Política

CRISE POLÍTICA

Zeca ameaça sair da base aliada e fazer oposição feroz a Riedel na Assembleia

O líder da bancada do PT na Casa de Leis ocupou a tribuna para criticar o descaso do titular da Semadesc com a Agraer-MS

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Na Universidade Stanford, na Califórnia, nos Estados Unidos, onde participa de estudos, o governador Eduardo Riedel (PSDB) terá de arrumar tempo para contornar uma crise política que surgiu entre o secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Jaime Verruck, e o líder da bancada do PT na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems), deputado estadual Zeca do PT.

Durante a sessão ordinária de ontem na Casa de Leis, o parlamentar usou o pequeno expediente para dar um recado ao secretário Jaime Verruck e ameaçou retirar o apoio da bancada petista ao governador Eduardo Riedel.

“Fiz um pronunciamento dizendo que não sou bobo nem brinquedo do governo. Ou resolve ou vou romper e começar uma oposição feroz ao Riedel, e eu sei fazer oposição”, disse ao Correio do Estado.

"Ele não quer gastar como se fosse particular. Aliás, se continuar assim, vou ser obrigado a contar qual ‘jogo’ que tem aí por trás do FCO, deixa comigo”
ZECA DO PT, deputado estadual, durante discurso feito na sessão da Assembleia Legislativa contra o titular da Semadesc

No seu discurso, Zeca do PT reclamou da falta de autonomia do partido na Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural de Mato Grosso do Sul (Agraer-MS), comandada pelo petista Washington Willeman de Souza, e do atendimento dispensado pelo titular da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) aos seus pleitos para a Agência.

“O Jaime manda no governo e Riedel tem medo dele. Essa é a minha avaliação. Junto do Jaime, tem ainda o tal do Pedro Caravina, que é secretário estadual de governo. Eles acham que todos têm medo deles, mas eu não tenho. Falei para eles que eu não sou palhaço, ou resolvem dar independência para o PT dirigir a Agraer-MS ou vou acabar com esse governo em dois tempos”, ameaçou em conversa com a reportagem.

O Correio do Estado procurou o secretário Jaime Verruck para ouvir um posicionamento dele, mas, até o fechamento desta matéria, não obteve sucesso. O espaço continua aberto para que ele possa dar a sua versão dos fatos.

Entenda o caso

Na sessão ordinária de ontem, Zeca do PT disse que, desde o início do governo Riedel, tem conversado com a equipe do governador acerca da participação e da independência do partido na gestão do PSDB no que toca a indicação para o cargo de diretor-presidente da Agraer-MS e para a Secretaria-Executiva de Desenvolvimento Agrário.

“Infelizmente, até agora, com todo o trabalho que a equipe da Agraer-MS tem feito – aliás, nesta sexta-feira, vamos realizar a 9ª Conferência da Agricultura Familiar –, andando pelo Estado e promovendo o governo do Riedel, absolutamente nada foi feito para dar autonomia para a administração petista na Agência. Fico chateado com isso”, disse.

O parlamentar informou ainda que tentou falar com o secretário Jaime Verruck, mas sem sucesso.

“Eu sei que ele que está por trás disso, não me atendeu e, aí, mandei um Zap [WhatsApp] para ele e também para o Pedro Caravina dizendo que para papel de bobo eu não sirvo e que, portanto, estou dando um prazo para eles efetivarem a independência da gestão do PT na Agraer-MS ou o próximo passo que eu vou propor aqui é o rompimento do apoio da bancada do partido com o Eduardo Riedel”, garantiu.

Para Zeca do PT, não é admissível esse tipo de comportamento de criança do secretário Jaime Verruck, a quem, conforme o deputado, tratam como Alemão. 

“Então, diga ao tal do Alemão que eu não tenho medo de cara feia e, portanto, se ele não quiser me atender por telefone, mas quiser conversar pessoalmente, estou à disposição dele. Mas para esse comportamento eu não me coloco e, portanto, ou eles resolvem tirar da Agraer-MS o pau-mandado do tal do Jaime ou o meu próximo passo é o rompimento com o governo”, ameaçou. 

Também durante o discurso, o deputado estadual avisou que já começaria a tomar algumas atitudes, apresentando 13 indicações ao governador Eduardo Riedel e para a Agraer-MS, solicitando patrulhas mecanizada com implementos agrícolas para atender os agricultores familiares e indígenas dos municípios de Jardim, Dourados, Fátima do Sul, Miranda, Coronel Sapucaia, Anastácio, Guia Lopes da Laguna, Rio Brilhante e Aquidauana.

