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DESDOBRAMENTOS

Agência determina fim das lives do Discord no Brasil após morte de Lívia em MS

Órgão Nacional de Proteção de Dados expediu medida para suspensão da funcionalidade em até três dias úteis após adolescente de 13 anos ser vítima de homicídio manipulado pela internet

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Reflexo das apurações sobre falhas na proteção de crianças e adolescentes em ambiente digital, a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou que a plataforma Discord suspensa a funcionalidade de transmissões ao vivo no Brasil no período de até três dias úteis, após a morte de uma sul-mato-grossense de 13 anos ser transmitida virtualmente por grupos extremistas através das redes sociais. 

Autointitulada como uma “plataforma social de jogos onde mais de 90 milhões de amigos e comunidades conversam por texto, voz e videochamadas todos os dias”, o Discord estabelece em seus termos de serviço que a idade mínima para uso da plataforma seria de 13 anos.

Ainda na sexta-feira (07) o processo de fiscalização foi instaurado pela ANPD contra o Discord. Na segunda-feira (10) a Agência recebeu informações em resposta e ontem (11) mesmo reuniu-se com representantes legais.  

Assim como as populares "lives", demais recursos de compartilhamento de vídeo equivalente devem permanecer suspensos até que a empresa comprove a adoção de medidas para proteger crianças e adolescentes. 

Essa suspensão da plataforma já havia sido cobrada até mesmo pela própria titular da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA), Anne Karine Sanches Trevizan Duarte, responsável pela investigação sobre caso da adolescente vítima de "panelas" virtuais que teve seu autoextermínio transmitido online por falha na moderação do Discord.

Essa medida cautelar recente foi determinada pela Superintendência de Fiscalização (SFI-ANPD), graças às robustas evidências de que o Discord não teria adotado as medidas razoáveis para: "prevenir e mitigar riscos de acesso, exposição, recomendação ou facilitação de contato com conteúdos ou práticas que representem graves violações de direitos de crianças e adolescentes no âmbito do seu serviço, sobretudo indução, incitação, instigação ou auxílio à violência, à automutilação e ao suicídio, conforme o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (art. 6º, II e III). 

Cabe esclarecer que, de acordo com a Superintendência, essa medida não trata-se de um bloqueio do Discord no Brasil. O que fica suspenso é somente a funcionalidade chamada "Go Live", que é utilizada para transmissões ao vivo em servidores fechados, justamente para reduzir os riscos de danos graves aos quais esses menores de 18 anos ficam expostos. 

"De acordo com a área técnica, a Agência já tem elementos suficientes que justificam a necessidade dessa ação emergencial com foco nessa funcionalidade específica da plataforma", cita a ANPD em nota. 

Essa funcionalidade, segundo a Agência Nacional de Proteção de Dados, estaria sendo reiteradamente usada para prática de crimes graves nos últimos anos. Tal medida cautelar também não impede a adoção de demais medidas no curso de processo de fiscalização instaurado. 

Em outras palavras, há a possibilidade, por exemplo, de celebrar um plano de conformidade para comprometimento do Discord com a implementação de melhorias em relação a outros aspectos dos seus serviços para cumprir as exigências do chamado ECA Digital. 

Uso criminoso

Como bem esclarece a ANPD, as transmissões ao vivo no Discord ficam suspensas após conclusão sobre o uso recorrente do espaço: "como ambiente para a prática de graves violações contra crianças e adolescentes, episódios nos quais as lives têm sido reiteradamente empregadas em práticas de violência, assédio, indução à automutilação e ao suicídio".  

Isso porque, o Discord não teria em sua arquitetura técnica adotada o pleno acesso ao  conteúdo das transmissões de vídeo enquanto elas ocorrem. Isso torna inviável o uso de mecanismos de análise do conteúdo audiovisual bem como a detecção em tempo real de violações no âmbito do servidor. 

Conforme a Agência Nacional de Proteção de Dados, os sistemas automatizados da plataforma seriam falhos e o Discord dependeria das denúncias dos próprios participantes onde essas violações ocorrem para ter acesso ao conteúdo das práticas criminosas. 

Como se não bastasse, após a promulgação do ECA Digital, às vezes da popular "Lei Felca" entrar em vigor, o Discord teria realizado mudanças técnicas na dita funcionalidade "Go Live". 

