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Anemia infecciosa equina causa impacto em cavalos pantaneiros

Anemia infecciosa equina causa impacto em cavalos pantaneiros

EMBRAPA

25/01/2016 - 14h17
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O desempenho físico de cavalos é fortemente prejudicado pela anemia infecciosa equina (AIE). A descoberta foi feita por estudo da doença imunodepressora que atinge os equídeos (cavalos, jumentos, burros e mulas), confirmando os efeitos negativos causados pela enfermidade em cavalos do Pantanal. Foram investigados animais usados no manejo de gado em fazendas da região. 

A iniciativa, liderada pela pesquisadora Márcia Furlan, da Embrapa Pantanal (MS), é desenvolvida desde 2013 e finaliza agora os primeiros resultados. "Essa doença é viral e não tem cura. Uma vez que o animal esteja contaminado, vai estar sempre contaminado", diz a pesquisadora. 
 
A pesquisa envolveu ainda o trabalho da pesquisadora Adalgiza Carneiro, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), sob a coordenação da pesquisadora Sandra Santos, também da Embrapa Pantanal. Segundo Adalgiza, a equipe comparou o desempenho físico de um grupo de cavalos sadios com o de um grupo infectado em duas fazendas pantaneiras. O objetivo era examinar se a doença prejudica a realização da principal atividade desses animais na região, que é o manejo do rebanho na bovinocultura de corte. Os testes foram aplicados em dois grupos homogêneos de cavalos da raça Pantaneira, com avaliações de intensidade progressiva – que simularam a rotina de trabalho dos animais na região.
 
Doentes trabalham menos
 
Após um período de condicionamento, aplicações de testes e análises, os pesquisadores constataram que os cavalos infectados têm um desempenho notavelmente inferior em relação aos sadios. 

"A frequência cardíaca dos cavalos negativos para o teste de anemia infecciosa equina fica baixa durante os testes. Quando os que possuem a doença entram no trote ou no galope, essa frequência vai lá em cima. Portanto, vemos que os animais infectados suportam menos trabalho", diz a pesquisadora. Para Adalgiza, isso significa que os animais positivos para AIE são mais suscetíveis a falhas e ataques cardíacos durante trabalhos intensos e longos no campo – característicos da região pantaneira – podendo chegar, até mesmo, à morte.
 
Outra análise realizada pela equipe foi a avaliação de distância percorrida. Nesse teste, os animais andavam 1.500 metros em cada modalidade: passo, trote curto e alongado, galope curto e alongado. "Vimos que a distância percorrida pelos cavalos sãos foi maior que a percorrida pelos positivos, que não aguentavam nada. Logo, a frequência cardíaca deles chegou a quase 200 – o máximo que se consegue no trabalho de um cavalo. A dos negativos ficou baixa, mostrando que, realmente, os animais positivos trabalham menos e suportam menos a lida no campo", explica.
 
Para a pesquisadora, esses resultados desmentem a noção de que os animais contaminados trabalham com a mesma eficiência dos sadios: "Isso vem para convencer o produtor rural de que ele perde dinheiro se mantiver esses animais positivos na fazenda".
 
Como combater
 
A anemia infecciosa equina é causada por um vírus semelhante ao da AIDS, mas com uma diferença: sua principal via de transmissão não é a sexual. Entre os equídeos, o vírus se propaga pelo contato com o sangue contaminado. A AIE não infecta humanos, mas causa sérias complicações aos animais. "Essa doença apresenta três fases: a aguda, a crônica e a assintomática. Na fase aguda, o animal pode morrer. Na fase crônica, ele melhora e piora várias vezes, pois seu organismo está se acostumando com o vírus. Depois, na fase assintomática, ele não apresenta sinais clínicos, mas continua sendo uma fonte de infecção", afirma Márcia Furlan.
 
Sem uma vacina que reverta o quadro de contaminação, a melhor forma de impedir o avanço da doença é preveni-la. "O mais importante é impedir que qualquer cavalo ou equídeo entre em contato com o sangue de outro equídeo – independentemente de saber se ele é positivo ou negativo", diz Márcia. Para isso, a pesquisadora cita algumas medidas simples de manejo sanitário que podem ser adotadas nos rebanhos equídeos de qualquer propriedade rural no País: 

Vale lembrar
 
De acordo com Márcia, é possível evitar a picada da mutuca – um inseto que também pode transmitir o vírus – se os equídeos da propriedade forem mantidos a uma distância mínima de 200 metros dos equídeos de outras fazendas. Normalmente, a mutuca não voa essa distância para picar outro animal. "Não adianta pôr a culpa na mutuca: ela é responsável por uma porcentagem de infecção muito menor que aquela provocada pela falta do manejo sanitário nas tropas", afirma a pesquisadora.
 
