Cidades

NOTA PÚBLICA

Sem julgamento, Bernal morreu como inocente, diz família

Nota foi redigida a seis mãos e expõe a tristeza de uma família enlutada e a insatisfação de advogados que lutaram até o fim para que o cliente pudesse ser tratado em casa

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Família e advogados de Alcides Bernal emitiram nota pública, nesta terça-feira (14), a respeito do falecimento do ex-prefeito, ocorrido na segunda-feira (13).

A nota, redigida a seis mãos, expõe a tristeza de uma família enlutada e a insatisfação de advogados que lutaram até o fim para que o cliente pudesse ser tratado em casa.

No texto, sustenta-se que Bernal faleceu presumidamente inocente, pois não houve julgamento.

“Alcides Bernal não chegou ao seu julgamento. Morreu presumido inocente. A história registrará o dia em que a Justiça deixou de cumprir a sua missão de resguardar, de forma técnica e científica, a vida de um homem, sucumbindo, mais uma vez, à pressão da opinião pública. Alcides Bernal encontrava-se preso preventivamente, portanto sem condenação e presumidamente inocente, custodiado no Presídio Militar de Campo Grande/MS".

Além disso, a nota critica o Poder Judiciário, que negou seis vezes o pedido de prisão domiciliar à Bernal, mesmo com pedidos médicos baseados em laudos científicos.

“Entre os meses de abril e julho de 2026, a defesa requereu, em seis oportunidades, a revogação da prisão preventiva ou, alternativamente, a concessão de prisão domiciliar, sempre com base em farta documentação médica, mesmo assim todos os pedidos foram indeferidos pelo Poder Judiciário. O que causa perplexidade e indignação é que, mesmo diante de novo alerta formal, o pedido de prisão domiciliar protocolado em 8 de julho de 2026, e mesmo depois de submetido a procedimentos cirúrgicos, Alcides Bernal, após a alta hospitalar, foi novamente reconduzido ao estabelecimento prisional. E o foi em um camburão, pela guarda de escolta, sem o suporte devido a um paciente recém-operado do coração, e não como o cardiopata grave que era”.

O documento evidencia que o Presídio Militar Estadual não tinha quaisquer condições de abrigar um recém-operado do coração.

“A própria administração do presídio já havia reconhecido, por ofício nos autos, não dispor de UTI, de unidade coronariana, de médico cardiologista ou de equipe de enfermagem em regime de plantão, ou seja, não reunia a mínima condição de assistir um cidadão em estado pós-operatório”.

A nota ressalta que o Estado falhou em negar direitos fundamentais à um cardiopata grave.

“Sua morte não foi imprevisível. Foi anunciada. E foi anunciada por escrito, com base em ciência. A voz da ciência foi silenciada pelo receio da opinião pública. A defesa afirma, com todas as letras, que o Estado falhou no seu dever de proteção à vida de quem estava sob a sua custódia. Essa falha não pode ser normalizada nem esquecida. A defesa registra, por fim, que a busca por justiça jamais se confunde com a supressão de direitos fundamentais. Que a memória de Alcides Jesus Peralta Bernal seja honrada com um sistema de Justiça que decida por provas, e não por pressão”.

A nota foi redigida a seis mãos:

  • Sarah Anahí Bernal – Filha
  • Walquiria M. Moraes - Advogada
  • Mirian Elzy Gonçalves - Esposa
  • Wilton Acosta - Advogado
  • Ricardo W. Machado Filho – Advogado
  • William W. Maksoud Machado – Advogado

Leia a nota na íntegra:

Bernal faleceu em 13 de julho de 2026, no Hospital Santa Casa, em Campo Grande, em virtude de complicações cardíacas. A causa exata da morte não foi compartilhada e deve ser divulgada nos próximos dias.

Ele foi velado e sepultado, das 11h às 16h, no mesmo dia, no Cemitério Jardim das Palmeiras.

Bernal tinha várias comorbidades, como hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus e três infartos agudos do miocárdio prévios. Já passou por vários cateterismos e implantou quatro stents coronarianos recentemente. Em 1 de julho de 2026, foi diagnosticado com doença coronariana multiarterial severa.

HOMICÍDIO

Ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal (2013-2014), matou a tiros o fiscal tributário do governo do Estado, Roberto Carlos Mazzini, em 24 de março de 2026, na avenida Antônio Maria Coelho, bairro Jardim dos Estados, em Campo Grande.

