Política

ELEIÇÕES 2024

Walter Schlatter lidera a corrida pelo cargo de prefeito de Chapadão do Sul

O empresário aparece com 38,47% na espontânea e 47,30% na estimulada, conforme pesquisa do Ipems feita neste mês

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Pesquisa de intenção de voto para prefeito de Chapadão do Sul realizada pelo Instituto de Pesquisas de Mato Grosso do Sul (Ipems) entre os dias 8 e 11, com 400 moradores com mais de 16 anos, aponta que o empresário Walter Schlatter, candidato pelo PP, lidera a corrida eleitoral no município.

No levantamento espontâneo, quando não são oferecidas opções de nomes aos entrevistados, Schlatter está na frente dos demais adversários, com 38,47% das intenções de votos.

Nessa pesquisa, o segundo colocado é o agricultor Jocelito Krug (PSDB), com 28,11%. Já os demais concorrentes, o empresário Abel Lemes (União Brasil) e a advogada Natalina Lima (PT), têm 1,23% e 0,79%, respectivamente. Outros 31,41% dos entrevistados não souberam ou não responderam.

Já na pesquisa estimulada, quando são oferecidas opções de nomes aos entrevistados, Schlatter continua na liderança, com 47,30%, tendo logo atrás Krug (36,69%). Logo depois aparecem Lemes (2,34%) e Dra. Natalina (1,34%). Votos indecisos, brancos e nulos somaram 12,33%.

O Ipems ainda fez o levantamento considerando apenas os votos válidos, ou seja, quando são descartados da contagem final os votos brancos e nulos. Mesmo assim, Schlatter ainda está em primeiro lugar nas pesquisas, com 53,95%, enquanto Krug aparece em segundo colocado, com 41,85%. Já Lemes está em terceiro, com 2,67%, e por último vem Dra. Natalina, com 1,53%.

REJEIÇÃO

O instituto também perguntou aos entrevistados em quais candidatos eles não votariam para prefeito de Chapadão do Sul de jeito nenhum. Nesse quesito, a liderança ficou com Dra. Natalina, com 39,13%, seguida por Lemes (21,40%), Schlatter (13,83%) e Krug (13,72%). Outros 10,65% disseram que não sabem ou não responderam.

O levantamento realizado pelo Ipems foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o nº MS-01787/2024, tendo margem de erro de 4,9 pontos porcentuais (p.p) para mais ou para menos e com um nível de confiança de 95%.

POLÊMICA

A referida pesquisa do Ipems quase não foi publicada, isso porque a coligação “Unidos por Chapadão” – composta pelos partidos PRD, PSD, MDb e pela Federação PSDB-Cidadania – ingressou com uma representação de impugnação do levantamento junto à Justiça Eleitoral, alegando que a coligação “Chapadão para Todos”, formada pelos partidos PP/PL e Republicanos, não obedeceu aos critérios legais, deixando de especificar faixa etária, gênero, escolaridade e localização geográfica, indicando erros grosseiros que podem ter induzido o eleitorado a erro.

Além disso, a coligação do candidato Jocelito Krug também alegou obscuridade nas informações acerca da metodologia aplicada pelo Ipems. Ao fim, a coligação apontou que a pesquisa serviu, na verdade, “como cadastro para a identificação de votos e posterior atuação de campanha política, desnaturando assim a finalidade e o objetivo da pesquisa de opinião”.

Diante de tais argumentos, o juiz eleitoral Silvio Prado, da 48ª Zona Eleitoral de Chapadão do Sul, deferiu o pedido de tutela provisória, determinando a suspensão da pesquisa e também a busca e apreensão dos questionários.

No entanto, o promotor de Justiça Eleitoral Thiago Barile Galvão de França se manifestou pela improcedência da representação feita pela coligação “Unidos por Chapadão”, por entender que “os argumentos apresentados não configuram irregularidade na pesquisa eleitoral em questão”.

“Verifica-se, no presente caso, que o representado cumpriu com o exigido nas disposições legais citadas, visto que registrou as informações em conformidade com a legislação, consoante se verifica dos documentos juntados nos eventos nº 122511967 e nº 122556420, além daqueles anexados no sistema de busca de pesquisas do TSE. Especificamente quanto às citadas irregularidades, o Parquet esclarece, de início, que é assente na jurisprudência a possibilidade de contratação da pesquisa pela própria impugnada”, destacou França.