Para a ANPD, essas alterações tornaram a plataforma “ainda menos protetiva para crianças e adolescentes, violando deveres de prevenção da concepção ao gerenciamento contínuo dos riscos relacionados aos recursos, funcionalidades e sistemas”. 

Ou seja, a "falha na moderação" ocorre porque as medidas atualmente descritas pela plataforma possuem apenas um caráter predominantemente posterior ao dano, ou uma "efetividade preventiva limitada". 

Através da associação civil de direito privado, sem fins lucrativos, SaferNet Brasil, é feito um levantamento em que essa Organização Não Governamental (ONG) mede o número de denúncias envolvendo, por exemplo, o Discord. 

Em comparação, essa plataforma teria registrado um aumento de 54% no volume de denúncias entre os sete primeiros meses de 2025 e 2026, indo de 264 para 406 notificações no período.  

Medidas e recursos

Para além da suspensão da "Go Live", conforme a medida cautelar, o Discord precisa suspender recursos de transmissão e compartilhamento de vídeos equivalentes. Além disso, é necessária a implantação de mecanismos tecnicamente eficazes contra a burla. 

"A medida incide especificamente sobre funcionalidade que a ANPD entendeu apresentar evidências robustas de configurar o maior risco para menores de 18 anos, não representando impedimento da continuidade de outras atividades da plataforma, ou de seus potenciais usos legítimos". 

Essa suspensão deve valer até que a plataforma demonstre implementação e efetividade de medidas técnicas, de segurança e de governança adequadas aos riscos identificados para crianças e adolescentes. 

Uma vez em conformidade com o determinado, o Discord poderá obter autorização expressa e prévia da própria ANPD para reativar, total ou parcialmente, o recurso de lives em sua plataforma. 

Caso sejam constatadas irregularidades, a ANPD poderá determinar medidas corretivas e aplicar sanções em âmbito administrativo, conforme prevê o artigo número 35 do ECA Digital. 

Notificados pela Superintendência da Agência Nacional de Proteção de Dados, diante de irregularidades, isso significa que o Discord pode sofrer a aplicação de uma multa de até R$50 milhões por infração. 

Fica aberto agora o prazo de três dias úteis para o Discord comprovar o cumprimento integral da suspensão no território nacional.

Além disso, há ainda o prazo de dez dias úteis para apresentar recurso junto à Superintendência de Fiscalização. Diante de uma ausência de reconsideração por parte SFI, haverá possibilidade de recorrer ao Conselho Diretor da ANPD. 

Relembre

Na manhã de 22 de julho, em Naviraí, distante aproximadamente 365 quilômetros da Capital do Mato Grosso do Sul, Lívia foi encontrada sem vida pelos familiares após ter sido incitada ao autoextermínio por grupos extremistas.

O trabalho do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) da Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça e Segurança Pública (Senasp/MJSP), identificou que esse caso inicialmente reportado como suicídio tratava-se, de fato, de um homicídio resultante de manipulação feita por organização criminosa no ambiente online.

Já nesta última terça-feira (04) foi deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul a Operação Livia, através da qual foram cumpridas de forma simultânea, seis medidas de busca e apreensão contra adolescentes e um mandado de prisão contra um adulto.

Várias são as terminologias que esses envolvidos usam internamente, reunindo-se, por exemplo, nas chamadas "panelas" para prática dos crimes virtuais.

Antes desse momento, porém, os adolescentes acusados revelaram após apreensão que há toda uma "engenharia social" para cooptar as vítimas para exploração nas redes sociais. Operando de forma anônima, eles sequer saberiam as identidades ou localizações reais uns dos outros, criando inclusive perfis falsos com fotos de pessoas de outro sexo para conseguir atrair as vítimas. 

"Então eles começam a procurar pela família; onde estuda, e diante de todas aquelas informações, se passa por outra pessoa. Importante frisar que nenhuma rede social dessas pessoas condizia com a foto delas. Era sempre outro tipo de pessoa, de sexo, realmente para conseguir trazer a vítima".

Reunidos nas mais diversas plataformas, como por exemplo o Discord, os administradores desses grupos eram responsáveis por marcar o que chamavam de "evento". 

"Nessa noite que teve esse 'evento' (morte da Lívia), porque é assim que eles chamam dentro dos grupos nomeados por eles de 'panelas', ocorreu uma automutilação. Logo na sequência que é divulgado esse suicídio, porque não houve moderação, houve falha na plataforma Discord que não foram derrubados, teve essa automutilação em outro Estado", comenta a titular da Depca.

