Cidades

Entrevista

"A partir do momento que o contrato for realinhado, a gente volta a operar normalmente"

A presidente da Santa Casa no triênio 2023-2025 conversou com o Correio do Estado sobre os desafios e os problemas enfrentados durante o período

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A Santa Casa de Campo Grande enfrenta desafios significativos, desde a suspensão de cirurgias eletivas e o atendimento focado apenas no pronto-socorro até a falta de realinhamento contratual com o município.

Em entrevista ao Correio do Estado, a presidente da instituição, Alir Terra Lima, abordou temas como o impacto da crise financeira, a necessidade de novos leitos hospitalares e a disputa judicial envolvendo um repasse de R$ 47,7 milhões

Ela também comentou sobre a possível criação de um hospital municipal e os efeitos da superlotação na unidade. 

A suspensão de alguns serviços, como as cirurgias eletivas e os atendimentos de especialidades médicas, afeta de alguma forma a ala privada? 

Não, não afeta em nada, porque são coisas diferentes.

Qual o porcentual de atendimentos feitos na Santa Casa entre privados e públicos?

O [atendimento] privado é muito pequeno, porque são os convênios que a gente atende. E os convênios, eles não têm grandes acidentes, é raríssimo. É uma coisa muito rara. Até porque as pessoas que pagam os convênios são pessoas mais idosas e os jovens não usam tanto. Então, a proporção [de atendimento particular] é ínfima, não dá 3%. 

A área privada é mais atendimento de rotina, criança que está com febre ou alguma outra questão em relação à programação de médicos que já trazem o paciente. 

Em relação à intenção da prefeitura de criar um hospital municipal, qual é sua visão sobre isso? De alguma forma ajudaria a Santa Casa nessa questão de superlotação de pacientes?

Olha, o que eu tenho que falar é que na cidade falta leitos porque faz tempo que não foram feitos [novos leitos]. Fazer alguma consideração a respeito da gestão do município não é próprio para nós, até porque somos uma instituição filantrópica.

Sim, mas você vê essa possibilidade de um hospital municipal ajudar na questão da superlotação, de o pronto-socorro ir para o hospital municipal?

Mas eu não sei como eles vão fazer esse hospital, essa que é a questão. A única coisa que nós podemos falar é que o estado de Mato Grosso do Sul, como ocorre com o governo do Estado, que está aumentando leitos criados nos hospitais, é sempre muito bom, assim como a vinda de mais leitos. Agora, a forma como vai ser feito, a gente não tem como falar. 

Quanto aos pacientes, além de atender o município, a Santa Casa acaba atendendo pessoas de outros estados. Com relação a esse fluxo de pacientes de outros estados, também acaba gerando superlotação ou uma carga maior de atendimentos para o hospital? 

Aquilo que a gente atende é tudo regulado pela Sesau [Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande]. Ninguém entra direto aqui na Santa Casa, é isso que a população precisa entender. Se uma pessoa chegar aqui de algum lugar e apresentar uma carteirinha do SUS e vier direto, a gente não atende. Tudo é regulado pela Sesau. 

Então, nós não temos o poder de atender pessoas que não sejam reguladas pelo município, porque ele é o gestor pleno da Saúde. As pessoas que a gente atende sem regulação são pela via privada. E não tem nenhuma interferência para nós, porque tudo é regulado pelo município, não é regulado pela Santa Casa. 

Para retomar esses atendimentos suspensos das eletivas, o que precisa ser feito? 

O realinhamento do contrato e o pagamento dos médicos. A partir do momento que o contrato for realinhado, com tudo certinho, a gente vai poder cumprir nossas obrigações e voltar a operar normalmente. 

Com relação aos recursos, como é vista a questão do repasse do dinheiro do município e do Estado? É o suficiente para a gestão ser feita da maneira correta? Como você analisa o montante que é recebido do poder público pelo hospital? 

