Adolescente violentado em lava a jato de Campo Grande, na sexta-feira (3), saiu da área amarela e foi para o quarto, por volta das 17h de hoje. A informação foi repassada pela assessoria de comunicação da Santa Casa, onde o menino segue internado sem previsão de alta.
O garoto, de 17 anos, teve mangueira de alta pressão introduzida no ânus e passou por cirurgia para retirar parte do intestino grosso que foi perfurado. O ato de violência aconteceu no estabelecimento de lavagem de veículos, no Jardim Morumbi, e teria sido praticado por funcionário e dono do local.
O delegado Paulo Sérgio Lauretto, da especializada na repressão aos crimes contra a criança e adolescente (Depca), classificou como “brincadeira inconsequente” o episódio. O dono do estabelecimento, de 20 anos, e um funcionário – também amigo e vizinho da vítima, de 30 anos, que praticaram o crime já foram ouvidos e liberados. Segundo Lauretto, os acusados prestaram socorro ao adolescente e se apresentaram à polícia. Não foi cogitado pedido de prisão. Os dois responderão pelo crime de lesão corporal grave, com pena prevista de até cinco anos de reclusão. Nenhum deles tem passagem pela polícia.
ASSÉDIO MORAL
O delegado informou que a vítima sofria assédio moral, pois era alvo de constantes “brincadeiras” de péssimo gosto como apelidos pejorativos. Em certa ocasião, segundo o delegado, os dois acusados embrulharam um pedaço de durepoxi num papel de bala para enganar o adolescente.
Os acusados disseram à polícia que, no dia do crime, o próprio adolescente começou com a “brincadeira” e teria insinuado que colocaria a mangueira no ânus do colega, que se revoltou e segurou o rapaz para o dono “revidar”. Segundo o depoimento dos dois, eles colocaram a mangueira sem tirar as roupas da vítima.
AMIGOS
A mãe da vítima, dona de casa, 44 anos, disse que faz tempo que aconselha o filho a largar de amizade com o colega de 30 anos que trabalha no lava jato. “Não é de hoje que faz esse tipo de brincadeira. Ele ia lá em casa, tomava café. Sempre alertei a parar de andar com esse menino, que ele não era boa companhia”, disse a mulher, muito abalada.
INVESTIGAÇÃO
Depois de ouvir a família, o delegado deve intimar a depor um menino de 11 anos, cunhado de um dos investigados, que estava no local no momento do crime. Ele já falou informalmente à polícia e relatou o que aconteceu no dia. Também deve ser ouvido outro funcionário do estabelecimento, que não presenciou o crime, mas que trabalha com os envolvidos.
Assim que tiver condições de falar, a vítima também será ouvida pela autoridade policial.

