Cidades

Entrevista

"A recusa familiar à doação está em torno de 60% entre as famílias entrevistadas"

A coordenadora da Central Estadual de Transplantes afirma que desconhecimento sobre a vontade do paciente ainda é um dos principais motivos para a negativa dos familiares

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À frente da Central Estadual de Transplantes de Mato Grosso do Sul (CET-MS), Claire Carmen Miozzo acompanha de perto os desafios para ampliar a doação de órgãos, reduzir a fila de espera e aumentar o número de procedimentos realizados no Estado. 

Em entrevista exclusiva ao Correio do Estado, ela falou sobre a situação atual da fila por transplantes, a recusa familiar à doação, os critérios de prioridade, os avanços registrados neste ano e os principais obstáculos enfrentados pelas equipes de saúde.

Claire também destacou a importância de as pessoas manifestarem ainda em vida aos familiares o desejo de serem doadoras, já que a autorização da família continua sendo indispensável para a efetivação da doação no Brasil.

Segundo ela, o acolhimento das famílias e a compreensão sobre o diagnóstico de morte encefálica são fatores decisivos para aumentar o número de doadores.

Atualmente, MS tem 811 pacientes na fila de espera por transplantes – 308 pacientes na espera por um transplante de rim, 484 pacientes na espera por um transplante de córnea e 19 pacientes na espera por um transplante de fígado.

Ao mesmo tempo, o Estado registra avanço nos procedimentos, especialmente nos transplantes renais, que chegaram a 103 procedimentos entre janeiro e agosto deste ano.

Na entrevista, Claire detalha ainda como funciona a captação de órgãos no interior, quais transplantes já são realizados em MS e o que ainda precisa avançar para que mais pacientes tenham acesso ao procedimento.

Em abril, MS tinha 846 pessoas aguardando por um transplante. Qual é o número atualizado da fila e por que ela continua crescendo apesar do aumento dos procedimentos?

Atualmente, nós temos 811 pacientes na lista de espera por transplantes em MS. Desse total, 308 pacientes aguardam por um transplante de rim, 484, por córnea e 19, por fígado. Esse número está abaixo dos 846 pacientes registrados em abril. 

A lista varia constantemente porque, ao mesmo tempo em que realizamos transplantes e retiramos pacientes da fila, também recebemos novos pacientes que passam a ter indicação para o procedimento.

Quanto tempo, em média, um paciente espera por transplantes de rim, córnea, fígado e pâncreas no Estado? Há pessoas que morrem antes de receber o órgão?

O tempo de espera varia bastante porque são vários os fatores que influenciam um transplante de órgãos e tecidos. 

Isso depende muito da quantidade de doadores que nós temos, dos tipos sanguíneos desses doadores, da idade e das características de cada órgão ou tecido.

Por isso, não existe um tempo único de espera. Esse período varia de órgão para órgão e também no caso das córneas, de acordo com as características de cada paciente e com a disponibilidade de doadores compatíveis.

Quais critérios definem a posição do paciente na fila e em quais situações alguém pode receber prioridade?

Os critérios são específicos para cada modalidade de transplante e dependem da avaliação médica e do cumprimento dos requisitos necessários para que o paciente seja incluído na lista. 

As prioridades também são definidas de acordo com o órgão ou tecido e seguem os critérios estabelecidos no regulamento técnico do Sistema Nacional de Transplantes, previsto na Portaria do Ministério da Saúde nº 8.041, de 25 de setembro de 2025, que estabelece a Política Nacional de Doação e Transplante.

Em 2024, a recusa familiar à doação chegava a aproximadamente 70% em MS. Esse índice diminuiu e quais são os principais motivos apresentados pelas famílias?

Atualmente, nós ainda temos uma recusa familiar alta. A recusa familiar à doação está em torno de 60% entre as famílias entrevistadas em MS. 

Apesar disso, percebemos uma mudança nesse cenário e um aumento na aceitação da doação de órgãos e tecidos.

O principal motivo apresentado pelas famílias é o desconhecimento sobre a vontade da pessoa que morreu, se ela tinha ou não o desejo de ser doadora.

É por isso que nós insistimos tanto na importância de conversar com a família e deixar claro, ainda em vida, que a pessoa deseja ser doadora. 

Na prática, comunicar à família o desejo de ser doador ainda é mais importante do que registrar essa vontade em documento ou na Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos?

Sim. No Brasil, a legislação estabelece o consentimento familiar. A família precisa autorizar a doação mediante duas testemunhas. 

