O cientista e matemático inglês Isaac Newton dizia: “O que sabemos é uma gota, o que ignoramos é um oceano”. De fato, a ciência está sempre trazendo novas visões e descobertas e existe a expectativa de permanente desenvolvimento, numa tentativa constante de entender melhor a gota ou, quem sabe, de expandi-la.
A dificuldade em ver o conhecimento completo e finalizado, traduzida pela imensidão do oceano de Newton, parece ser também defendida por Marcelo Gleiser, que vê no conhecimento um mundo sem fronteiras.
Querer, contudo, entender e explicar o mundo faz parte da natureza humana, conforme comentou o cientista em entrevista sobre o lançamento do livro “A ilha do conhecimento”: “É inevitável que como ser humano você nutra essa vontade de aprender, de querer saber mais. E a ciência é um canal que tenta fazer isso, ligada à relação do homem com a natureza e com o universo todo. Isso não significa, de modo algum, que a ciência seja antirreligião por definição. Muito pelo contrário. Existem muitos cientistas que são pessoas muito religiosas. E eles dizem que quanto mais eles aprendem sobre o mundo, mais eles admiram a obra do Deus deles.”
Com tamanha diversidade de pessoas e formas de ver a vida é natural que as metodologias em busca das respostas possam diferir.
Contudo uma visão não precisa excluir a outra, como bem disse Gleiser. Além de que acreditar apenas no que os olhos veem pode ser um perigo para a imaginação.
O escritor Abdruschin questiona: “Considere-se a gota d’água, cuja incondicional pureza cada olho testemunha e que, observada através dum microscópio, encerra milhares de seres vivos, que dentro dela, sem piedade, lutam e se destroem. Não há, às vezes, bacilos na água, no ar, que possuem força para destruir corpos humanos, e que não são percebidos pelos olhos? Todavia se tornam visíveis através de instrumentos aperfeiçoados.
Quem ousará ainda depois disso afirmar que não encontrareis coisas novas até agora desconhecidas, tão logo aperfeiçoardes melhor tais instrumentos?”
Talvez William Shakespeare já tenha respondido essa questão na frase eternizada pela boca de muitos: há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe a nossa vã filosofia. Sempre é tempo de se maravilhar com os mistérios de uma - nem tão simples - gota d’água.

