Cidades

ENTREVISTA

"Não podemos deixar o produtor afetado abandonar a produção"

Ministra Tereza Cristina fala sobre os danos causados pela estiagem e comenta sobre suas pretensões políticas para 2022

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Titular do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) desde o início da gestão do presidente Jair Bolsonaro (PL), a sul-mato-grossense Tereza Cristina Dias (DEM) fala sobre o agronegócio e os rumos da produção no Estado e no País. 

Tereza Cristina Corrêa da Costa Dias - Perfil: Nasceu em Campo Grande (MS) e é graduada em Engenharia Agronômica pela Universidade Federal de Viçosa (Minas Gerais). 

No fim da década de 1990, foi convidada para ocupar a Segunda-Secretaria da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul). 

Deixou o Executivo estadual para concorrer ao cargo de deputada federal, sendo eleita em 2014, quando passou a ocupar uma cadeira no Congresso Nacional, representando o setor produtivo. 

Em 2018, Tereza Cristina foi reeleita para mais uma legislatura como deputada federal. 

No fim do mesmo ano, foi convidada pelo presidente Jair Bolsonaro para assumir o comando do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. No início de 2019, assumiu o cargo de ministra da Pasta.

Em entrevista ao Correio do Estado, a ministra destaca que atua para que os produtores se mantenham no ramo e não desistam em decorrência das perdas registradas na agricultura no último ano. 

Em 2021, a safra de milho em Mato Grosso do Sul sofreu com a quebra, e a estimativa é de que o ciclo atual de soja também apresente redução.  

Ainda de acordo com ela, os produtores rurais de MS precisam estar atentos às previsões meteorológicas para, se preciso, mudar de estratégia na próxima safra para evitar mais prejuízos “e buscar culturas mais rústicas, como, de repente, em vez do milho, plantar sorgo ou alguma outra cultura de inverno que seja mais segura”, afirma Tereza Cristina.

Sobre a pecuária, a ministra diz que um dos preceitos do Mapa é a diversificação dos mercados e que tem trabalhado pela ampliação da relação comercial com outros países.

 Ela ressalta que, apesar de Mato Grosso do Sul ter perdido há alguns anos o posto entre os primeiros maiores produtores de gado do País, o Estado “ganhou em qualidade”.  

Na política, Tereza Cristina deve concorrer como representante do Senado Federal por Mato Grosso do Sul e se mantém como um dos nomes fortes para carregar votos para a reeleição do atual presidente e formar um forte time no Estado.  

 

CORREIO DO ESTADO – O agronegócio se destacou durante toda a pandemia, acredita que com esses problemas climáticos e estimativas de uma produção menor ele pode deixar de ser protagonista da economia do Brasil e de Mato Grosso do Sul?

 

Tereza Cristina – O agro sempre produziu e vem produzindo cada vez mais, porque utiliza tecnologia. É um segmento que tem, no Brasil, uma importância enorme, porque nós temos terra, água, tecnologia e bons produtores. 

O agro sempre se destacará no Brasil. Neste ano, de novo, os produtores rurais produziram, aumentaram a área de produção, mas, infelizmente, alguns estados vêm passando por uma forte estiagem, e um pedaço do nosso estado – o sul de Mato Grosso do Sul – também passa por esse problema.

 

O que o governo federal está fazendo ou pode fazer para ajudar o produtor rural nesse momento de dificuldades enfrentadas por conta do clima?  

O produtor rural tem já previsto, no Manual de Crédito Rural, algumas medidas que podem ser solicitadas quando da ocorrência de problemas climáticos como esse que estamos enfrentando neste ano. Um exemplo é o pedido de prorrogação das parcelas de custeio e de investimento; quem tem seguro, pode acionar para que venha rapidamente e, assim, receber o mais breve para poder se programar para a próxima safra. 

E o pequeno produtor tem o Proagro, que é obrigatório. Caso ele tenha algum tipo de perda, pode acionar rapidamente e, assim, receber em alguns dias. Dessa maneira, ele primeiro não fica inadimplente com o banco e, depois, também pode se programar para o plantio da safrinha. 

O que não podemos deixar é o produtor afetado pela estiagem abandonar a produção. Estamos estudando medidas de curto, médio e longo prazo para que o produtor brasileiro possa ter fôlego para enfrentar situações adversas. As medidas possíveis serão anunciadas nos próximos dias.

 

O agricultor de MS vem de uma quebra na safra de milho 2020/2021 e agora já temos perdas estimadas em mais de 1,3 milhão na soja 2021/2022. O que o agricultor pode fazer para tentar ter melhores resultados na próxima safrinha?  