Por isso, mesmo que a pessoa manifeste formalmente em vida o desejo de ser doadora, o mais importante é conversar com a família e deixar essa vontade muito clara.

No momento da doação, nós vamos precisar da autorização familiar para que o processo possa ser realizado.

Quais são os principais mitos e receios manifestados pelas famílias, especialmente em relação ao diagnóstico de morte encefálica e à retirada dos órgãos?

Para nós, um dos pontos mais importantes é garantir que a família não tenha nenhuma dúvida em relação ao diagnóstico de morte encefálica.

Ela precisa ser bem acolhida durante todo o período de internação e estar sempre sendo informada sobre o que está acontecendo com o familiar que se encontra em uma situação grave. Esse esclarecimento é fundamental. 

A família precisa compreender cada etapa do processo, principalmente o diagnóstico de morte encefálica, para que tenha segurança sobre tudo o que está sendo feito pela equipe de saúde.

Mato Grosso do Sul realizou 368 transplantes em 2025. Os números deste ano indicam um novo crescimento e quais procedimentos mais avançaram?

Nós já tínhamos avançado em relação aos anos anteriores no número de transplantes e, neste ano, também estamos tendo um crescimento importante. 

O principal avanço neste ano está no transplante renal. Até o fim de agosto, nós já realizamos 103 transplantes de rim em MS, o que mostra um desempenho bastante significativo nessa modalidade.

Quais transplantes já podem ser realizados em MS e quais ainda obrigam os pacientes a procurar tratamento em outros estados?

Hoje, nós realizamos em MS transplantes de rim, fígado, pâncreas, tecido musculoesquelético, medula e córnea.

Quando o paciente necessita de um procedimento que ainda não é realizado no Estado, como transplante de coração ou pulmão, ele é encaminhado para centros transplantadores de outros estados que estejam habilitados para realizar esse tipo de procedimento.

Como funciona a captação de órgãos em cidades do interior e quais dificuldades de distância, transporte e estrutura hospitalar podem impedir o aproveitamento de uma doação?

Nós acompanhamos todo o processo de captação de órgãos no Estado, inclusive nos municípios do interior. 

Quando há um diagnóstico de morte encefálica em um hospital do interior e a família autoriza a doação, nós acompanhamos esse processo, providenciamos o transporte do material biológico necessário para a realização dos exames e também solicitamos o transporte das equipes responsáveis pela retirada dos órgãos até o hospital onde está o doador. 

Toda essa logística é muito importante porque os procedimentos precisam ser realizados dentro dos prazos adequados para que os órgãos possam ser aproveitados e transplantados com segurança.

O que precisa mudar para reduzir a fila de espera: maior conscientização das famílias, ampliação das equipes, novos hospitais habilitados ou mais investimentos em logística?

Nós precisamos, principalmente, aumentar o número de doadores, mas esse também é um processo no qual estamos avançando. 

As famílias são extremamente solidárias. O que elas precisam é ser acolhidas adequadamente dentro dos hospitais e estar bem informadas sobre o que é um diagnóstico de morte encefálica. 

O transplante depende da solidariedade de uma família em doar os órgãos e as córneas de seu ente querido.

Essa decisão acontece em um momento de muita dor e tristeza, por isso é tão importante que as famílias estejam bem acolhidas e que já tenham, de alguma forma, conhecimento sobre a vontade daquela pessoa em relação à doação. 

Hoje, nós temos equipes habilitadas, temos hospitais e temos uma estrutura que já nos permite realizar mais transplantes e mais captações. Avançamos bastante, mas ainda temos muito o que conquistar.

{ PERFIL }

Claire Carmen Miozzo

Farmacêutica-bioquímica e sanitarista, ela tem ampla experiência na área de transplantes. Atua na Central Estadual de Transplantes de Mato Grosso do Sul (CET-MS) desde 2003, onde exerce a função de coordenadora.

Ao longo de mais de duas décadas, desenvolveu atuação voltada à organização, coordenação e acompanhamento das atividades relacionadas à doação e ao transplante de órgãos e tecidos.

1.050 m²

Campo Grande terá o primeiro templo mórmon no Carandá Bosque

Atualmente, Capital tem apenas capelas; Templo será erguido em terreno de 22,7 mil metros quadrados, com área construída de 1.050 m²

14/10/2026 18h17

Templo terá cerca de 1.050 metros quadrados de área construída

Templo terá cerca de 1.050 metros quadrados de área construída Foto: Divulgação / A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias

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Campo Grande terá o primeiro templo da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos. Conforme divulgado pela Primeira Presidência da igreja em seu site oficial e redes sociais, o templo será construído no bairro Carandá Bosque.

