Brasil

8 de março

Metade das mulheres assassinadas no Brasil foi vítima de arma de fogo

Estudo mostra que 60% da mortes são de mulheres entre 20 e 39 anos. Além disso, sete de cada dez mulheres assassinadas no país são negras

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Uma a cada duas mulheres que foram assassinadas no Brasil em 2022 foi vítima de arma de fogo. O crime, em geral, tem como autor uma pessoa próxima da vítima --28% são parceiros íntimos, 9% amigos ou conhecidos e 6% familiares.

Os dados são do terceiro relatório do Instituto Sou da Paz sobre o papel da arma de fogo na violência de gênero no Brasil. Segundo o estudo, 60% da mortes são de mulheres entre 20 e 39 anos. Além disso, sete de cada dez mulheres assassinadas no país são negras (a soma de negras e pardas).

O levantamento usa os dados consolidados do SIM (Sistema de Informações sobre Mortalidade) e do Sinan (Sistema Nacional de Vigilância de Agravos de Notificação), de 2012 a 2022, ano mais recente disponibilizado pelo Ministério da Saúde.

Enquanto o primeiro registra mortes violentas, o segundo computa casos de agressão e outros tipos de violência que chegam à rede de atendimento em saúde.

Em 2022, a maioria dos casos de violência que envolvem armas de fogo estavam relacionadas a agressões físicas (52%), seguida de psicológica (22%) e, por fim, sexual (15%).

Em média, as armas provocaram a morte de 2.200 mulheres a cada ano no Brasil no período analisado -o equivalente a 6 mortes por dia. O pico de homicídios aconteceu em 2017, quando 4.928 mulheres foram assassinadas. O ano foi marcado por guerras de facções por rotas de tráfico de drogas no Norte e Nordeste.

Desde então, os homicídios de mulheres têm caído ano a ano. Em 2021, por exemplo, chegou a 3.844 vítimas e, em 2022, 3.788.

Já o número de violência armada não letal (quando a mulher é ferida) chegou a 3.793 casos em 2022, um aumento em relação aos 3.304 casos do ano anterior.

A taxa de mulheres mortas dentro de casa vítimas de armas de fogo também tem crescido nos últimos anos. Em 2012, representava 19% dos casos, em 2016 subiu para 22% e, no ano passado, representava 27% do total de homicídios por armas de fogo.

Em comparação com o local do crime, mulheres negras são mais vulneráveis à violência armada fora de casa -45% dos assassinatos aconteceram em vias públicas para esta parcela contra 24% dentro de casa. Entre as mulheres não negras, o risco de morte por agressão com arma dentro e fora de casa se aproxima -33% em via pública e 34% dentro de casa.

As regiões Nordeste e Norte registram as maiores taxas de homicídios femininos por arma de fogo, com taxas de mortes de 3 e 2,6 a cada 100 mil habitantes, respectivamente -Ceará (4,3), Rondônia (3,9) e Bahia (3,6) são os piores dentre as unidades federativas. O Sudeste tem a taxa mais baixa, de 0,8, seguida de Centro-Oeste (1,7) e Sul (2).

"O relatório mostra um problema estrutural, com estatísticas que se mantêm ao longo do tempo, com percentual alto de morte de mulheres por arma de fogo. O acesso a arma coloca em risco de morte as mulheres que estão em situação de vulnerabilidade", diz a socióloga Cristina Neme, coordenadora de projetos no Instituto Sou da Paz.

Marina Ganzarolli, presidente e fundadora do Me Too Brasil, afirma que a pesquisa demonstra como o lugar mais perigoso para a mulher e menina brasileira segue sendo o domicílio. "A grande maioria dos agressores é do círculo social afetivo da vítima, ou seja, é alguém que, na verdade, deveria cuidar dela, que faz parte da rede de apoio dela, mas é o seu agressor", diz.

"Os dados confirmam, corroboram e demonstram a realidade estrutural e sistêmica, quase, que temos no Brasil de violação de direitos humanos das mulheres."

Pela primeira vez, a pesquisa mostra ainda dados relacionados ao consumo de álcool e violência armada, em 2022. Ao todo, 25% das notificações de violência armada não letal indicam suspeita de que o agressor consumiu álcool, taxa que sobre para 35% nos casos ocorridos dentro de casa.

Para Ganzorolli, é preciso melhorar o bem-estar subjetivo da população, como estar empregado, ter uma rede de apoio e acesso ao acolhimento familiar.

"Nossas lei são muito boas, mas falta investimento. Muitas vezes, a própria vítima precisa contratar uma boa advogada para que faça um processo de investigação decente. Não são todos os lugares que têm delegacias especializada da mulher e, muitas vezes, falta estrutura para o atendimento. O gargalo está no acesso."

 

crime organizado

Megaoperação contra o PCC faz prisões em MS e mais 5 estados

Investigações foram realizadas pelo ministério público de Santa Catarina e objetivo é cumprir 151 mandados de prisão

01/07/2026 07h32

Mais de 550 agentes de diferentes forças de segurança de Santa Catarina participaram da operação nesta quarta-feira

Mais de 550 agentes de diferentes forças de segurança de Santa Catarina participaram da operação nesta quarta-feira

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O MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) desencadeou, na manhã desta quarta-feira (1°), uma megaoperação interestadual contra o PCC (Primeiro Comando da Capital). Esta é maior operação da história do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do estado.

