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Abril de 2026 é um dos mais quentes dos últimos 10 anos

Mês passado foi marcado por máximas e mínimas altas, já que Campo Grande não registrou temperaturas abaixo dos 15ºC; calor deve continuar no começo de maio

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Abril deste ano terminou e com ele se foi um dos meses mais quentes dos últimos 10 anos em Campo Grande, após 30 dias sem frio e temperaturas mínimas diárias que não ficaram abaixo dos 15ºC.

De acordo com levantamento feito pelo Correio do Estado, levando em conta dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a média do mês passado ficou em 24,8ºC. Em comparação com a última década, abril deste ano só ficou atrás dos anos de 2024 (25,5ºC), 2022 (25,6ºC) e 2021 (24,9ºC).

Porém, o que chama a atenção é que o mês referido foi pouco influenciado por frente frias, isso para não falar que quase não houve temperaturas baixas na Capital nos últimos 30 dias.

Ainda conforme o portal de estatísticas do Inmet, a menor mínima registrada no mês passado foi no dia 21, com 17,5ºC. Depois disso, a grande maioria dos dias não ficaram abaixo dos 19,5ºC.

Enquanto isso, 2024 chegou a registrar 15,3ºC e 2021 enfrentou alguns dias seguidos de aproximadamente 14,5ºC, e ambos os anos terminaram com médias maiores que este ano. 

Ao Correio do Estado, o meteorologista Natálio Abrahão explica que até houve algumas massas de ar fria em direção à Capital, mas que não chegaram a influenciar na temperatura.

“Tivemos frentes frias passando por Mato Grosso do Sul em abril. Inclusive, na noite do último domingo para segunda-feira passou mais uma frente. No outono, as frentes são rápidas e de pouca energia, ocorrendo chuvas e trovoadas, mas sem ventos fortes e pouca interferência nas temperaturas, que estão acima das médias devido às massas de ar quente atuando no Centro-Sul do País, isso devido a influência das condições das águas do Pacífico que estão em elevação até o começo do inverno”, explica.

FUTURO

Em boletim recente, o Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec-MS) analisou que a tendência é de que os próximos três meses sejam parecidos com abril no quesito da temperatura média.

“Climatologicamente, em grande parte do Estado, as temperaturas médias variam entre 18ºC e 22ºC. Por outro lado, na região extremo sul, as temperaturas variam entre 16ºC e 18ºC e na região extremo noroeste entre 22ºC e 24ºC no trimestre de MJJ [maio, junho e julho]”, analisa.

“A tendência climática para o trimestre maio, junho e julho de 2026 indica temperaturas do ar próximas ou ligeiramente acima da média histórica. Dessa forma, a previsão aponta para um trimestre com condições mais quentes que o normal em Mato Grosso do Sul”, completa.

Acerca do fenômeno climático El Niño, o Cemtec-MS pontua que “os modelos climáticos mais recentes indicam 61% de probabilidade de desenvolvimento do El Niño no trimestre maio, junho e julho de 2026”. 

Contudo, já há indícios de intensificação gradual das condições de El Niño, sobretudo a partir do trimestre julho, agosto e setembro, o que poderá favorecer a ocorrência de episódios de ondas de calor, especialmente no último trimestre do ano (outubro, novembro, dezembro).

“Esse cenário pode favorecer a ocorrência de episódios de ondas de calor, com potencial para intensificar períodos de temperaturas acima da média climatológica em Mato Grosso do Sul, especialmente durante a primavera e o início do verão”, concluiu a instituição meteorológica.

Vale lembrar que o outono começou em 20 de março e segue até o dia 21 de junho. A estação é marcada pela transição para o fenômeno El Niño, com temperaturas acima da média na maior parte do Brasil e calor persistente entre março e abril e chuvas acima da média em algumas regiões, especialmente no Nordeste.

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MATO GROSSO DO SUL

Produtores se opõem à criação de refúgio ambiental em MS

ICMBio quer criar o Refúgio de Vida Silvestre Delta do Salobra em uma área de mais de 60 mil hectares entre Miranda, Bodoquena e Corumbá

19/06/2026 09h30

Proposta do ICMBio prevê criação do Refúgio de Vida Silvestre Delta do Salobra em área de 60,7 mil hectares na região da Serra da Bodoquena e do Pantanal

Proposta do ICMBio prevê criação do Refúgio de Vida Silvestre Delta do Salobra em área de 60,7 mil hectares na região da Serra da Bodoquena e do Pantanal Divulgação

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A proposta de criação do Refúgio de Vida Silvestre (Revis) Delta do Salobra, unidade de conservação federal que pode abranger mais de 60 mil hectares nos municípios de Miranda, Bodoquena e Corumbá, tem provocado divergências entre produtores rurais e órgãos ambientais em Mato Grosso do Sul.

A iniciativa é conduzida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que defende a criação da unidade para proteger uma área considerada estratégica para a conservação da biodiversidade na transição entre os biomas Pantanal, Cerrado e Mata Atlântica.

