projeto de lei destinado a impedir a fiscalização de órgãos públicos por vereadores.

A discussão ocorrida na Câmara com outro vereador teve como referência um acórdão já existente, decorrente de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Em nenhum momento foi apresentada proposta legislativa de minha autoria com o objetivo de restringir ou impedir a atividade fiscalizatória, que é uma das principais atribuições constitucionais do Poder Legislativo.

O que foi debatido diz respeito às competências de cada instituição e de cada agente público, tema que decorre da interpretação da legislação e da jurisprudência dos tribunais superiores e não de qualquer iniciativa legislativa em tramitação na Câmara Municipal de Campo Grande.

Lamento que alguns estejam tentando distorcer os fatos para criar uma narrativa que não corresponde à realidade. Reafirmo meu compromisso com a transparência, com a fiscalização responsável dos atos da administração pública e com o respeito às atribuições constitucionais de cada poder e instituição.

A população de Campo Grande merece um debate público baseado na verdade dos fatos, e não em interpretações equivocadas ou informações descontextualizadas.

Vereador Beto Avelar
Câmara Municipal de Campo Grande/MS.

Evolução patrimonial

Patrimônio de Simone Tebet cresce R$ 8,3 milhões em quatro anos

Senadora alega que crescimento decorre de antecipação de herança realizada por sua mãe

14/08/2026 18h00

Ex-ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (PSD)

Ex-ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (PSD) Lula Marques/Agência Brasil

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O patrimônio declarado da ex-ministra e candidata ao Senado Simone Tebet (PSB) cresceu R$ 8,3 milhões e saltou de R$ 2,3 milhões para R$ 10,6 milhões entre 2022 e 2026.

O acréscimo absoluto representa um crescimento nominal de 356,32%, o que equivale a um avanço de 275% quando considerada a correção da inflação do período pelo IPCA.

Natural de Três Lagoas, Tebet já foi senadora por Mato Grosso do Sul, registrou os dados no Tribunal Superior Eleitoral para disputar uma das duas vagas ao Senado pelo estado de São Paulo.

Segundo nota oficial divulgada pelo comitê de campanha da candidata, a evolução de R$ 8 milhões na declaração decorre da regularização de uma gleba de terra localizada em Alvorada do Sul, adquirida pela família há quase 30 anos.

O terreno foi transferido para o nome de Simone Tebet por meio de antecipação de herança realizada por sua mãe, que mantém o usufruto do imóvel.

A análise detalhada dos dados entregues à Justiça Eleitoral aponta que a maior parte do patrimônio da ex-ministra do Planejamento está imobilizada em propriedades e com pouca liquidez em caixa.

Em Três Lagoas, cidade onde Tebet já foi prefeita, possui três terrenos, uma casa e um apartamento, enquanto em Campo Grande  concentra outros três apartamentos.

Em contrapartida, as contas bancárias e aplicações financeiras da candidata somam apenas cerca de R$ 35 mil.

Os registros históricos do tribunal revelam que os bens cresceram de forma linear por 14 anos antes de sofrerem a variação abrupta atual.

Simone Tebet declarou R$ 1.297.586,18 em 2008, quantia que oscilou para R$ 1.595.867,88 em 2010 e R$ 1.575.566,39 em 2014, chegando a R$ 2.323.735,38 nas eleições de 2022, antes de atingir os atuais R$ 10.603.573,49.

Com informações de Estadão Conteúdo
 

Domingo

Pardal passa a receber denúncias de propaganda eleitoral irregular a partir do dia 16

Ferramenta estará disponível a partir de 16 de agosto, início oficial da propaganda eleitoral

14/08/2026 14h15

Aplicativo Pardal

Aplicativo Pardal Gerson Oliveira

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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) regulamentou o uso do aplicativo Pardal Móvel para o recebimento de denúncias de propaganda eleitoral irregular nas Eleições Gerais de 2026, ferramenta disponível a partir deste domingo (16), prazo inicial para propagandas eleitorais.

O recurso permite que eleitoras e eleitores encaminhem denúncias diretamente aos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs), responsáveis pela fiscalização desse tipo de infração.

A regulamentação foi estabelecida pela Portaria TSE nº 451/2026, assinada pelo presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, e publicada dia 27 de julho no Diário da Justiça Eletrônico (DJE).

O objetivo é ampliar a participação da população na fiscalização das campanhas eleitorais e agilizar o encaminhamento de informações sobre possíveis irregularidades.

O sistema será composto por três módulos. O Pardal Móvel será um aplicativo gratuito para smartphones e tablets, disponível nas plataformas Google Play e App Store.

Pardal ADM

Já o Pardal ADM será utilizado exclusivamente pela Justiça Eleitoral para gerenciar as denúncias recebidas, enquanto o Pardal Web permitirá o acompanhamento de estatísticas dos registros.

Para utilizar o aplicativo, será necessário fazer a autenticação por meio do e-Título ou da plataforma Gov.br. Apesar da identificação obrigatória, a identidade da pessoa denunciante permanecerá protegida por sigilo, independentemente da forma de acesso escolhida.

Ao registrar uma denúncia, o usuário deverá descrever a suposta irregularidade. Um agente automatizado fará uma classificação preliminar entre propaganda eleitoral irregular na internet e outras formas de propaganda irregular.

Antes do preenchimento das informações complementares, o sistema exibirá orientações sobre o que é permitido ou proibido pela legislação eleitoral, medida que busca reduzir o número de denúncias equivocadas.

A classificação sugerida poderá ser alterada pelo próprio denunciante. Também será possível anexar fotos, vídeos, áudios e links relacionados ao caso. Após o envio, o sistema emitirá um número de protocolo para acompanhamento da denúncia, que poderá ser consultada pelo aplicativo ou por um link enviado ao e-mail informado. A portaria prevê ainda que denúncias fora do escopo do Pardal sejam direcionadas aos canais competentes.

Casos relacionados à desinformação eleitoral serão encaminhados ao Sistema de Alertas de Desinformação Eleitoral (Siade), enquanto denúncias sobre crimes eleitorais e outros ilícitos deverão ser enviadas aos canais eletrônicos do Ministério Público Eleitoral (MPE) de cada estado.

No ambiente interno da Justiça Eleitoral, o Pardal ADM permitirá que TREs e juízos eleitorais façam a gestão das denúncias por diferentes perfis de acesso, como administrador, triagem, cartório e consulta.

O sistema também possibilitará o encaminhamento automático das ocorrências às zonas eleitorais competentes, conforme critérios como município, categoria da denúncia ou equipe responsável pela análise.

Outra novidade é a possibilidade de envio de notificações eletrônicas a candidatas, candidatos, partidos, federações e coligações mencionados nas denúncias para apresentação de esclarecimentos ou comprovação da regularização da situação.

Além disso, as ocorrências poderão ser autuadas diretamente no Processo Judicial Eletrônico (PJe), na classe processual Notícia de Irregularidade de Propaganda Eleitoral (Nipe), o que deve dar mais rapidez ao tratamento dos casos pela Justiça Eleitoral.

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