O Templo de Campo Grande foi anunciado pelo Presidente da igreja, Russell M. Nelson, na Conferência Geral  no dia 6 de Abril de 2025. Agora, foram divulgados os projetos artísticos.

O projeto prevê a construção de um templo térreo com 1.050 metros quadrados, em terreno de aproximadamente 22,7 mil metros quadrados, localizado no cruzamento da Avenida Nelly Martins, Rua Cigana e Rua Rio Negro.

A Capital já possui capelas da instituição, onde os fiéis se reúnem para os cultos regulares. Os templos têm outra finalidade religiosa e são destinados a cerimônias específicas e, até então, não há nenhum em Campo Grande.

Não há informações sobre quando a obra será iniciada.

No Instagram, um perfil criado para o novo templo divulgou o projeto junto à seguinte mensagem: "A Igreja disponibilizou a apresentação artística do Templo de Campo Grande. Somos gratos pelas bençãos que temos recebido em nossa cidade!"

Além da nova igreja em Campo Grande, também foi divulgado o projeto de um templo em Goiãnia, a ser construído em um terreno de 22,4 mil metros quadrados, no bairro Faiçalville, com 1.750 metros quadrados de construção.

O Brasil tem aproximadamente 1,5 milhão de membros da Igreja, distribuídos em mais de 2 mil congregações.

Atualmente, há 12 templos em funcionamento em todo o País, e outros 13 foram anunciados ou estão em construção.

O templo é diferente das capelas, sendo considerado a Casa do Senhor, onde os ensinamentos de Jesus Cristo são reafirmados por meio do casamento, do batismo e de outras cerimônias que permitem que as famílias sejam unidas por toda a eternidade.

Templo terá cerca de 1.050 metros quadrados de área construídaTemplo será construído em terreno no Carandá Bosque

RIOS EM ALERTA

Chuvas elevam rios de MS e Miranda fica a 24 cm do nível de emergência

Levantamento do Imasul mostra aumento no nível de rios do Estado; Rio Miranda subiu 81 centímetros em dois dias e já ultrapassou a cota de alerta.

14/10/2026 18h01

Vista aérea do Rio Miranda, em Mato Grosso do Sul; nível das águas subiu 81 centímetros em dois dias e está a apenas 24 centímetros da cota de emergência.

Vista aérea do Rio Miranda, em Mato Grosso do Sul; nível das águas subiu 81 centímetros em dois dias e está a apenas 24 centímetros da cota de emergência. Foto: Álvaro Rezende/Governo de MS.

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O nível do Rio Miranda, em Mato Grosso do Sul, subiu 81 centímetros em apenas dois dias e está a somente 24 centímetros de atingir a cota de emergência. A situação é um dos principais pontos de atenção do monitoramento realizado pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), conforme boletim divulgado às 15h desta quarta-feira (14), em meio ao período de chuvas intensas que atinge diferentes regiões do Estado.

De acordo com o levantamento elaborado pela Sala de Situação do Imasul, o Rio Miranda alcançou 6,76 metros na medição realizada às 7h desta quarta-feira, ultrapassando em 76 centímetros a cota de alerta, estabelecida em 6 metros. O nível considerado de emergência é de 7 metros.

A elevação foi registrada de maneira consecutiva. Na segunda-feira (12), o rio estava em 5,95 metros, passando para 6,49 metros na terça-feira (13) e chegando aos atuais 6,76 metros. Somente nas últimas 24 horas, a alta foi de 27 centímetros.

O avanço das águas chama a atenção pela proximidade com o nível considerado crítico. Apesar disso, o boletim não informa a ocorrência de transbordamentos, famílias desalojadas ou danos provocados pela elevação do rio.

O monitoramento ocorre em um momento de instabilidade no tempo em Mato Grosso do Sul, com previsão de novas tempestades, rajadas de vento e possibilidade de acumulados superiores a 50 milímetros de chuva em 24 horas em determinadas localidades.

A preocupação das autoridades está relacionada à possibilidade de novas alterações nos níveis dos rios, especialmente nos pontos que já ultrapassaram ou se aproximam dos limites de alerta.

Rio Dourados também sobe e se aproxima da cota de alerta

Além do Rio Miranda, outros rios de Mato Grosso do Sul também registraram aumento no nível das águas nos últimos dias. Um deles é o Rio Dourados, que atingiu 2,85 metros nesta quarta-feira (14), ficando a apenas 25 centímetros da cota de alerta, estabelecida em 3,10 metros.