Bernal disparou duas vezes contra Mazzini, no abdômen e costela, após se recusar a entregar seu imóvel, que havia sido leiloado.

O ex-prefeito flagrou, por meio de imagens de câmeras de segurança, o momento em que Mazzini entrou na casa, com auxílio de um chaveiro. Em seguida, foi até o local e matou o homem com um revólver calibre 38.
Após o crime, se entregou na Delegacia de Polícia Civil e permaneceu preso no Presídio Militar. Em 25 de março, teve sua prisão em flagrante convertida em prisão preventiva.

A disputa pelo imóvel começou em 2023, o imóvel foi ofertado por R$ 3,7 milhões, mas ninguém se interessou. Depois, o valor caiu para R$ 2,4 milhões e o fiscal tributário acabou comprando a mansão.

Mesmo após ter sido arrematado por Roberto Mazzini, Bernal se recusava a entregar a casa, levando a imbróglios judiciais.

PRISÃO

Bernal foi preso em 24 de março e, um dia depois, em 25 de março, teve sua prisão em flagrante convertida em prisão preventiva. Com isso, se tornou réu pela morte do fiscal tributário Roberto Mazzini. Bernal é cardíaco e, há cerca de um mês, o ex-prefeito tem sofrido complicações cardíacas.

Com isso, a defesa de Bernal solicitou diversas vezes prisão domiciliar alegando risco de morte súbita, mas, o juíz Aluízio Pereira dos Santos, da 1 Vara do Tribunal do Júri, negou o pedido na sexta-feira (10).

No pedido, a defesa esclareceu que Bernal tinha várias comorbidades, como hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus e três infartos agudos do miocárdio prévios.

O pedido ainda sustentava que Bernal foi submetido à intervenção com implante de quatro stents coronarianos, sendo novamente submetido a um cateterismo cardíaco no dia 1º de julho, quando foi diagnosticado uma doença coronariana multiarterial severa.

A defesa anexou laudos, onde o médico cardiologista atestava a necessidade de repouso relativo e acompanhamento médico por, no mínimo, 30 dias. Além disso, acrescentou que o Presídio Militar Estadual não tem estrutura médica para o monitoramento que o caso de Bernal exigia.

LUTO OFICIAL

Prefeitura Municipal de Campo Grande (PMCG) decretou luto oficial de três dias em virtude do falecimento do ex-prefeito da Capital, Alcides Jesus Peralta Bernal.

Com isso, a bandeira do município deve ser hasteada a meio mastro, que representa o símbolo de luto.

O decreto foi publicado na tarde desta segunda-feira (13) no Diário Oficial de Campo Grande (Diogrande).

OCORRÊNCIAS

Seis pessoas são estupradas por dia em Mato Grosso do Sul

Dados da Sejusp mostram que, de janeiro até o dia 13 deste mês, 1.174 vítimas denunciaram ter sofrido violência sexual no Estado; um dos casos investigados ocorreu no Hospital Regional

15/07/2026 08h00

Foto: PCDF

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Por dia, seis pessoas são estupradas em Mato Grosso do Sul, de acordo com dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). Somente neste ano, 1.174 vítimas denunciaram terem sofrido agressão sexual.

Conforme os dados da Sejusp, do dia 1º ao dia 13 deste mês, 51 vítimas denunciaram ter sofrido abuso. O mês com o maior número de registros neste ano até agora foi março, quando 221 pessoas alegaram terem sido estupradas.

Dos casos deste ano, 86% foram denunciados por mulheres (o que corresponde a 1.013 vítimas). Apenas 11% dos casos foram registrados por homens (132 pessoas).

Um dos dados mais impactantes é que grande parte das vítimas eram crianças ou adolescentes (76%). Jovens e adultos representam 20% dos casos.

Conforme a série histórica da Sejusp, que começa em 2016, o ano com o maior número de vítimas foi 2023, quando 3.003 pessoas denunciaram o crime de estupro no Estado. Desde então, porém, o número de vítimas tem reduzido ano a ano em Mato Grosso do Sul.

Em Campo Grande, nos primeiros 13 dias deste mês, 14 pessoas afirmaram terem sido estupradas, praticamente um caso por dia. Desde janeiro, já são 329 vítimas, três a cada dois dias.