Não é repasse, é pagamento de serviço. O município é o gestor pleno da Saúde, quem recebe o repasse do governo federal e do governo estadual é o município. E aí ele contratualiza com a Santa Casa. A tabela praticada, que foi aprovada pelo governo federal, é de 2008. Ela foi promulgada em 2008, então, essa tabela é muito defasada. E o contrato com o município faz dois anos que não tem o realinhamento. 

Mas nós temos várias obrigações em relação ao dissídio coletivo, os funcionários têm direito ao aumento de salário em todas as áreas, médico, enfermeiro e as partes que são multiprofissionais. Houve uma inflação do remédio no período. Temos muitos materiais que são importados, que são fornecidos para a Santa Casa, como próteses, que as empresas fornecem e importam, e o dólar também subiu. Então, hoje, o valor do contrato com o município é insuficiente. Além da base de 2008, o contrato está há dois anos sem sofrer realinhamento. Por isso que ele é insuficiente. 

Houve um ofício da Santa Casa informando ao município sobre o resultado de um processo de R$ 47,7 milhões no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. O que seria esse valor e qual o motivo do processo?

Na época da pandemia de Covid-19, o governo federal disponibilizou para todos os hospitais do Brasil um determinado valor. Aqui em Campo Grande, à época, o valor foi repassado para a Santa Casa, e naquela época não se exigia metas. O município de Campo Grande, na época, expediu uma resolução, por meio do secretário de Saúde, repassando o dinheiro para a Santa Casa, mas com a exigência de metas. E a lei federal não falava na exigência de metas.

Nós recebemos só 50% do valor enviado. Tentamos administrativamente e foi negado. Aí, o nosso jurídico entrou judicialmente e nós nos sagramos vencedores, pois tínhamos de ter recebido tudo. Então, com a correção, todo esse valor chegou a esse montante, que estamos esperando o fim da ação para que esse dinheiro seja disponibilizado para a Santa Casa de Campo Grande. 

Esse valor é importante para nós e gostaríamos de ter a oportunidade de receber o mais rápido possível. Enviamos o relatório para o município já ficar ciente de que é uma coisa que vai ajudar muito a população, porque todo o dinheiro que entra aqui é para o cuidado da população.

Há um outro valor sendo cobrado da administração municipal que deixou de ser pago para a Santa Casa, não é mesmo?

O governo do Estado colocou um valor de R$ 2 milhões, e o município colocou R$ 1 milhão. O que aconteceu é que mudou a gestão, e o Estado, como disse que ia organizar isso, continuou pagando, mas o município retirou esse R$ 1 milhão. Com isso, nesse período de lá até aqui, acabamos ficando com esse deficit da retirada desse valor. 

Como está a dívida da Santa Casa com os bancos? O pagamento de empréstimos abocanha qual porcentual dos repasses? 

Olha, o que acontece é o seguinte, já desde muitas gestões atrás, quando a Santa Casa entra nessa questão do deficit – que não é um privilégio da Santa Casa, pois o Brasil inteiro está assim –, o que acontece é que a Santa Casa recorreu a empréstimos bancários para manter o serviço. E é óbvio que o banco cobra juros e esse deficit vai aumentando. 

Porque, em um momento desse, por exemplo, o que a gente vai fazer para atender a população? A gente recorre a empréstimo bancário, porque somos filantrópicos. E para nós é muito doído ver que não temos condições de atender a população. Então, a gente atende urgência e emergência e resolve a questão como a gente consegue resolver. 

Como está a situação do Colégio Oswaldo Cruz? Como a crise financeira da Santa Casa afeta os planos para a unidade? O que será feito lá?

Não, não afeta. Porque o Colégio Oswaldo Cruz foi uma doação do professor Luiz Alexandre de Oliveira para a Santa Casa e na escritura dessa doação já consta que era para ser uma unidade de educação. E a Santa Casa desde sempre tem a Escola da Saúde, que só foi mudando o estilo dela. Ela simplesmente vai ser transferida para lá. 