Segundo explicação dada pela delegada, é como se os administradores de cada "panela" se tornassem os donos dessas vítimas e que, apesar de não ser o caso de Lívia, há vítimas que se cortavam e tinham que escrever o nome do administrador com o próprio sangue.

"Para mostrar: 'eu sou de fulana de tal', porque elas eram obrigadas a fazer isso, porque elas estavam acreditando que vai acontecer algo", complementa. 

Entenda

Através da Operação Lívia uma grande quantidade de material foi apreendido, evidenciando uma verdadeira organização criminosa para manutenção de escravas virtuais, o que atingiria principalmente meninas. 

Essas vítimas seriam manipuladas e pressionadas até a prática do suicídio, que eram transmitidos para várias pessoas por meio das redes sociais. 

Essas "panelas" virtuais competiriam por "hype", uma hierarquia de popularidade medida através de atos de violência cada vez maiores, que davam status para seus integrantes que inclusive repassavam o passo a passo para as vítimas "do que" e "como" fazer.

Alguns desses alvos vitimados recebiam bonificações conforme avançavam no "jogo" ao cumprirem os atos de "luz". Justamente a recusa de Lívia de encarregar-se de fazer a "luz" e matar seu próprio gato foi o "estopim" da morte da adolescente em MS

"A Lívía antes de se matar ela tinha que fazer o que eles chamam de 'Luz', que é a agressão. Ela tinha que matar o gato dela e não cumpriu o que deveria ter cumprido. É como se eles estivessem jogando um videogame... tem que passar de fase", explica a delegada.

Como bem esclarece a respeito da "engenharia social" dos criminosos, muitas vítimas era alvos do chamado "doxxing", que seria a busca e exposição de dados particulares de uma pessoa na internet sem a devida permissão dela. 

Nessa prática criminosa, o objetivo costuma ser a busca por aterrorizar, envergonhar ou ameaçar a vítima com a exposição de dados que podem incluir nome real, endereço, CPF, telefone, etc. 

"A Lívia mesmo, antes de tomar a decisão de realmente se matar, ela tinha sido 'doxada' por esses adolescentes, e isso exercia muita ameaça, porque estavam envolvidas ali a família, então ela não sabe o que vai acontecer, se 'é só comigo', 'é pra minha família também', então ela acabou tirando a vida após essa pressão", afirma. 

Como bem esclarece a respeito da "engenharia social" dos criminosos, muitas vítimas era alvos do chamado "doxxing", que seria a busca e exposição de dados particulares de uma pessoa na internet sem a devida permissão dela. 

Nessa prática criminosa, o objetivo costuma ser a busca por aterrorizar, envergonhar ou ameaçar a vítima com a exposição de dados que podem incluir nome real, endereço, CPF, telefone, etc. 

"A Lívia mesmo, antes de tomar a decisão de realmente se matar, ela tinha sido 'doxada' por esses adolescentes, e isso exercia muita ameaça, porque estavam envolvidas ali a família, então ela não sabe o que vai acontecer, se 'é só comigo', 'é pra minha família também', então ela acabou tirando a vida após essa pressão", afirma. 

Segundo a delegada, foi o adolescente infrator apreendido no Rio de Janeiro o responsável por repassar e determinar as coordenadas para Lívia, fornecendo esse "passo a passo" para a vítima sul-mato-grossense. 

Sobre o esquema, é esclarecido ainda que para além da satisfação pessoal com o sofrimento das vítimas, esses indivíduos ganhavam "status" e valores inclusive eram pagos para que as pessoas praticassem determinados atos, bonificadas após uma automutilação ou maus-tratos animais. 

"O adolescente infrator que foi apreendido na Baixada Fluminense deu pra ela, ele determinou, todas as coordenadas que Lívia teria que fazer para se suicidar", completa a delegada.

Esses indivíduos devem agora responder pelos crimes de homicídio qualificado, organização criminosa e possivelmente também pelos maus-tratos contra animais. 

