Cidades

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A corrupção, herança da má paternagem

A corrupção, herança da má paternagem

Redação

02/03/2010 - 06h02
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Percebe-se que, na tentativa de reconstrução democrática pós-Regime Militar, não foi só a música brasileira que decaiu. A moralidade referente à “coisa pública”, sobretudo nos últimos anos, só deixa contente os laláus impunes. Não bastando, metade dos nascimentos provêm de adolescentes que ainda necessitam de paternagem. Os vestais da moralidade que prometeram um “novo modo de governar”, após assumirem o Poder Central, apenas inovaram alguns aspectos da corrupção, ou seja, no uso dos recursos públicos para benesses pessoais, promoção de invasões terroristas e expansão do poder. Parecem orgulhosos de seus “mensalões” e “recursos não contabilizados” que são considerados “práxis revolucionária” moralmente justificada para manutenção do poder e desmoralização da “democracia burguesa”, como eles próprios dizem. Quem se indigna seria “moralista” ou integrante de uma “conspiração das elites”. Sabe-se ainda que a naturalíssima rotatividade de poder não tem abrigo catecismo marxista-leninista, que norteia o Partido no poder. Tal como na China, que ressuscitou o “modo capitalista de produção” e com cujo Partido Comunista tem um acordo de colaboração mútua, o PT mantém o modo de produção capitalista vigente, mas não admite perder o poder. Por isso, com a prometida “guinada para a esquerda”, prepara-se para arregimentar sua militância e infernizar a vida do futuro Governo, pois, tudo indica que terão que chupar essa indigesta manga democrática que é a rotatividade do poder. Será a primeira vez na História que isso se dá sob a vigência de um Partido comunista no poder. A História nos confirmará. Mas voltando à “vaca fria”, melhor dizendo, à vaca podre da corrupção que nos aflige a bolsa e a alma, nos acode aqui a Psicanálise, quando analisa a “função paterna” na formação do “superego”, ou caráter dos filhos. Paternagem frouxa, sem “não”, permissiva, resulta em prole sem rumo, disciplina, sem respeito ao próximo e às leis. As figuras carismáticas, grandes artistas e políticos têm a mesma influência sobre os usos, costumes e a moralidade das massas. Neste momento ouso fazer uma triste projeção sobre o curso da moralidade em geral, inclusive na coisa pública, por conta da influência do carisma do presidente Lula, com suas atitudes ambivalentes e frouxas face aos mensalões e outras sem-vergonhices que nos tem afligido. Não passa a mão na cabeça de seus mensaleiros? Que fez face ao empréstimo fajuto do Partido no mercado financeiro, sabe-se lá para quê? E os cumpanhêro pegos com a mão numa fortuna para praticar terror contra um candidato da oposição, e que Lula considerou meros “aloprados”? A origem do dinheiro para o terror é ainda um conveniente mistério. Nunca se esquecerá, ainda, de um presidente jogando camisinhas para foliões, de seu palanque carnavalesco. É o triunfo da promiscuidade sexual. Tudo isso, leitor, cria um clima de permissividade assemel hada a uma metástase cancerosa, que impregna a alma das novas gerações e, quanto maior o carisma do “Pai- Grande”, maior a influência nefasta de suas ambivalências e permissividade. Não adianta os esforços da Polícia Federal, da repressão para quebrar essa maré que está mais para tsunami que marolinha. Enquanto isso, os mensaleiros do PT, homenageados em encontro nacional, estão de volta, porque praticaram o “mensalão” do bem, que nem existiu. O relatório da CPI dos Correios, sob a decente direção de nosso pantaneiro senador Delcídio, foi um delírio da Nação. Mensalão “do mal” é o dos outros, até crime hediondo. Mas o desvio de recursos públicos para financiar o terrorismo do MST será investigado por uma CPI controlada pelo Partido do qual o objeto da investigação é um braço. Não acabará em pizza, já virou marmelada e mais um péssimo exemplo para a sociedade. A transformação da corrupção em crime hediondo é mais uma jogada de marketing pois, sabe-se muito bem, a companheirada do mensalão e os aloprados estão blindados. Assim caminha, “de caso pensado”, a degradação de nosso Estado Democrático e de Direito. Neste exato momento o coodenador de campanha da candidata de Lula é apontado como o responsável, quando prefeito em BH, pela remessa de 80 milhões para o exterior, recursos esses que seriam provenientes de superfaturamento de obras. O dinheiro teria retornado para usufruto de seu Partido e aliados. Coisa de pôr o Marcola no chinelo. Mas como no imaginário da Nação a “função caráter” corre frouxa, anestesiada, talvez tudo fique no dito pelo não dito. Quem nega essa triste realidade?

