Cidades

Regularização Fundiária

Acordo pode regularizar imóveis em terras do Incra em Mato Grosso do Sul

Parceria entre TJMS e Incra prevê a transferência de áreas federais aos municípios para viabilizar a regularização e posterior titulação dos imóveis.

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Famílias que vivem em bairros, vilas ou comunidades já formadas dentro de cidades, mas instaladas em terrenos que ainda pertencem ao governo federal, poderão ter um novo caminho para regularizar seus imóveis em Mato Grosso do Sul.

São áreas que, apesar de já contarem com casas, ruas, lotes e, em alguns casos, equipamentos e serviços públicos, permanecem registradas como patrimônio da União, sob domínio do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) e o Incra firmaram um Termo de Cooperação Técnica para facilitar a regularização dessas áreas no Estado.

A medida pretende permitir que os terrenos que atendam aos requisitos sejam transferidos aos municípios, abrindo caminho para a regularização fundiária e, posteriormente, a titulação dos imóveis ocupados pelas famílias.

O acordo estabelece uma atuação conjunta para viabilizar a regularização de áreas urbanas que atualmente pertencem ao Incra.

A medida será desenvolvida por meio do Programa Lar Legal MS e pretende dar segurança jurídica aos ocupantes, além de facilitar o reconhecimento formal da propriedade.

Na prática, a parceria cria um fluxo para que municípios interessados solicitem ao Incra a transferência das áreas e, posteriormente, avancem nos procedimentos necessários para a regularização dos imóveis ocupados.

Como vai funcionar

Uma das principais atribuições do Incra será realizar a doação às prefeituras das áreas urbanas que estejam sob seu domínio e preencham os requisitos para o procedimento.

O processo seguirá as regras da Instrução Normativa nº 142/2024 do instituto, que trata da regularização de áreas urbanas consolidadas, de expansão urbana e de urbanização específica.

Ao TJMS caberá orientar as prefeituras de Mato Grosso do Sul sobre o enquadramento das áreas e a implementação do Programa Lar Legal MS nos núcleos urbanos consolidados instalados em imóveis pertencentes ao Incra.

Isso significa que a assinatura do acordo, por si só, não transfere automaticamente a propriedade aos moradores. Cada município interessado terá de formalizar um pedido ao Incra e cumprir as etapas previstas para que determinada área possa avançar no processo de regularização.

O Município deverá abrir processo administrativo e apresentar informações técnicas sobre a área a ser regularizada.

Entre os dados exigidos estão as características do local, a situação do registro imobiliário, a quantidade e disposição das moradias, o sistema viário, as quadras, os lotes e os equipamentos públicos.

Também será necessário apresentar documentação e declarações capazes de demonstrar que o local possui uso predominantemente urbano e informar as características socioeconômicas da população instalada na área.

Depois da formalização do pedido, o Tribunal de Justiça deverá prestar orientação aos municípios para implantação do Lar Legal MS.

O Incra, por sua vez, ficará responsável pelos procedimentos necessários à doação dos imóveis urbanos requeridos às administrações municipais, desde que atendidas as exigências estabelecidas.

A intenção é reduzir entraves entre as diferentes etapas administrativas e permitir que áreas ocupadas e já incorporadas à dinâmica urbana possam avançar até a regularização fundiária.

Parceria amplia atuação

O novo acordo amplia uma frente de regularização de terras públicas federais que já vinha sendo desenvolvida pelo Tribunal de Justiça.

Anteriormente, o TJMS firmou parceria com a Superintendência do Patrimônio da União em Mato Grosso do Sul (SPU), a Defensoria Pública da União (DPU) e a Agência de Habitação Popular de Mato Grosso do Sul (Agehab).

O acordo reconheceu a possibilidade de utilização do Lar Legal para regularizar áreas urbanas pertencentes à União por meio de procedimento de jurisdição voluntária.

Com a parceria específica com o Incra, o programa passa a contar com um mecanismo voltado à regularização de áreas urbanas consolidadas localiazadas em imóveis administrados pelo instituto.

