Cidades

"CADÊ O DINHEIRO DAQUI?"

Águas alega prejuízo na pandemia e agora terá reajuste extra

Concessionária exige 1,67% de recursos extra, mas Agereg garante que irá recalcular o prejuízo para reduzir indíce

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Após cinco pedidos buscando reequilíbrio econômico-financeiro, apesar de lucros crescentes anuais, a Agência de Regulação dos Serviços Públicos Delegados de Campo Grande (Agereg) concedeu reajuste extra para a concessionária Águas Guariroba, que alegou prejuízo devido às proibições de “suspensão de serviço” durante a pandemia de Covid-19. 

Foi expedido um mandado de segurança, para que a Agereg julgasse a causa da concessionária e, como esclarece o diretor-presidente da Agereg, Odilon Júnior, dos cinco pedidos feitos pela Águas Guarirobas, quatro foram negados e apenas um deferido. 

"Apesar de entender que houve um impacto na questão matemática, a gente entendeu que a concessionária poderia suportar sozinha esses valores, de acordo com grande faturamento que eles têm".

Como bem citado por Odilon Júnior, e revelado publicamente pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgoto de Mato Grosso do Sul (Sindágua-MS), a concessionária acumula lucros crescentes anuais nos últimos seis anos.

Conforme os números divulgados, de 2017 até o ano passado a Água contabilizou os seguintes lucros: 

  • 2017 | R$ 173,1 milhões,
  • 2018 | R$ 148,0 milhões,
  • 2019 | R$ 157,3 milhões,
  • 2020 | R$ 208,67 milhões,
  • 2021 | R$ 227,13 milhões 
  • 2022 | R$ 286,2 milhões

Para alcançar o reajuste, a Águas cita ter sido afetada principalmente pelo decreto municipal 14.193/2020, que proibia o corte no fornecimento do serviço e foi prorrogado algumas vezes consecutivas, durando aproximadamente 535 dias.  

“Já em relação à Covid, fizeram um pedido de um valor total, que são vários ‘itenzinhos’ que compõem esse quinto pedido, e a gente excluiu praticamente metade, porque o contrato prevê que não cabe Pedi para recalcular o restante para a gente poder apreciar esse restante ou não”, complementa Odilon. 

Com isso, a Águas Guariroba fica intimida a tomar ciência da decisão da Agereg, da qual ainda poderá recorrer ou não. Ainda assim, o diretor-presidente da Agência comenta que, em tese, a ideia é que o consumidor seja o menos afetado nesse processo, sem descartar um acordo entre o Executivo e concessionária. 

"Nas outras decisões, que o processo estava maduro, entendemos que a Águas poderia suportar esse ônus sozinha, até cito o balanço deles em uma decisão e o lucro mensal em outro... e o interesse social do contrato, para não afetar a população. Apesar do cálculo matemático, [a Águas] não obedeceram critérios temporais para o pedido, por isso neguei; indeferi pela questão de entender que podem suportar esse ônus", ressalta.

Ainda que o percentual sugerido pela concessionária - de 1,67% - deverá ser recalculado pela equipe técnica da Agereg, com o reequilíbrio podendo vir por meio de reajuste da tarifa, ou incorporado em tempo de concessão, com a chance da recuperação pelos 535 dias durar "a vida toda". 

"Geralmente, como é um reflexo do dinheiro no tempo, costumam ser perenes. Mas ainda vou analisar essa situação, não vou antecipar minha decisão, porque se não entram com uma ação e inviabilizam ela. Tem a chance de ser perene, sim, isso vai ser apreciado", conclui Odilon. 

