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EDUCAÇÃO

Aos 103 anos, mulher começa a estudar

Aos 103 anos, mulher começa a estudar

DA REDAÇÃO

31/07/2011 - 06h00
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A aluna mais aplicada do curso de alfabetização de adultos em São Sebastião do Passé (68 km de Salvador) não perde um dia de aula. Sob sol ou chuva, caminha 200 metros até a escola, quatro noites por semana. Enquanto conhece letras e números, divide lembranças raras: a morte do cangaceiro Lampião, Primeira Guerra Mundial, a “grande seca” de 1932 na Bahia.

Maria Joviniana dos Santos tem 103 anos, como atestam 19 comprovantes de votação bem gastos que faz questão de mostrar. Nasceu em 15 de julho de 1908, no Brasil que vivia o quinto governo da República, somava 20 anos sem escravidão e apenas 600 carros - importados - pelas ruas.

Dona Beduína, como é conhecida, atendeu ao chamado de uma educadora de 33 anos que, em fevereiro deste ano, passou por sua rua recrutando alunos para um programa de alfabetização do governo estadual. “É ruim ver a palavra de Deus e não saber explicar, ver uma receita médica, não saber que dia é. Eu disse: não estou fazendo nada, vamos ver se aprendo alguma coisa”, diz a centenária.

Na sala da escola estadual Luís Eduardo Magalhães, dona Beduína já escreve o primeiro nome. “Ela conta muitos casos. Se deixar, acho que até dá aula, mas é bastante concentrada na hora da atividade”, diz a estudante de pedagogia Francisca Ferreira, professora da turma de 20 alunos de 22 a 103 anos, a maior parte entre 50 e 60 anos.

“Desisti da irmandade porque não dorme com marido, não bebe cachaça, não fuma, não come carne" Joviniana é um dos 351 alunos em São Sebastião do Passé do Topa (Todos pela Alfabetização), programa do governo Jaques Wagner (PT). A iniciativa reflete velhos problemas da educação do País – os professores do programa, todos voluntários, ainda não receberam em 2011 a ajuda de custo mensal de R$ 250. A Secretaria da Educação da Bahia informou que os repasses estão atrasados porque a prefeitura de São Sebastião do Passé não confirmou dados de presença dos docentes. A prefeitura disse estar providenciando as informações.

Para além das dificuldades, o exemplo da estudante centenária animou Maria da Silva dos Santos, 59 anos, que também passou a frequentar as aulas e caminha de mãos dadas com a amiga até a escola todos os dias. Outra colega é Maria Cecília dos Santos, 58 anos, uma das sete filhas de dona Beduína. Ao todo, a matriarca teve quatro maridos (o último morreu há cerca de dez anos) e 17 filhos, dos quais 14 estão vivos, espalhados por cidades do entorno de Salvador e em São Paulo. São 92 netos, e a família já perdeu a conta dos outros descendentes.

Com informações do IG

TRAGÉDIA

Menino de 7 anos morre atropelado por ônibus ao descer de transporte escolar em MS

Criança tentava atravessar a MS-280, quando foi atingida por outro coletivo; caso é investigado

30/04/2026 09h00

Criança de 7 anos morreu após ser atropelada por ônibus ao tentar atravessar rodovia em aldeia de Caarapó

Criança de 7 anos morreu após ser atropelada por ônibus ao tentar atravessar rodovia em aldeia de Caarapó Divulgação

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Uma criança indígena de 7 anos morreu no fim da tarde desta quarta-feira (29), após ser atropelada por um ônibus na Aldeia Te’yikue, localizada no município de Caarapó, em Mato Grosso do Sul.

De acordo com o portal Caarapó News, o menino, identificado como Wendri Cavalheiro, havia acabado de descer de um ônibus escolar por volta das 17h e, ao tentar atravessar a rodovia MS-280, foi atingido por outro coletivo que seguia logo atrás, no mesmo sentido da via.

Com o impacto, a vítima ficou presa sob uma das rodas do veículo e não resistiu aos ferimentos, morrendo ainda no local antes da chegada do socorro.

Equipes do Corpo de Bombeiros foram acionadas, mas apenas puderam constatar o óbito. A ocorrência mobilizou também a Polícia Militar, a Polícia Civil e a Perícia Científica, que iniciaram os levantamentos para apurar as circunstâncias do acidente.

As autoridades devem investigar a dinâmica da colisão e se houve falha ou responsabilidade por parte dos envolvidos.

A morte da criança gerou forte comoção entre moradores da comunidade indígena. O caso segue em apuração.

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IMPACTO AMBIENTAL

Inquérito civil investiga financiamento bilionário do BNDES à mineradora do Rio Paraguai

Ministério Público Federal entende que houve insuficiência dos estudos para avaliar o impacto ambiental e os riscos de degradação ao Pantanal

30/04/2026 08h45

Novo porto vai escoar produção de minério

Novo porto vai escoar produção de minério Rodolfo César

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O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um inquérito civil para avaliar a conformidade socioambiental e climática do financiamento de R$ 3,7 bilhões concedido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) à LHG Logística, mineradora que atua no Rio Paraguai, no município de Corumbá.

O recurso foi destinado à construção de 400 balsas e 15 empurradores para transporte de minérios nos rios Paraguai e Paraná. O MPF abriu o processo devido à insuficiência dos estudos que avaliam o impacto ambiental e os riscos de degradação do Bioma Pantanal, além da violação de direitos de comunidades tradicionais.

De acordo com o documento, manifestações técnicas apontam insuficiências no Estudo de Impacto Ambiental e no Relatório de Impacto Ambiental, notadamente por desconsiderarem a fase operacional da hidrovia e os impactos cumulativos e sinérgicos decorrentes de dragagens em múltiplos pontos do Rio Paraguai.

O procurador da república Marco Antônio Delfino considera também que o incremento significativo da frota hidroviária pode acarretar impactos ambientais relevantes e potencialmente irreversíveis ao Pantanal, com reflexos sobre o regime hidrológico (pulso de inundação), a biodiversidade e os modos de vida de comunidades tradicionais.

Com isso, entendeu que é necessário aprofundar as investigações para verificar a conformidade do financiamento concedido pelo BNDES com seus parâmetros de avaliação de riscos climáticos, ambientais e sociais (ESG), diante das fragilidades técnicas apontadas.

O inquérito civil foi vinculado à 4ª Câmara de Coordenação e Revisão, responsável pelos casos que envolvem meio ambiente e patrimônio cultural.

Financiamento

Em setembro de 2024, com recursos do Fundo da Marinha Mercante (FMM), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou o financiamento de R$ 3,7 bilhões à mineradora LHG Logística Ltda, destinado à construção de 400 balsas e 15 empurradores para o transporte hidroviário de minérios de ferro e manganês pelos rios Paraná e Paraguai.

O investimento representa um incremento de 16% da frota nacional de transporte de carga para navegação interior (em rios, lagoas e canais). O financiamento também viabiliza a construção destas embarcações no Brasil.

O projeto visa a ampliação do escoamento na logística de minérios que são extraídos em Corumbá e carregados nas barcaças, atravessando 2.500 km pela hidrovia, cruzando o Paraguai, até chegar ao terminal marítimo de Nova Palmira, no Uruguai, onde são carregados em navios de longo curso.

Além do aumento da capacidade de escoamento da extração de minério em, no mínimo, 5,9 milhões de toneladas por ano, o projeto, ao adotar o modelo hidroviário como base para sua logística de exportação, apresenta potencial de emissão de gases do efeito estufa significativamente menor frente a outras opções logísticas para o escoamento, contribuindo para a descarbonização da matriz logística brasileira.

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