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"A mim me parece que a imprensa trouxe o caso Vorcaro para a Praça dos Três Poderes. Eu, se ..."

"... fosse buscar um endereço do caso Vorcaro ou Master, veria ele na Faria Lima. E o inquérito das fake news vai acabar quando terminar. O tribunal tem sido vilipendiado", de Gilmar Mendes, decano do STF, em entrevista à Globo

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A Globo está tentando aumentar a participação de Ana Castela em "Coração Acelerado", novela que ocupa a faixa das sete da emissora. A presença da cantora, que vem aparecendo com mais frequência há duas semanas na história, fez o folhetim bater seu recorde.

MAIS: um recorde de audiência desde que estreou, em janeiro. Inicialmente, estava prevista a participação em dois pacotes de cenas. Agora, a Globo quer dobrar esse número. O problema é a agenda apertada dos  compromissos da carreira musical de Ana.

R$ 7 milhões no Facebook

Apenas nos últimos 30 dias, o governo Lula elevou para quase R$ 7 milhões os gastos de propaganda no  Facebook e Instagram. Entre 22 de março e 22 de abril, a administração federal torrou R$ 6,86 milhões com 97 anúncios no Facebook no país, à frente do Partido dos Trabalhadores, que atualmente é o segundo anunciante da Meta no Brasil: R$ 936 mil.

Em cinco dias, apenas um anúncio do governo Lula sobre a carteira de motorista (CNH) custou US$ 125 mil
(R$ 628 mil) aos pagadores de impostos. O PT gastou R$ 936 mil em oito anúncios no Facebook apenas desde 22 de março. Quase todos tratam da escala 6 x 1.

"A mim me parece que a imprensa trouxe o caso Vorcaro para a Praça dos Três Poderes. Eu, se fosse buscar um endereço do caso Vorcaro ou Master, veria ele na Faria Lima. E o inquérito das fake newsvai acabar quando terminar. O tribunal tem sido vilipendiado",  de Gilmar Mendes, decano do STF, em entrevista à Globo

Super-rombo admitido 1

O próprio governo Lula já admite que gastou muito mais do que arrecadou este ano. Segundo dados da Transparência da Controladoria-Geral da União, as despesas da administração petista já superaram R$ 1,76 trilhão, enquanto foram arrecadados da população apenas R$ 1,65 trilhão em impostos. Segundo a previsão do orçamento, até o final do ano o quadro deveria ser o contrário, e o governo petista promete arrecadar cerca de R$ 90 bilhões a mais do que vai gastar 

Super-rombo admitido 2

O Orçamento Geral da União prevê despesas de R$ 6,25 trilhões em 2026, enquanto a arrecadação prevista é de R$ 6,34 trilhões. A "gestão e manutenção" do Poder Executivo custou mais de R$ 87,3 bilhões até agora; são salários e aposentadorias civis e militares.

Só o refinanciamento da dívida interna custou R$ 688,5 bilhões até agora neste ano, e os juros da dívida custaram R$ 351,2 bilhões.

"Careca do INSS", não! 1

O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios rejeitou pedido de Antonio Carlos Antunes, o "Careca do INSS", para impedir que ele seja chamado pelo apelido por portais de notícias. O empresário figura entre os alvos da Operação Sem Desconto, deflagrada pela PF para desarticular um esquema de cobranças indevidas de taxas associativas diretamente nas folhas de pagamento de aposentados e pensionistas do INSS.

A decisãofoi estabelecida pela Terceira Turma da Corte, que avaliou recurso impetrado por advogados de Antunes.

"Careca do INSS", não! 2

O colegiado dos magistrados destacou que a "expressão mencionada" nas reportagens corresponde ao apelido usado intensamente pelas mídias, "sem demonstração de finalidade ofensiva". O processo teve origem em
uma queixa-crime movida pela defesa de Antunes contra um portal de notícias de Brasília.

Os advogados sustentavam que "Careca do INSS" carregava um sentido depreciativo, prejudicando a imagem do reclamante, tese que acabou descartada pelo tribunal.

Ensaio misterioso

A atriz Paolla Oliveira, com seus recém-completados 44 anos, mais uma vez mostrou seu domínio nas plataformas sociais. Em uma nova série de fotografias compartilhadas no Instagram, ela apareceu com uma estética de praia, exibindo cabelos ondulados e um estilo marcante.