REGIONAL

Um dos casos em tramitação na 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Campo Grande é referente à denúncia de uma paciente que está internada no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS), na Capital.

A paciente, de 27 anos, denunciou o caso no sábado, mas o abuso teria ocorrido na sexta-feira, durante o plantão noturno.

Conforme a denúncia, a mulher estava internada na unidade de terapia intensiva (UTI) do hospital desde o dia 15 de junho, em decorrência de complicações relacionadas à gestação e ao período pós-parto.

Segundo a denúncia, o técnico de enfermagem que atendeu a paciente administrou medicamentos e, posteriormente, voltou ao leito dela, ocasião em que teria praticado o abuso sexual enquanto ela permanecia sob efeito da medicação.

A vítima afirmou que despertou durante o episódio, percebeu a presença do profissional e conseguiu identificá-lo antes que ele deixasse o quarto.

A paciente informou o ocorrido a uma técnica de enfermagem da equipe que assumiu o plantão seguinte. A profissional acionou a enfermeira responsável pela unidade e a psicóloga responsável do hospital para prestar assistência inicial à vítima.

Posteriormente, a paciente foi transferida da UTI para um quarto da maternidade, permanecendo acompanhada de familiares durante o restante do período de internação.

Ontem, dois dias após o registro da denúncia, o técnico de enfermagem, de 52 anos, foi preso pela 1ª Deam e deve passar por audiência de custódia na manhã de hoje.

O caso é investigado como crime de estupro de vulnerável.

Em nota, o HRMS informou que, “desde que tomou conhecimento da denúncia, na última sexta-feira (10), o profissional deixou de atuar na assistência aos pacientes. Na segunda-feira (13), foi formalizado seu afastamento das atividades”.

O hospital ainda instaurou sindicância para “apuração rigorosa dos fatos, assegurando ao profissional o direito ao contraditório e à ampla defesa, conforme determina a legislação vigente”.

“O HRMS prestou acolhimento e suporte à paciente e aos seus familiares, oferecendo toda a assistência necessária. O hospital esclarece ainda que na unidade de terapia intensiva (UTI) os cuidados assistenciais são realizados rotineiramente por dois profissionais”, trouxe nota do Hospital Regional.

“O HRMS reafirma seu compromisso com a segurança dos pacientes, a transparência na apuração dos fatos e o rigor na adoção das medidas administrativas cabíveis, permanecendo à disposição das autoridades competentes para colaborar integralmente com as investigações”, complementou, em nota.

INFRAESTRUTURA

Em meio a suspeita de corrupção, MP cobra solução para tapa-buraco

A buraqueira foi alvo da Operação Buraco sem Fim, que identificou um grupo que fraudava a execução do serviço

15/07/2026 08h00

Gerson Oliveira / Correio do Estado

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A operação tapa-buraco da Prefeitura de Campo Grande voltou a ser alvo do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).

O promotor Fabio Ianni Goldfinger, da 30ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social de Campo Grande, instaurou um novo inquérito civil para acompanhar e fiscalizar as ações para o reparo no asfalto da Capital.

A iniciativa vem após a Operação Buraco sem Fim, que investigou esquema de corrupção envolvendo o serviço, que foi paralisado após a ação.

O processo busca encontrar uma solução definitiva para um problema que atravessa décadas, que são os buracos nas ruas da cidade.

Para o promotor, a malha asfáltica de Campo Grande sofre problemas “críticos” e “recorrentes”, como a baixa qualidade e a rápida deterioração das vias, o que exige uma “reorganização estrutural nas questões sobre os serviços de tapa-buraco”.

“A portaria considera a responsabilidade da prefeitura municipal na gestão sobre a malha asfáltica do município de Campo Grande e a necessidade da construção de um plano estrutural para o auxílio da resolução do problema das questões que envolvam ‘tapa-buraco’ junto à prefeitura municipal e os demais sujeitos institucionais e da sociedade”, afirma o promotor.

Goldfinger ainda reforça a necessidade de um diagnóstico “claro e preciso” do problema da estrutura para que seja feita a recomendação de caráter geral, tendo por objetivo orientar a atuação institucional para que as ações sejam resolutivas visando à “aplicação correta dos recursos públicos”.

