Cidades

DISPARIDADE

Agora com alguns "marajás", prefeitura tem 3.320 com menos de um mínimo

Grupo de 155 pessoas vair receber em torno de R$ 70 mil, enquanto que esses milhares recebem complemento para chegarem ao salário mínimo nacional

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A aprovação folgada, 24 a 2, do projeto que garantirá rendimento mensal da ordem de R$ 70 mil para cerca de 120 auditores fiscais da Secretaria de Finanças e 35 procuradores trouxe à tona um problema crônico na folha de pagamento da prefeitura de Campo Grande, que é o fato de haver exatos 3.320 servidores que têm salário-base inferior ao valor do mínimo nacional. 

Os números tanto dos "155 marajás" quanto dos "plebeus" são do vereador Valdir Gomes, que votou a favor do projeto que melhorou os rendimentos da elite do funcionalismo municipal, mas fez questão de ocupar a tribuna para registrar seu protesto justamente por conta desta disparidade.

“Eu me sinto envergonhado como vereador aqui nessa Casa. Porque eu tô lutando há mais de seis meses por esse pessoal e não vejo manifestação aqui para ajudar essas pessoas. Eu quero semana que vem discutir essa questão aqui”, esbravejou durante a votação desta quinta-feira (30).

De acordo com ele, como a legislação impede que alguém receba menos que um salário mínimo, a prefeitura paga complemento salarial. O problema é que quando estas pessoas se aposentam elas perdem este complemento e acabam recebendo apenas 800 a 900 reais, o “que é uma vergonha”, pontua.

“Tem centenas de pessoas que já trabalharam mais de 30, 35 anos mas que não querem se aposentar  porque não podem ficar sem essa complementação salarial”, segundo o vereador. A partir de agora, diz, não vai dar sossego ao Executivo até que seja aprovado um projeto elevando o menor salário-base da prefeitura para pelo menos um mínimo, que em 2024 deve passar dos atuais R$ 1.320,00 para R$ 1.421,00. 

Essa alteração, contudo, provocaria uma espécie de efeito cascata nos rendimentos daqueles que estão enquadrados até a chamada classe 10. “Esse efeito, porém, é irrelevante, ainda mais levando em consideração que beneficiaria um número muito grande de servidores. Além disso, se tem dinheiro para quem já recebia bem, é inadmissível aceitar o argumento de que faltam recursos para dar uma mixaria para esse pessoal”, reclama. 

A proposta que muda a forma de cálculo dos auditores foi de autoria do próprio Executivo e, segundo o Carlão Borges, presidente da Câmara, a categoria se comprometeu a elevar em cerca de R$ 6 milhões mensais a arrecadação e somente se isso acontecer é que terão direito a um bônus maior, que tende a passar dos atuais R$ 15 mil para cerca de R$ 50 mil, líquidos. 

CARONA

Sem saber exatamente o que estavam aprovando, os vereadores também estenderam os benefícios concedidos aos cerca de 120 auditores para um seleto grupo de cerca de 35 procurados jurídicos da prefeitura de Campo Grande. 

Valdir Gomes só descobriu nesta sexta-feira que havia aprovado uma emenda ao projeto original incluindo os procurados na lista dos servidores municipais que vão dividir entre si uma parcela do aumento da arrecadação, caso ela realmente ocorra. 

E, assim como ele, possivelmente vários outros também votaram a favor sem se darem conta de que uma outra categoria estava pegando carona e assim faria parte da elite do funcionalismo municipal. “Parece que tudo isso foi feito para legalizar aquilo que muita gente chama de folha secreta que há muito tempo existe na prefeitura”, conclui.


 

BURAQUEIRA

Em Ivinhema, forte chuva causa estrago e abre cratera em avenida

Prefeito Juliano Ferro publicou um vídeo, onde mostra que a rede de esgoto foi mal instalada por uma empresa terceirizada da Sanesul

05/10/2026 11h30

Cratera abriu depois de forte chuva no município de Ivinhema

Cratera abriu depois de forte chuva no município de Ivinhema Reprodução: Ivinotícias

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A forte chuva que atingiu o município de Ivinhema, neste domingo (4), abriu uma cratera no cruzamento das avenidas Antônio Travain e Fermino Alves de Souza, no bairro Piravevê. O prefeito Juliano Ferro (PL), o "Mais Louco do Brasil", visitou o local e explicou a causa do problema. 

Em vídeo divulgado nas suas redes sociais, o 'Mais Louco' diz que uma empresa, contratada pela Sanesul para prestar serviço de implantação de esgoto na cidade, passou o cano da rede por dentro do tubo de água da chuva e não fechou de maneira adequada o buraco. Com isso, o volume acumulado da precipitação passou por debaixo do asfalto e causou o estrago, abrindo a cratera na avenida.

O prefeito disse que o trecho será interditado e acionou a Sanesul, a qual informou ao gestor que enviará uma equipe de Campo Grande para resolver o problema.

Segundo a Defesa Civil, o município recebeu cerca de 55 milímetros de chuva durante a madrugada de sábado (3) para domingo (4), com ventos de aproximadamente 90 km/h.