 

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disputa

Empreiteira capixaba provoca novo deságio atípico em licitação em MS

Valor máximo estipulado pela Agesul para asfaltar 25 km da MS-040 foi de R$ 106 milhões, mas após deságio de 5,6%, a obra deve ser contratada por R$ 100 milhões

04/05/2026 18h40

Entre Campo Grande e Santa Rita do Pardo a rodovia já está pavimenatada. Falta asfaltar entre Santa Rita e Brasilândia

Entre Campo Grande e Santa Rita do Pardo a rodovia já está pavimenatada. Falta asfaltar entre Santa Rita e Brasilândia

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Após oferecer uma série de descontos e provocar a redução atípica de 5,8% sobre o valor máximo da licitação para pavimentar 23 quilômetros da MS-134, em Nova Andradina, a empresa Capixaba Contek Engenharia mais uma vez foi protagonista em uma disputa licitatória e desta vez, na MS-040, o abatimento chegou a 5,6% sobre máximo definido pelo Governo do Estado. 

Mas, assim como da primeira concorrência, a construtora do Espírito Santo deve perder a disputa, pois a empreiteira cuiabama MTSUL ofereceu valor um pouco menor e agora só falta a hologação do resultado, conforme ata da licitação publicada na últama quinta-feira (30). 

O valor máximo para o asfaltamento de 25 quilômetros da MS-040, entre Santa Rita do Pardo e Brasílândia, foi definio em R$ 106 milhões pela Agesul. Mas, após uma série de 26 lances envolvendo a Contek e a MTSUL, a empresa de Mato Grosso se ofereceu a fazer a obra por R$ 100,013 milhões. A empreiteira do Espírito Santo, por sua vez, parou  depois de dar como lance mínimo o valor de R$ 100,287 milhões. 

Na licitação relativa à pavimentação da MS-134, a construtora capixaba chegou a ofereceu a menor proposta, mas acabou sendo excluída porque ofereceu descontos acima do máximo permitido em alguns dos itens descritos no edital. Por conta disso, a segunda colocaca, a goiana Caiapó, foi chamada pera assumir a obra, faltando somente a oficialização do resultado. 

No caso da MS-040, também ainda falta a homologação do resultado, mas na última atualização da ata d já aparece a empresa de Mato Grosso como a provável vencedora. Desde 2017 que a empresa do estado vizinho não realiza obras em Mato Grosso do Sul. 

Na MS-040 estão em andamento duas licitações. Uma tinha valor máximo estipulado em R$ 106 milhões e a outra (lote 04), tem valor máximo fixado em R$ 81,9 milhões. O certame relativo ao lote 04, porém, ainda não chegou à fase da apresentação das propostas financeiras. 

DESCONTOS ATÍPICOS

Nas licitações para novas pavimentações e para recapeamentos lançadas nos últimos dois anos, o deságio médio raramente superam 1% sobre o valor máximo estipulado no edital.  em uma delas, a pavimentação de 63 quilômetros da MS-320, entre Inocência e Três Lagoas, foi contratada com deságio zero, por  R$ 276.169.461,16. 

Em setembro do ano passado, em denúncia contra o prefeito de Terenos, Henrique Wancura Budke (PSDB), e outros 25 supostos integrantes de um esquema de fraudes em licitações, o procurador-chefe do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, Romão Ávila Milhan Junior, cita que o normal em licitações públicas seria um deságio entre 15% e 37%. Ele se baseou em levantamentos do Tribunal e Contas da União (TCU).

Investimento

Bracell investirá R$ 100 milhões em porto em Três Lagoas

Empresa anuncia aporte superior a R$ 100 milhões para implantação de porto fluvial na região da Laje da Cascalheira, com foco no escoamento da produção de silvicultura e fortalecimento da logística regional

04/05/2026 18h31

Empresa anuncia aporte superior a R$ 100 milhões para implantação de porto fluvial na região da Laje da Cascalheira, com foco no escoamento da produção de silvicultura e fortalecimento da logística regional

Empresa anuncia aporte superior a R$ 100 milhões para implantação de porto fluvial na região da Laje da Cascalheira, com foco no escoamento da produção de silvicultura e fortalecimento da logística regional Foto: Wander de Oliveira

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Três Lagoas receberá um novo pacote de investimentos por meio de uma parceria com a empresa Bracell, que prevê a implantação de um porto fluvial na região da Laje da Cascalheira, com aporte superior a R$ 100 milhões.