Primeiro, ele tem de pedir a prorrogação de suas dívidas para não ficar inadimplente e poder acessar linhas de custeio novamente. Deve acompanhar de perto a situação do clima para a safrinha, se informando das previsões do Inmet e de outras instituições de meteorologia, para que faça o plantio na época mais adequada. 

Deve obedecer também à janela do zoneamento agrícola de risco climático, que é o Zarc, para que possa estar coberto pelo seguro. Isso porque a safrinha é uma safra que tem mais problemas de clima incerto. 

Então, o produtor tem de estar muito preparado, para que ele não tenha mais perdas, e também buscar culturas mais rústicas, como, de repente, em vez do milho, plantar sorgo ou alguma outra cultura de inverno que seja mais segura. 

Eu acho que ele tem de estar muito antenado e amparado na assistência técnica para que tenha segurança nesta safrinha que começa agora, a partir de março.

 

Com o embargo chinês à carne brasileira, Mato Grosso do Sul ampliou a relação comercial com outros países. É importante ampliar a relação comercial com mais países para não ser tão dependente de um único parceiro comercial?

Com certeza. É isso que o Ministério da Agricultura vem fazendo na sua área de relações internacionais, abrindo mais mercados no exterior para nossa proteína animal. 

Porque não se deve depositar todos os ovos na mesma cesta, o ideal é ter alternativas para exportar os nossos produtos. Nós crescemos muito nesse período da suspensão de 90 dias com a China, aumentamos muito as nossas exportações para os Estados Unidos.

 

O rebanho bovino de MS reduziu nos últimos anos, acredita que o Estado pode voltar a ser um dos maiores produtores do Brasil? Ou deve focar na diversificação da produção?  

Mato Grosso do Sul reduziu o seu rebanho, mas aumentou muito a sua eficiência. Então, há um rebanho menor, mas também há um tempo menor para o abate desses animais, com encurtamento do ciclo. 

Mato Grosso do Sul continua sendo um grande player no setor de carne bovina no Brasil e um player com qualidade. Mato Grosso do Sul tem rebanho geneticamente muito bom. Temos hoje uma boa parte de nosso rebanho que é abatido por meio do programa novilho precoce, que é uma carne especial, mais macia. 

Enfim, o produtor, o pecuarista de Mato Grosso do Sul, vem ganhando em qualidade e, há muitos anos, isso tem refletido na qualidade dessa carne que o Estado produz. 

Além de outras proteínas que vêm crescendo muito, como a suinocultura, a avicultura e a piscicultura. Essas quatro atividades, esses quatro segmentos, têm crescido muito em Mato Grosso do Sul nos últimos anos. Essa diversificação é, com certeza, muito importante.

 

O Ministério da Agricultura traçou alguma estratégia para não ter problemas futuros em relação aos fertilizantes?

O Ministério da Agricultura, primeiramente, criou, há um ano e meio, um grupo de estudos que acaba de finalizar o Plano Nacional de Fertilizantes, para fazer com que o Brasil seja menos dependente das importações dos três principais produtos de fertilizantes: nitrogênio, potássio e fósforo. 

Hoje, o Brasil tem uma dependência muito grande desses insumos. Por isso, quando há algum problema lá fora, nesses países que exportam para o Brasil, há uma grande preocupação. 

Eu estive há pouco na Rússia conversando sobre o assunto com os maiores exportadores, para garantir que o Brasil teria o seu fornecimento assegurado por aquele país. Temos hoje um problema na Bielorrússia – de sanções internacionais – que pode prejudicar as exportações para o mundo, e o Brasil importa 20% desse país. 

Nós temos também um outro importante fornecedor que é o Marrocos, fornecedor de fósforo. Enfim, temos de mudar essa dependência de quase 90% em relação à nossa demanda. Temos de baixar essa dependência e começar a produzir mais, no Brasil, os fertilizantes que são fundamentais para o sucesso da nossa agricultura.

 

A UFN3, em Três Lagoas, seria uma alternativa para o suprimento de fertilizantes no País?

Ajudaria em parte. Ajudaria muito no suprimento de ureia, pois é uma fábrica de nitrogenados. O insumo mais importante para o seu funcionamento é o gás, que deverá ser suprido pelo gás que vem da Bolívia ou por outra alternativa que a Acron esteja conversando com a Petrobras.  

 

A ministra já definiu qual caminho deve seguir em relação ao partido?  

Esse assunto já foi tão falado em nosso estado. Eu faço parte do DEM, que está em processo de fusão com o PSL para se tornar o União Brasil. Estou aguardando a homologação e em tratativas com o meu partido. Se não for possível, tenho de achar um novo caminho.