Outro lembrete importante diz respeito aos potros filhos de éguas positivas. Segundo Márcia, mais de 90% desses animais nascem negativos para a doença. Porém, até cerca de seis meses de idade, os testes indicam que eles são positivos para AIE – não por estarem infectados, mas por mamarem o colostro com anticorpos que vêm da mãe. Depois dessa fase, os testes voltam a indicá-los como negativos.
 
Na prática
 
Até pouco tempo atrás, não se sabia ao certo que tipo de deficiências a AIE causava em animais do Pantanal. Mesmo assim, o produtor rural João Francisco Pereira Lima, que cria cavalos da raça Pantaneira em Mato Grosso do Sul, apostou na produção de um rebanho livre da doença há cerca de 20 anos como forma de valorizar o plantel. "Fiz o controle quando tinha uma fazenda no Pantanal e comecei a selecionar os animais da raça. Foi um trabalho  longo porque a equipe não podia ficar a pé e precisava da tropa de serviço, mas consegui", diz o produtor.
 
João Francisco conta que levou cerca de quatro anos para sair de um índice de 60% de animais positivos na tropa de serviço para um rebanho totalmente negativo. Para que isso fosse possível, ele diz que a conscientização dos trabalhadores da fazenda sobre as formas de prevenir o contágio foi fundamental. "Os peões mais antigos conheciam a doença. Mas não mantinham a prática dos cuidados sanitários", diz. Entre as medidas implantadas na fazenda estavam o uso de agulhas e seringas descartáveis, a lavagem e a desinfecção dos equipamentos de montaria – mesmo que estes fossem utilizados em animais sadios. "Freios, barrigadas, argolas... a gente não usava nada sem ter fervido na água antes".
 
O resultado dos esforços se traduz no preço cobrado atualmente pelos animais selecionados e sadios. "Eu vi, por exemplo, um cavalo de outra fazenda com quatro ou cinco anos, domado, sendo vendido por R$ 1.500, R$ 2.000. Recentemente, eu vendi um cavalo de serviço manso, castrado, sadio e com o exame em dia a R$ 4.500", afirma o produtor. Segundo João, o controle da anemia na propriedade compensa. "Se você tem prazer de ver suas coisas organizadas, arrumadas, tem orgulho de ver sua tropa bonita e dando dinheiro, por que não fazer?".
 
Genoma do vírus e diagnóstico precoce
 
Em uma região onde os cavalos são uma parte fundamental das atividades agrícolas e pecuárias, estudar a AIE tornou-se uma necessidade. O projeto "Anemia Infecciosa Equina no Pantanal brasileiro: caracterização do agente, diagnóstico molecular, avaliação de práticas de manejo e modelagem quantitativa" envolve diversos profissionais de aproximadamente dez instituições parceiras. Entre as áreas avaliadas estão, por exemplo, os métodos de diagnóstico da doença e o estudo do genoma do vírus encontrado no Pantanal (que difere das amostras de vírus da AIE no resto do mundo), sequenciado com sucesso pela equipe.
 
"O sequenciamento representará uma melhora substancial no diagnóstico. Com um bom método de diagnóstico, seguro e precoce, você pode evitar que a doença seja disseminada no plantel. No futuro, evidentemente, isso também avança para o estudo de possíveis vacinas (...). Esse tipo de iniciativa vai ajudar em eventuais tratamentos e no conhecimento da biologia do vírus, auxiliando a identificar fontes de contaminação que ainda não são conhecidas", diz a pesquisadora Erna Kroon, da UFMG. Independentemente do trabalho realizado pela pesquisa, o combate à anemia infecciosa equina começa dentro da porteira. "Se toda fazenda se conscientizar e começar a eliminar a AIE aos poucos, um dia, a doença acaba", finaliza João Francisco.