O Termo de Cooperação Técnica terá validade de cinco anos a partir da assinatura e poderá ser prorrogado, desde que exista interesse das instituições e sejam observados os limites previstos na legislação.

Assinaram o documento o presidente do TJMS, desembargador Dorival Renato Pavan; o coordenador do Programa Lar Legal MS, desembargador Luiz Tadeu Barbosa Silva; e o superintendente regional do Incra em Mato Grosso do Sul, Paulo Roberto da Silva.

A expectativa é que a cooperação facilite a passagem de áreas atualmente pertencentes ao Incra para os municípios e permita que as prefeituras deem continuidade à regularização e à titulação dos imóveis.

O alcance da iniciativa, entretanto, dependerá da adesão dos municípios e da análise individual das áreas que forem apresentadas ao instituto.

Modelo já foi aplicado em outros estados

A transferência de áreas do Incra para os municípios como etapa para a regularização urbana já foi adotada em outros estados. Desde 2023, o instituto retomou esse tipo de procedimento, que havia sido interrompido após o encerramento do Programa Terra Legal, em 2019.

Entre os casos recentes está o de Capitão Poço, no Pará, onde 538 hectares pertencentes ao Incra foram doados à prefeitura em 2025, em uma medida estimada para beneficiar mais de 20 mil pessoas.

Antes da transferência, foram realizados levantamentos, georreferenciamento, elaboração de mapas e memoriais descritivos da área.

No Rio de Janeiro, cerca de 50 hectares foram transferidos para a Prefeitura de Seropédica, também em 2025.

A medida alcançou aproximadamente 1,5 mil famílias do bairro Canto do Rio e abriu caminho para que os moradores solicitem ao município a titulação individual de seus terrenos e residências.

Outro exemplo ocorreu na Bahia, onde o Incra autorizou a doação de 60,1 hectares de áreas urbanizadas do assentamento Feirinha Marrequeiro ao município de Carinhanha.

Nesse caso, a transferência foi fundamentada, entre outras normas, na mesma Instrução Normativa nº 142/2024 que serve de referência para a nova parceria firmada em Mato Grosso do Sul.

O procedimento segue uma lógica semelhante: o município apresenta a documentação e os levantamentos necessários, o Incra analisa a possibilidade de transferência da área federal e, após a doação, a administração municipal pode avançar na regularização urbana e na posterior titulação dos imóveis.

Instabilidade climática

Corumbá acumula 40,8 milímetros de chuva e altas temperaturas

Previsão aponta que ciclone extratropical deve atingir região pantaneira e trazer frente fria para parte de Mato Grosso do Sul

30/09/2026 12h30

Rodolfo César

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O pantanal sul-mato-grossense enfrenta instabilidades nas temperaturas e durante a tarde de ontem registrou ventos de alta intensidade, com 23 ocorrências e chuvas em diversos municípios da região.

O Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de MS (CEMTEC/MS) divulgou que as rajadas de vento em Corumbá, Capital do Pantanal, chegaram a 88,6 km/h na região de Nabileque e intensidade parecida nas outras regiões.

A Defesa Civil do município também informou que a chuva intensa que ocorreu durante o dia acumulou mais de 40 milímetros. Em apuração realizada pela reportagem, praticamente toda a cidade pantaneira teve pancadas de chuvas que duraram o dia todo.

Na região da Serra do Amolar, foram 22 milímetros das 14h às 19h de ontem, com queda de 34ºC para 22.9ºC comparando antes e depois do início da precipitação.

Nas regiões de Nhecolândia e Paiaguás, os registros foram de 10,6 e 18,8 milímetros, respectivamente, que iniciaram ainda no começo da manhã de 29 de setembro. As temperaturas na região atingiram a 15.3ºC e 22ºC durante a chuva.

E por fim, na região da Fazenda São Francisco, foram acumulados 38,8 milímetros que iniciaram às 04h e durou até às 15h.

Entre todos os registros, o período entre às 15h e às 16h é o que teve maior queda nas temperaturas, bem como também teve as rajadas de ventos mais intensos, conforme divulgou a Defesa Civil.

A instabilidade climática fez com que os termômetros marcassem a redução de 14,7ºC em aproximadamente cinco horas, e um aumento da umidade relativa do ar de 39% para 76%.

