Brasil

negócio da china

Chefe da Sabesp deixou cargo há 7 meses na Equatorial, única interessada na privatização

Empresa pode "levar" a Sabesp oferecendo R$ 67 por ação, sendo que atualmente ela está cotada a R$ 78,30

Continue lendo...

A presidente do conselho de administração da Sabesp, Karla Bertocco, ocupava, até dezembro de 2023, um cargo no conselho da Equatorial, empresa que foi a única interessada em virar acionista de referência da companhia de saneamento de São Paulo.

Outros interessados em participar da privatização desistiram ao longo do processo após limitações e regras estipuladas pela gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Especialistas ouvidos pela reportagem afirmam que a presença de Bertocco nos conselhos das duas empresas, que viriam a mostrar interesses convergentes, não é ilegal, mas é inadequada. A dupla atuação também abriu margem para executivos questionarem sobre possíveis conflitos de interesses.

Pessoas familiarizadas com o tema, no entanto, descartam que Bertocco tenha direcionado o processo de privatização, afirmando que a Equatorial tem governança sólida e que é qualificada para ser acionista de referência da Sabesp.

Em nota, a gestão Tarcísio afirmou que Bertocco pediu desligamento da Equatorial meses antes de o diálogo com grupos interessados na privatização começar. Disse também que o conselho da companhia não participou das decisões sobre modelagem.

A Sabesp afirmou que a atuação da executiva na Equatorial acabou em período anterior ao início da modelagem da privatização e que, quando foi eleita para o conselho da Sabesp, não havia qualquer vedação para a prática na Lei das Estatais, na Lei das SA e no Código de Conduta e Integridade da Sabesp.

Já a Equatorial disse que o setor de saneamento tem sido avaliado pela empresa há alguns anos e que o trabalho então desempenhado por Bertocco sempre esteve alinhado com as melhores práticas de governança e do mercado, sem qualquer atuação em potencial conflito de interesse.
 

Bertocco integrava o conselho de administração da Equatorial desde julho de 2022, quando assumiu a vaga deixada pelo CEO Augusto Miranda, que renunciou ao cargo mas permaneceu na presidência executiva do grupo.

Pouco menos de um ano depois, em maio de 2023, foi eleita presidente do conselho de administração da Sabesp, passando a acumular as duas funções. A executiva ainda é sócia da gestora de fundos Mauá Capital e membro do conselho da Orizon Valorização de Resíduos -cargos que já tinha na época e mantém hoje.

A saída da administração da Equatorial só veio em 29 de dezembro do ano passado, quando Bertocco enviou uma carta de renúncia ao conselho, 23 dias após a privatização da Sabesp ser aprovada na Assembleia Legislativa de São Paulo.

Executivos familiarizados com a privatização da Sabesp e que já trabalharam com Bertocco falaram à reportagem, sob condição de anonimato, que o movimento entre conselhos das duas empresas é, no mínimo, questionável.

Um deles estranhou, por exemplo, a discrepância de remunerações. Ao sair da Equatorial, ela abriu mão de receber cerca de R$ 1,02 milhão por ano, enquanto na Sabesp o salário médio de um conselheiro fica na casa dos R$ 160 mil anuais.

Outro ponto, na avaliação desses executivos, é a influência que Bertocco teria na modelagem da privatização da companhia.

Embora o Governo de São Paulo afirme que o conselho da Sabesp não participou das decisões, a executiva constava como convidada das reuniões do CDPED (Conselho Diretor do Programa Estadual de Desestatização), onde as deliberações eram feitas.

Maior empresa de saneamento da América Latina e considerada o "filé mignon" do setor, a Sabesp já teve uma lista extensa de interessados em virar acionista de referência -uma espécie de sócio estratégico do governo e que terá 15% do capital da companhia, além de peso relevante na administração.

No entanto, regras estabelecidas pelo governo e limitações impostas ao papel de sócio estratégico foram afastando interessados ao longo do processo.

Cláusulas como a "poison pill", que impede que um sócio se torne majoritário por meio de uma oferta hostil, foram apontadas como alguns dos motivos para Aegea e IG4 Capital desistirem da disputa, por exemplo. Também ficaram pelo caminho nomes como Votorantim, Veolia, Cosan e J&F.

Além disso, restrições para participar de outras concessões de saneamento e o chamado "right to match" -regra que na prática favorecia o grupo favorito do mercado- teriam deixado a Aegea desconfortável, num momento em que ela já era apontada como a finalista.

NEGÓCIO DA CHINA

No fim das contas, a Equatorial foi a única a apresentar proposta para acionista de referência, oferecendo R$ 67 por ação para arrematar os 15% da companhia.

Um executivo classificou a oferta como "o melhor negócio da história" para a Equatorial, que vai pagar cerca de R$ 10 reais a menos por ação do que o atual valor de mercado, que fechou esta segunda (1º) em R$ 78,30.

Na última sexta, Tarcísio buscou minimizar a falta de concorrência e disse ser "comum em uma oferta que vários investidores se manifestem e acabem desistindo".

A secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, também disse que os preços do acionista de referência e de mercado não são comparáveis, dado a responsabilidade e restrições que o sócio estratégico terá na Sabesp.

Mesmo considerando questionável, alguns executivos que falaram à reportagem descartam a chance de Bertocco ter influenciado o processo, e elogiam a trajetória dela no setor.

Uma pessoa com conhecimento sobre os detalhes da privatização disse que a saída da Aegea foi melhor para o futuro da Sabesp e para o setor como um todo.

A empresa, maior companhia privada de saneamento básico no Brasil, acabaria se tornando uma gigante, com o risco de concentrar as operações no país. No entanto, ele afasta qualquer hipótese de direcionamento para favorecer ou prejudicar grupos interessados.

Segundo este executivo, as regras estabelecidas são condizentes com o objetivo inicial declarado por Tarcísio, de privatizar sem ceder o controle da companhia.

Embora as limitações tenham deixado os oponentes da Equatorial desconfortáveis, ele acredita que a falta de concorrência foi o preço pago pelo governo ao não abrir mão dos critérios definidos desde o início.

PRÁTICA QUESTIONÁVEL

Renato Chaves, consultor e especialista em governança corporativa, diz ser contra a prática de acumular cargos em conselhos diferentes, independentemente da companhia e do contexto.

Segundo ele, os executivos deveriam ter dedicação exclusiva à empresa. No caso de organizações do mesmo setor, o ideal seria se declarar impedido e não aceitar o cargo.

Embora não haja regra proibindo, ele ressalta que participar de conselhos diferentes é uma prática inadequada.

"Eu entendo que esse profissional está roubando tempo. Se eu sou acionista de uma empresa, eu estou abrindo mão da minha rentabilidade, dos meus dividendos, para contratar esse profissional. Então, é um absurdo que ele roube tempo da minha empresa, onde eu invisto, para se dedicar a outra empresa", afirma.

Chaves diz que acúmulo de cargos em conselhos não é comum, mas acontece. Ele explica que a função do conselheiro está ligada ao futuro da companhia.

"É o conselheiro que vai traçar estratégias de médio e longo prazos e entregar na mão do executivo", diz. "O conselho é soberano, está acima dos executivos, tanto para estratégia como para efetivamente autorizar gastos", acrescenta.

O QUE DIZ O GOVERNO PAULISTA

"A atual presidente do Conselho de Administração da Sabesp, Karla Bertocco, solicitou desligamento do conselho de administração da Equatorial em dezembro de 2023, mesmo mês em que foi aprovada pela Assembleia a lei que autorizou o início do processo de desestatização da Sabesp. A modelagem da oferta começou a ser validada em abril de 2024, quando foi iniciado o diálogo com prováveis investidores.
Também é importante ressaltar que se trata de uma oferta de ações secundária - estão sendo oferecidas apenas ações pertencentes ao Governo de São Paulo - e que, neste caso, o conselho de administração da Sabesp não tem qualquer participação nas decisões relacionadas ao processo."

SABESP

"A presidente do Conselho de Administração da Sabesp, Karla Bertocco, ja teve atuação como membro em outros conselhos de administração de outras companhias abertas, como Corsan, Equatorial e Orizon. No caso da Equatorial, esclarecemos que sua atuação como membro independente encerrou-se em período anterior ao início da modelagem da oferta pública da Sabesp. Alem disso, a informação sobre a sua participação em demais cargos de administração é pública desde sua eleição para presidente do Conselho da Sabesp em 2023. Destacamos que não havia, na ocasião, qualquer vedação a essa participação em outros conselhos, nem pela Lei das Estatais ou pela Lei das SA, nem pelo Código de Conduta e Integridade da Sabesp."

EQUATORIAL 

"Registramos que o setor de saneamento tem sido avaliado pela Equatorial desde a edição do novo marco do saneamento, motivando a participação em diversos leilões públicos, inclusive o que culminou com a aquisição da concessão de saneamento no Estado do Amapá, em 2021.

Nesse contexto, o trabalho então desempenhado pela Conselheira Independente, Sra. Karla Bertocco, a partir de 2022, no âmbito do Conselho de Administração da Equatorial, sempre esteve alinhado com as melhores práticas de governança da Companhia e do mercado, sem qualquer atuação em potencial conflito de interesse, cabendo ressaltar que a mesma renunciou ao cargo no conselho da Equatorial, em dezembro de 2023, muito antes da definição das regras do processo de desestatização da Sabesp, ocorrida através de oferta secundária de ações do estado na B3.

Vale ressaltar que o Grupo Equatorial adota os mais altos padrões de governança corporativa exigidos pelo Novo Mercado e mantém um trabalho constante de adaptação e avanço contínuo, tendo consolidado, ao longo de 2022 e 2023, políticas e regimentos importantes para fortalecer os níveis de segurança e confiabilidade de sua gestão. O Grupo segue rigidamente um Código de Ética, que disciplina toda a conduta das empresas no Brasil e de seus executivos, em todos os seus negócios e relacionamentos."