A reforma de do Colégio Oswaldo Cruz foi feita com uma ação que a Santa Casa ganhou ainda na época da intervenção. Então, foi recebendo o dinheiro e o dinheiro foi aplicado lá, porque, pela lei, esse dinheiro tinha que ser aplicado lá para a restauração dele [Colégio Oswaldo Cruz]. Só está faltando a parte do estacionamento, tudo para escola ir para lá. 

PERFIL

Alir Terra Lima 

Perita judicial, formada em Direito, com especialização em Mediação e Direito Canônico – Intel/UCDB, pós-graduação em Direito do Estado e formação em Gestão de Redução de Custo para a Eficiência na Gestão e Práticas forenses pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). 

Foi coordenadora da Secretaria Judiciária do Tribunal Regional Eleitoral do Estado de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) por 3 anos, assessora-chefe da Corregedoria do TRE-MS por 14 anos, diretora-geral do TRE-MS por 10 anos, assessora parlamentar da Câmara dos Deputados por 2 anos e assistente da Secretaria de Administração e Orçamento, aposentando-se como funcionária pública federal. Atuou também como vice-presidente da Associação Beneficente de Campo Grande Santa Casa na gestão 2020-2022, sendo eleita presidente para a gestão 2023-2025. Coordena ações na gestão de RH, no departamento jurídico e no Plano Santa Casa Saúde.

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TRÂNSITO

Dois motociclistas morrem em acidentes no sul do Estado

Colisões ocorreram entre a noite de domingo (28) e a madrugada desta segunda-feira (29), nas rodovias BR-163 e MS-156

29/06/2026 10h30

Acidentes registrados na BR-163 e na MS-156 deixaram dois motociclistas mortos em menos de 24 horas na região de Dourados

Acidentes registrados na BR-163 e na MS-156 deixaram dois motociclistas mortos em menos de 24 horas na região de Dourados Divulgação / Dourados News

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Duas pessoas morreram em acidentes envolvendo motocicletas registrados em menos de 24 horas na região de Dourados. As ocorrências aconteceram entre a noite de domingo (28) e a madrugada desta segunda-feira (29), nas rodovias BR-163 e MS-156. 

A vítima mais recente foi identificada como Paulinho Pereira de Moraes, de 31 anos. Ele morreu na manhã desta segunda-feira (29), após bater a motocicleta na traseira de uma carreta parada na MS-156, entre os municípios de Itaporã e Dourados, nas proximidades da pedreira. 

O acidente aconteceu por volta das 5h40. Conforme informações do portal Dourados News, Paulinho seguia no sentido Itaporã-Dourados quando atingiu o veículo de carga, que apresentava problemas mecânicos e permanecia estacionado na pista desde o domingo (28). 

Relatos iniciais apontam que a carreta estaria com sinalização insuficiente, circunstância que será apurada pelas autoridades. Com o impacto, o motociclista sofreu ferimentos graves e morreu ainda no local, antes da chegada do socorro. 

Equipes da Polícia Militar Rodoviária, da Polícia Civil e da Perícia Técnica atenderam a ocorrência. A investigação deverá esclarecer se a carreta estava devidamente sinalizada, conforme determina a legislação de trânsito.

O outro acidente ocorreu no fim da noite de domingo (28), na BR-163, nas proximidades do prolongamento da Avenida Marcelino Pires, em Dourados.

A vítima foi identificada como Maxisandro Franco, de 49 anos, proprietário de uma loja de motocicletas localizada no Jardim Água Boa. Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), ele conduzia uma motocicleta pela rodovia quando foi atropelado por uma caminhonete. 

Maxisandro não resistiu aos ferimentos e morreu no local. Além da PRF, equipes da Polícia Militar, da Polícia Civil e da Perícia Técnica estiveram na rodovia para atender a ocorrência e iniciar os levantamentos que irão apontar as circunstâncias do acidente.