E ainda durante a última terça-feira (29), um vídeo gravado na região do Urucum, em Corumbá, registrou a formação de um redemoinho próximo ao assentamento São Gabriel e Albuquerque.

Segundo a Defesa Civil da cidade, o fenômeno é comum no local devido as condições de "calor extremo, baixa umidade do ar e solo muito aquecido e seco", que são fatores que favorecem sua formação.

O alerta realizado pela equipe é que normalmente são de curta duração, mas alguns podem ganhar intensidade e causar danos. A orientação é "manter distância e procurar abrigo seguro ao perceber a aproximação do fenômeno".

 

As alterações climáticas mantém a cidade em alerta, visto que com as 23 ocorrências de ontem devido as chuvas, hoje os estragos na região urbana, com quedas de árvores sobre casas e veículos, destelhamentos e queda de energia são reparados pelas equipes da Defesa Civil e da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos.

Na região de mineração, também houve queda na rede elétrica com postes que caíram junto a árvores e galhos.

Os levantamentos dos danos ainda estão em apuração pela equipe da Defesa Civil de Corumbá e segundo o superintendente municipal de Proteção e Defesa Civil de Corumbá, Capitão Silvanei "é importante que qualquer situação seja informada pelos canais oficiais da Defesa Civil, para que possamos registrar, avaliar e direcionar o atendimento de forma adequada.”

Para emergências é necessário discar 199 ou informar por meio do canal oficial no WhatsApp (67) 98191-0200

Região pantaneira

Em outros municípios do Pantanal sul-mato-grossense como Porto Murtinho, Coxim, Ladário, Miranda e Aquidauana também enfretam mudanças bruscas nas temperaturas devido a pequenos e grandes volumes de chuva.

No centro de Aquidauana não foi registrado a presença de chuva durante o dia de ontem, mas ainda nesta manhã foram cerca de 1,8 milímetros, que abaixaram as temperaturas na região de 32ºC para 24ºC. O mesmo aconteceu em Ladário, na região da Base Naval com acúmulo até o momento de 6,4 milímetros de chuva.

Em Miranda o termômetro marcou 34.3ºC com queda de 7ºC durante o dia de ontem e desde à meia-noite de hoje registra pancadas de chuva que baixaram a temperatura para 24ºC no município.

Por fim, em Porto Murtinho, a mudança foi ainda mais abrupta, ontem a previsão tinha a máxima de 40.2ºC e o município chegou a atingir aos 39.3ºC.

E desde às 19h, ainda com as temperaturas em cima, iniciou uma série de pancadas de chuvas que duram até o momento e resultaram na queda da temperatura para os 22.5ºC durante pico de chuva.

Assim como em Corumbá, a cidade também teve rajadas de vento que causou danos a população. Três pessoas que estavam pescando durante a tarde tiveram dificuldade de retornar devido a intensidade dos ventos e em vídeo, os pescadores aparecem a deriva no rio após perderem o barco no vendaval.

 

Segundo o Cemtec os ventos atingiram a 61,2 km/h e 67 km/h na região da Fazenda São Luis, que também registrou 10 milímetros de chuva hoje e baixou a temperatura na casa dos 22ºC, e agora houve um aumento que atinge quase os 30º durante apenas uma manhã.

A expectativa é que apesar da destruição o acúmulo de água e umidade na região amenize parcialmente os efeitos das queimadas durante algum tempo.

Conforme a previsão a região pantaneira e parte de Mato Grosso do Sul ainda devem ser atingidos pela frente fria que avança no Estado devido à um ciclone extratropical que vem do Sul do Brasil, formado entre o Rio Grande do Sul e o país vizinho, Uruguai.

