Artigos e Opinião

EDITORIAL

Lei sem fiscalização não protege crianças

Uma legislação moderna é importante, mas uma lei que não consegue proteger quem deveria ainda está longe de cumprir sua finalidade

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O caso Lívia, adolescente de 13 anos de Naviraí, que tirou a própria vida durante uma transmissão simultânea em diferentes plataformas de redes sociais, do Discord ao Instagram, expõe uma questão que vai muito além da tragédia individual.

Mostra como o Estado brasileiro ainda falha na aplicação da legislação criada justamente para proteger crianças e adolescentes no ambiente digital.

De que adianta termos uma legislação moderna se não somos capazes de colocá-la em prática? O Brasil pode criar normas avançadas, estabelecer responsabilidades para as plataformas e determinar mecanismos de proteção.

Mas, sem fiscalização, estrutura e capacidade de aplicação, a lei corre o risco de existir apenas no papel.

Fiscalizar o ambiente digital não é simples. As plataformas são gigantescas, as interações ocorrem em tempo real e conteúdos circulam entre diferentes serviços em poucos segundos.

Por isso, o Estado precisa ter estrutura compatível com o tamanho do problema. E é justamente essa estrutura que parece não existir na dimensão necessária.

O resultado é um ambiente em que, apesar da legislação, crianças e adolescentes continuam expostos a situações que deveriam ser identificadas e interrompidas. Não há proteção de dados e fiscalização suficientes sobre o que ocorre nas redes sociais.

O mundo virtual não pode ser tratado como uma terra onde tudo pode, simplesmente, porque as relações acontecem atrás de uma tela.

Não é assim que deve ser.

O ECA Digital representa um avanço importante ao estabelecer regras específicas para a proteção de crianças e adolescentes no ambiente virtual, mas a existência da legislação é apenas o primeiro passo.

É preciso que os órgãos públicos tenham condições técnicas, financeiras e humanas para fiscalizar seu cumprimento e exigir das plataformas as medidas determinadas pela lei.

Também é importante lembrar um princípio básico: crianças não são adultos em miniatura. Elas não têm plena capacidade civil e precisam de responsáveis para protegê-las e orientá-las. Isso não diminui seus direitos; ao contrário, reforça a obrigação da família, da sociedade e do Estado de assegurar sua proteção.

No ambiente digital, essa responsabilidade é ainda mais complexa. Uma criança pode estar dentro de casa e, ao mesmo tempo, exposta a pessoas, conteúdos e situações que seus responsáveis desconhecem. A distância física não significa segurança.

Por isso, não basta atribuir às famílias toda a responsabilidade pelo que acontece nas redes. Pais e responsáveis têm papel fundamental, mas o Estado e as plataformas também precisam cumprir suas obrigações.

Não se pode exigir das famílias uma capacidade de fiscalização que empresas de tecnologia e órgãos públicos, com mais recursos e ferramentas, deveriam ter.

E precisamos avançar também como sociedade, pressionando pelo estabelecimento de limites claros no ambiente digital. Liberdade não significa ausência de regras. Crianças precisam de proteção, inclusive – e talvez principalmente – quando estão diante de uma tela.

ARTIGOS

Quando a busca por saúde coloca a vida em risco

O rótulo "100% natural" muitas vezes mascara riscos graves e cria a ilusão de um tratamento inofensivo

05/10/2026 07h25

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Minha avó sempre dizia que não existem soluções simples para problemas difíceis, e levei anos para entender o quanto ela tinha razão. Hoje, como endocrinologista, vejo essa verdade se repetir todos os dias.

No consultório, acompanho principalmente pacientes com obesidade e mulheres na menopausa. Quanto mais estudo essas condições, mais percebo que ambas envolvem uma fisiologia profundamente complexa.

Na obesidade, ocorre uma desregulação dos hormônios responsáveis pelo controle da fome e da saciedade. Já na menopausa, há uma queda significativa na produção dos hormônios femininos. Em comum, as duas deixam as pessoas mais vulneráveis a promessas de soluções rápidas.

Nas redes sociais, porém, essa complexidade vira mercadoria e é reduzida a fórmulas simplistas. Surgem o “chá seca-barriga” para emagrecer e a “fórmula mágica” para aliviar o cansaço e os fogachos da menopausa.

Afinal, quem não gostaria de uma solução rápida?

O problema é que o rótulo “100% natural” muitas vezes mascara riscos graves e cria a ilusão de um tratamento inofensivo. Natural, porém, não é sinônimo de seguro. A cocaína é derivada de uma planta e nem por isso seu uso é recomendado.

O grande risco por trás dessas promessas reside na adulteração criminosa de chás e suplementos com potentes fármacos sintéticos.

E isso não é especulação: laudos da Polícia Científica de Santa Catarina já identificaram substâncias como anfetaminas, antidepressivos, ansiolíticos e até alucinógenos em pílulas emagrecedoras e outros produtos vendidos livremente na internet como “naturais”.