Por outro lado, produtores rurais questionam a forma como o processo tem sido feito e cobram mais esclarecimentos sobre os impactos que a medida poderá trazer para propriedades privadas e atividades econômicas da região.

Nesta semana, o Sindicato Rural de Miranda e Bodoquena divulgou uma nota de repúdio contra a condução do processo pelo ICMBio. A entidade afirma que a proposta afeta diretamente proprietários rurais, trabalhadores, empresas, transportadores, fornecedores e prestadores de serviços, além de toda a economia regional.

Segundo o sindicato, a discussão exige “responsabilidade, diálogo verdadeiro e respeito às comunidades locais”, dizendo que ainda existem dúvidas sobre possíveis restrições futuras relacionadas ao uso da terra, ampliação de atividades produtivas, acesso ao crédito rural, licenciamento ambiental e segurança jurídica das propriedades.

A entidade também ressaltou que não organizou nem convocou a mobilização de produtores registrada durante a audiência pública realizada na última terça-feira, em Bodoquena. Conforme o sindicato, a participação popular ocorreu de forma espontânea por parte de moradores e proprietários rurais preocupados com os possíveis impactos da proposta.

Uma das principais preocupações dos produtores rurais é a permanência das atividades econômicas dentro da área proposta.

Segundo o ICMBio, o modelo de Refúgio de Vida Silvestre permite a existência de propriedades privadas sem necessidade de desapropriação. Os proprietários permanecem com suas terras e podem continuar desenvolvendo atividades consideradas compatíveis com os objetivos de conservação ambiental.

O órgão federal ainda afirma que a área foi delimitada em regiões de baixa aptidão para expansão agropecuária e que cerca de metade do território já corresponde a áreas de reserva legal ou possui restrições ambientais previstas em outras legislações.

Entre as atividades que poderão continuar sendo realizadas estão a pecuária extensiva, a agricultura familiar e outras práticas consideradas de baixo impacto ambiental.

Por outro lado, não serão permitidas ações como conversão de vegetação nativa para lavouras ou pastagens, desmatamento, corte seletivo de madeira sem autorização e uso irregular do fogo.

Proposta do ICMBio prevê criação do Refúgio de Vida Silvestre Delta do Salobra em área de 60,7 mil hectares na região da Serra da Bodoquena e do Pantanal

O que prevê o projeto

De acordo com o ICMBio, o Refúgio de Vida Silvestre Delta do Salobra deverá ocupar uma área de aproximadamente 60.791 hectares localizada entre a Serra da Bodoquena e a planície pantaneira.

A região foi apontada pelo Ministério do Meio Ambiente como prioritária para conservação por reunir nascentes importantes, ecossistemas pouco representados em outras unidades de conservação do Pantanal e elevada diversidade biológica.

Levantamentos técnicos citam a ocorrência de 42 espécies ameaçadas de extinção na área, entre elas a onça-pintada, a arara-azul, o cervo-do-pantanal, a anta, o tamanduá-bandeira, o tatu-canastra e o lobo-guará.

O projeto também busca criar um corredor ecológico entre a Serra da Bodoquena, o Pantanal e áreas de conservação localizadas até o Chaco paraguaio.

O ICMBio ressalta que a criação da unidade poderá trazer benefícios ambientais e econômicos para a região.

Entre os pontos destacados estão o fortalecimento das ações de prevenção e combate aos incêndios florestais, ampliação do turismo de natureza, observação de fauna e pesca esportiva, além da possibilidade de acesso a instrumentos como pagamento por serviços ambientais, créditos de carbono e recursos provenientes do ICMS Ecológico.

O instituto também afirma que, após a eventual criação da unidade, será formado um conselho gestor com participação de produtores rurais, sindicatos, comunidades locais, órgãos públicos e representantes da sociedade civil para discutir regras e prioridades de gestão.

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ELEIÇÕES 2024

PF investiga esquema de compra de votos para prefeito de Campo Grande

Ao todo, são cumpridos sete mandados de busca e apreensão em Campo Grande e Taquarussu

19/06/2026 08h10

Eleições de 2024 em Campo Grande

Eleições de 2024 em Campo Grande Gerson Oliveira/Correio do Estado

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A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta sexta-feira (19), a Operação Suffragium, com o objetivo de investigar um possível esquema de compra de votos durante as eleições municipais de 2024 para o cargo de prefeito em Campo Grande.

Ao todo, são cumpridos sete mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE/MS), em endereços residenciais e comerciais localizados em Campo Grande e Taquarussu.

A PF identificou movimentações financeiras atípicas, incluindo saques em espécie, transferências fracionadas via Pix, além de utilização de contas de terceiros para circulação e distribuição de recursos em datas próximas aos turnos eleitorais, possivelmente destinados à compra de votos.

As condutas configuram os crimes de corrupção eleitoral e falsidade ideológica eleitoral, prática conhecida como "caixa dois". As investigações permanecem em andamento e tramitam sob sigilo.

Ao ser questionada sobre quem seria o candidato envolvido nas investigações, a Polícia Federal informou que não irá divulgar mais detalhes sobre os alvos nesta fase da operação.

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