Neste ensaio, decidiu adotar uma expressão séria, evitando exibir um sorriso. O cenário, repleto de edificações históricas, proporcionou um charme adicional às fotografias. Nos seus looks, Paolla exibiu uma mistura de sofisticação e diversidade: ela usou um conjunto de crochê na cor creme, complementado por um véu, um vestido marrom com um detalhe na cintura e um cinto em evidência, além de um corset preto combinado com uma saia vibrante.

Um burburinho tomou conta das redes sociais, como é de costume. Apesar da exposição das fotos Paolla não dá detalhes sobre o ensaio. E as novidades não pararam por aí. A atriz também celebrou seu aniversário em uma festa no Rio de Janeiro, cheia de samba, feijoada e na presença de muitos convidados famosos.

No palco, artistas como Ludmilla e Jorge Aragão garantiram um clima de Carnaval. Um momento marcante da festa que chamou a atenção foi a dança de Paolla próxima a Bella Campos. Isso foi suficiente para que
surgissem rumores sobre um possível romance, que logo se espalharam pela internet.

Apesar das especulações, nada foi confirmado oficialmente. Ambas estão solteiras. Paolla desde sua separação de Diogo Nogueira e Bella após o término com MC Cabelinho. 

Lula têm histórico: "criar caso" com EUA

A promessa de Lula de aplicar "reciprocidade" no caso do delegado brasileiro expulso dos Estados Unidos por tentar burlar regras de imigração contra o ex-deputado Alexandre Ramagem é apenas mais uma tentativa, entre várias do petista ao longo dos anos, de "criar caso" e desestabilizar a relação entre os dois países.

Em 2004, quando Lula ameaçou expulsar o jornalista Larry Rohter, do New York Times, por reportagem sobre sua bebedeira, acabou recuando. Em 2010, tentou "mediar" em favor de um programa nuclear do Irã.
Foi enxotado dos EUA, que iniciavam sanções contra a ditadura dos aiatolás.

Na guerra da Ucrânia, Lula passou pano para invasores russos. E apoiou terroristas do Hamas contra Israel, onde virou persona non grata. Em 2023, no atual mandato, Lula passou a criticar a "hegemonia do dólar" e colecionar provocações aos EUA, país que mais investe no Brasil.

Baixar a bola

Depois da ameaça de "reciprocidade" contra a expulsão de seu agente, Lula baixou a bola. A "retaliação" será retirar credenciais de acesso de um policial americano à Polícia Federal.

Não é nada: o americano perde apenas o crachá de acesso ao prédio. Sem ter como reagir ao flagrante de manipulação do ICE para deportar Alexandre Ramagem, Lula listou opções de agentes de inteligência a serem expulsos do país e recuou mais uma vez.

A Polícia Federal credenciou nova agente para o lugar do policial expulso. Pessoal do Itamaraty lembra que expulsar funcionário americano sem ter cometido violações não é "reciprocidade": é "retaliação".

Carne vermelha de volta

Por muitos anos, Gisele Bündchen adotou uma alimentação completamente vegetal, evitando carne, laticínios e ovos. Sua escolha era fortemente emocional, demonstrando sua preocupação com os animais. Contudo, com o tempo, seu organismo começou a indicar que algo estava errado.

Mesmo consumindo uma grande quantidade de vegetais de folhas verdes, nozes e suplementos de ferro, Gisele acabou desenvolvendo anemia. Além disso, o consumo excessivo de feijão causou desconfortos, como inchaço e gases, problemas que não são ideais para alguém que frequentemente atua nas áreas de moda e fotografia. Diante dessa realidade, ela fez uma alteração significativa em sua dieta: optou por reintroduzir carne vermelha.

Essa decisão não foi motivada por questões de princípios, mas sim por necessidade. Atualmente, sua alimentação é composta por cerca de 80% de produtos vegetais e 20% de origem animal, uma mudança que a auxiliou na recuperação de sua energia e bem-estar.

Gisele continua focada em alimentos naturais e compartilha que aprendeu muito durante sua fase vegana. A lição mais importante que ela extraiu: cada corpo é único. Embora as dietas, incluindo a vegana, possam ser saudáveis, é essencial um planejamento cuidadoso e a orientação de um especialista para evitar deficiências
nutricionais.