Suspeita

“Solicito essas patrulhas mecanizadas e, aliás, é bom dizer para o Alemão que esse dinheiro que eu estou pedindo para comprar as patrulhas mecanizadas é de emenda parlamentar de minha autoria como deputado estadual, que ele não quer gastar como se fosse particular dele. Aliás, se continuar assim, vou ser obrigado a contar qual ‘jogo’ que tem aí por trás do FCO [Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste], deixa comigo”, voltou a ameaçar.

Porém, quando foi questionado pelo Correio do Estado qual seria a suposta irregularidade cometida pelo secretário Jaime Verruck, que é o presidente do Conselho Estadual de Investimentos Financiáveis pelo Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (Ceif-FCO), na liberação de recursos do Fundo, Zeca do PT não quis responder.

 

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Eleições 2026

Riedel reduz R$ 4,5 milhões em bens, enquanto Trad aumentou R$ 1,3 mi

Os patrimônios declarados pelos candidatos Eduardo Riedel (PP), Fábio Trad (PT) e Lucien Rezende (PSOL) à Justiça Eleitoral, já aparecem na plataforma TSE

07/08/2026 12h30

Riedel e Fábio Trad oficializam candidaturas ao governo de MS

Riedel e Fábio Trad oficializam candidaturas ao governo de MS Montagem Correio do Estado

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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por meio do site DivulgaCand, apresentou informações detalhadas sobre o patrimônio dos candidatos ao governo de Mato Grosso do Sul. Na relação dos que pediram registro à Justiça Eleitoral, aparecem apenas Eduardo Riedel (PP), Fábio Trad (PT) e Lucien Rezende (PSOL).  

De acordo com o TSE, o candidato Eduardo Riedel teve uma redução de R$ 4.596.439,08 em seu patrimônio declarado para a eleição de 2026. Seus bens totais estão avaliados em R$ 16.147.849,34. Quando foi eleito governador em 2022, ele havia declarado um patrimônio de R$ 20.744.288,42 ao tribunal.

Ao contrário de Riedel, Fábio Trad (PT) teve um aumento considerável em relação a última Eleição a qual participou, em 2022, quando concorreu ao cargo de deputado federal, mas não foi eleito. Na época, ele tinha um patrimônio de R$ 2.363.367,45, e que passou ao valor de R$ 3.670.880,45 em 2026. A elevação dos bens totais está em torno de R$ 1,3 milhão.

O terceiro candidato ao governo que aparece no DivulgaCand é Lucien Rezende (PSOL). Ele declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 500 mil, composto por duas casas avaliadas em R$ 250 mil cada. Em 2024, última vez que concorreu a um cargo político, no caso para prefeitura de Ribas do Rio Pardo, ele havia declarado R$ 135.520,10. O aumento dos seus bens totais foi de R$ 364.479,90.

Os outros candidatos ao governo do Estado, no caso Daniel Lemes (PCO), Jefferson Bezerra (Agir), João Henrique Catan (Novo) e Renato Gomes (DC), ainda não aparecem na plataforma do TSE. Confira abaixo os bens declarados por cada político.

Bens totais

Eduardo Riedel (PP)

2026

Total em bens: R$ 16.147.849,34

 

  • Ford Edge Ano 2011 - R$ 96.000,00
  • Quota capital Sicredi União MS/TO - R$ 2.937,56
  • Quota capital Sicredi Centro Sul MS/BA - R$ 95.545,04
  • Quota capital Coamo - R$ 6.534,69
  • Crédito a receber - R$ 624.344,36
  • Quotas cooperativa agrícola mista Serra de Maracauju - R$ 3.500,00
  • Moto Honda Ano 2019 - R$ 15.800,00
  • Quota capital APE Participações - R$ 3.000,00
  • Quota capital cooperativa agrícola sulmatogrossense - R$ 3.276,79
  • Moto BMW ANO 2026 - R$ 113.900,00
  • Quota capital cooperativa Plantadores de cana São Paulo - R$ 60.793,92
  • 521 cabeças de bovinos (até o dia 31 de dezembro de 2025) - R$ 2.084.000,00
  • Ford Ranger ano 2024 - R$ 321.890,00
  • Bens relacionados ao exercício da atividade rural - R$ 12.250.222,42
  • Moto Yamaha Ano 2017 - R$ 18.000
  • Quota capital cooperativa agrícola mista de Adamantina - R$ 8.379,88
  • Depósitos em conta corrente, poupança e investimento bancários (saldo em 31/12/2025) - R$ 439.724,68