Vista aérea do Rio Miranda, em Mato Grosso do Sul; nível das águas subiu 81 centímetros em dois dias e está a apenas 24 centímetros da cota de emergência.
Rio Dourados registra elevação no nível das águas e chega a 25 centímetros da cota de alerta, conforme monitoramento do Imasul nesta quarta-feira (14). Foto: Reprodução Rede Social.

O comportamento das águas apresentou oscilações ao longo da semana. Na segunda-feira, o nível estava em 2,68 metros, recuando para 2,55 metros na terça-feira. Entretanto, na medição desta quarta-feira, houve uma recuperação de 30 centímetros em relação ao dia anterior.

Apesar do crescimento, o rio permanece abaixo do limite de alerta e distante da cota de emergência, fixada em 4 metros.

Situação semelhante foi observada no Rio Pardo, na estação de Fazenda Buriti. O nível passou de 4,45 metros na segunda-feira para 4,53 metros na terça e alcançou 4,61 metros nesta quarta-feira, representando um aumento de 16 centímetros em dois dias.

A medição mais recente permanece 69 centímetros abaixo da cota de alerta, estabelecida em 5,30 metros. O limite de emergência da estação é de 6,30 metros.

No Rio Piquiri, a estação de São José do Piquiri apresentou crescimento mais discreto, passando de 1,85 para 1,89 metro no mesmo período.

Mesmo com a elevação, o nível continua próximo da média histórica de outubro, calculada em 1,95 metro, e distante das cotas de alerta e emergência, estabelecidas em 5,20 e 5,80 metros, respectivamente.

Na estação de Pousada Taquari, também localizada no Rio Piquiri, as medições avançaram de 2,35 para 2,39 metros entre segunda e quarta-feira.

O resultado permanece abaixo da média histórica de outubro, de 2,75 metros. O Imasul também identificou que a média móvel do nível nessa estação está fora dos padrões considerados normais para o período.

Rio Paraguai registra elevação em três pontos do Pantanal

Na região do Pantanal, o Rio Paraguai também apresentou aumento no nível das águas nas três estações acompanhadas pelo boletim. Apesar disso, nenhuma delas atingiu as respectivas cotas de alerta.

Em Ladário, o rio alcançou 1,27 metro nesta quarta-feira, depois de permanecer em 1,25 metro nos dois dias anteriores. O nível segue distante do limite de alerta, estabelecido em 4,50 metros, e da cota de emergência, de 4,60 metros.

Na estação de Porto Esperança, o crescimento foi gradual. A medição passou de 60 centímetros na segunda-feira para 62 centímetros na terça e chegou a 65 centímetros nesta quarta-feira.

Nesse ponto, a cota de alerta é de 5 metros, enquanto o nível de emergência está estabelecido em 5,60 metros.

Já em Porto Murtinho, o Rio Paraguai atingiu 2,83 metros, após registrar 2,82 metros nos dois dias anteriores. A estação tem limite de alerta de 6,40 metros e cota de emergência de 7 metros.

Os dados de Porto Murtinho são obtidos por meio das informações disponibilizadas pela Marinha do Brasil.

Embora os três pontos apresentem tendência de elevação, as medições permanecem significativamente abaixo dos limites utilizados para identificar possíveis situações de risco.

O acompanhamento é importante porque o comportamento do Rio Paraguai varia ao longo de seu percurso e pode apresentar diferenças entre as localidades monitoradas, especialmente em razão das características do Pantanal.

Chuva acumulada ultrapassa 80 milímetros em áreas monitoradas

Além dos níveis dos rios, o boletim divulgado pelo Imasul apresenta informações sobre os volumes de chuva registrados em estações distribuídas pelo Estado.

Em Ladário, no Pantanal, foram contabilizados 80,2 milímetros de chuva nos últimos sete dias. Desse total, 34,4 milímetros ocorreram nas últimas 96 horas e 9 milímetros nas 24 horas anteriores à medição.

Na estação de Palmeiras, no Rio Aquidauana, o acumulado semanal chegou a 71,6 milímetros. Somente nas últimas 24 horas, foram registrados 21,6 milímetros.

Já em São Francisco, no Rio Paraguai, o volume acumulado alcançou 60,4 milímetros em sete dias, sendo 37,2 milímetros registrados nas últimas 96 horas.