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Exército Brasileiro

Inscrições para alistamento feminino encerram amanhã

Mulheres que desejam se alistar ao Exército Brasileiro podem realizar a inscrição presencialmente ou remotamente

29/06/2026 09h30

2ª turma de soldados mulheres do Exército Brasileiro será incorporada em março de 2027; alistamento vai até amanhã

2ª turma de soldados mulheres do Exército Brasileiro será incorporada em março de 2027; alistamento vai até amanhã Arquivo Correio do Estado / Marcelo Victor

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Para as meninas que completam 18 anos em 2026 e desejam fazer parte do Exército Brasileiro, as inscrições para alistamento voluntário vão até amanhã, 30 de junho. Após o fim de todas as etapas de seleção, está será a segunda turma de mulheres soldados incorporadas ao Exército Brasileiro.

O alistamento destina as soldados para servir em Organizações Militares do Comando Militar do Oeste (CMO), em Campo Grande, no âmbito da 9ª Região Militar.

As interessadas devem realizar a inscrição presencialmente na Junta de Serviço Militar do município, localizada na  Rua Antônio Maria Coelho, n. 300, na Vila Planalto, ou online, no site alistamento.eb.mil.br.

No início de julho, quando encerrar o período de inscrições, começará a etapa de seleção geral, em que as meninas inscritas passarão pela primeira inspeção de saúde do processo. Nesta seleção, elas irão passar por exames médicos, dentários e receberão orientações sobre o exército.

De acordo com as informações as jovens saberão no mesmo dia se são consideradas aptas ou inaptas.

Esta avaliação acontecerá do próximo mês a janeiro de 2027, na Comissão Permanente de Seleção das Forças Armadas, localizada na Rua General Nepomuceno Costa, nº 168, Vila Alba.

As demais etapas acontecerão ao longo deste ano e início do próximo, divididas da seguintes forma:

1ª etapa
> Alistamento voluntário - 1º de janeiro a 30 de junho de 2026;

2ª etapa
> Seleção geral - julho de 2026;

3ª etapa
> Seleção Complementar - fevereiro de 2027;

4ª etapa
Designação - março de 2027.

A partir de fevereiro ocorrerá a Seleção Complementar, composta por uma nova entrevista e avaliação médica. Por fim, em março ocorre a seleção final e incorporação das soldados às fileiras do Exército Brasileiro, e a designação para as Oranizações Militares.

A previsão é de incorporar 99 mulheres ao Exército Brasileiro em março de 2027.

Carreira militar

Após integrar ao Exército Brasileiro, as voluntárias iniciam na graduação de soldado e durante o período de serviço podem participar de processos internos, com cursos de formação que permitem evoluir na carreira militar. Elas podem chegar até a patente de 3º sargento no serviço militar temporário.

Por ser uma experiência com período limitado, as voluntárias não possuem garantia de estabilidade no serviço militar. Ao fim do serviço ativo, as militares passam a compor a reserva não remunerada das Forças Armadas, conforme previsto na legislação militar vigente.

Quanto a remuneração, o valor é equivalente a um salário-mínimo (R$ 1.621,00), acrescido de vale-transporte, adicionais e outros benefícios militares.

Segunda turma

As inscrições que vão até o dia 30 de junho é para o alistamento e formação da segunda turma de soldados mulheres do Exército Brasileiro. Anteriormente, só era possível uma mulher ingressar nas Forças Armadas como militares de carreira, mediante aprovação em concurso público, ou como militares temporárias, por meio de seleção conduzida pelas Regiões Militares.

A primeira turma iniciou o processo seletivo em 2025, com 586 candidatas. No total 99 incorporaram às fileiras em março deste ano. O período de instrução encerrou em maio, com as atividades de resistência física, disciplina, espírito de corpo e superação.

As soldados foram incorporadas no Hospital Militar de Área de Campo Grande (H Mil A CG), no Colégio Militar de Campo Grande (CMCG) e na Base de Administração e Apoio do Comando Militar do Oeste (B Adm Ap/CMO).

Até 2030, o Exército Brasileiro pretende alcançar 20% do público feminino no serviço militar inicial.

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