O temporal também causou danos em Nova Andradina, onde árvores, outdoors e placas foram derrubados. Houve destelhamentos em diferentes regiões da cidade e interrupções no fornecimento de energia, problema registrado também em Batayporã.

Tabus quebrados

Vitória de Azambuja no Senado põe fim a tabu de 40 anos

Última eleição que um ex-governador do Estado conseguiu chegar ao Senado foi em 1986; MS também quebrou tabu de 16 anos com vitória de Riedel em primeiro turno para Governador

05/10/2026 11h10

Azambuja quebra tabu de 40 anos com eleição ao Senado sendo um ex-governador do Estado

Azambuja quebra tabu de 40 anos com eleição ao Senado sendo um ex-governador do Estado Paulo Ribas / Correio do Estado

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Após 40 anos, Reinaldo Azambuja (PL) conseguiu quebrar o tabu de um ex-governador de Mato Grosso do Sul conseguir chegar ao Senado. A última vez em que o fato ocorreu foi em 1986, quando o então governador do Estado, o advogado Wilson Barbosa Martins, do PMDB conseguiu uma vaga no Congresso.

Na ocasião, Wilson Martins se candidatou à vaga quando ainda exercia o último ano de seu mandato como governador de Mato Grosso do Sul, em 1986. Ao abrir mão do cargo para tentar o Senado em 14 de maio daquele ano, o seu vice, Ramez Tebet também do PMDB, assumiu o Governo do Estado, durante os 10 meses restantes do mandato.

Com o feito conquistado, o advogado ficou apenas um mandato no Senado, de 15 de março de 1987 a 1º de janeiro de 1995. Após isso, Wilson Martins retornou ao Governo de MS, com seu último mandato político de 1995 a 1999.

Agora Senador, Azambuja conseguiu quebrar o tabu de 40 anos de um ex-governador conseguir se eleger senador, isso porque outros dois governadores eleitos pelo voto direto, também tentaram a alteração do cargo político, mas sem sucesso.

Pedro Pedrossian (PTB) e Zeca do PT, tentaram, em 2002 e 2018, respectivamente. O primeiro foi derrotado por Delcídio do Amaral, que na época assumiu durante dois mandatos consecutivos de 2003 a 2011 e 2011 a 2019, sendo candidato do PT.

Já Zeca do PT não conseguiu se eleger por ter sua candidatura ao Senado impugnada a pedido da Procuradoria Regional Eleitoral do Estado, em agosto de 2018, devido a uma condenação em segunda instância pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) por improbidade administrativa em 2017.

Atualmente, Zeca do PT foi eleito deputado estadual nas Eleições 2026, por estar absolvido pela Justiça por unanimidade do caso de improbidade, de 2017.

Porém, na época, o deputado perdeu seus direitos políticos e ficou inelegível, o que resultou no mandato de Nelsinho Trad (PSD), e da advogada Soraya Thronicke, pelo Podemos, apoiada pelo ex-presidente condenado por tentativa de golpe Jair Bolsonaro, quando houve a chamada "Onda Bolsonarista", em que candidatos apoiados por ele assumiram cargos no Congresso.

Depois do finado Wilson Martins, que faleceu aos 100 anos de idade em 13 de fevereiro de 2018, Reinaldo Azambuja repete o feito. Governador pelo Estado de 2015 a 2022, agora, representando o Estado pelos próximos oito anos no Senado, Azambuja foi eleito ontem (04) para a primeira vaga de Mato Grosso do Sul, com 34,64% dos votos.

A segunda vaga ficou com o também candidato do PL, Capitão Contar, com 32,82% dos votos.

Quebra de tabus

Mato Grosso do Sul também pôs fim a mais um tabu de eleições. Após 16 anos, o cargo de Governador do Estado foi definido ainda no primeiro turno. Com 17 pontos percentuais a mais do que o necessário para se eleger no primeiro turno, Eduardo Riedel (PP) teve 67,07% de votos válidos.

O último candidato que conseguiu o mesmo feito foi em 2010, quando André Puccinelli ganhou sua reeleição no primeiro turno, com 55,99% dos votos válidos, sendo 704.407 votantes nele. O segundo colocado foi Zeca do PT, com 42,49%, com a diferença de 169.806 votos entre os dois candidatos.

A diferença entre Riedel e o segundo colocado desta eleição é ainda mais expressivo. Foram 914.323 votos para o candidato eleito, e 322.807 votos para Fábio Trad, concorrente ao Governo pelo Partido dos Trabalhadores (PT), que não chegou à 25% dos votos válidos.

Entre 2010 a 2026, todas as disputas governamentais foram para o segundo turno. Em 2014, Reinaldo Azambuja (PSDB) conseguiu elerger-se contra Delcídio do Amaral (PT), com 55,34%.

Na eleição seguinte, em 2018, Azambuja conquistou sua reeleição no segundo turno, em disputa com o juiz Odilon de Oliveira (PDT), com 52,35%.

E em 2022, novamente o cargo do Governo foi definido no segundo turno. Na ocasião, os dois candidatos agora parceiros e apoiadores políticos um do outro, Eduardo Riedel e Capitão Contar disputaram a eleição, ganhando o atual Governador, com 56,90%.

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