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Gilmar: Tentaram arrastar STF para as eleições e acharam que ficariam impunes

" É uma atitude covarde, vil. Eu já disse isso em outro momento. Até a máfia tem ética. É preciso ter decência", afirmou Gilmar Mendes a criticar André Mendonça

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O decano do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, acusou o ministro André Mendonça de tentar influenciar o processo eleitoral ao pedir um relatório da Polícia Federal (PF) sobre as conversas do banqueiro Daniel Vorcaro com Alexandre de Moraes.

Durante a sessão que analisa a abertura de investigação contra Moraes, Gilmar afirmou que, embora já houvesse suspeitas do elo do ministro com Vorcaro desde o início de março deste ano, Mendonça teria aguardado o período eleitoral para encomendar o relatório à PF "que, muito provavelmente, implicaria exatamente quem ele buscava implicar".

O decano disse também que, antes de levar o caso ao plenário, o ministro indicado por Jair Bolsonaro (PL) levantou o sigilo do relatório, "a fim de constranger qualquer posição contrária à sua atuação".

Ele também afirmou que defendeu ao presidente do STF, Edson Fachin, e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a necessidade de separar a Corte das eleições e frisou: "Contrário do que se faz aqui. E se deram muito mal, porque são aprendizes de feiticeiro. Tentaram arrastar o Supremo Tribunal Federal para esse tipo de prática e pensaram que iriam ficar imunes e impunes. É de uma desfaçatez de corar frade de pedra".

Gilmar disse ainda que a medida se justificaria "em nome de Deus" e completou: "Como em nome de Deus já se fez muita patifaria".

No meio da fala do decano, Mendonça fez uma interferência e disse que "todos os vazamentos têm determinação de instauração de inquérito, que estão sendo conduzidos pela própria Polícia Federal".

Na continuidade de sua manifestação, Gilmar fez referência a Mendonça e disse: "É evidente que se trata de um pixuleco, de um boneco eleitoral. É disso que nós estamos falando". Gilmar disse ainda, em referência a Mendonça, que houve uma conduta mafiosa. "Quem detém sozinho aquilo que pode alcançar outros integrantes do colegiado passa a exercer sobre eles algum tipo de ascendência", declarou.

Gilmar continuou: "Relação de máfia. E isso não se faz, não é ambiente de pessoas dignas". O ministro acrescentou: "Mesmo um colega que esteja eventualmente envolvido, que teve um filho, não pode estar submetido a esse tipo de vexame. É uma atitude covarde, vil. Eu já disse isso em outro momento. Até a máfia tem ética. É preciso ter decência".

Após a fala, o presidente do STF, Edson Fachin, determinou um intervalo de uma hora no julgamento, por conta da exibição do horário eleitoral nas televisões, o que pausaria a transmissão da sessão pela TV Justiça.
 

transparência

Mensagens indicam pagamento de R$ 500 mil a filho de Nunes Marques

Informações foram retiradas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Ministro se absteve do caso nesta terça-feira (15)

15/09/2026 12h52

Nunes Marques diz que nunca votou a favor do Master e o filho nunca recebeu dinheiro de Vorcaro

Nunes Marques diz que nunca votou a favor do Master e o filho nunca recebeu dinheiro de Vorcaro

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As mensagens trocadas por WhatsApp pelo banqueiro Daniel Vorcaro indicam pagamento de R$ 500 mil ao advogado Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A informação aparece em conversa de Vorcaro com o então diretor jurídico do Banco Master, Luiz Rennó, em julho de 2025. O Estadão teve acesso às mensagens, que fazem parte da íntegra do conteúdo do celular do banqueiro, apreendido pela Polícia Federal.

Em nota, a assessoria de Kevin Marques afirmou que o advogado "não prestou serviço ao Banco Master nem recebeu dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro".

Procurado, o ministro afirmou que "nunca votou a favor do Banco Master, e o filho nunca recebeu dinheiro de Daniel Vorcaro" (leia mais abaixo). Ele deve se declarar impedido no julgamento desta terça-feira, 15.

Em 4 de julho de 2025, Rennó enviou o contato de Kevin Marques a Vorcaro escreveu, uma sequência de quatro mensagens: "Esse aqui _ 500 mil mês - mantém? Kkkkkkkk. Então esse aqui já era né Kkkkk". Vorcaro respondeu: "Kkkk".

No dia 8 do mês seguinte, Rennó escreveu a Vorcaro: "Dos pagamentos essenciais está faltando a consult". Em seguida, enviou o contato de Kevin Marques com a indicação "Aqui" e complementou: "Esse aí. Único 'meu' que faltou".