 

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ENSINO SUPERIOR

Estudantes de Medicina protestam contra estrutura e mudanças acadêmicas na Uniderp

Alunos foram às ruas nesta quarta-feira (12) para cobrar melhorias na infraestrutura, qualidade do ensino, organização do internato e transparência sobre nova avaliação

12/08/2026 12h30

Estudantes de Medicina da Uniderp realizaram manifestação nesta quarta-feira (12), em Campo Grande

Estudantes de Medicina da Uniderp realizaram manifestação nesta quarta-feira (12), em Campo Grande Divulgação

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Estudantes do curso de Medicina da Uniderp realizaram, nesta quarta-feira (12), uma manifestação em Campo Grande para cobrar melhorias nas condições oferecidas pela universidade. Com cartazes, os acadêmicos protestaram contra problemas de infraestrutura, questões relacionadas à qualidade do ensino e ao internato médico, além de mudanças acadêmicas ocorridas ao longo do curso. 

Entre as mensagens exibidas durante o ato estavam frases como “Medicina não é mercadoria”, “Estrutura também faz parte da formação” e cobranças relacionadas à qualidade do ensino e às condições oferecidas aos alunos.

Estudantes de Medicina da Uniderp realizaram manifestação nesta quarta-feira (12), em Campo GrandeAlunos pedem por melhorias na infraestrutura - Divulgação

A mobilização ocorre em meio a uma série de reclamações apresentadas pelos estudantes. Imagens encaminhadas anteriormente à reportagem mostram água acumulada no piso de uma sala, danos no forro de banheiro, infiltrações e sinais de desgaste em dependências utilizadas pelos acadêmicos. Alunos também relataram o aparecimento de escorpiões nas instalações da instituição.

Para os estudantes, as condições ganham ainda mais relevância diante do custo da graduação. Atualmente a mensalidade do curso de Medicina chega a aproximadamente R$ 14 mil e pode ficar em torno de R$ 12,6 mil com desconto. Os acadêmicos argumentam que os valores cobrados deveriam ser acompanhados de estrutura e serviços compatíveis com a formação oferecida.

As reinvindicações, porém, vão além das condições do campus. Os estudantes relatam mudanças e incertezas durante a graduação, principalmente em relação aos critérios de avaliação, à organização acadêmica e ao planejamento do percurso até a conclusão do curso.

Acadêmicos também afirmam recorrer a cursos preparatórios, plataformas digitais e outros materiais externos para complementar o aprendizado e se preparar para avaliações, inclusive o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed).

Além destas reclamações, outro ponto, 

envolve o internato médico, período da graduação em que os estudantes passam a desenvolver atividades práticas supervisionadas em ambientes de atendimento.

Entre as reclamações estão a organização das atividades, questões envolvendo professores, cumprimento de horários e alterações na carga horária.

Em meio às diferentes reivindicações, a Avaliação de Progresso e Proficiência Clínica (APPC) tornou-se um dos principais pontos de tensão entre os estudantes e a universidade.

Acadêmicos que ingressaram no primeiro semestre de 2023 e em períodos anteriores à publicação da Resolução CNE/CES nº 3/2025 elaboraram uma notificação extrajudicial dirigida à Reitoria da Uniderp e à coordenação do curso de Medicina.

No documento, eles solicitam esclarecimentos sobre a nova sistemática de avaliação, acesso a documentos institucionais e a suspensão de eventuais efeitos impeditivos de progressão para as turmas anteriores às novas diretrizes.

Segundo o relato apresentado pelos estudantes na notificação, eles foram informados de que a APPC funcionaria como uma avaliação abrangente e exigiria desempenho mínimo para progressão acadêmica.

A principal preocupação é com a possibilidade de o estudante ser impedido de avançar no curso caso não alcance o desempenho exigido na avaliação, mesmo que tenha sido aprovado nas disciplinas, módulos e estágios previstos na matriz curricular.

A notificação questiona ainda a eventual exigência de nota mínima 7 e a possibilidade de retenção ou impedimento de ingresso no internato.

Os estudantes sustentam que a Resolução CNE/CES nº 3/2025 prevê avaliação somativa abrangente antes do internato para verificar as competências necessárias à atuação supervisionada, mas questionam a interpretação de que a norma autorizaria automaticamente a adoção de nota mínima 7 e retenção acadêmica nos moldes que afirmam ter sido apresentados.

Uniderp anuncia melhorias e nova reunião

Em nota divulgada nesta quarta-feira (12), a Uniderp informou que mantém em andamento um plano de melhorias para o curso de Medicina, com investimentos em infraestrutura, medidas acadêmico-pedagógicas e fortalecimento dos cenários de prática.