 

Especula-se que há a possibilidade de a senhora concorrer como vice do presidente Jair Bolsonaro, há essa intenção? Ou deve focar realmente no Senado?  

Sua pergunta já começou certa: especula-se. Isso é especulação. Meu projeto é concorrer ao Senado. Sou pré-candidata ao Senado pelo meu estado, Mato Grosso do Sul.  

 

Em Mato Grosso do Sul, a ministra vai apoiar a candidatura de Eduardo Riedel ao governo?  

Esse é um momento de muitas conversas, de ver como todos os partidos vão caminhar, quais são as coligações que poderão ser feitas, visto que hoje só podem ocorrer na majoritária. Então, as conversas estão acontecendo entre todos. 

Já conversei com vários candidatos ao governo que estão com seus nomes colocados. Mas isso, na verdade, só vai acontecer, de fato, quando resolvermos o partido, definir com quem nós vamos caminhar, e depois, lá na frente, após as convenções. Aí sim nós teremos as coligações já feitas nas convenções partidárias.

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Ação Civil

Negligência da Santa Casa pode ter causado morte de paciente

Jussara Delmondes, de 49 anos, contraiu infecção que resultou em seu óbito após haste intramedular colocada no fêmur não ser retirada no tempo correto

25/06/2026 08h00

Jussara Marisa tinha paralisia cerebral e morreu aos 49 anos

Jussara Marisa tinha paralisia cerebral e morreu aos 49 anos Foto: Arquivo Pessoal

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Jussara Marisa Aparecida Pereira Delmondes, de 49 anos, morreu em outubro do ano passado por causa de uma infecção bacteriana, após a Santa Casa de Campo Grande não retirar uma haste intramedular de sua perna no tempo estipulado clinicamente.

Nascida com paralisia cerebral, Jussara nunca andou ou falou durante sua vida. Por ser uma pessoa acamada e com uma certa idade, seus ossos foram ficando cada vez mais frágeis e atrofiados, dependendo sempre de ajuda externa para realizar ações do cotidiano.

No final de 2024, Jussara quebrou o fêmur após sua mãe tentar colocar a fralda nela. Ela foi levada para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e, posteriormente, encaminhada para a Santa Casa.

Após análise da situação, o médico responsável pelo caso decidiu que a melhor opção era colocar a haste intramedular, implante ortopédico de titânio ou aço que atua como uma “tala interna”, que tem a função de estabilizar a fratura, manter o alinhamento e distribuir a carga. Essa cirurgia foi realizada em janeiro de 2025.

No primeiro retorno ao médico depois da cirurgia, a mãe e a sobrinha de Jussara solicitaram que a haste fosse retirada, mas o médico explicou que os ossos ainda não tinham colado e calcificado, e por isso não retiraria a estrutura naquele primeiro momento.

Além disso, o médico recomendou que a família esperasse mais 30 dias para que, no próximo retorno, fosse mais viável a retirada do instrumento.

Neste primeiro retorno, Kamila Delmondes, a sobrinha da paciente, já havia informado que, em razão da haste ser exposta, estava com medo de acontecer uma infecção.

Porém, o médico a tranquilizou sobre a situação e ensinou como limpar e higienizar a área – o que era seguido à risca pelos parentes todos os dias.

O próximo retorno estava marcado inicialmente para ocorrer em março, mas não aconteceu por conta da greve da Santa Casa.

Mesmo que não falasse, Kamila percebeu que Jussara estava com aparência de dor, o que ela desconfiou ser por causa da haste.

Diante disso, a levaram ao atendimento 24 horas do hospital, onde os enfermeiros realizaram a mesma limpeza já feita todos os dias no local da cirurgia e liberaram a paciente, sob a justificativa de que “não tinham o que fazer”.

Depois de alguns dias, a mãe percebeu um corpo estranho no céu da boca de Jussara, do qual as profissionais da Unidade Básica de Saúde (UBS) recomendaram que fosse retirado no Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap).

Lá, além da retirada do corpo estranho, os familiares de Jussara tentaram dar um “jeitinho” para que um médico ortopedista conseguisse avaliar a região da cirurgia na perna, já que fazia muito tempo desde o último retorno na Santa Casa.

Contudo, o médico se recusou a fazer a avaliação justamente por Jussara ser paciente da Santa Casa, e não do Humap.

Depois de seguidas tentativas, o retorno à Santa Casa foi marcado para abril. Chegando ao hospital, outra surpresa: não havia médico disponível para atendê-la. A mesma situação ocorreu seis meses depois, no dia 7 de outubro.