No fim, Gisele encontrou seu próprio caminho: ouvir seu corpo, atender suas necessidades e viver de forma consciente, sem extremos, mas com propósito.

Romeu Zema na mira

Concorrentes e aliados do ex-governador Romeu Zema avaliam que a notícia-crime feita pelo ministro Gilmar Mendes é "um gás a mais" para a campanha dele à Presidência.

O entorno de Zema diz que os argumentos de Gilmar carecem de embasamento técnico. Contudo, pondera que as consequências jurídicas de uma notícia-crime são imprevisíveis.

Zema ganhou manifestações, entre elas, do senador Rogério Marinho (PL-RN) e do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). Há quem aposte, a propósito, que Ronaldo Caiado pensa em Zema para ser seu vice na candidatura ao Planalto.

Quem gosta de moeda podre 1

Entre as tantas formulações que pululam nos tubos de ensaio do BTG, surge um projeto ousado: os Correios. O banco vem estudando com vagar os números da estatal e do negócio de logística como um todo.

Háuma conjugação de fatores que justificam essa iniciativa aparentemente sui generis.

Primeiro, a conjuntura político-eleitoral. A ascensão de Flávio Bolsonaro traz a reboque a expectativa de uma futura rodada de privatizações. Mais do que isso: hipótese de operações que exigiriam uma engenharia
financeira não convencional.

Quem gosta de moeda podre 2

Mais: acertou quem pensou em moedas podres. Talvez seja puro feeling, talvez os radares do BTG já tenham captado algum sinal vindo de 2027. O fato é que o banco de André Esteves vislumbra a possibilidade de
usar seu enorme manancial de títulos em "special situation" para comprar os Correios e, eventualmente, outras estatais que venham a ser colocadas sobre o balcão.

O indicativoé que há uma única premissa: a venda da empresa só poderá se dar em um modelo "elas por elas", ou seja, ativos podres em troca de "ativo podre". Quer dizer, "ativo podre" dependendo das mãos em que estiver. 

Mistura fina

As mudanças de gestão do Grupo Pão de Açúcar (GPA), anunciadas há dias, soaram como sinal de esvaziamento do CEO da companhia, Alexandre Santoro, que está no cargo há apenas quatro meses.

A interpretação dos investidores se dá, sobretudo, pela contratação dos executivos José Rafael Vasquez e Jones Laurindvicius, que assumirão áreas comerciais e de supply chain.

Os dois já passaram por grandes redes de varejo — o primeiro foi CEO do Sam's Club; o segundo, da Drogaria Pacheco, em São Paulo.

Ainda sobre os novos executivos: não é exatamente o currículo de alguém chamado para ocupar funções hierárquicas inferiores ou atuar como mero cumpridor de diretrizes.

Entre os investidores, a leitura é que os dois entram no Pão de Açúcar para dividir poderes com Alexandre
Santoro e serem polos de decisão dentro da companhia.

É bom lembrar que estabilidade no comando não tem sido o forte da rede varejista. O GPA tornou-se um triturador de CEOs: Santoro é o quinto ocupante do cargo nos últimos sete anos.

Varrer a casa, arrumar as camas, fazer o café da manhã, alimentar os filhos, ajudar pais idosos, auxiliar crianças no dever de casa, jantar, lavar a louça e, finalmente, dormir para, no dia seguinte, começar tudo de novo.

O gênero de quem realizou todas essas tarefas, embora não se tenha mencionado, é provável que a imagem formada tenha sido de uma mulher.

Não é por acaso: em 2022, as mulheres dedicaram, em média, 21,3 horas semanais aos afazeres domésticos e ao cuidado de outras pessoas, enquanto homens dedicaram 11,7 horas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Ou seja: são elas que passam a maior parte do tempo cuidando.

Pesquisadoras nacionais avaliam que o Brasil atravessa uma transição demográfica profunda e inevitável. De um lado, a taxa de fecundidade vem caindo rapidamente; de outro, a população envelhece em ritmo acelerado. Dados do Censo 2022 mostram que o país atingiu a menor taxa de fecundidade já registrada: em média, 1,6 filho por mulher.

