Cidades

Instabilidade climática

Corumbá acumula 40,8 milímetros de chuva e altas temperaturas

Previsão aponta que ciclone extratropical deve atingir região pantaneira e trazer frente fria para parte de Mato Grosso do Sul

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O pantanal sul-mato-grossense enfrenta instabilidades nas temperaturas e durante a tarde de ontem registrou ventos de alta intensidade, com 23 ocorrências e chuvas em diversos municípios da região.

O Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de MS (CEMTEC/MS) divulgou que as rajadas de vento em Corumbá, Capital do Pantanal, chegaram a 88,6 km/h na região de Nabileque e intensidade parecida nas outras regiões.

A Defesa Civil do município também informou que a chuva intensa que ocorreu durante o dia acumulou mais de 40 milímetros. Em apuração realizada pela reportagem, praticamente toda a cidade pantaneira teve pancadas de chuvas que duraram o dia todo.

Na região da Serra do Amolar, foram 22 milímetros das 14h às 19h de ontem, com queda de 34ºC para 22.9ºC comparando antes e depois do início da precipitação.

Nas regiões de Nhecolândia e Paiaguás, os registros foram de 10,6 e 18,8 milímetros, respectivamente, que iniciaram ainda no começo da manhã de 29 de setembro. As temperaturas na região atingiram a 15.3ºC e 22ºC durante a chuva.

E por fim, na região da Fazenda São Francisco, foram acumulados 38,8 milímetros que iniciaram às 04h e durou até às 15h.

Entre todos os registros, o período entre às 15h e às 16h é o que teve maior queda nas temperaturas, bem como também teve as rajadas de ventos mais intensos, conforme divulgou a Defesa Civil.

A instabilidade climática fez com que os termômetros marcassem a redução de 14,7ºC em aproximadamente cinco horas, e um aumento da umidade relativa do ar de 39% para 76%.

E ainda durante a última terça-feira (29), um vídeo gravado na região do Urucum, em Corumbá, registrou a formação de um redemoinho próximo ao assentamento São Gabriel e Albuquerque.

Segundo a Defesa Civil da cidade, o fenômeno é comum no local devido as condições de "calor extremo, baixa umidade do ar e solo muito aquecido e seco", que são fatores que favorecem sua formação.

O alerta realizado pela equipe é que normalmente são de curta duração, mas alguns podem ganhar intensidade e causar danos. A orientação é "manter distância e procurar abrigo seguro ao perceber a aproximação do fenômeno".

 

As alterações climáticas mantém a cidade em alerta, visto que com as 23 ocorrências de ontem devido as chuvas, hoje os estragos na região urbana, com quedas de árvores sobre casas e veículos, destelhamentos e queda de energia são reparados pelas equipes da Defesa Civil e da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos.

Na região de mineração, também houve queda na rede elétrica com postes que caíram junto a árvores e galhos.

Os levantamentos dos danos ainda estão em apuração pela equipe da Defesa Civil de Corumbá e segundo o superintendente municipal de Proteção e Defesa Civil de Corumbá, Capitão Silvanei "é importante que qualquer situação seja informada pelos canais oficiais da Defesa Civil, para que possamos registrar, avaliar e direcionar o atendimento de forma adequada.”

Para emergências é necessário discar 199 ou informar por meio do canal oficial no WhatsApp (67) 98191-0200

Região pantaneira

Em outros municípios do Pantanal sul-mato-grossense como Porto Murtinho, Coxim, Ladário, Miranda e Aquidauana também enfretam mudanças bruscas nas temperaturas devido a pequenos e grandes volumes de chuva.

No centro de Aquidauana não foi registrado a presença de chuva durante o dia de ontem, mas ainda nesta manhã foram cerca de 1,8 milímetros, que abaixaram as temperaturas na região de 32ºC para 24ºC. O mesmo aconteceu em Ladário, na região da Base Naval com acúmulo até o momento de 6,4 milímetros de chuva.

Em Miranda o termômetro marcou 34.3ºC com queda de 7ºC durante o dia de ontem e desde à meia-noite de hoje registra pancadas de chuva que baixaram a temperatura para 24ºC no município.

Por fim, em Porto Murtinho, a mudança foi ainda mais abrupta, ontem a previsão tinha a máxima de 40.2ºC e o município chegou a atingir aos 39.3ºC.

E desde às 19h, ainda com as temperaturas em cima, iniciou uma série de pancadas de chuvas que duram até o momento e resultaram na queda da temperatura para os 22.5ºC durante pico de chuva.

Assim como em Corumbá, a cidade também teve rajadas de vento que causou danos a população. Três pessoas que estavam pescando durante a tarde tiveram dificuldade de retornar devido a intensidade dos ventos e em vídeo, os pescadores aparecem a deriva no rio após perderem o barco no vendaval.