Em 2022, quando possuía um patrimônio maior, avaliado em R$ 20.744.288,42, ele tinha em seu nome:

  • Chácara Maracaju - R$ 37.227,84
  • Motocicleta Yamaha ER250 2017 - R$ 18.000,00
  • Poupança 1 - R$ 155,75
  • Sicredi (caderneta de poupança) - R$ 20,62
  • VGBL Brasilprev - R$ 119.398,04
  • VGBL Bradesco - R$ 90.245,74
  • Aumento capital - Adiantamento - Angraju empreendimentos - R$ 132.900,00
  • Quotas Cooperativa Mista Serra - R$ 3.500,00
  • Quotas Angraju - R$ 865.920,00
  • Apartamento Residencial - R$ 95.433,16
  • Apartamento no Rio de Janeiro - R$ 1.768.436,18
  • Construção Casa Beirute - R$ 2.303.679,53
  • Chevrolet Trailblazer 2019 - R$ 325.837,39
  • Quotas Sapé Agropastoril - R$ 3.855.075,00
  • Quotas CCPI Pantanal - R$ 35.755,04
  • Bens da atividade Rural - R$ 10.747.931,21
  • Aplicação de renda fixa RDB/CDB - R$ 215.439,70
  • Outras aplicações e Investimentos - R$ 797,73
  • Ford Edge - R$ 96.000,00
  • Motocicleta Honda CRF 250 2019 - R$ 15.800,00
  • Aplicação Bradesco - R$ 16.735,49

Fábio Trad (PT)

2026

Total em bens: R$ 3.670.880,45

  • Ações na Vale- R$ 1.464,66
  • Casa em Campo Grande - R$ 220.000,00
  • Hyundai Creta - R$ 122.590,00
  • Quinhão de sítio localizado em São Gabriel do Oeste - R$ 249.975,00
  • Operações estruturadas - R$ 323.000,00
  •  Aplicação bancária - R$ 20.745,11
  • Terreno em São Gabriel do Oeste - R$ 31.343,90
  • Ações na Axia 7 - R$ 14.040,96
  • Ações na Axia /ADM Banco Safra - R$ 4.866,12
  • Ações na Petrobras - R$ 1.703,38
  • Investimento no fundo SAF CAPMKT - R$ 41.096,58
  • Investimento VGBL - R$ 3.814,69
  • Título de captalização - R$ 2.834,19
  • Ações IT NOW IBOV - R$ 19.861,87
  • Ações Petrobras - R$ 1.896,00
  • Valor recebido (espólio) - R$ 174.374,26
  • HYUNDAI HB20 - R$ 80.490,00
  • Aplicação de renda fixa (CDB, RDB e outros) - R$ 47.757,15
  • Ações IT NOW IBOV - R$ 2.624,40
  • Quotas de capital FABIO TRAD ADVOGADOS E ASSOCIADOS - R$ 18.000,00
  • Ações IT NOW IBOV - R$ 1.950,52
  • Investimentos na SAF SOB MAX - R$ 39.135,68
  • Apartamento com alienação fiduciária em Campo Grande - R$ 1.000.000,00
  • Ações na AXIA 3 - R$ 47.505,92
  • SVN Fundo de investimento renda fixa - R$ 134.592,55
  • Ações na Vale - R$ 1.460,00
  • PREVIDÊNCIA - SAFRA VIDA E PREVIDÊNCIA - R$ 751.050,26
  • Aplicação de renda fixa (CDB, RDB e outros) - R$ 150.000,00
  • Outras ações - R$ 131.363,35

Em 2022

Total em Bens:R$ 2.363.367,45

  • Fundo de investimento Caixa - R$ 342.506,25
  • Sala comercial no Edifício Evolution Business Center -  R$ 269.447,96
  • CIVIC 2019/2019 - R$ 110.250,00
  • Caderneta de poupança (BRADESCO) -  R$ 17,21
  • KWID ZEN 2019/2019 - R$ 39.990,00
  • HB20 ANO 2016/2017 -  R$ 55.500,00
  • Terreno e construção na rua Avoante, Carandá Bosque, em Campo Grande - R$ 500.000,00
  • Terreno no Alphavile, em Campo Grande - R$ 79.500,00
  • Quota capital na sociedade FABIO TRAD ADVOGADOS - R$ 18.000,00
  • Saldo em VGBL (CAIXA ECONÔMICA FEDERAL) - R$ 99.640,00
  • Conta corrente Bradesco - R$ 5.840,30
  • VGBL no Porto Seguro - R$ 563.580,89
  • VGBL na Mapfre - R$ 4.934,61
  • Consórcio Rodobens - R$ 13.810,23
  • Imóvel na rua Avoante, Carandá Bosque - R$ 220.000,00
  • FIAT/MOBI ANO 2018/2018 - R$ 40.350,00