Queda de preços

Após restrição da Anvisa, supermercados liquidam produtos Ypê na Capital

Itens não afetados por restrições sanitária sofreram queda de preço em alguns mercados

12/05/2026 18h15

Supermercado da rede Pires, no bairro Piratininga

Supermercado da rede Pires, no bairro Piratininga Foto: Alison Silva / Correio do Estado

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Após a determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para recolhimento de produtos da marca Ypê com lotes terminados em "1", supermercados de Campo Grande adotaram medidas diferentes diante da restrição. Enquanto alguns estabelecimentos simplesmente "evaporaram" com os itens da marca das prateleiras, outros aproveitaram para liquidar produtos não afetados pela decisão, reduzindo preços para atrair consumidores.

Na bairro Piratininga, um mercado da Rede Pires liquidar produtos da marca que não foram atingidos pela determinação sanitária. O sabão em pó Tixan Ypê de 2,2 kg passou de R$ 18,55 para R$ 16,95, desconto de aproximadamente 10%. Na mesma unidade, a água sanitária caiu de R$ 9,99 para R$ 7,98. Ambos os produtos seguem liberados para comercialização.

A movimentação chamou atenção dos consumidores. A dona de casa Marta Jesus Saldanha, 43 anos, procurava pelo desinfetante Ipê, mas não encontrou o produto desejado.

"Queria o desinfetante Ypê, aqui é barato, em outros locais custa cerca de R$ 8, e aqui cerca de R$ 3". Sem encontrar o produto na prateleira , pegou de outra marca, e saiu rreclamando. 'Essa Anvisa é sem vergonha, nada disso aí é verdade", declarou.

Por sua vez, a feirante Arlidia Lemes, 56 anos, contou que decidiu descartar um dos produtos após acompanhar as notícias sobre o recolhimento.

"Sendo muito sincera, eu acompanhei as notícias e estava utilizando um produto do lote contaminado, joguei fora, e continuei usando outros produtos, como a água sanitária", declarou.

Questionada, disse que pessoas da família "deram ombros" para a determinação sanitária. "Minha filha disse que vai continuar usando, mesmo os do lote estragado, está utilizando normalmente na casa dela. Eu sou medrosa, tive pneumonia recentemente e joguei o detergente fora, sabão em pó meu marido já comprou de outra marca", destacou.

Supermercado da rede Pires, no bairro PiratiningaDe modo geral, detergentes Ypê "evaporaram" ou seguem lacrados ainda nas prateleiras - Gerson Oliveira / CE
De modo geral, detergentes Ypê "evaporaram" das prateleiras / Gerson Oliveira - CE

Histórico

A determinação da Anvisa foi publicada na última quinta-feira (7). Segundo o órgão, durante inspeção foram constatados descumprimentos relevantes em etapas críticas do processo produtivo, incluindo falhas nos sistemas de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade.

De acordo com a agência, os problemas comprometem os requisitos essenciais de Boas Práticas de Fabricação (BPF) de saneantes e indicam risco à segurança sanitária dos produtos, com possibilidade de contaminação microbiológica, ou seja, presença indesejada de microrganismos patogênicos.

A proibição vale apenas para produtos fabricados em Amparo (SP) cujo número do lote termina com o algarismo "1", como no exemplo L20341.

Confira os produtos proibidos:

Lava-louças (Detergentes Líquidos)

  • Ypê Clear Care
  • Ypê com Enzimas Ativas (todas as versões)
  • Ypê Toque Suave (todas as versões)
  • Ypê Green
  • Ypê Clear

Lava-roupas Líquidos (Tixan e Ypê)

  • Tixan Ypê Combate Mau Odor
  • Tixan Ypê Cuida das Roupas
  • Tixan Ypê Antibac
  • Tixan Ypê Coco e Baunilha
  • Tixan Ypê Green
  • Tixan Ypê Express
  • Tixan Ypê Power Act
  • Tixan Ypê Premium
  • Tixan Ypê Maciez
  • Lava-roupas Líquido Ypê (versões tradicionais)

Desinfetantes

  • Ypê Bak (todas as fragrâncias)
  • Atol (Uso Geral e Perfumado)
  • Pinho Ypê

O que não está proibido:

  • Sabão em pó (Tixan ou Ypê)
  • Água Sanitária
  • Amaciantes tradicionais e concentrados
  • Sabão em barra
  • Qualquer produto cujo lote não termine em "1"

Serviço*  

A recomendação da Anvisa é para que consumidores não utilizem produtos da lista cujos lotes terminem em "1". Nestes casos, a orientação é entrar em contato com o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da empresa pelo telefone 0800 1300 544 para solicitar substituição gratuita.

Em outros pontos da Capital, supermercados optaram apenas pela retirada dos produtos das prateleiras até esclarecimentos sobre a situação.