PERÍCIA TÉCNICA

Polícia apura feminicídio que prendeu pai e filho em Coxim e encontra arma do crime

O marido da vítima, de 46 anos, e o filho, de 22 anos, continuam presos temporariamente

09/03/2026 17h30

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A Polícia Civil do Mato Grosso do Sul, através da Delegacia de Atendimento à Mulher (DAM) de Coxim, realizou na manhã desta segunda-feira (9) a reprodução simulada do feminicídio ocorrido no dia 22 de fevereiro deste ano, no município de Coxim. Nilza de Almeida Lima, de 50 anos, foi a terceira vítima em MS. Hoje, o Estado soma seis casos apenas em 2026.

O marido da vítima, Marcio Pereira da Silva, de 46 anos, e o filho, Gabriel Lima da Silva, de 22 anos, continuam presos temporariamente e não participaram da reprodução, após orientação da defesa, atualmente a cargo da Defensoria Pública.

A faca, provável instrumento utilizado no crime, foi localizada na última quinta-feira (5), em uma segunda vistoria realizada na residência da vítima, por equipes da DAM de Coxim e da Perícia. O objeto estava embaixo do sofá, próximo do local onde a vítima foi encontrada e possuía manchas compatíveis com sangue.

A atividade foi realizada com apoio da Perícia, responsável pelos registros e análises técnicas conduzidas pela equipe da Unidade Regional de Perícias. Durante a reprodução, foram testadas as hipóteses apresentadas pelos investigados, com o objetivo de esclarecer a dinâmica do crime.

Na vistoria inicial realizada no dia do crime, cinco facas haviam sido apreendidas no imóvel, porém todas apresentaram resultado negativo para teste de detecção de sangue.

O caso

O terceiro feminicídio registrado em Mato Grosso do Sul em 2026 ocorreu no dia 22 de fevereiro. De acordo com o laudo do exame necroscópico, a causa da morte de Nilza de Almeida foi choque hemorrágico, em decorrência da ação de um agente perfurocortante. A vítima apresentava uma perfuração na região do abdômen.

Nilza foi encontrada caída sobre um colchão na sala da residência onde morava. Equipes da Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros e perícia técnica atenderam a ocorrência. O óbito foi confirmado ainda no local.

No dia do crime, o companheiro da vítima, de 46 anos, apresentou versões divergentes aos policiais. Inicialmente, afirmou ter saído da casa por cerca de 40 minutos para buscar gelo na residência de uma filha e que, ao retornar por volta das 4h30, encontrou Nilza ferida, pedindo socorro. Posteriormente, alterou o relato e disse que o fato teria ocorrido por volta das 20h do dia anterior.

Conforme o boletim de ocorrência, ele apresentou comportamento agressivo durante o atendimento da equipe policial, sendo necessário o uso de algemas para garantir a segurança dos envolvidos.

O filho do casal, de 22 anos, também é apontado como suspeito de ter desferido o golpe. Segundo o relato do pai, mãe e filho permaneceram na residência após uma discussão verbal e os conflitos entre ambos seriam frequentes. Quando ele retornou ao imóvel, o jovem já não estava mais no local.

Dentro da casa, os policiais identificaram sinais de luta, o que reforça a hipótese de confronto antes do crime.

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Iphan

Comunidade Tia Eva será o primeiro quilombo tombado no Brasil

Processo de tombamento começou em 2024 e declaração oficial acontecerá nesta terça-feira (10)

09/03/2026 17h14

Comunidade Tia Eva será o primeiro quilombo tombado do País

Comunidade Tia Eva será o primeiro quilombo tombado do País Foto: Gerson Oliveira / Arquivo Correio do Estado

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A Comunidade Remanescente de Quilombo Eva Maria de Jesus, em Campo Grande, será o primeiro quilombo tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Brasil.