"A Uniderp informa que mantém em andamento um plano de melhorias para o curso de Medicina, com investimentos em infraestrutura, ações acadêmico-pedagógicas e fortalecimento dos cenários de prática. As intervenções, com início ainda no mês de agosto, incluem novos laboratórios, espaços de tutoria e auditórios, além da melhoria de outros ambientes utilizados pelo curso e pela Universidade. A instituição também mantém parcerias com a Secretaria Municipal de Saúde, hospitais e outras unidades da rede, assegurando aos estudantes experiências práticas em diferentes níveis de atenção à saúde.
Sobre a Avaliação de Progresso e Proficiência Clínica (APPC), a Uniderp esclarece que o instrumento acompanha o desenvolvimento dos estudantes e integra as adequações acadêmicas realizadas em consonância com as Diretrizes Curriculares Nacionais. A instituição reconhece que mudanças podem gerar dúvidas e apreensão e reforça que manifestações e questionamentos dos alunos não implicam qualquer tipo de retaliação.
Representantes das turmas se reuniram com a coordenação do curso no último dia 10 e estão convidados para uma nova reunião em 18 de agosto, quando serão atualizados sobre o cronograma das obras e os investimentos previstos, além de discutirem propostas de melhorias acadêmicas apresentadas pelos estudantes. As sugestões deverão ser protocoladas junto à coordenação até 17 de agosto.
A Uniderp reafirma seu compromisso com a qualidade da formação médica, a melhoria contínua e o diálogo transparente com seus estudantes."

 

negócio da china

Câmara faz pouco caso e "perdoa" dívida bilionária da prefeitura com o IMPCG

Valor R$ 2,385 bilhões foi dividido em 300 parcelas iguais de R$ 7,9 milhões. Os juros incidem somente sobre o valor da parcela e não corrigem o saldo devedor

12/08/2026 11h55

Dos 22 vereadores que votaram, apenas um foi contrário à proposta de parcelamento por entender que o IMPCG sofreria prejuízo milionário

Dos 22 vereadores que votaram, apenas um foi contrário à proposta de parcelamento por entender que o IMPCG sofreria prejuízo milionário

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A Câmara de Vereadores de Campo Grande aprovou, praticamente sem alterações, o projeto do Executivo que “perdoa” uma dívida de quase R$ 2,4 bilhões que a administração municipal confessou ter com o Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande (IMPCG).

Em regime de urgência e única discussão, a proposta foi aprovada com 21 votos favoráveis e apenas um contrário nesta terça-feira (11). A medida permite que a prefeitura pague em 300 parcelas, que inicialmente serão de R$ 7,9 milhões, a dívida previdenciária que inicialmente era de R$ 821,3 milhões mas que em abril deste ano já estava em R$ 2,385 bilhões.

Os vereadores aceitaram a proposta que corrige somente o valor da parcela, sem incidência de juros sobre o saldo da dívida. Haverá juros simples de 0,5% ao mês e mais a correção da inflação somente sobre os R$ 7,9 milhões que será pagos mensalmente.

Supondo que esses juros sejam de 1% ao mês, a correção mensal será da ordem de R$ 79 mil mensais. Porém, se os juros incidissem sobre o saldo devedor, esta correção mensal seria de quase R$ 24 milhões mensais.

E, a dívida foi dividida em parcelas iguais. Ou seja, daqui a 25 anos, quando vencer a última prestação, os R$ 7,9 milhões, que hoje equivalem a quase 4,9 mil salários mínimos, terão sido corroídos pela inflação e terão peso insignificante para bancar o pagamento do salário de aposentados e pensionistas.

Atualmente, somando a contribuição previdenciária patronal e a dos servidores, o IMPCG arrecada em torno de R$ 48 milhões mensais. O custo das aposentadorias e pensões, porém, é da ordem de R$ 60 milhões, já incluindo os custos administrativos do Instituto. Ou seja, mensalmente a administração municipal faz um aporte extra de R$ 12 milhões para pagamento de aposentadorias.

Então, os R$ 7,9 milhões relativos ao pagamento da dívida serão automaticamente gastos todos os meses para o pagamento das aposentadorias e a necessidade de aporte da prefeitura automaticamente cairá para R$ 4 milhões. Isso significa o pagamento mensal das parcela não fará diferença real nem para a Prefeitura nem para o IMPCG. 

Mas, se os juros incidissem sobre o total da dívida, o que equivaleria a cerca de R$ 24 milhões mensais, e os R$ 7,9 milhões fossem relativos ao abatimento do saldo devedor, o Instituto receberia mensalmente um repasse extra de quase R$ 32 milhões e passaria a ser superavitário em cerca de R$ 20 milhões por mês.