ELEIÇÕES 2026

Riedel prevê união da direita, critica agenda do PT e defende reforma política para o Brasil

Em entrevista à revista Veja, governador afirmou que o País precisa abandonar disputas ideológicas, apoiar reformas estruturais e combater crime organizado

07/08/2026 09h04

Candidato à reeleição pelo PP, o governador Eduardo Riedel concedeu uma longa entrevista para a revista Veja que chegou às bancas nesta sexta-feira (7)

Candidato à reeleição pelo PP, o governador Eduardo Riedel concedeu uma longa entrevista para a revista Veja que chegou às bancas nesta sexta-feira (7) Reprodução

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Em entrevista concedida à revista Veja, o governador Eduardo Riedel (PP), candidato à reeleição, afirmou que a direita brasileira deverá se unificar em torno de uma candidatura única em um eventual segundo turno das eleições presidenciais e defendeu uma agenda baseada em responsabilidade fiscal, competitividade e reformas estruturais para o País.

O chefe do Executivo estadual também criticou a política econômica do PT, avaliou que o Brasil está "capturado por narrativas ideológicas" e disse que o debate nacional precisa voltar a priorizar uma agenda de Estado. 

Ao comentar o cenário político, Riedel destacou que a ampla aliança construída em Mato Grosso do Sul é resultado da gestão e da entrega de resultados, diferentemente da polarização observada no cenário nacional.

Segundo o governador, desde o início do mandato, a prioridade foi montar um governo técnico, ampliar o diálogo político e concentrar esforços em políticas públicas capazes de melhorar os indicadores econômicos e sociais do Estado.

"A realidade do estado é diferente da nacional. Desde que assumi o governo, meu compromisso sempre foi o de construir um projeto para o estado, e não uma disputa de poder. Nós reunimos um secretariado técnico, buscamos apoio político amplo e concentramos esforços em entregar resultados", afirmou. 

Riedel ressaltou que Mato Grosso do Sul registrou crescimento acima da média brasileira, reduziu a pobreza extrema, ampliou investimentos públicos e privados e manteve baixos índices de desemprego.

"Os indicadores mostram isso. O estado cresceu acima da média nacional, reduziu a pobreza extrema, ampliou investimentos e manteve níveis muito baixos de desemprego. Quando se entregam resultados, as forças políticas tendem a convergir em torno do projeto", declarou. 

Sobre a disputa presidencial, o governador explicou que o apoio a Flávio Bolsonaro (PL) foi resultado da convergência entre os partidos que integram sua base política em Mato Grosso do Sul.

"Tenho o maior respeito por Ronaldo Caiado e Romeu Zema. Mas, no momento das convenções, a convergência do nosso campo político no estado, que inclui PP, União Brasil, PL e Republicanos, foi pelo apoio a Flávio. Acredito que no segundo turno haverá uma reunião natural em torno de uma candidatura única desse campo", afirmou. 

Críticas ao PT

Questionado sobre a polarização nacional, Riedel afirmou que não se considera antipetista, mas disse discordar do modelo econômico defendido pelo Partido dos Trabalhadores.

"Não gosto dessa definição. Não sou do 'anti'. O PT tem uma trajetória importante na política brasileira e governou o país durante muitos anos. A minha divergência é de visão de Estado", disse. 

Na avaliação do governador, a agenda econômica petista perdeu sintonia com as necessidades atuais do País. "A agenda econômica defendida pelo PT envelheceu. O Brasil mudou, o mundo mudou, e continuamos discutindo temas que já não respondem aos desafios atuais. Sinto falta de uma agenda mais clara voltada para equilíbrio fiscal, competitividade, modernização administrativa e crescimento sustentado", afirmou. 

Riedel também criticou o foco do governo federal em medidas de curto prazo e defendeu um planejamento estratégico para as próximas décadas.

"O que vejo é um governo muito concentrado nas discussões de curto prazo. Precisamos pensar menos em agendas de governo e mais em agendas de Estado. O Brasil precisa recuperar competitividade. Isso passa pelo equilíbrio das contas públicas, pela confiança dos investidores, por reformas estruturantes e por um ambiente econômico capaz de estimular investimentos de longo prazo", declarou. 