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CAMPO GRANDE

Crianças voltam a passar mal, reclamam da merenda e citam 'quadrado da disciplina'

Pais reclamam de falta de transparência em escola municipal integral e acusam e acusam corpo gestor de dificultar acesso a informações e respostas

05/09/2026 16h30

Estudante da E.M. Prof. Hilda de Souza Ferreira diz ter sido colocada em

Estudante da E.M. Prof. Hilda de Souza Ferreira diz ter sido colocada em "quadrado da disciplina", onde ficaria "até aprender a ler e escrever". Semed ainda não se manifestou. Marcelo Victor/Correio do Estado

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Mais uma vez estudantes colégio municipal que oferece estudo em tempo integral em Campo Grande, que fica localizado no  número 28 da rua Mangabeira, no bairro Coophatrabalho, voltaram a reclamar do aspecto da merenda ofertada para as crianças, com pais que reclamam da falta de transparência relatando episódios de vômito, até um suposto caso de "quadrado da disciplina".

Parte da Rede Municipal de Ensino (Reme) da Capital, esse colégio, vale lembrar, é o mesmo em que os alunos relataram ter recebido 'merenda podre' na última semana de aula antes do recesso escolar neste ano. 

Com os pais denunciando o ocorrido antes das férias escolares, a Secretaria Municipal de Educação (Semed) relatou ao Correio do Estado não ter ficado ciente, até então, de qualquer registro oficial junto à unidade escolar ou aos setores competentes desses casos que haviam acontecido cerca de uma semana antes e foram amplamente divulgados pela mídia.

Vídeos em denúncia passaram a circular nas redes sociais, onde aparentemente uma dessas alunas da unidade, com uniforme da Reme, relata ter percebido durante a merenda que o macarrão que comia estaria com cheiro e gosto azedos. Relembre: 

Agora, conforme relato recente dos pais, há novos alunos com episódios de vômito após afirmarem terem comido frutas impróprias para o consumo na escola. "Comeu a ponkan e foi justamente o que vomitou aqui em casa", diz. 

Os pais indicam que a última visita da Semed na escola teria ocorrido em 28 de agosto. Em relato, um desses responsáveis conta que esteve presente para uma reunião e pediu para almoçar no local. 

Relatando ter encontrado uma comida "sem graça", um feijão aguado e uma galinhada de arroz com frango que estariam "papa", é descrito que na ocasião não havia cheiro, gosto ou aspecto de estragado na comida. 

"Mas sinceramente, se eu fosse comer aquilo todo dia ia me sentir em um hospital, porque é sem graça demais", cita. 

Em complemento, porém, é ressaltada uma suspeita que foi dita como confirmada com relação aos pratos e talheres usados pelos estudantes, que estariam "ensebados" e já com "gosto de plástico velho". 

"Quadrado da disciplina"

Nesta última semana pais de alunos da Escola Municipal Hilda de Souza Ferreira voltaram a reclamar sobre os ocorridos na unidade, que escutam de seus próprios filhos, uma vez que esses responsáveis ainda alegam ter dificuldade ao buscarem respostas e explicações junto à direção e coordenação do colégio. 

Com medo de sofrer mais represálias, as mães e pais que preferem não se identificar descrevem alguns ocorridos com seus filhos segundo o que escutam das próprias crianças. 

Um desses responsáveis afirma que sua criança disse ter ido parar em um "quadrado da disciplina". Como é descrito, uma das docentes da E.M. Hilda de Souza teria feito um quadrado onde foram colocados alguns dos alunos. Ao questionar, disse a uma das crianças que essa estaria ali por "não saber ler". 

Em seguida, quando foi questionada sobre quanto tempo deveria passar ali, a criança teria escutado diante dos demais colegas que iria permanecer no quadrado "até aprender a ler e escrever". 

De forma recorrente os pais têm reclamado sobre a unidade. Segundo eles, a escola é "mascarada" para receber as visitas feitas pela Semed, com essas intercorrências voltando a acontecer conforme os dias vão passando. 

Esses responsáveis citam que há uma sobrecarga sobre o time de merendeiras, que na verdade até então seria composto de apenas uma profissional e que os colaboradores estariam em falta. 