E, sendo superavitário, conseguiria investir estes recursos para garantir o pagamento das aposentadorias a médio e longo prazo sem depender de aportes do caixa dos aportes da Prefeitura.

TOQUE DE CAIXA

O “debate” para o parcelamento da dívida bilionária durou apenas 20 minutos. Duas emendas apresentadas por servidores foram rejeitadas a toque de caixa pela Comissão de Constituição e Justiça, que nem mesmo se reunião em separado e levou apenas quatro minutos para rejeitar as propostas, que nem mesmo haviam sido lidas antes do início da votação da proposta..

O vereador Carlão Borges, que presidia a sessão, nem mesmo sabia ao certo se era uma ou duas propostas de emenda. Mesmo assim, alertou os integrantes da CCJ que seria importante que eles prestassem atenção no que estava sendo proposto porque havia o risco de votarem a favor sem saberem o que estava sendo votado. Mesmo assim, bastaram alguns minutos para os pedidos dos servidores que exigiam alteração na forma de cálculo dos juros fosse engavetada.

E foi justamente por conta desta fórmula de cálculo dos juros que o petista Jean Ferreira foi o único a votar contra, pois, segundo ele, o IMPCG perderia em torno de R$ 300 milhões pelo fato de estarem sendo utilizados juros simples e não juros compostos para corrigir o valor mensal dos R$ 7,9 milhões.

Mas, ele também não questionou o fato de estes juros não incidirem sobre o valor total da dívida, como ocorre, por exemplo, em qualquer financiamento ou parcelamento de dívida ou de financiamento habitacional.

Além de Beto Avelar, líder da prefeita, a vereadora Luíza Ribeiro (PT) foi única que mostrou interesse em debater o projeto. E, segundo ela, seu voto foi favorável à proposta porque o próprio conselho deliberativo do IMPCG aceitou a fórmula de parcelamento. O IMPCG é presidido pelo ex-vereador Marcos Tabosa, indicado pela prefeita Adriane Lopes (PP) para ocupar o cargo.

Uma das propostas engavetadas pela CCJ determinava que a prefeitura mantivesse o aporte mensal da ordem de R$ 12 milhões e que os R$ 7,9 milhões do parcelamento fossem destinados todos os meses para incrementar o fundo previdenciário, que hoje está em R$ 50 milhões. 

ORIGEM

A dívida do Executivo surgiu, conforme admite a própria administração, porque entre 2010 e 2021 ocorreram repasses patronais inferiores aos previstos na legislação. Mas, segundo o advogado Márcio Almeida, não existe nenhuma certidão ou garantia atestando que depois disto o recolhimento passou a ser feito de forma adequada.

Ele representa uma série de sindicatos de servidores e estes chegaram a enviar à Câmara uma sugestão de emenda para que a administração municipal apresentasse esse certificado. A proposta, porém, nem mesmo chegou a ser colocada em votação.

A única alteração que os vereadores fizeram na proposta original é que o Executivo preste contas trimestralmente dos valores recebidos do FPM e vinculados aos pagamentos previstos, bem como dos valores da contribuição previdenciária repassados pelo Executivo ao IMPCG, mediante relatório encaminhado à Câmara Municipal.

O Executivo fez a proposta de parcelamento da dívida bilionária porque corria o risco de ficar sem os repasses mensais do Fundo de Participação dos Municípios, que é da ordem de R$ 30 milhões mensais.

Além disso, se não fizesse o parcelamento até o dia 31 de agosto, perderia o direito de contrair empréstimos na Caixa Econômica Federal. Se isso acontecesse, teria de engavetar os projetos que prometem asfalto para mais de 30 bairros, já que a administração está tomando emprestados mais de R$ 430 milhões para viabilizar estas obras. 

Conforme mensagem do Executivo enviado à Câmara,, o município aderiu ao Programa de Regularidade Previdenciária, mediante a assinatura de Termo de Parcelamento junto à Secretaria de Regime Próprio e Complementar do Ministério da Previdência Social.

A irregularidade no Certificado de Regularidade Previdenciária implica, dentre outras consequências, a suspensão das transferências voluntárias da União ao município, o impedimento para celebrar acordos, contratos, convênios ou ajustes com órgãos da administração direta e indireta federal, a vedação para receber empréstimos, financiamentos, avais e subvenções de instituições financeiras federais.


 

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