O promotor de Justiça Eleitoral ainda colocou em xeque outros argumentos da coligação “Unidos por Chapadão”. “Ora, como se concluir que uma pesquisa teria sido paga por determinado candidato apenas por existir registro de imagem de possível diálogo entre pessoa indicada como coordenador da campanha e o proprietário da empresa? Sem que se conheça o teor da conversa. Ou mesmo de que a existência de ‘histórico de irregularidades’ em julgamentos de recursos no TRE-MS [Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul] maculariam os resultados da pesquisa?”, questionou.

“As informações constantes no petitório juntado no evento nº 122513364 são rasas e, por isso, temerárias, até porque não fosse o impugnado confirmar a identidade da pessoa que consta na fotografia, afirmando ser o proprietário da empresa representada, 
não haveria como saber de quem se trata”, pontuou França.

DECISÃO JUDICIAL

Após a manifestação do Ministério Público Eleitoral, o juiz eleitoral Silvio Prado julgou improcedente o pedido da coligação “Unidos por Chapadão” e revogou a tutela deferida inicialmente, em que suspendeu a divulgação da pesquisa eleitoral realizada pelo Ipems em Chapadão do Sul.

“Afinal, as empresas de prestação de serviço não possuem vínculos obrigacionais e limitativos quanto à sua sede,  à sua matriz e à sua área de atuação. Podem prestar serviço em qualquer lugar do território nacional, cumprido formalidades e regramentos locais. E como diz a requerida, a publicação ocorrerá no Correio do Estado, jornal antigo e de circulação em todo o território estadual. Não vislumbro elemento que a torne suspeita, portanto, o fato de a sede da empresa ficar a mais de 300 km de Chapadão do Sul, e entendo justificável o que se alega em defesa a respeito”, disse o juiz.

“O autor se manifestou após a defesa, sobre o que houve contraditório ainda que não intimado para tanto, e trouxe fato novo, mas não questiona a defesa apresentada, em ponto nenhum, nem mesmo sequer a que rebate seu argumento de que a amostra da pesquisa não respeita a proporcionalidade em relação ao eleitorado, não considerando fatores específicos como faixa etária, gênero, escolaridade e localização geográfica, o que estaria contrariando o artigo 2º da Resolução TSE nº 23.600/2019”, escreveu o magistrado.

Prado ainda complementou que “o que é obrigatório é que as informações relativas à pesquisa sejam registradas antes de sua divulgação, e não necessariamente antes da coleta de dados”. 

“Com adiantado ao decidir a tutela provisória, uma pesquisa pode ser muito mais útil na condução de uma candidatura e de uma respectiva campanha, quando os dados levantados destinam ao trabalho interno, aos bastidores, para levantamento do que o eleitor quer ouvir, quer de comportamento ou mesmo quer  de ‘promessa’ do candidato. Por isso, se faz muitas [pesquisas] internas sem divulgação. Aquelas destinadas à divulgação, ao conhecimento do eleitor e da população de forma geral, devem seguir as regras existentes para que assim seja procedido. Não constato a contento, haja prova de irregularidade a essa altura – antes de sua divulgação e limitado ao que se provou – na pesquisa questionada, tampouco da litigância de má-fé”, finalizou.

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IMBRÓGLIO

Brasil nega visto a oficiais dos Estados Unidos que pretendiam questionar urnas eleitorais

As medidas ocorrem em meio a atritos diplomáticos entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos, envolvendo especialmente as tarifas impostas por Trump aos produtos brasileiros

25/07/2026 19h00

O Itamaraty negou os vistos de dois secretários americanos

O Itamaraty negou os vistos de dois secretários americanos Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

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O Brasil negou o visto de dois oficiais dos Estados Unidos que pretendiam vir ao País para questionar o sistema eleitoral brasileiro após identificar tentativas do governo do presidente norte-americano, Donald Trump, de lançar desinformação sobre as eleições de outubro.