Além disso, os pais alegam não terem ciência de como estão as questões de higiene no local, e temem por não terem retorno do corpo gestor, por exemplo, sobre como pode estar a situação da caixa d'água da escola. 

Da última vez que foi procurada, a Pasta da Educação de Campo Grande afirmou que a alimentação escolar na Rede Municipal segue protocolos rigorosos de recebimento, armazenamento, preparo e distribuição, com acompanhamento técnico permanente.

Além disso, eles reforçam que é feita apuração "com a devida seriedade sempre que há qualquer relato de possível não conformidade", adotando as medidas cabíveis caso necessário. 

A Semed foi novamente consultada, para apontar quantas profissionais estão responsáveis pela merenda na unidade, bem como sobre a confirmação da existência desse "quadrado da disciplina" e qual a postura diante da onda crescente de reclamações. Até o fechamento desta matéria não houve retorno. 

 

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FIM DAS PARCELAS

Estado suspende descontos do Credcesta na folha dos servidores

Parcelas do cartão ligado ao Banco Master não foram descontadas do salário de agosto; convênio com a PKL One havia sido renovado em março de 2025 e seguia válido mesmo depois de o BC liquidar o Master e o Pleno

05/09/2026 14h52

Agência do Credcesta no Centro de Campo Grande

Agência do Credcesta no Centro de Campo Grande Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Dois meses e meio depois de o Correio do Estado revelar que o Governo de Mato Grosso do Sul mantinha em vigor um convênio com a operadora do cartão Credcesta, produto do Banco Master, os servidores estaduais deixaram de ter as parcelas descontadas em folha. 

O deputado estadual Pedro Kemp (PT), autor de projeto que pedia a suspensão das parcelas, e a Secretaria de Estado de Administração (SAD) informaram que os valores devidos à PKL One Participações S.A., empresa que consta no eConsig como consignatária dos contratos do Credcesta, não foram retirados do salário de agosto.

A reportagem publicada em 22 de junho mostrou que o Estado autorizou, desde março de 2023, uma empresa que não consta na lista de instituições financeiras reguladas pelo Banco Central a acessar o sistema estadual de consignações, e que mais de 500 ações tramitavam no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) contra a PKL One, a maioria movidas por servidores aposentados e idosos que relatavam descontos que não amortizavam a dívida, ausência de contratos e falta de resposta da empresa.

Em um dos casos, uma aposentada com renda líquida de R$ 1.404,91 tinha R$ 700,02 consumidos por dois cartões todo mês.

No dia seguinte, 23 de junho, o deputado estadual Pedro Kemp (PT) protocolou na Assembleia Legislativa o Projeto de Lei 88/2026, que determina a suspensão de todos os descontos em folha decorrentes de cartão de crédito consignado e de empréstimos consignados vinculados ao Credcesta, ao Banco Master e a empresas coligadas. 

A justificativa do projeto cita expressamente a reportagem do Correio do Estado e afirma que a proposta "apenas retira, temporariamente, o privilégio da cobrança automática na folha de pagamento até que sejam esclarecidas a legitimidade da consignação e a regularidade dos contratos". 

O PL abrange servidores ativos, aposentados e pensionistas da administração direta, autárquica e fundacional e continua em tramitação; no início de julho, Kemp cobrou do Executivo uma medida administrativa mais rápida do que a votação do projeto.

Mudanças ainda sem explicação

Segundo a Administração, os descontos teriam sido interrompidos porque a PKL One deixou de manter contrato com a empresa terceirizada que opera o sistema de consignados dos servidores estaduais.

Enquanto o impasse contratual não for resolvido, os valores continuarão fora da folha. A dívida, porém, não desapareceu: empréstimos e parcelas contratados seguem válidos, e o que está suspenso é apenas o desconto automático no contracheque.

A suspensão se soma a uma restrição anterior. Desde julho deste ano uma resolucao da SAD proíbe o credenciamento de novas empresas de consignado.

A medida “Institui Grupo de Trabalho para estudo e apresentação de propostas de medidas para combate ao superendividamento de servidores públicos do Poder Executivo do Estado de Mato Grosso do Sul em decorrência de consignações em folha de pagamento".

O credenciamento da PKL One, no entanto, nunca foi cancelado.