Segundo ele, o excesso de polarização política prejudica o debate sobre temas fundamentais para o desenvolvimento nacional.

"O Brasil ficou muito capturado pelas narrativas políticas e ideológicas dos últimos anos. Eu sinto falta de uma discussão mais profunda sobre reformas estruturantes. Falamos pouco sobre reforma administrativa, sobre produtividade, sobre como tornar o país mais competitivo. Sem isso, seguiremos perdendo oportunidades", afirmou. 

Reforma política

Entre as mudanças defendidas por Riedel está uma ampla reforma política. Para o governador, o Brasil precisa reduzir o número de partidos e modificar o calendário eleitoral.

"O Brasil ainda convive com um sistema partidário excessivamente fragmentado. Não faz sentido imaginar que existam mais de trinta projetos ideológicos diferentes convivendo ao mesmo tempo", disse. 

O governador afirmou ser favorável ao fim da reeleição para cargos do Executivo, à criação de mandato único de cinco anos e à unificação das eleições municipais e nacionais.

"Hoje vivemos um processo eleitoral permanente. A cada dois anos, o país interrompe suas agendas para discutir eleições. Não considero isso saudável para a sociedade nem para a administração pública", declarou. 

Economia e investimentos

Ao analisar a política econômica do governo federal, Riedel afirmou que o ambiente de negócios depende da confiança dos investidores e da previsibilidade das regras.

"O empresário precisa confiar para investir. Isso depende de estabilidade, previsibilidade e equilíbrio fiscal. Quando o ambiente econômico se deteriora, todos os setores perdem competitividade, não apenas o agro", afirmou. 

Apesar das críticas, reconheceu avanços na política de concessões e parcerias com a iniciativa privada. "O governo Lula avançou em concessões e parcerias com a iniciativa privada, inclusive em projetos importantes para Mato Grosso do Sul. Isso é positivo. Mas existe uma contradição entre esse movimento e um discurso historicamente contrário às privatizações", avaliou. 

Ao comentar as negociações comerciais com os Estados Unidos, o governador também criticou o excesso de embates políticos.

"Bravatas funcionam em palanque, mas não resolvem problemas comerciais. O Brasil sempre teve tradição diplomática e capacidade de negociação. Precisamos recuperar essa característica", disse. 

Segurança pública

Na entrevista, Riedel voltou a defender maior participação da União no combate ao crime organizado na faixa de fronteira.

Segundo ele, Mato Grosso do Sul possui mais de 1,5 mil quilômetros de fronteira com Bolívia e Paraguai, realidade que exige integração permanente entre as forças de segurança.

"Segurança pública depende de três pilares: investimento, inteligência e integração. Talvez a integração seja o maior desafio, porque exige que forças federais, estaduais e municipais trabalhem de maneira coordenada", afirmou. 

O governador destacou o trabalho desenvolvido pelo Departamento de Operações de Fronteira (DOF) e lembrou que o Estado figura entre os maiores responsáveis por apreensões de drogas no Brasil.

"Boa parte desses presos nem sequer é do estado; são pessoas ligadas ao tráfico internacional. Isso demonstra que o combate às facções deixou de ser um problema regional. É um problema nacional e internacional", declarou. 

Para Riedel, as organizações criminosas avançaram mais rapidamente do que a capacidade de reação do Estado brasileiro.

"Quando uma organização criminosa substitui o Estado em determinado território, ela passa a impor regras próprias, controlar comunidades e interferir diretamente na vida das pessoas. Isso é extremamente grave", afirmou. 

O governador também voltou a defender a redução da maioridade penal, mas ressaltou que a medida deve ser acompanhada de políticas públicas voltadas à educação e à inserção dos jovens no mercado de trabalho.

"Essa medida sozinha não resolve o problema. O Estado precisa criar condições para que esses jovens tenham outra perspectiva de vida. Se o Estado não ocupar esse espaço, alguém vai ocupar. E, muitas vezes, quem ocupa é o crime organizado", disse. 

Perspectivas

Ao falar sobre o futuro do Estado, Riedel afirmou que a meta é consolidar Mato Grosso do Sul como um dos principais polos logísticos, industriais e de serviços do País, impulsionado pelos investimentos privados e pela Rota Bioceânica.

"Gostaria que fôssemos reconhecidos como um estado que cresceu sem abrir mão da responsabilidade fiscal, da inclusão social e da educação", concluiu o governador. 

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