No mesmo dia, para não perder tempo, Kamila e Jussara foram ao Centro Regional de Saúde (CRS) do Aero Rancho, onde foram atendidas por um médico.

Ao explicar toda a situação para o profissional, ele ligou no Centro Especializado Municipal (CEM) para saber se o local poderia receber Jussara e finalmente retirar as hastes. Mas, por se tratar de fratura exposta, o caso da paciente fugia da alçada da unidade, estendendo mais ainda a novela.

Com uma nova tentativa frustrada, o médico do CRS aconselhou Kamila a procurar a Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul, o que foi feito no mesmo dia, 7 de outubro.

Ao ser atendida, a responsável pelo caso de Jussara na Defensoria explicou que a Santa Casa deveria ter direcionado os pacientes para outro hospital por conta da paralisação. Ao fim, ela foi colocada em uma fila de espera na Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) para tentar vaga em outra unidade.

Porém, 16 dias depois, na manhã de 23 de outubro, a mãe de Jussara foi acordá-la, mas ela não reagia e estava gelada. Horas depois, a morte foi constatada, cerca de 10 meses depois da fratura.

Na certidão de óbito, a causa da morte aparece como “insuficiência respiratória aguda, choque séptico, foco cutâneo de joelho direito, haste intramedular extrema infectada (outras condições significativas que contribuíram para a morte), fratura de fêmur direito em 2024”.

“Eu não culpo o médico por não ter atendido ela. Mas, sim, o Estado por não ter repassado [dinheiro] para Santa Casa para que os médicos pudessem trabalhar e culpo a Santa Casa por não ter remanejado ela para outro hospital. Primeiro porque ela era uma paciente que não andava e não falava, e eles estavam cientes que ela estava com essa haste para fora. O médico sabia que aquilo poderia ter uma infecção, mas ele falou que não, que isso não aconteceria”, explica Kamila.

Hoje, Kamila e a família de Jussara estão juntando os documentos e procurando advogados para entrar com um pedido de ação indenizatória contra a Santa Casa, pela negligência do hospital com a situação da paciente.

Kamila conta que não vai desistir, especialmente pela sua avó, mãe de Jussara, que está em tratamento contra um câncer e quer que esta história seja divulgada para que não aconteça o mesmo com futuros pacientes. 

AÇÃO

O caso de Jussara foi um dos encontrados pela Defensoria Pública ao aprofundar investigação nos gargalos da Santa Casa. Além de Jussara, outros casos parecidos também foram observados, o que chamou a atenção do órgão.

De acordo com a defensora pública Eni Maria Sezerino Diniz, coordenadora do Núcleo de Atenção à Saúde (NAS), muitos pacientes observados estavam com mais de um ano sem retirar implantes ortopédicos, que deveriam ser extraídos dentro de três a quatro meses.

“Nós estávamos recebendo e judicializando pacientes com dois anos, dois anos e meio sem retirar e sem a perspectiva de realizar a retirada. Eles precisavam judicializar, entrar com ação para retirar um pino ou uma gaiola ortopédica e, enquanto isso, ele não pode trabalhar, não há cicatrização adequada e pode sofrer infecções”, afirma.

Diante disso, a Defensoria ingressou com uma ação civil pública no Poder Judiciário contra a Santa Casa, solicitando informações e respostas do porque esses pacientes estão ficando tanto tempo com os implantes ortopédicos, visto que a retirada deles está prevista no contrato assinado entre paciente e hospital antes da cirurgia.

Para que as partes (Estado, Município, Santa Casa e Defensoria Pública) cheguem em um acordo, o Poder Judiciário marcou uma audiência para hoje.

RESPOSTA

Em nota enviada à reportagem, a Santa Casa se posicionou apenas sobre a primeira ação, reportada pelo Correio do Estado ontem, que colocou as filas invisíveis do hospital na mira.

“Importante destacar que a redução do número de salas simultaneamente abertas em determinados períodos não significa redução da capacidade de atendimento às urgências e emergências”, diz na nota sobre o fato de a defensora ter encontrado salas de cirurgia fechadas.

Sobre o caso de Jussara e a demora para retirada de implantes ortopédicos de seus pacientes, a instituição ainda não se posicionou, mesmo com o contato da reportagem.

Já a Sesau também foi contatada e afirmou que acompanha “permanentemente a situação da rede hospitalar de Campo Grande e reconhece os desafios históricos relacionados à demanda por procedimentos de média e alta complexidade, especialmente nas áreas ortopédica e cardiológica”.

