O Governo de Mato Grosso do Sul oficializou, nesta quarta-feira (8), a exoneração e a dispensa de dois servidores citados nas investigações da Operação Gutenberg, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), que apura um esquema de corrupção envolvendo contratos públicos, fraudes em licitações e lavagem de dinheiro.
As medidas foram publicadas no Diário Oficial do Estado e ocorrem um dia após o Executivo informar que afastaria ou exoneraria todos os servidores estaduais investigados pela operação.
Conforme a Resolução "P" Segov nº 701, de 7 de julho de 2026, o servidor Ed Carlo Britto Burgatt foi dispensado da Função de Confiança Executiva (FCE-02) que exercia na Secretaria de Estado de Saúde (SES), com efeitos retroativos a terça-feira (7).
Na mesma edição do Diário Oficial, o governo também publicou a exoneração de Felipe Paroschi Jafar, que ocupava cargo em comissão de Assessor II (CCA-08) na Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul). O ato prevê, caso seja servidor efetivo, a recondução ao cargo de origem.
As exonerações cumprem o posicionamento anunciado pelo Governo do Estado após a operação do Gaeco. Em nota divulgada na terça-feira (7), o Executivo afirmou que mantém ações permanentes de compliance e transparência e que determinou o afastamento e/ou exoneração dos servidores envolvidos nas investigações.
O governo informou ainda que, além de acompanhar as diligências conduzidas pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), instaurou auditoria interna para apurar procedimentos relacionados ao caso.
Operação
Deflagrada na manhã de terça-feira (7), a Operação Gutenberg cumpriu 16 mandados de prisão preventiva e 43 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho, Porto Murtinho, além de cidades de São Paulo e Goiás.
Segundo o MPMS, a investigação identificou a atuação de uma organização criminosa especializada em fraudar procedimentos de compras públicas, principalmente por meio de contratações diretas para aquisição de livros paradidáticos.
De acordo com a apuração, o grupo contava com a participação de empresários e servidores públicos que direcionavam contratos e dividiam recursos obtidos de forma ilícita. Os valores movimentados ultrapassariam R$ 27 milhões.
As investigações apontam ainda que integrantes da organização utilizavam a influência de servidores da área da saúde para condicionar a liberação de exames, cirurgias e vagas hospitalares na rede estadual à compra dos livros comercializados pelo grupo.
Entre os alvos da operação estão o ex-prefeito de Fátima do Sul, Junior Vasconcelos, atualmente lotado no gabinete do deputado estadual Jamilson Name (PP), além de Ed Carlo Britto Burgatt, alvo de mandados cumpridos no Complexo Regulador Estadual (Core).
Também foram presas Jéssica Burgatt, filha de Ed Carlo, além de Olívia Jafar e Rossana Jafar, ligadas à Gráfica Alvorada, apontada nas investigações.
O nome da operação faz referência ao inventor Johannes Gutenberg, responsável pela popularização da impressão de livros. Segundo o MPMS, a escolha remete ao fato de que, no esquema investigado, os livros teriam sido utilizados para conferir aparência de legalidade às fraudes praticadas pela organização criminosa.
Patinetes postos no Belmar Fidalgo - Foto: Paulo Ribas / Correio do Estado