(INFORMAÇÕES DA FOLHAPRESS)

 

democracia

PF dá protetor auricular a Bolsonaro para abafar ruído de ar-condicionado

Carlos Bolsonaro criticou a medida e afirmou que autoridades deveriam arrumar o ruído em vez de oferecer os protetores

14/01/2026 06h55

Depois dos vômitos em meio a uma crise de asia, agora os familiares voltam a reclamar do barulho proveniente do ar-condicionado na cela da PF

Depois dos vômitos em meio a uma crise de asia, agora os familiares voltam a reclamar do barulho proveniente do ar-condicionado na cela da PF

Continue Lendo...

O ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília (DF), usou as redes sociais para reclamar que o pai recebeu aparelhos auriculares para não ouvir um ruído de ar-condicionado instalado próximo da sua sala.

Segundo o filho "02", Bolsonaro está exposto a este som "intenso" e "enlouquecedor" de forma contínua e acredita que as autoridades deveriam arrumar o ruído ao invés de apenas fornecer um dispositivo para abafar o barulho - medida que ele tratou como uma "irregularidade". A reportagem busca contato com a Polícia Federal.

"Diante da situação, em vez de eliminar a causa do problema, foi-lhe fornecido protetores auriculares como suposta medida", escreveu Carlos Bolsonaro no X (antigo Twitter).

"O fato, por si só, evidencia que os responsáveis têm plena ciência de mais essa irregularidade, mantendo a condição adversa e transferir ao custodiado o ônus de suportá-la", acrescentou o filho do ex-presidente.

Ainda de acordo com Bolsonaro, além do ruído constante, o pai está sendo submetido a "privação de descanso" e "ambiente hostil", e afirma que nenhum custódia "autoriza humilhação". "Providência urgentes precisam ser adotadas" afirmou o filho do ex-presidente.

Bolsonaro está preso na Superintendência da Polícia Federal desde o final de novembro. Ele foi condenado pela Primeira Turma do STF por liderar uma organização criminosa em uma tentativa de golpe de Estado para se perpetuar no governo. A pena do ex-presidente é de 27 anos e três meses de prisão em regime fechado.

A família e aliados de Jair Bolsonaro estão repetidamente questionando as condições do encarceramento do ex-presidente, sobretudo em razão das suas condições de saúde.

Na segunda-feira, 12, seu filho, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) publicou um vídeo em que dizia que Bolsonaro estaria submetido a condições mais restritivas do que as do ditador venezuelano Nicolás Maduro, preso nos Estados Unidos.

Na semana passada, Bolsonaro caiu dentro da cela onde cumpre pena. Ele foi atendido por médicos na própria corporação e diagnosticado com traumatismo craniano leve. Moraes chegou a negar a remoção ao hospital logo após o acidente e só autorizou a transferência no dia seguinte.

A reação levou o Conselho Federal de Medicina (CFM) a instaurar uma sindicância sobre o atendimento, posteriormente anulada pelo ministro, que também determinou que o presidente da entidade prestasse esclarecimentos à Polícia Federal.

Nesta terça, 13, a Defensoria Pública do Distrito Federal (DPDF) informou que instaurou um procedimento para analisar informações relacionadas às condições de saúde do ex-presidente. A abertura ocorreu após o órgão receber ofícios do senador Izalci Lucas(PL-DF) e do deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO), que solicitaram providências da Defensoria sobre o caso. (Colaborou João Pedro Bittencourt)

termômetro da economia

Financiamento de veículos fecha 2025 com 7,3 milhões de unidades

O resultado foi 2% acima daquilo que foi registrado no ano anterior e representa o maior número desde 2011

13/01/2026 07h40

Financiamento de usados chegou a 4,6 milhões de unidades, mas os dados relativos a este comércio são carentes de informação oficial

Financiamento de usados chegou a 4,6 milhões de unidades, mas os dados relativos a este comércio são carentes de informação oficial

Continue Lendo...

Levantamento realizado no Sistema Nacional de Gravames (SNG), operado pela B3 e que registra as operações de financiamento de compras de veículos automotivos no país, demonstram que 2025 teve alta de 2% nos financiamentos para esses itens, com um total de 7,3 milhões de unidades financiadas.

O levantamento mostra que é a terceira alta seguida, o que indica tendência de alta consolidada, além do melhor resultado em unidades desde 2011.

Os estados do Nordeste e do Norte tiveram aumento, respectivamente, de 12,3% e 9,8%, o que foi determinante para o resultado positivo. Entre os financiamentos, veículos novos foram 2,6 milhões de unidades, mais de 50% do total de vendas, que até novembro foram 4,6 milhões de unidades, segundo a Fenabrave, associação de empresas do setor.

Os usados foram 4,6 milhões de unidades, mas o país carece de dado público consolidado sobre o total de vendas para esse tipo de veículo, em 2025.

O levantamento da B3 indica ainda que, entre os veículos financiados no ano passado, 41,9% foram comercializados na Região Sudeste, incluindo novos e usados. Na sequência estão as regiões Sul, com 20,2%, Nordeste, com 19,5%, Centro-Oeste, com 10,6%, e Norte, com 7,9% do total de financiamentos.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).