 

Segundo o Cemtec os ventos atingiram a 61,2 km/h e 67 km/h na região da Fazenda São Luis, que também registrou 10 milímetros de chuva hoje e baixou a temperatura na casa dos 22ºC, e agora houve um aumento que atinge quase os 30º durante apenas uma manhã.

A expectativa é que apesar da destruição o acúmulo de água e umidade na região amenize parcialmente os efeitos das queimadas durante algum tempo.

Conforme a previsão a região pantaneira e parte de Mato Grosso do Sul ainda devem ser atingidos pela frente fria que avança no Estado devido à um ciclone extratropical que vem do Sul do Brasil, formado entre o Rio Grande do Sul e o país vizinho, Uruguai.

CATOLICISMO

Romaria de Nossa Senhora Aparecida leva milhares às ruas de Campo Grande

Católicos participam de procissão, caminhada, romaria, oração e missa; romarias e missas ocorrem em diferentes pontos da Capital

12/10/2026 10h15

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Romaria da Padroeira do Brasil reúne milhares de fiéis nas ruas de Campo Grande, nesta segunda-feira (12), feriado nacional de Nossa Senhora Aparecida, celebrado anualmente em 12 de outubro em todo o País.

Família e amigos de diferentes paróquias e comunidades católicas se uniram em procissões e missas para celebrar a data.

Devotos aproveitam a ocasião para agradecer pelas graças alcançadas, cumprir promessas e pedir proteção e bênçãos para suas famílias.

A programação especial inclui procissão, caminhada, romaria, oração, missa, almoço, bingo e sorteios.

De acordo com o Padre Nori, a estimativa é que pelo menos três mil fiéis, das Paróquias Santa Rita de Cássia, Matriz Divino Espírito Santo e São Martinho de Lima, caminhem em romaria por cerca de três quilômetros e se reúnam na Casa de Formação São Vicente Pallotti para celebrar a data.

Confira a programação:

  • Paróquia Santa Rita de Cássia: procissão às 6h, com saída da Comunidade Maria Mãe. Uma segunda saída está prevista para as 8h, da Comunidade Matriz Santa Rita de Cássia. Às 9h, será celebrada missa no Centro de Formação São Vicente Pallotti.
  • Comunidade Matriz Divino Espírito Santo: concentração às 6h30, na Rua Galeão, 730, no Aero Rancho, seguida de procissão até o Centro de Formação São Vicente Pallotti. Os participantes se encontrarão com fiéis das comunidades Santa Rita de Cássia e São Martinho de Lima.
  • Paróquia São Martinho de Lima: concentração para a procissão às 7h30, em frente ao Mercado Oriente, na Rua Barão de Limeira, 1683, no Bairro Pioneiros. A comunidade aguardará a chegada dos fiéis que seguirão em procissão a partir da Paróquia Divino Espírito Santo.

Técnica em farmácia de manipulação, Rosimar da Silva Segretto, é devota há anos e conquistou inúmeras bençãos com sua fé a Nossa Senhora Aparecida.

“Faz anos que eu participo aqui na paróquia, não me vejo em outra religião. Eu fico arrepiada só de falar, é muito emocionante estar aqui. Servir o próximo é tão bom, é tão gratificante, porque você dá sem receber nada em troca, o que você ganha? Saúde e bençãos. Eu recebi muitas bençãos e algumas delas são a compra da minha casa e o nascimento da minha fila”, contou emocionada.

Professora, Marinês Alves Ribeiro Baptista, afirmou que a data é importante para orar, devotar e agradecer.

“A data significa muita devoção, muito agradecimento e muita fé em Nossa Senhora Aparecida. Nós participamos todos os anos e acolhemos cada pessoa”, disse.

Padre Pallottino Wellignton é servo em Porto Alegre (RS) mas está em Campo Grande (MS) para celebrar uma das datas mais importantes do calendário cristão.

“Essa data tem três importâncias fundamentais. Primeiro, é a Padroeira do nosso país e para nós, católicos, é muito importante rezar pela nação. O segundo motivo de importância é porque venerar a mãe de Jesus significa reconhecer aquilo que Deus faz em favor do seu povo. E o terceiro motivo, que é muito importante, é a reunião de todo esse povo simples que se une para viver a sua fé e tudo aquilo que espiritualmente e também financeiramente aqui é arrecadado, depois é distribuído nas paróquias, nas suas pastorais e movimentos para o serviço tanto religioso quanto assistencial”, explicou.