Nos Estados Unidos, o cenário se repete, com dezenas de suplementos para perda de peso recolhidos por conterem substâncias farmacológicas não declaradas no rótulo.

A exposição contínua a essas substâncias pode sobrecarregar órgãos vitais e o sistema cardiovascular, provocando reações adversas graves. Os usuários relatam desde sede excessiva e dores de cabeça até tonturas intensas e episódios de perda de consciência, que podem levar à internação em unidades de terapia intensiva.

Parte desse perigo decorre também da combinação de diferentes compostos farmacológicos, em dosagens desconhecidas e sem controle sanitário. Nessas condições, transformam-se em verdadeiras bombas-relógio para o organismo, capazes de causar complicações graves e até a morte.

Os dados mostram que não se trata de casos isolados. Entre 2020 e 2025, 63% dos processos de investigação instaurados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) envolveram suplementos alimentares irregulares, muitos deles associados a promessas de resultados estéticos milagrosos.

A agência mantém, inclusive, uma extensa lista de emagrecedores proibidos que, infelizmente, continuam circulando de forma clandestina.

Mas os danos não se limitam à saúde física. Quando a primeira “solução milagrosa” fracassa, surge a frustração.

O resultado não corresponde à promessa, e a culpa aparece: por que tanta gente conseguiu e eu não? Esse sentimento de fracasso aprofunda a vulnerabilidade e alimenta um ciclo perigoso. A pessoa continua buscando soluções rápidas, gastando dinheiro, perdendo tempo e colocando a saúde em risco.

O fato é que o verdadeiro tratamento da obesidade não cabe em uma cápsula comprada às escondidas na internet. Ele exige uma equipe multidisciplinar, mudanças progressivas no estilo de vida e, quando necessário, o uso de medicamentos prescritos com critério e monitoramento.

Vale, então, uma pergunta honesta: a busca é realmente por saúde ou por um padrão estético a ser atingido a qualquer custo? Enquanto não enfrentarmos essa pergunta com honestidade, continuaremos reféns de promessas fáceis e dispostos a arriscar a própria saúde por qualquer solução que prometa bem-estar imediato.

EDITORIAL

MS escolheu continuar avançando

A reeleição de Eduardo Riedel no primeiro turno confirma a aprovação ao modelo de gestão e abre caminho para mais investimentos e crescimento em MS

05/10/2026 07h15

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A população de Mato Grosso do Sul mostrou nas urnas que aprovou o projeto conduzido pelo governador Eduardo Riedel (PP). A votação expressiva que garantiu a reeleição no primeiro turno, de maneira muito mais tranquila do que há quatro anos, representa mais do que a escolha de um nome para comandar o Estado.

É também um reconhecimento ao modelo de gestão adotado nos últimos anos e uma sinalização de que a população deseja que esse caminho tenha continuidade.

Riedel recebeu das urnas uma demonstração de confiança. Em uma eleição marcada por diferentes projetos políticos, o eleitorado optou pela continuidade. O resultado não deixa dúvida de que a maioria aprovou o trabalho realizado e entende que o Estado está no caminho correto.

Somados os dois primeiros mandatos de Reinaldo Azambuja (PL), eleito senador ontem, serão 16 anos de administração conduzida pelo mesmo grupo político. É tempo suficiente para avaliar resultados. E, até aqui, os indicadores mostram avanços importantes para Mato Grosso do Sul.

Nesse período, o Estado recebeu mais de R$ 100 bilhões em investimentos. A indústria de celulose, a bioenergia e outras atividades produtivas ajudaram a transformar a economia sul-mato-grossense, atraindo capital, ampliando a produção e criando novas oportunidades de emprego e renda.

Investimentos dessa dimensão movimentam a construção civil, o comércio, os serviços, a logística e uma extensa cadeia de fornecedores, além de ampliar a arrecadação e a capacidade de investimento público.

Mato Grosso do Sul ainda precisa melhorar sua infraestrutura, ampliar a qualidade dos serviços públicos, reduzir desigualdades regionais e preparar suas cidades para o crescimento. O desenvolvimento precisa transformar os ganhos econômicos em melhoria concreta da qualidade de vida.

Mas é preciso reconhecer o que foi feito. A população reconheceu nas urnas os avanços registrados pelo Estado e decidiu dar continuidade ao projeto. Essa escolha traz uma responsabilidade ainda maior para o governo reeleito: entregar mais e fazer melhor.

O resultado eleitoral deve ser interpretado como uma oportunidade para aprofundar aquilo que deu certo e corrigir o que ainda precisa ser melhorado. A confiança recebida precisa ser transformada em trabalho, planejamento e responsabilidade fiscal.

Mato Grosso do Sul tem condições excepcionais para continuar crescendo. Que os próximos anos sejam marcados por mais investimentos, mais empregos, melhor infraestrutura e serviços públicos eficientes. A população reconheceu os avanços. Daqui, esperamos que Mato Grosso do Sul continue avançando.

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