O empreendimento será voltado ao escoamento da produção do setor de silvicultura, com foco na ampliação da eficiência logística e no fortalecimento da cadeia produtiva da empresa na região.

A nova estrutura deve impactar diretamente a movimentação econômica do município, com expectativa de geração de empregos tanto na fase de obras quanto na operação do terminal.

Além de otimizar o transporte da produção, o projeto busca consolidar a região como um novo eixo logístico de integração entre a produção florestal e o escoamento fluvial.

Como contrapartida ambiental e social, está prevista ainda a construção de um Eco Parque na área da Cascalheira, com investimento estimado em cerca de R$ 3 milhões.

O espaço será desenvolvido em conjunto com a Administração Municipal e terá como proposta principal a valorização do turismo ecológico e da convivência da população com a natureza.

O projeto do Eco Parque inclui a criação de áreas de lazer, espaços de convivência familiar, decks, torres de observação e um centro de recepção de visitantes.

A proposta é transformar a região em um novo ponto turístico do município, com infraestrutura voltada ao lazer e ao turismo sustentável, preservando as características naturais do local.

A previsão é de que a fase de implantação do porto gere aproximadamente 200 empregos temporários. Após a conclusão das obras, a operação deve contar com cerca de 100 vagas diretas.

Além disso, o funcionamento do terminal deve envolver cerca de 500 motoristas de caminhão, responsáveis pelo transporte da produção entre as áreas de cultivo e o porto fluvial, ampliando a movimentação econômica regional.

De acordo com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação, o projeto foi estruturado para garantir o equilíbrio entre desenvolvimento econômico, preservação ambiental e atividades de turismo e lazer.

“Apesar da operação da balsa, não haverá impacto significativo no ambiente local, na pesca ou no turismo náutico da região. É um projeto planejado para gerar desenvolvimento com responsabilidade, sem comprometer o uso do espaço pela população”, explicou a pasta.

Para o prefeito Cassiano Maia, a iniciativa representa o equilíbrio entre desenvolvimento e responsabilidade.

“É assim que trabalhamos: olhando para o futuro, com planejamento e responsabilidade. Estamos trazendo um investimento importante, que gera emprego, movimenta a economia e, ao mesmo tempo, garante uma contrapartida que valoriza o meio ambiente e cria um novo espaço de lazer para a população. É dessa forma que seguimos construindo uma Três Lagoas cada dia melhor”, destacou.

Primeira colheita

No último dia 29, a MS Florestal, empresa sul-mato-grossense pertencente à Bracell, iniciou sua primeira colheita em área plantada no Estado, em um marco ocorrido no município de Água Clara. O evento representa parte da estruturação de uma operação robusta que projeta Mato Grosso do Sul como um dos principais polos de silvicultura do país.

Na ocasião, o diretor de Operações Florestais da companhia, Mauro Quirino, destacou que a nova etapa simboliza a evolução do capital humano envolvido no projeto.

“O importante é o quanto todos cresceram. Não foi apenas o crescimento das árvores; muitas pessoas também evoluíram conosco. Temos técnicos que hoje já são supervisores e coordenadores. Estou muito feliz com toda essa jornada, pois a melhor colheita começa com segurança, qualidade, produtividade e baixo custo”, afirmou o executivo.

Já o gerente sênior de Florestal MS, José Marcio Bizon, destacou que o início da colheita representa a consolidação de um ciclo. “É um primeiro passo, mas um passo importante para chegarmos à matéria-prima e começarmos a retornar o investimento. Agora vamos fazer essa madeira chegar à indústria em São Paulo, com nossa própria matéria-prima”, explicou Bizon.

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