O governo de Donald Trump pretendia enviar dois oficiais norte-americanos ao Brasil para lançar dúvidas sobre a lisura e a integridade do sistema eleitoral brasileiro, de acordo com informações divulgadas pelo jornal americano The Washington Post na sexta-feira, 24.

Conforme o Estadão apurou, o Brasil já havia identificado a tentativa norte-americana antes da publicação. No dia 20 de julho, o governo brasileiro teve conhecimento da intenção após o Departamento de Estado norte-americano solicitar os vistos ao Consulado do Brasil em Washington.

Um sinal de alerta foi a reunião do senador Flávio Bolsonaro (RJ), candidato do PL à Presidência, com embaixadores, no dia seguinte. No encontro, o senador citou suspeitas já negadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre as urnas eletrônicas.

A visita iria ocorrer após o encontro de Flávio com embaixadores. Formalmente, o pedido dos Estados Unidos era para debater "liberdade de expressão relacionada às eleições". As autoridades brasileiras identificaram tentativa de tumultuar o processo eleitoral por meio da missão diplomática.

O Itamaraty confirmou ao Estadão que os vistos de Riley Barnes, secretário-assistente, e Samuel Samson, secretário-assistente adjunto do Departamento de Estado, foram negados na sexta-feira, 24.

As medidas ocorrem em meio a atritos diplomáticos entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos, diante do tarifaço do presidente Donald Trump imposto aos produtos brasileiros e às ameaças do Brasil de retaliar com tarifas aos norte-americanos. No campo político, as iniciativas ocorrem na largada da campanha eleitoral, em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta Flávio Bolsonaro.

'Esse país é nosso e ninguém aqui mete o bedelho', diz Lula

O governo brasileiro reagiu neste sábado, 25. "Ninguém, muito menos Trump vai se meter no processo eleitoral brasileiro", disse o ministro da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência, José Guimarães, ao Estadão.

Durante a convenção do PT que oficializou a candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo, Lula falou sobre tentativas de inferências nas eleições do Brasil, sem citar diretamente os Estados Unidos.

"Quem quiser de fora vir se meter nas eleições brasileiras, já vou avisando logo: vão apanhar muito aqui nas eleições", disse o presidente.

Lula reforçou que o destino do Brasil será decidido por 157 milhões de eleitores e que o Brasil é soberano e quer manter relações com todos os países sem guerra, mas com paz. "Esse país é nosso e ninguém aqui mete o bedelho".

ELEIÇÕES 2026

Lula usa convenção de Haddad para mandar recado: 'não meta o dedo nas nossas eleições'

Neste sábado, o Partido dos Trabalhadores oficializou a candidatura do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad ao governo de São Paulo

25/07/2026 16h00

O presidente Lula discursou durante lançamento da candidatura de Fernando Haddad ao Governo de São Paulo

O presidente Lula discursou durante lançamento da candidatura de Fernando Haddad ao Governo de São Paulo Foto: Divulgação

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aproveitou o palco do evento que oficializou a candidatura do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) ao governo de São Paulo neste sábado, 25, para rejeitar interferências externas nas eleições brasileiras.

"Que não venha ninguém de fora querer meter o dedo nas nossas eleições", afirmou Lula, em Campinas (SP). "Quem quiser, de fora, vir se meter nas eleições brasileiras, já vou avisando logo: vão apanhar muito aqui nas eleições. Quem vai decidir o destino desse país são os 157 milhões de eleitores."

Sem mencionar o nome de Donald Trump, o petista chegou a mandar recados ao presidente americano. Dizendo não ser afeito a bravatas, afirmou que o "aviso está dado" e que o Brasil é soberano e deseja manter relações com todos os países.

O ato ainda contou com elogios à "qualidade" da chapa paulista, formada por quatro ex-ministros. Lula pediu que os eleitores comparem as "biografias" dos candidatos e elencou críticas ao senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PL, e ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que busca a reeleição.

Prestes a disputar sua sétima eleição, o presidente chamou a atenção dos militantes para a importância da eleição ao Senado e disse que precisará das candidatas Simone Tebet (PSB), ex-ministra do Planejamento, e Marina Silva (Rede), ex-ministra do Meio Ambiente, para ajudar a governar o País. "Porque a gente vai ter muito problema. A política está apodrecida", declarou.

