Polícia Científica confirmou a prisão de profissional na ação do Gaeco contra contra fraudes em licitação e pagamentos feitos sem execução de serviços médicos no interior
Como confirmado no fim da manhã de hoje (13) pela Polícia Científica de Mato Grosso do Sul, um dos alvos da Operação Auditus seria o médico legista Robson Roosvelt Ferreira Aguilar, que até então estava lotado em Jardim, município distante aproximadamente 236 quilômetros da Capital.
Preso nesta quinta-feira (13) no âmbito da Operação Auditus, Robson foi afastado de suas funções. Conforme a instituição, a prisão não está ligada com as atividades que o médico desenvolveria até então junto à Polícia Científica.
Ainda assim, o órgão frisa que um chamado Processo Administrativo Disciplinar (PAD) foi instaurado junto à Corregedoria da Polícia Civil, à qual ele está vinculado, para apurar os fatos relacionados a Robson, servindo para acompanhar ainda os próximos desdobramentos das medidas adotadas através do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc).
"A Polícia Científica ressalta que não compactua com qualquer forma de desvio de conduta, irregularidade ou transgressão disciplinar e que eventuais atos individuais que contrariem a legislação, os princípios da administração pública e os deveres funcionais serão apurados com rigor", cita a Polícia Científica em nota.
Entenda
Foi deflagrada hoje (13) pelo Ministério Público do Estado (MPMS), através de seus grupos Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), junto da 1ª Promotoria de Justiça da Comarca de Nioaque, a chamada Operação "Auditus" contra falsos exames no interior do Estado.
Sendo que "Auditus" trata-se de um termo latim que faz referência à "audição", a Operação foi batizada dessa forma em menção aos exames auditivos que eram apenas simulados como um dos meios para desvio do dinheiro.
Foi constatado posteriormente, porém, que diversos outros exames e serviços médicos fraudados também foram englobados no esquema criminoso para terem seus valores sistematicamente desviados.
Ao todo foram cumpridos na manhã de hoje (13) um total de 17 mandados, sendo cinco de prisão preventiva e outros 12 de busca e apreensão, nos seguintes municípios:
- Bela Vista
- Bonito,
- Guia Lopes da Laguna,
- Jardim e
- Nioaque.
Toda essa investigação pelo Gecoc, em apoio à 1ª Promotoria de Justiça da Comarca de Nioaque, teve início com a apuração de fraudes que ocorriam em licitações executadas pela Prefeitura de Nioaque.
Esses certames miraram a contratação de empresa para prestação de serviços de especialidades médicas: como consultas, realização de exames e procedimentos médicos, como bem aponta o MPMS em nota.
Em 1° de julho de 2025 foi realizada a primeira fase da Operação "Auditus", quando dez mandados de busca e apreensão foram cumpridos em: Nioaque, Bonito e Jardim. À época, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul havia constatado que o potencial dano dos contratos suspeitos já era estimado em mais de R$3 milhões em um esquema entre 2019 e 2024.
Feita análise das apreensões da primeira fase, somadas à diligências posteriores, os agentes puderam reunir elementos que comprovaram a "existência de um esquema criminoso estruturado", como descreve o Ministério Público.
Em balanço sobre os reflexos das práticas criminosas, nota-se um aumento de mais de mil por cento (1.713%) no gasto com tais serviços médicos, no recorte feito pelo MPMS entre 2022 e 2025.
"Ao passo que o total de 83% (oitenta e três por cento) dos exames e consultas pagos pelo Município foram simulados pelo grupo criminoso, composto por agentes públicos e privados, mediante a falsificação de documentos", complementa o Ministério Público em nota.
Além disso, a estimativa dos prejuízos aos cofres públicos somente em Nioaque já ultrapassa os quatro milhões de reais. Elementos coletados indicam inclusive a atuação na expansão do esquema criminoso para demais municípios, o que o Ministério classifica como continuidade e agravamento dessas atividades ilícitas.
Com a prisão do médico legista, a Polícia Científica faz questão de reafirmar seu compromisso com a legalidade, ética, transparência e integridade na atuação dos profissionais que são encarregados das atividades periciais oficiais no Mato Grosso do Sul.
"A Polícia Científica também manifesta seu respeito e sua disposição em colaborar com os órgãos de controle e investigação competentes, dentro de suas atribuições legais", conclui.
Abaixo, você confere na íntegra a nota divulgada pela Polícia Científica do MS:
"A Polícia Científica de Mato Grosso do Sul informa que o médico legista Robson Roosevelt Ferreira Aguilar, lotado em Jardim, foi afastado de suas funções em razão dos fatos que são objeto da Operação Auditus, deflagrada nesta quinta-feira (13) pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul.
A instituição informa ainda que a prisão não tem qualquer relação com as atividades desenvolvidas pelo médico no âmbito da Polícia Científica e que a Corregedoria da Polícia Civil, à qual ele está vinculado, já instaurou Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar, no âmbito administrativo, os fatos relacionados ao servidor, bem como acompanha o desdobramento das medidas adotadas pelo Gecoc.
A Polícia Científica ressalta que não compactua com qualquer forma de desvio de conduta, irregularidade ou transgressão disciplinar e que eventuais atos individuais que contrariem a legislação, os princípios da administração pública e os deveres funcionais serão apurados com rigor.
A instituição reafirma seu compromisso com a legalidade, a ética, a transparência e a integridade na atuação dos profissionais responsáveis pela atividade pericial oficial no Estado. A Polícia Científica também manifesta seu respeito e sua disposição em colaborar com os órgãos de controle e investigação competentes, dentro de suas atribuições legais".
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