ECA DIGITAL

Após suicídio em MS, Justiça dá ultimado à plataforma Discord

Plataforma terá que cumprir decisão da Justiça sob pena de multa diária de R$ 100 mil. AGU vê falhas nos mecanismos de verificação de idade e de proteção aos usuários

30/09/2026 12h30

Decisão judicial determina que a plataforma adote novas medidas de segurança para proteger crianças e adolescentes

Decisão judicial determina que a plataforma adote novas medidas de segurança para proteger crianças e adolescentes

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A Justiça Federal determinou, em caráter de urgência, que a plataforma Discord adote imediatamente medidas de proteção de crianças, adolescentes e mulheres no ambiente digital sob pena de multa diária de R$ 100 mil. A decisão é mais um desdobramento do suicídio de uma garota em Mato Grosso do Sul em julho passado.

A decisão da 14ª Vara Federal Cível da Justiça Federal do Distrito Federal atende pedido feito pelo Governo Federal, por meio da Advocacia-Geral da União (AGU), em ação civil pública ajuizada contra a plataforma em agosto deste ano.

O pedido à Justiça integra a atuação do Governo Federal para ampliar a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital. Nos últimos anos, o governo avançou na criação de regras, mecanismos de fiscalização, canais de denúncia e ações de investigação e prevenção de crimes online.

No caso do Discord, esse trabalho envolveu análises da operação da plataforma feitas pela Secretaria de Direitos Digitais (Sedigi) do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e pela Secretaria de Políticas Digitais da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (SPDIGI/Secom). A ação atende também a demanda da Polícia Federal no combate a crimes cibernéticos.  

Na ação, a AGU sustenta que a plataforma Discord apresenta falhas nos mecanismos de verificação de idade e de proteção aos usuários contra riscos graves, como os que culminaram na morte de uma adolescente de 13 anos no último mês de julho.

A ação civil pública pediu que a Justiça determinasse a adoção pela plataforma de uma série de medidas de segurança, como o reforço dos mecanismos de controle parental, a ampliação da cooperação com autoridades nacionais e a implantação de sistemas que consigam detectar e prevenir situações que representem riscos a crianças e adolescentes.

É exigida ainda a implementação de mecanismos específicos de detecção, avaliação e moderação de conteúdos com práticas de maus-tratos, violência, mutilação e crueldade contra animais. Foi detectado que, no âmbito da plataforma, atos de maus-tratos a animais funcionam como instrumento de coesão e escalada de violência entre os participantes de grupos radicais.

A decisão concede parcialmente a tutela de urgência e atende os principais pedidos feitos pela AGU. Confira a seguir as determinações que a Discord deverá cumprir:

Impedir a recriação de servidores, canais e comunidades removidos, inclusive por meio de novas identidades ou contas vinculadas.

Preservar por, pelo menos, seis meses registros de moderação, contas, servidores, comunidades, comunicações e notificações relacionadas aos fatos investigados.

Criar protocolo para situações de sextorsão envolvendo crianças ou adolescentes, com comunicação às autoridades.

Incluir conteúdos de maus-tratos, mutilação ou crueldade contra animais nos mecanismos de avaliação e moderação quando houver risco a menores.

Comprovar capacidade operacional em língua portuguesa para segurança, moderação e recebimento de denúncias no Brasil.

Demonstrar como é feita a verificação etária, além de apresentar eventual plano de adequação à legislação.

Adotar providências para cumprir regras de vinculação de usuários menores de 16 anos a seus responsáveis legais.

Comprovar a existência e eficácia de supervisão parental, configurações protetivas e controles de privacidade.

Apresentar avaliação de impacto sobre segurança e saúde de crianças, incluindo riscos de aliciamento, violência, automutilação e suicídio.

Impedir convites usados para reconstruir comunidades removidas ou atrair menores para ambientes ligados a contas reincidentes.

Preservar e comunicar conteúdos relacionados à automutilação, suicídio e violência grave às autoridades competentes, quando identificados legitimamente.

Manter representante legal no Brasil e canal de denúncias em português.

Remover republicações tecnicamente idênticas de gravações e materiais de incentivo, após notificação válida.

AÇÃO CIVIL PÚBLICA

 A ação civil pública apresentada pela AGU em 25 de agosto sustenta que a plataforma Discord apresenta falhas nos mecanismos de verificação de idade e de proteção aos usuários contra riscos graves, como os que culminaram na morte de uma adolescente de 13 anos em julho passado, em Naviraí, na região sul de Mato Grosso do Sul.

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