Haddad enfrenta favoritismo de Tarcísio e busca garantir palanque a Lula

Embora os petistas reconheçam o favoritismo de Tarcísio em São Paulo, eles incentivaram a militância a se engajar na campanha para desconstruir a atual gestão estadual e divulgar as realizações do governo Lula.

Ao longo do evento, sobraram críticas às mais diversas áreas da gestão Tarcísio, mas as mais frequentes disseram respeito às privatizações da Sabesp e do transporte sobre trilhos, à criminalidade no Estado, em especial à alta dos feminicídios, e à relação de Tarcísio com os prefeitos.

"Tanto a Sabesp quanto o metrô e a CPTM foram entregues a empresas sem a menor experiência nesses ramos de atividade", afirmou Haddad, acrescentando que as privatizações têm sido feitas "a toque de caixa". Segundo ele, após a privatização da Sabesp, a conta de água aumentou e passou a faltar água nos domicílios paulistas. "Quando a água chega, chega suja", declarou o petista, que disputará o governo paulista pela segunda vez.

O petista, que esteve à frente da área econômica do governo Lula até março deste ano, abriu seu discurso citando os resultados econômicos do governo federal, como o baixo índice de desemprego, e afirmando que o Estado de São Paulo cresceu abaixo da média nacional nos últimos 12 meses.

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que deve ter papel ativo na campanha de Haddad, lembrou que o ex-ministro da Fazenda foi o "amálgama" da sua união com Lula, em 2022. O ex-governador do Estado referiu-se à gestão Tarcísio como "bolsonarismo envergonhado" e disse que São Paulo não quer a "prepotência e arrogância daquelas marteladas", em referência às marteladas do governador em leilões.

"Essas marteladas do atual governador trincaram as principais vitrines do Estado", disse Alckmin, que citou a venda da Sabesp e as privatizações do metrô e trens.

Tebet, que, junto com Alckmin, foi escalada para ajudar a campanha a conseguir votos no interior, disse que Tarcísio não cuida do interior e não dialoga com os prefeitos e, assim como os companheiros de chapa, criticou a política de privatização. "Olha a Sabesp hoje entregando água barrenta. Quando entrega água. Olha o que aconteceu com o trem privatizado em São Paulo, colocando em risco a vida das pessoas com incêndio em vagão que nunca havia acontecido no passado."

O candidato a vice na chapa de Haddad, Márcio França foi responsável pelo discurso mais afiado contra Tarcísio. Chamou o governador de "político ingrato" e lembrou que o atual governador ocupou cargos de confiança nas gestões petistas.

Fazendo referência ao fato de Tarcísio ter sido preterido por Jair Bolsonaro na disputa presidencial, o ex-ministro disse que "nem a família Bolsonaro" acredita nele. "Sabem que Tarcísio é traidor", acrescentou França, que governou o Estado e também criticou a relação do governador com os prefeitos.

A disputa pelo governo de São Paulo será marcada este ano pelo esvaziamento de candidaturas. Além de Tarcísio e Haddad, apenas partidos nanicos, sem representação no Congresso, devem lançar candidatos.

A cor predominante entre apoiadores de Haddad e Lula na Arena Concórdia neste sábado era o vermelho, cor da bandeira do PT. Poucos militantes usaram roupas com as cores verde e amarela, da bandeira do Brasil, que nos últimos anos ficaram associadas ao bolsonarismo, mas passaram a ser usadas recentemente por políticos do campo progressista.

Placas distribuídas logo no acesso ao ginásio estampavam a frase "o governador da segurança", indicando que a pauta da Segurança Pública terá papel central na campanha de Haddad ao Palácio dos Bandeirantes.

A missão de Haddad na campanha estadual vai além de vencer o atual governador Tarcísio de Freitas - o que mesmo os petistas acreditam ser pouco provável. O ex-ministro foi escalado principalmente para garantir que Lula tenha um bom desempenho no maior colégio eleitoral do País.