As romarias ocorrem em diferentes pontos de Campo Grande. No restante da cidade, outros fiéis de outras paróquias/comunidades caminham em procissão e celebram missas.

zona de conflito

Libaneses ligados a MS seguem em alerta, apesar de cessar-fogo

Familiares de Campo Grande e pessoas que ainda moram no Líbano continuam apreensivos diante do cenário de instabilidade na guerra entre Israel e o Hezbollah

12/10/2026 09h12

Márcio Jamil esteve em agosto no Líbano para visitar suas irmãs e sua mãe, que moram lá desde 1994

Márcio Jamil esteve em agosto no Líbano para visitar suas irmãs e sua mãe, que moram lá desde 1994 arquivo pessoal

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Desde junho, Israel e o Hezbollah, grupo terrorista que é do Líbano, estão em cessar-fogo. No entanto, mesmo que os bombardeios tenham sido reduzidos gradativamente em relação ao primeiro semestre deste ano, libaneses com ligações com Campo Grande relatam que o perigo e o medo ainda existem diante do cenário de instabilidade da guerra.

Há pouco mais de sete meses, o Correio do Estado reportou a preocupação de famílias com conexões campo-grandenses e libanesas em meio à guerra no Oriente Médio. 

Diante do número de mortos e feridos que aumentava dia após dia nos países envolvidos no conflito, um cessar-fogo foi acordado entre Israel e o Líbano, intermediado pelos Estados Unidos. Porém, a continuidade de relatos de violências mútuas e ataques esporádicos tornaram o acordo algo mais teórico do que prático, sendo costumeiramente quebrado.

FAMILIARES

Secretário da Junta Militar, Márcio Jamil nasceu em Campo Grande, mas tem raízes libanesas, e sua mãe e sua irmã moram no país asiático desde 1994, na cidade de Zahlé, que fica a 30 quilômetros da área dos bombardeios. Ao Correio do Estado, ele contou que a quantidade de mísseis lançados diminuiu com o cessar-fogo, mas a região sul ainda tem sofrido com algumas tentativas.

“Não vou falar que terminou a guerra, mas está bem mais calmo. Acho que se atribui isso às negociações que estavam havendo, porque aparentemente eles conseguiram o que eles queriam, que era acabar com o sul do Líbano. Então, eu acredito que pode ser a intervenção dos países, pedindo uma trégua para ver se conseguem resolver a situação do Líbano”, disse à reportagem.

O comentário feito por Márcio Jamil realmente se confirma. Na segunda-feira, Israel voltou a bombardear o sul do Líbano, resultando na morte de uma pessoa e 12 feridos. Segundo o exército israelense, o ataque foi uma resposta a flagrantes violações do acordo de cessar-fogo por parte do Hezbollah.

Antes do retorno desses momentos de tensão, Márcio Jamil aproveitou o cessar-fogo e visitou o Líbano por duas semanas, em agosto. Se antes, em março, ele relatava que a tensão estava “maior que nos outros momentos”, agora ele conta que a “situação aparentemente já está melhor” e que “graças a Deus está todo mundo bem”.

ABDALA E CÔNSUL

Intérprete das Nações Unidas no sul do Líbano e orientador da religião muçulmana, Abdala Dakour nasceu e mora no Líbano, mas mantém conexões em Campo Grande por já ter morado na capital sul-mato-grossense e ainda ter uma propriedade na Rua 14 de Julho, além de um sobrinho residir no Município.

Atualmente, Dakour mora com seus filhos e sua esposa em Rafid, uma vila no distrito de Rashaya com habitantes predominantemente muçulmanos sunitas. Mesmo sem pisar em Campo Grande desde 2001, o líder religioso pensa em voltar à cidade ainda este ano ou em 2027, mas depende dos imbróglios políticos libaneses.

Em nova conversa com o Correio do Estado, ele relata que a situação está um “pouco melhor”, mas que a continuidade desse momento menos tenso “depende da política do Trump”, fazendo uma referência às mediações feitas pelos Estados Unidos nos últimos meses nas negociações de paz entre Israel e Líbano. Inclusive, o bombardeio de segunda-feira ocorreu um dia depois de mais uma rodada de negociações de paz entre os dois países.

Cônsul honorário do Líbano em Mato Grosso do Sul, Eid Toufic Anbar também conversou com a reportagem sobre o momento atual. 

“Os bombardeios continuam onde tem pessoas dos partidos Hezbollah e Hamas, que são financiados pelo Irã e estão infiltrados no meio dos libaneses. Além do sul, os bombardeios têm ocorrido também na capital do Líbano”, contou.

TRÊS ANOS

Na semana passada, a guerra no Oriente Médio completou três anos, após os ataques do grupo Hamas (movimento político e militar palestino sunita) ao sul de Israel, a partir de Gaza. A operação resultou na morte de aproximadamente 1.200 pessoas e no sequestro de 251 reféns. 

Em resposta, bombardeios comandados por Benjamin Netanyahu, líder israelense, mataram mais de 74 mil palestinos.

Em 9 de outubro de 2025, cerca de dois anos depois das ofensivas, um acordo de cessar-fogo, considerado extremamente frágil, foi oficializado, com o intermédio dos Estados Unidos. 

Desde então, quase 1.500 pessoas morreram, média de quatro óbitos por dia.

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