Em Miranda, apesar da elevação expressiva do rio, a estação meteorológica registrou apenas 9,8 milímetros de chuva nos últimos sete dias, dos quais 0,4 milímetro ocorreu nas últimas 24 horas.

A diferença entre os volumes registrados e o comportamento dos rios mostra a importância de considerar não apenas as chuvas locais, mas também as condições das áreas que contribuem para a formação e a elevação dos cursos d'água.

Isso ocorre porque a água que chega a determinado trecho de um rio pode ter origem em precipitações registradas em outras localidades de sua bacia hidrográfica.

Rio Apa

Em Ponta Porã, na fronteira com o Paraguai, o volume de água acumulado durante a madrugada e a manhã de terça-feira provocou a elevação do Rio Apa, comprometendo a ponte localizada no Assentamento Boa Vista.

Vista aérea do Rio Miranda, em Mato Grosso do Sul; nível das águas subiu 81 centímetros em dois dias e está a apenas 24 centímetros da cota de emergência.

Ponte do Assentamento Boa Vista, em Ponta Porã, sofre danos após a elevação do nível do Rio Apa e é interditada pela Prefeitura. Foto: Reprodução.

 

Diante dos danos identificados na estrutura, a Prefeitura determinou a interrupção da passagem de veículos e pedestres como medida preventiva.

Servidores da Secretaria Municipal de Obras estiveram no local para avaliar as condições e impedir a circulação até que haja segurança para a utilização da ponte.

A situação permanece sob acompanhamento das autoridades municipais, principalmente porque as chuvas voltaram a atingir a região durante a madrugada, após um período de redução das precipitações.

Previsão de novas tempestades mantém monitoramento

A possibilidade de continuidade das chuvas nos próximos dias mantém a atenção sobre o comportamento dos rios de Mato Grosso do Sul.

Segundo as informações meteorológicas apresentadas pelo Imasul, algumas localidades podem registrar acumulados superiores a 50 milímetros em um intervalo de 24 horas, acompanhados de raios, rajadas de vento e eventual queda de granizo.

Esse cenário exige acompanhamento principalmente nos pontos que já apresentam níveis elevados, como o Rio Miranda, e naqueles que se aproximam dos limites de alerta.

Atualmente, a rede estadual reúne 14 estações de monitoramento distribuídas pelas bacias dos rios Paraguai e Paraná. Os dados são obtidos pelo Sistema Hidro, mantido pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), e permitem verificar diariamente as mudanças nos níveis.

As medições também são comparadas com os limites de alerta e emergência estabelecidos para cada estação, que variam conforme as características dos locais monitorados.

No Rio Aporé, em Cassilândia, a estação está em processo de desativação e não apresentou atualização nesta quarta-feira. Para esse ponto, as cotas de referência são de 1,50 metro para alerta e 2 metros para emergência.

O acompanhamento realizado pela Sala de Situação do Imasul permite identificar antecipadamente mudanças que merecem atenção, especialmente diante da previsão de novos episódios de chuva intensa.

No caso do Rio Miranda, a próxima medição será particularmente importante para verificar se a tendência de elevação continuará e se o nível das águas poderá se aproximar ainda mais da cota de emergência.

Nem todos os rios estão subindo: Taquari e Aquidauana registram queda

Enquanto parte dos rios de Mato Grosso do Sul apresenta elevação, outros seguem em movimento contrário.

É o caso do Rio Taquari, em Coxim, que registrou queda de 21 centímetros entre segunda e quarta-feira.

No primeiro dia do levantamento, o nível estava em 4,11 metros, acima da cota de alerta, estabelecida em 4 metros. Na terça-feira, a medição caiu para exatamente 4 metros e, nesta quarta-feira, recuou novamente, chegando a 3,90 metros.

Com isso, o rio passou a ficar 10 centímetros abaixo do limite de alerta e 1,10 metro distante da cota de emergência, fixada em 5 metros.

A redução também foi observada no Rio Aquidauana, na estação localizada no distrito de Palmeiras.

Nesse ponto, o nível caiu de 3,28 metros na segunda-feira para 2,84 metros na terça e 2,77 metros nesta quarta-feira. A diferença representa uma diminuição de 51 centímetros em dois dias.

A estação possui cota de alerta de 4,50 metros e de emergência de 6,50 metros, permanecendo abaixo dos dois limites.

As diferenças entre os rios mostram que o comportamento das águas não é uniforme em Mato Grosso do Sul, mesmo durante períodos de instabilidade climática.

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