Em 2018, quando Jair Bolsonaro foi eleito presidente, o então candidato do PT, Fernando Haddad, foi derrotado em São Paulo por 67,97% a 32,03% no segundo turno, uma diferença de 35,94 pontos porcentuais. Quatro anos depois, Bolsonaro voltou a vencer no Estado, mas por uma margem bem menor: de 10,48 pontos porcentuais sobre Lula, que acabou eleito presidente da República.

A escolha por oficializar a candidatura de Haddad em Campinas simboliza uma das prioridades do ex-ministro: avançar sobre o eleitorado do interior paulista, historicamente refratário ao PT

No período da pré-campanha, Haddad cumpriu agendas em diferentes cidades do interior, como Sorocaba e Araraquara.

Discursos miram Flávio por articulação com os EUA e ataques às urnas

Com hino nacional na abertura e discurso de Lula direcionado à soberania do País, o evento teve tom nacional em muitos momentos, com críticas à articulação do senador Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos e à taxação americana sobre o Brasil.

"Não é possível ter um presidente da República que trama contra o Brasil e vai atrás de taxação para destruir a indústria", afirmou a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, que foi confirmada neste sábado candidata ao Senado pela Rede.

Os recentes ataques de Flávio ao sistema eleitoral brasileiro também não passaram despercebidos. A ex-ministra do Planejamento Simone Tebet (PSB), que mudou seu domicílio eleitoral do Mato Grosso do Sul para São Paulo para disputar o Senado na chapa de Lula, disse que o petista enfrentará um "golpista de plantão", pois "tal pai, tal filho".

Tebet fez apelo aos militantes para que dialoguem com a "direita democrática", com o centro e os indecisos e pregou que "não há eleição ganha". "Não tem eleição ganha como não tem eleição perdida. E, no caso aqui de São Paulo, não adianta eleger o presidente Lula e não dar uma maioria esmagadora na Câmara e no Senado. Não adianta eleger o presidente Lula e não eleger o Haddad governador."

Organização explora encontro de Lula com Trump e impacto do tarifaço sobre paulistas

Vídeos do último encontro entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foram exibidos antes da convenção começar, e um jornal distribuído na entrada do evento chamava o governador Tarcísio de Freitas de "capacho" do Republicano e do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. O material impresso cita o impacto do tarifaço americano sobre o Estado e lembra que o governador comemorou a vitória de Trump posando com um boné escrito "Make America Great Again".

Peças exibidas antes do início da convenção antecipam alguns dos temas que devem ser explorados pela campanha petista em São Paulo. Um deles critica a privatização da Sabesp e mostra imagens de água suja saindo de torneiras. "Tarcísio privatizou, o serviço piorou", diz a campanha publicitária. Outra destaca o aumento dos casos de feminicídio no Estado.

Ao longo dos últimos meses, Tarcísio conseguiu reunir em torno de sua candidatura todos os partidos que apoiaram o então governador tucano Rodrigo Garcia em 2022, incluindo o próprio PSDB, que ensaiou lançar o ex-prefeito de Santo André, Paulo Serra, mas depois desistiu. Haddad, por sua vez, tentou abrir diálogo com os tucanos e com o PSD - cujo presidente nacional, Gilberto Kassab, foi preterido na escolha da vice de Tarcísio -, mas não teve sucesso em nenhuma das articulações.

Algumas pesquisas já apontam cenários de vitória do atual governador no primeiro turno, desfecho que tende a prejudicar Lula. "[Se Tarcísio liquidar a eleição no primeiro turno e a disputa presidencial avançar para o segundo], Lula ficará sem um palanque em São Paulo e Tarcísio, com a eleição ganha, poderá se envolver intensamente na campanha do Flávio Bolsonaro", avalia Renato Dorgan, CEO do instituto Travessia. "Nesse sentido, a missão do Haddad, que é o nome mais forte eleitoralmente do PT, é ajudar o Lula a ter um bom desempenho em São Paulo e evitar que Tarcísio ganhe no primeiro turno."

Interior paulista é principal desafio de Haddad

A escolha por oficializar a candidatura de Haddad em Campinas simboliza uma das prioridades do ex-ministro: avançar sobre o eleitorado do interior paulista, historicamente refratário ao PT Sem uma guinada nessa região, a avaliação interna é que o petista terá poucas chances de encurtar a distância em relação a Tarcísio.