Convênio renovado com o banco já sob suspeita

O ponto central da denúncia jornalística foi a renovação do credenciamento. O primeiro convênio, o de nº 9/2023, foi assinado em 1º de março de 2023 pela então secretária de Administração, Ana Carolina Araujo Nardes, e pela representante da PKL One, Ana Paula de Almeida Pithon, e publicado no Diário Oficial do Estado em 14 de março daquele ano. 

O documento identificou a empresa como "Banco PKL One Participações S.A.", denominação que não corresponde a nenhuma autorização do Banco Central.

Em 11 de março de 2025, a SAD assinou o Convênio nº 5/2025, renovando o credenciamento até 10 de março de 2027, com as assinaturas do secretário Frederico Felini, de Ana Paula de Almeida Pithon e de Andrea Lima Novaes. 

A renovação ocorreu quando o Banco Master já estava sob cerco do próprio Banco Central: em resposta ao Tribunal de Contas da União, o BC informou que sua fiscalização identificava vulnerabilidades no Master desde 2023, quando detectou indícios de fraude comunicados ao Ministério Público, e que ao longo de 2024 e 2025 impôs restrições à captação, exigiu aportes de capital e rejeitou operações por problemas na origem dos recursos. 

Nos tribunais, o histórico de ações de servidores contra o Credcesta já estava documentado. Na Bahia, onde o produto nasceu em 2018 com autorização exclusiva do governo estadual, o Tribunal de Justiça acumula mais de 10 mil processos.

Oito meses depois da renovação, em 18 de novembro de 2025, o BC decretou a liquidação extrajudicial do Master, citando "grave crise de liquidez" e "violações às normas" do sistema financeiro. A operação do Credcesta migrou para o Banco Pleno, do empresário Augusto Lima, ex-sócio do Master, liquidado em 18 de fevereiro de 2026. Com os dois bancos sob intervenção federal, os descontos na folha do Estado continuaram por mais seis meses.

Investigação em vários estados

O Credcesta não é um problema restrito a Mato Grosso do Sul. Segundo o balanço do Master de 2024, o produto operava em 24 estados e 176 municípios, sempre por meio de convênios de consignação em folha com governos e prefeituras. 

A nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em 18 de junho de 2026 com autorização do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, cumpriu 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, em São Paulo e em Brasília e teve como foco justamente as suspeitas de fraude no Credcesta, com alvos como o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o empresário Augusto Lima. 

A investigação apura ainda a venda de R$ 12,2 bilhões em operações de crédito do Master ao Banco de Brasília (BRB), com contratos do Credcesta entre os ativos negociados. No Rio de Janeiro, projeto semelhante ao de Kemp foi apresentado na Assembleia Legislativa, e o Governo do Paraná foi o primeiro a bloquear os descontos do Credcesta em folha logo após a liquidação do Master.

Em Campo Grande, a PF chegou ao caso Master por outra porta. Em 25 de agosto, a Operação Presciência cumpriu seis mandados de busca e apreensão na sede do Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande (IMPCG), no gabinete e na residência da vice-prefeita Camila Nascimento, que presidiu o instituto até abril de 2024. 

A investigação apura suspeitas de gestão temerária e corrupção na aplicação de R$ 1,2 milhão do regime próprio de previdência dos servidores municipais em letras financeiras do Master, a partir de auditoria do Ministério da Previdência.

A operação não trata do Credcesta, mas mostra que o escândalo alcançou o Estado por duas vias: os investimentos das previdências municipais e o crédito consignado descontado do salário dos servidores estaduais.

No Judiciário sul-mato-grossense, a conta subiu. Consulta aos sistemas do tribunal mostra que as ações envolvendo a PKL One e o Banco Master já passam de mil. Uma delas, movida pela Federação Sindical dos Servidores Públicos Estaduais e Municipais (Feserp), pedia que o Estado e a Prefeitura de Campo Grande suspendessem os repasses ao Master e ao Credcesta, mas foi rejeitada pela 2ª Vara de Direitos Difusos da Capital por falta de legitimidade da entidade para representar todos os servidores atingidos. 

O que a Justiça negou à federação acabou acontecendo pela via administrativa, e por um motivo que a SAD atribui à própria PKL One.

 

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