O processo de tombamento começou nos primeiros meses de 2024, a partir do diálogo dos técnicos do Iphan com moradores do quilombo e a declaração oficial será nesta terça-feira (10), durante a  112ª Reunião do Conselho Consultivo do órgão, no Rio de Janeiro.

A Comunidade também vai inaugurar o novo Livro do Tombo de Documentos e Sítios Detentores de Reminiscências Históricas de Antigos Quilombos, criado por meio da Portaria nº 135/2023 do Iphan.

“A declaração de tombamento representa um importante gesto de reparação histórica às comunidades quilombolas. A valorização da cultura de matriz africana têm sido uma prioridade desta gestão. O trabalho conduzido pelo Iphan para o tombamento constitucional dos quilombos é construído com a participação direta das comunidades, que são as verdadeiras protagonistas", diz o presidente do Iphan, Leandro Grass.

"O Quilombo Tia Eva inaugura esse novo momento e o novo Livro do Tombo dedicado aos quilombos. Muitos outros territórios quilombolas receberão, com justiça, esse mesmo reconhecimento”, acrescenta.

Declaração de tombamento

O tombamento do quilombo, conhecido como Comunidade Tia Eva, decorre de um longo processo de debate entre a área técnica do Iphan e a comunidade. O tombamento das reminiscências históricas de antigos quilombos está previsto pela Constituição Federal de 1988.

Vanessa Pereira, coordenadora-geral de Identificação e Reconhecimento no Departamento de Patrimônio Material e Fiscalização (Depam) do Iphan, esteve à frente do processo.

"Foi um processo de muito diálogo, estudos técnicos para que se pudesse fazer essa proposta e esse primeiro reconhecimento a partir diretamente do mandamento constitucional, algo que será estendido a outros quilombos", explicou.

O processo de tombamento foi orientado pela Portaria Iphan nº 135, de 20 de novembro de 2023, que regulamentou esse procedimento para documentos e sítios que contenham memórias históricas dos antigos quilombos.

Por meio da portaria, foi criado um Livro do Tombo específico para os quilombos e uma série de princípios, como a autodeterminação e a consulta prévia, livre e informada das comunidades quilombolas.

A norma destaca o protagonismo da população afro-brasileira na luta pela liberdade (por meio dos fenômenos do quilombismo e aquilombamento), valoriza princípios antirracistas nas ações patrimoniais e reconhece a resistência quilombola contra a escravização e a discriminação histórica.

Comunidade Tia Eva

O quilombo foi criado pela benzedeira e alforriada Eva Maria de Jesus, a “Tia Eva” (1848–1929) e se consolidou como um marco importante da resistência negra no Mato Grosso do Sul, sendo considerada uma das mais antigas referências quilombolas urbanas do Brasil.

Para João Henrique dos Santos, superintendente do Iphan em Mato Grosso do Sul, a declaração de tombamento do Quilombo Tia Eva tem importância simbólica para o país em razão do protagonismo assumido pela líder comunitária e religiosa que dá nome ao território.

"Esse é um marco dentro das políticas públicas voltadas à patrimonialização de comunidades tradicionais quilombolas. No caso do Quilombo Tia Eva, há um protagonismo de uma mulher negra, recém alforriada que chega no sertão brasileiro, como era conhecida a região sul do então Mato Grosso e, nesse território, ela constitui uma comunidade fantástica. Era comunidade rural e que agora se insere no contexto urbano. Assim, estamos evidenciando o protagonismo das mulheres na formação desses núcleos no início do século 20, em que se origina o Tia Eva”, explicou o superintendente.

Nilton dos Santos Silva, tataraneto de Tia Eva, comemora a declaração de tombamento como possibilidade de outras pessoas se interessarem pela história da comunidade.

“Tudo que eu aprendi e o que sou vem de gerações passadas. Espero agora, com o tombamento, o reconhecimento da história, praticamente, da fundação de Campo Grande, onde tudo começou, e também mais coisas para a comunidade, como reformas e visitantes", avaliou.

       

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