"Nas urnas, em 2022, o interior foi a região onde encontramos maior resistência. Se dependesse apenas da capital e da Grande São Paulo, Haddad teria sido eleito governador", afirma o presidente do PT paulista e deputado federal Kiko Celeguim.

Segundo ele, a militância petista nunca encontrou um ambiente favorável para pedir votos na região. "Queremos reverter esse cenário eleitoral. Vamos percorrer o interior mostrando que temos uma agenda para a região."

Na capital e na Região Metropolitana, o PT avalia que Haddad tem boas chances de superar o atual governador. Em 2022, o petista venceu Tarcísio na cidade de São Paulo por 54,5% a 45,5%. Para não repetir o placar desfavorável, o governador vai reeditar da dobradinha com o prefeito Ricardo Nunes (MDB) que marcou a eleição municipal de 2024. Desta vez, porém, com os papéis invertidos: agora é Nunes quem vai atuar como cabo eleitoral do governador.

O cálculo dos petistas combina duas frentes: diminuir a vantagem de Tarcísio no interior e preservar a força eleitoral da esquerda na Grande São Paulo. Para isso, a principal aposta é na atuação da ex-ministra do Planejamento e pré-candidata ao Senado por São Paulo, Simone Tebet (PSB), que tem bom trânsito junto ao agronegócio, e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que governou o Estado por quatro mandatos.

Segundo Celeguim, Tebet e Alckmin devem cumprir parte da agenda de campanha em separado de Haddad, numa tentativa de ampliar o alcance da campanha e percorrer o maior número possível de municípios.

Renato Dorgan avalia que, se o interior paulista historicamente vem representando o maior obstáculo para a campanha petista, a capital e a Região Metropolitana são territórios mais favoráveis à esquerda. "Na minha avaliação, é aí que está a chave para saber se haverá ou não segundo turno", afirma o cientista político.

Segundo ele, a Grande São Paulo é a região onde Tarcísio enfrenta mais insatisfações atualmente. "Há graves problemas ligados ao transporte metropolitano, à segurança pública, à privatização da Sabesp e à qualidade da educação estadual. O principal risco para o governador é registrar um desempenho regular ou mesmo ruim na capital e na Grande São Paulo e a disputa evoluir para o segundo turno. Ainda assim, dificilmente deixará de vencer a eleição, já que o interior paulista desequilibra a balança e é muito mais conservador e antipetista "

PT quer explorar pontos fracos da gestão paulista e divulgar ações de Lula no Estado

Embora reconheçam o favoritismo de Tarcísio, aliados de Haddad têm dito que o governador não é "imbatível" e que há vulnerabilidades da gestão que podem ser exploradas ao longo da campanha eleitoral.

Pesquisas qualitativas encomendadas pelo PT identificaram que a privatização da Sabesp e as concessões do transporte sobre trilhos estão entre os pontos mais sensíveis. Os problemas registrados em linhas da CPTM na última semana, que levaram o governo a anunciar a retomada da operação pela estatal, já foram transformados em munição pelo partido.

A segurança pública deve ser outro tema central. Como mostrou o Estadão, para construir seu plano para a área, Haddad tem conversado com especialistas historicamente ligados ao PSDB, além de partidos aliados e coronéis e delegados críticos à gestão Tarcísio.

Outros temas que devem ser trazidos à tona por Haddad envolvem a relação de Tarcísio com os prefeitos, o chamado "custo Tarcísio" - expressão usada para se referir à alta de tarifas e serviços administrados pelo governo paulista - e o fato de o governador ter sido cotado para disputar a Presidência.

Aliados de Haddad têm dito que Tarcísio estava se preparando para disputar o Planalto e usou São Paulo para alçar voos mais altos. O argumento, no entanto, esbarra na própria trajetória de Haddad, que resistia à ideia de disputar o governo paulista e só aceitou a missão após pedido de Lula.

Além de tentar desconstruir a gestão de seu adversário, Haddad também terá a missão de dar visibilidade às ações do governo Lula em São Paulo. Nos últimos meses, os governos federal e estadual travaram uma batalha pela paternidade de obras estratégicas do Estado, como o Túnel Santos-Guarujá e o Trem Intercidades.

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