Esta não é a primeira vez que o excesso de buracos nas vias desencadeia uma ação do MPMS. Ainda neste ano, o Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) descobriu um esquema de corrupção milionário na Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), envolvendo contratos de tapa-buraco na Capital. 

A Operação Buraco sem Fim cumpriu sete mandados de prisão preventiva e 10 de busca e apreensão, incluindo dois servidores da prefeitura e o ex-titular da Sisep, Rudi Fiorese.

De acordo com o MPMS, a ação objetivou desarticular um esquema de desvio de dinheiro público que estava sendo realizado em contratos de infraestrutura em Campo Grande. Segundo levantamento do MPMS, entre 2018 e 2025, a empresa investigada, a Construtora Rial, acumulou contratos e aditivos que somam o montante de R$ 113.702.491,02.

Antes disso, em 2023, a Operação Cascalhos de Areia investigou a atuação de uma organização criminosa voltada aos crimes de peculato, corrupção, fraude e lavagem de dinheiro relacionados com os contratos para manutenção das ruas não pavimentadas e locação de maquinário de veículos. Os valores ultrapassavam R$ 300 milhões.

Ruas esburacadas de Campo Grande voltam à mira do MPMS - Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

PELAS RUAS

A insatisfação da população campo-grandense com a buraqueira na cidade não é algo recente. Basta andar um pouco pelos bairros para perceber que é difícil não encontrar um buraco na via.

Além do transtorno no trânsito, as erosões causam danos aos veículos. José Antônio, morador do Bairro Aero Rancho, contou ao Correio do Estado que precisou trocar de veículo três vezes por causa dos constantes danos causados pelos buracos.

“Eu tinha um Versa 2020 com uma mecânica caríssima e troquei por um Gol 2006, que tem uma mecânica mais barata, porque ninguém aguenta manter o carro. Também tinha uma Strada 2020 para mexer nas minhas obras, mas também vendi e comprei uma Saveiro 97. Não dá para andar de carro novo nessa cidade”, disse à reportagem.

Para ele, o sentimento de morar na Cidade Morena é de vergonha, não pela cidade, mas, principalmente, pelas vias.

“Eu sou campo-grandense, nasci aqui, tenho 62 anos e fui criado aqui, mas eu tenho vergonha. É o nosso dinheiro que vai para o lixo. Colocar remendo novo em trapo velho nunca funcionou. Eu acho que para mudar a cultura de uma nação, de um país, de uma cidade, a gente tem que mudar a nossa cabeça”, disse.

O problema também é observado por quem trabalha mais de perto. Evelen Arse é proprietária de uma borracharia sediada há um ano no Bairro Vila Carlota. A rua em frente ao estabelecimento é tomada por buracos, assim como muitas outras no bairro.

“A gente chegou aqui e já haviam alguns buracos que nunca foram tapados. Em pouco tempo, eles foram só aumentando. A gente que trabalha com borracharia observa que o movimento aumenta, principalmente nos serviços de vulcanização e no conserto de rodas quebradas”, contou à reportagem.

Para Denise Miranda de Souza, proprietária de um Pet Shop no Bairro Universitário há 11 anos, os buracos até chegaram a ser tapados em alguns trechos, mas, com as chuvas, eles são abertos novamente.

“O serviço é tão ruim que não dura uma semana. Meu carro está com as duas suspensões estragadas, mas nem vou arrumar agora, não adianta, eu ando de carro o dia inteiro”.

Ela contou que no bairro, cada rua tem, em média, 20 buracos e é comum observar os condutores realizando manobras para desviar. 

PROCEDIMENTO

Como uma das primeiras medidas, o MPMS recomendou que a prefeitura apresente, em até 20 dias, informações detalhadas sobre o planejamento e a execução da operação tapa-buraco, transparência, reincidência de buracos nos mesmos locais, falhas contratuais e a responsabilização das concessionárias contratadas para os serviços.

O município deve informar quais materiais e técnicas são empregados na recuperação do pavimento, como é realizado o controle tecnológico das obras e quais medidas são adotadas quando os reparos apresentam falhas ou necessitam de um novo serviço em um curto espaço de tempo.

A Prefeitura de Campo Grande foi procurada pela reportagem, mas não respondeu às questões feitas até o fechamento da edição.

*SAIBA

Após a Operação Buraco sem Fim, os contratos com a Rial foram paralisados.

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