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SES

MS não tem casos confirmados de hantavírus há 7 anos

Última confirmação foi no ano de 2019. Em 2026, a SES investiga um caso suspeito na Capital

12/05/2026 17h45

Doença é transmitida pela inalação de partículas presentes em roedores infectados

Doença é transmitida pela inalação de partículas presentes em roedores infectados Divulgação

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Mato Grosso do Sul não tem casos de hantavirose confirmados desde o ano de 2019.  A informação foi confirmada pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) em uma nota informativa sobre as medidas de vigilância e prevenção relacionadas à doença. 

Neste momento, a Secretaria investiga um caso suspeito de hantavirose em Campo Grande. O paciente deu entrada como caso suspeito de leptospirose, mas o protocolo determina que sejam feitos exames relacionados a outras doenças com sintomas parecidos. O resultado definitivo deve sair em até 60 dias. 

A hantavirose é uma zoonose viral aguda, transmitida pela inalação de partículas presentes na urina, fezes e salivas de roedores silvestres infectados. 

Na série histórica de casos, de 2015 a 2026 foram notificados 107 casos suspeitos da doença no Estado, sendo somente 7 confirmados (7%). Os casos se concentraram principalmente em Campo Grande e em Corumbá. 

2015
Campo Grande - 1

2016
Campo Grande - 1

2017
Corumbá - 4

2019
Campo Grande - 1

Segundo a superintendente de Vigilância em Saúde da SES, Larissa Domingues Castilho de Arruda, Mato Grosso do Sul possui uma estrutura permanente para preparação e resposta em casos de doenças de potencial impacto à saúde pública. 

“Mato Grosso do Sul possui protocolos alinhados às diretrizes do Ministério da Saúde, com ações integradas de vigilância epidemiológica, monitoramento laboratorial, capacitação das equipes de saúde e educação em saúde”, afirmou. 

Além disso, a Secretaria ressalta que o plano estadual de contingência para desastres provocados por chuvas intensas inclui a hantavirose entre as condições graves prioritárias monitoradas pela vigilância estadual. 

De acordo com o Ministério da Saúde, as principais áreas de concentração da doença estão nas regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste do País, principalmente em áreas rurais de atividades voltadas à agricultura. 

Com isso, os trabalhadores rurais e profissionais de limpeza de silos e galpões fechados estão entre os grupos mais expostos. 

Em todo o Brasil, até maio de 2026, foram registrados 7 casos confirmados de hantavírus e um óbito nas áreas rurais do Paraná, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. 

Entre 1993 e 2025, foram 2.412 casos confirmados no País e 926 óbitos. 

Sintomas

No período inicial da doença, os sintomas costumam vir de várias formas, incluindo febre, dores musculares, dor na região lombar, dor abdominal, cansaço intenso, forte dor de cabeça e sintomas gastrointestinais, como náuseas, vômitos e diarreia. 

Esses sintomas costumam durar até seis dias, chegando a duas semanas em casos isolados, antes de apresentar uma melhora temporária. 

O aparecimento de tosse seca é sinal de alerta, pois indica que a doença começou a evoluir para um comprometimento pulmonar e cardiovascular, levando ao aumento da frequência cardíaca, dificuldade para respirar e redução da oxigenação no sangue. 

Além disso, alguns pacientes podem ter as funções renais comprometidas. A rápida evolução do quadro e agravamento das complicações nessa fase faz com que seja a com maior risco de óbito. 

Não há medicamento específico para o tratamento das infecções por hantavírus. O tratamento é feito através de suporte clínico para controlar os sintomas e complicações da doença, podendo incluir hemodiálise, suporte respiratório com oxigenação e medidas para prevenir ou tratar quadros de choque. 

Entre as maneiras de prevenção e controle da doença, se destacam:

  • evitar o acúmulo de lixo, entulhos e restos de alimentos ou materiais que possam servir de abrigo e alimento para roedores;
  • manter alimentos, rações e grãos armazenados em recipientes fechados;
  • vedar frestas e aberturas em residências, depósitos e galpões;
  • realizar a limpeza de ambientes fehcados e possivelmente contaminados após ventilação mínima de 30 minutos;
  • não varrer locais com sinais de roedores secos, evitando a propagação de partículas;
  • utilizar pano úmido com detergente ou solução desinfetante durante a limpeza;
  • utilizar equipamentos de proteção individual como luvas, máscaras e óculos de proteção em situações de risco ou investigações ambientais.

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