“Após a vistoria realizada conjuntamente com a Defensoria Pública, Ministério Público e equipes técnicas da Sesau na Santa Casa, a Secretaria notificou formalmente a instituição para apresentação de esclarecimentos e de um plano de ação corretivo diante de problemas identificados”, diz a nota da secretaria.

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Infraestrutura

Campo Grande pode ficar sem tapa-buracos a partir de julho

Quatro regiões já estão com os serviços paralisados na Capital e contratos terminam no mês que vem

25/06/2026 08h00

Marcelo Victor/Correio do Estado

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As sete regiões de Campo Grande podem ficar sem o serviço de tapa-buracos a partir de julho, quando os contratos com as empresas responsáveis pelo serviço terminam e não serão renovados. Caso o projeto para a continuidade da operação não dê certo, a cidade pode ficar sem o serviço.

Reunião na terça-feira entre o atual titular da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), André Brandão, e os vereadores de Campo Grande explicou a atual situação do serviço. 

Conforme o que foi passado pelo secretário, quatro regiões de Campo Grande já estão com o serviço paralisado porque o saldo do contrato já foi utilizado e, conforme o que foi passado na reunião, ele não deve receber aditivo. Por este motivo, os contratos estão sem operação.

 Avenida Delegado Alfredo Hardman, no Jardim Paulo Coelho Machado, está esburacada - Foto: Marcelo Victor/Correio do Estado

As quatro regiões são justamente as que estão sob a responsabilidade da Construtora Rial, alvo de investigação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) por suposta corrupção na medição de buracos e suposto recebimento indevido de recursos públicos.

A investigação do MPMS resultou na Operação Buraco Sem Fim, deflagrada pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), braço do MPMS, e que identificou “a existência de uma organização criminosa que atua fraudando, sistematicamente, a execução do serviço de manutenção de vias públicas no Município de Campo Grande, por meio da manipulação de medições e da realização de pagamentos indevidos”.

“As evidências revelaram pagamentos públicos que não correspondem aos serviços efetivamente prestados, com o propósito de permitir o desvio de dinheiro público, o enriquecimento ilícito dos investigados e, como consequência, a má qualidade das vias públicas municipais”, diz a nota do MPMS na época.
Ainda segundo a investigação, a empresa teria faturado, entre 2018 e 2025, “contratos e aditivos que somam o montante de R$ 113.702.491,02”.

Reportagem do Correio do Estado mostrou que a Construtora Rial, pivô do escândalo, é responsável pelo tapa-buraco de quatro das sete regiões da cidade: Anhanduizinho, Bandeira, Imbirussu e Segredo.

Somando o valor original desses contratos e seus aditivos, a parceria atual entre a empresa e a Sisep soma 
R$ 114.608.571,16. E são essas regiões que já estão com o serviço paralisado.

SEM CONTRATO

De acordo com explicação do presidente da Câmara Municipal de Campo Grande, Epaminondas Neto, o Papy (PSDB), a Capital não planeja aditivar esses contratos e nem renová-los. A ideia seria usar o contrato fechado por meio do Consórcio Central-MS, composto por Campo Grande, Sidrolândia, Dois Irmãos do Buriti, Terenos e Jaraguari, que alugou uma usina de asfalto.

No entanto, segundo o presidente da Casa de Leis, não há garantia de que apenas esta usina consiga atender a todas as regiões da Capital.

“Eles [representantes da prefeitura] garantiram que não vão aditivar esses contrados, principalmente para as empresas investigadas e estão focados em usar o consórcio para atender o tapa-buraco em todas as regiões, mas não há garantia de que eles darão conta de todas as regiões, e se isso acontecer, a Capital pode ficar sem tapa-buraco”, declarou Papy ao Correio do Estado.

Para que isso não aconteça, segundo o presidente da Câmara, foram dadas algumas sugestões, entre elas uma licitação de emergência, caso a fábrica do consórcio não consiga atender a demanda por asfalto.

Durante a reunião, o secretário André Brandão afirmou que no início de julho a Sisep deve colocar mais equipes para realizar o serviço.

“Nós já vamos colocar novas equipes para poder atuar e no decorrer de julho a gente consegue complementar esse quadro, para que entre agosto com uma produção muito maior do que estamos fazendo”, declarou o secretário.

* Saiba 

Durante a Operação Buraco Sem Fim, em maio, foram presas sete pessoas, entre elas, o ex-secretário de Infraestrutura Rudi Fiorese, o engenheiro da Sisep Mehdi Talayeh e o dono da Rial, Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa.

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