Como revelou o Estadão em março, Kevin Marques recebeu R$ 281,6 mil da empresa Consult Inteligência entre agosto de 2024 e julho de 2025. Essa firma havia recebido R$ 6,6 milhões do Banco Master e outros R$ 11,3 milhões da JBS, controlada pelos irmãos Joesley e Wesley Batista.

A assessoria de Kevin Marques afirmou que o pagamento da Consult é relacionado a prestação de "serviços jurídicos especializados na área tributária administrativa". "A atuação profissional do advogado Kevin Marques em favor da Consult não tem qualquer relação com o Supremo Tribunal Federal", frisou.

A PF também encontrou mensagens de Vorcaro com a advogada Camilla Ewerton Ramos nas quais o banqueiro a direciona para serviços de voos privados, em novembro de 2025.

Naquele mês, como revelou o Estadão, Nunes Marques viajou de Brasília para Maceió com sua mulher em avião particular que pertence a empresa que administra os bens do banqueiro Daniel Vorcaro, a Prime You.

O magistrado foi a uma festa de aniversário na capital alagoana a convite da advogada Camilla Ramos, que atua judicialmente para o Banco Master e assumiu ser a responsável por arcar com os custos da viagem.

O Estadão também mostrou que em abril do ano passado, a advogada deu carona em um voo privado para Trancoso, na Bahia, a dois filhos do ministro Kassio Nunes Marques.

Mulher cobrou Vorcaro por 'amiga' que 'ficou com Kassio'

No celular de Daniel Vorcaro também foram encontradas mensagens enviadas por uma mulher que informou ao banqueiro, em 28 de fevereiro de 2025, que "as meninas estão prontas" e pediu um endereço.

Em 7 de março, a mulher, identificada na conversa como Rayanna, mandou outras mensagens a Vorcaro: "A minha amiga lá aquele dia ! Deu certo né ? Ela disse que ficou com o kassio! Ela tá me cobrando aqui".

Vorcaro pediu para que ela enviasse "dados e valor". Antes de enviar uma chave Pix ao banqueiro, a mulher escreveu: "10 né! Ela ficou com ele".

A assessoria do ministro informou que ele "não tem conhecimento sobre o contexto" das mensagens de Vorcaro com Rayanna.

sessão histórica

Gilmar quer proibir assessores no STF que sejam delegados

"É evidente que há inequívoco viés político-eleitoral na forma como os autos foram conduzidos", afirmou o decano do STF na audiência desta terça-feira

15/09/2026 12h00

"Isto não se faz. Pessoas decentes não fazem isso", afirmou Gilmar sobre divulgação do relatório próximo ao 7 de setembro

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O decano do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, acusou o ministro André Mendonça de atuação política na condução do inquérito do Banco Master.

Durante a sessão que analisa a abertura de uma investigação contra Alexandre de Moraes por suposto elo com Daniel Vorcaro, Gilmar voltou a se manifestar pela proibição da atuação de delegados da Polícia Federal (PF) em gabinetes de ministros da Corte e disse que a medida é "errada".

Na sequência, o decano afirmou que, embora outros integrantes do STF sejam citados em mensagens do banqueiro, como Nunes Marques, Mendonça apresentou postura "abertamente defensiva" e chegou a dizer que a PF deveria ficar atenta "pois eventuais imputações feitas contra o ministro (Nunes Marques) pela mídia poderiam ser estratégia para enfraquecer o ministro André Mendonça".

Diante disso, o decano defendeu a adoção de um "código de polícia" e foi contundente na acusação a Mendonça: "É evidente que há inequívoco viés político-eleitoral na forma como os autos foram conduzidos".

Gilmar argumentou que Mendonça escolheu levantar o sigilo do um relatório da PF que aponta as supostas conversas de Moraes com Vorcaro próximo ao 7 de setembro e disse que a medida envolveu o Supremo na campanha eleitoral. Neste momento, Mendonça afirmou: "Vossa excelência está sendo leviano".

Exaltado, o decano reafirmou a tese da proximidade com o feriado da Independência para divulgação do relatório sobre Moraes e disse: "Isto não se faz. Pessoas decentes não fazem isso".

Mendonça, então, pediu que Gilmar não lhe apontasse o dedo e disse que o decano "não estava falando com qualquer um". O indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) também pediu respeito ao colega, ao que decano respondeu: "Quem não se dá respeito não merece respeito".

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