Ao todo, são cumpridos 320 mandados, sendo 151 mandados de prisão temporária e 169 mandados de busca e apreensão, contra suspeitos de integrarem a facção criminosa, durante a Operação Coluna Sul.

As ordens judiciais expedidas pela Vara Estadual de Organizações Criminosas de Santa Catarina são cumpridas em seis estados brasileiros: Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais.

A operação desta quarta é um desdobramento das investigações iniciadas no âmbito da Operação Maserati, realizada em fevereiro de 2021. O MPSC informa que os investigados estariam envolvidos na prática de múltiplos crimes, incluindo organização criminosa, tráfico de entorpecentes, associação para o tráfico, homicídios e porte ilegal de armas de fogo.

Participam 103 integrantes do GAECO e aproximadamente 552 agentes de segurança pública, além de empregar 198 viaturas e 2 helicópteros. Segundo as autoridades, agentes do Gaeco do Paraná foram alvos de tiros de arma de fogo durante a intervenção realizada na região. Os suspeitos abriram fogo contra os policiais ao perceber a presença da equipe, gerando um tiroteio. 

Durante o confronto, um suspeito integrante da facção foi atingido e morreu. Ele teria efetuado disparos contra os policiais com uma pistola com seletor de rajada.

Os materiais apreendidos durante as diligências serão encaminhados à Polícia Científica de Santa Catarina, que realizará os exames periciais necessários, assegurando a preservação da cadeia de custódia e a integridade das evidências para fins de prova. Após confecção de laudos periciais, as evidências serão analisadas pelo GAECO para dar continuidade às investigações vinculadas à 39ª Promotoria de Justiça da Capital.

O nome "Coluna Sul" foi adotado em razão de ser essa a designação utilizada pelo próprio para o conjunto formado pelos Estados de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

SUSPEITO MORTO

Agentes do GAECO do Paraná foram alvos de disparos durante a intervenção realizada na região do estado vizinho. Os suspeitos abriram fogo contra os policiais ao perceber a presença da equipe, dando início a um confronto armado. 

Diante da agressão, os policiais do GAECO reagiram para conter a ação dos criminosos e garantir a segurança da operação, que tem como objetivo combater a atuação da facção criminosa. A troca de tiros mobilizou diversas equipes de apoio e reforçou a gravidade da resistência e alta periculosidade apresentada pelos suspeitos, sendo que um deles morreu no confronto. O suspeito, integrante da facção, efetuou disparos contra os policiais fazendo uso de pistola com seletor de rajada.

dia de festa

Lula vai ao Paraguai participar da 68ª Cúpula do Mercosul

Apesar do o país vizinho ter decretado feriado por conta da vitória contra a Alemanha na Copa do Mundo, o encontro dos presidentes está mandito

30/06/2026 07h51

Em 2025, as exportações brasileiras para países do bloco alcançaram quase US$ 26 bilhões, ou 7,5% do total

Em 2025, as exportações brasileiras para países do bloco alcançaram quase US$ 26 bilhões, ou 7,5% do total

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa nesta terça-feira (30) da 68ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul e Estados Associados, em Assunção, no Paraguai.

O encontro vai reunir líderes de países-membros e associados do bloco com o objetivo de discutir medidas para aprofundar a integração regional e fortalecer o comércio, a agenda social e o desenvolvimento.

Em nota, o Palácio do Planalto destacou que o Mercosul reúne 73% do território sul-americano, cerca de 65% da população da região e responde por aproximadamente 70% do Produto Interno Bruto (PIB) da América do Sul.

Dados da presidência mostram que, em 2025, as exportações brasileiras para países do bloco alcançaram quase US$ 26 bilhões, o equivalente a 7,5% do total.

“O comércio do Mercosul com o restante do mundo somou US$ 757 bilhões. No primeiro quadrimestre de 2026, a corrente extrazona chegou a US$ 247,3 bilhões, alta de 8% em relação ao mesmo período de 2025”, destacou a nota.

Entre os avanços previstos pelo governo brasileiro para a cúpula está a assinatura do acordo que vai permitir o reconhecimento da nova Carteira de Identidade Nacional (CIN) como documento válido para ingresso nos países do Mercosul e Estados associados.

Também será firmado um protocolo de reconhecimento mútuo de meios de identificação e autenticação eletrônica, aproximando sistemas digitais como o Gov.br de mecanismos adotados pelos demais países do bloco.

São Estados-membros do Mercosul a Argentina, a Bolívia (em processo de adesão), o Brasil, Paraguai, Uruguai e a Venezuela (suspensa). São Estados associados o Chile, a Colômbia, o Equador, a Guiana, o Panamá, Peru e Suriname.

Na área de segurança, o Brasil vai apresentar proposta de pacto regional de combate ao feminicídio e à violência contra as mulheres.

“A iniciativa se soma aos esforços já em andamento para implementação da Estratégia Mercosul contra o Crime Organizado Transnacional, considerada prioritária para os países da região”, informou o palácio.

Outro destaque da reunião será o anúncio do aumento da contribuição brasileira ao Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (Focem), instrumento criado para reduzir desigualdades entre países do bloco por meio do financiamento de obras de infraestrutura, saneamento, habitação, energia e projetos sociais.

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