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Após três anos do início pandemia, 'home office' do Judiciário será reduzido a partir desta quinta

Normatização limita que apenas 30% do quadro permanente da Vara, Gabinete ou Unidade Administrativa permaneçam no serviço telepresencial

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Desde março de 2020, período em que a pandemia da Covid-19 teve início no Brasil, magistrados e magistradas dos tribunais brasileiros realizam atividades parcialmente à distância. 

No entanto, atendendo a uma determinação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), as atividades presenciais do Judiciário devem retornar até quinta-feira (16).

Entre os dias 24 e 26 de abril, o CNJ estará realizando inspeções para verificação do funcionamento dos setores administrativos e judiciais do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, referente ao primeiro semestre do ano de 2023.

A decisão do retorno às atividades presenciais foi aprovada no dia 8 de novembro de 2022. Na ocasião, foram estabelecidos critérios para o retorno presencial e a criação de um Grupo de Trabalho (GT) para acompanhar e auxiliar os órgãos no processo. 

No julgamento, o CNJ deu um prazo de 60 dias para que os ajustes fossem realizados. No dia 16 de fevereiro, data limite para que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul retome ao funcionamento presencial, se completam 100 dias desde a decisão.

A Frente Associativa da Magistratura e do Ministério Público (Frentas), que reúne as principais entidades das categorias, acionou o CNJ, no entanto, com pedido para a prorrogação do prazo. A Frentas alega que a adaptação ao presencial “demandará tempo” e ainda afirma que “exigirá a nomeação de novos magistrados, promotores de Justiça e defensores públicos”.

Entidades ligadas aos servidores também se rebelaram. A Federação Nacional dos Servidores do Judiciário (Fenajud) diz que “será afetada toda a vida de servidores e magistrados de todo o Poder Judiciário que eventualmente estejam em teletrabalho”. Para a Fenajud, haverá “prejuízos irreparáveis na alteração de sua rotina, seu ambiente familiar, já que alguns residem em localidade distante da comarca de lotação”.

Em Mato Grosso do Sul

A normatização limita que apenas 30% do quadro permanente da Vara, Gabinete ou Unidade Administrativa permaneçam no serviço telepresencial.

Ao Correio do Estado, o presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, desembargador Sérgio Fernandes Martins, informou que a Corte já está em trâmites finais para o cumprimento da decisão.

"Nós vamos tentar pôr em prática a nova normativa do CNJ, que estabeleceu que somente 30% dos servidores poderão ficar no regime de teletrabalho. Uma situação que aumentou muito, em razão da pandemia, e que se manteve", disse, em entrevista exclusiva.

Ele afirmou ainda que o teletrabalho fez com que aumentasse o distanciamento do Poder Judiciário da sociedade.

"Com as facilidades modernas, com a tecnologia e depois com a pandemia, temos magistrados que nem moram mais na comarca, que vão de vez em quando. Isso não é possível", afirmou.

Para acompanhar a retomada integral presencial, a Corregedoria Nacional de Justiça (CNJ) lançou um painel, que dará acesso aos dados sobre a volta em tempo real, e o Grupo de Trabalho (GT), presidido por Luis Felipe Salomão, Corregedor Nacional de Justiça, e composto por integrantes de cada segmento da Justiça de todas as regiões do país, que devem acompanhar a volta às atividades no Poder Judiciário.

Para o ministro Luis Felipe Salomão, Corregedor Nacional de Justiça, também é fundamental a presença de juízes e servidores em todas as comarcas brasileiras.

"As novas tecnologias nos ajudaram a enfrentar o período da pandemia, mas agora é hora do retorno", afirmou.


Julgamento

O debate acerca do retorno presencial mobilizou todos os conselheiros que compareceram na sessão. Associações de magistrados e a Ordem dos Advogados do Brasil se manifestaram em sustentações orais. 

Segundo informações do CNJ, de um lado do debate, destacou-se a defesa do teletrabalho, em função da economia orçamentária e do acesso à Justiça proporcionados pela adoção da tecnologia. 

De outro, o argumento da necessidade da presença – física e simbólica – da figura do juiz na comarca onde atua, sem prejuízo de que todos os integrantes do sistema de justiça usufruam do inegável avanço tecnológico experimentado no período.

Segundo o relator do recurso, conselheiro Vieira de Mello, seu voto buscou uma solução que garantisse acesso à Justiça em um país marcado pela exclusão digital, que afeta 40% da população.

“Não estou propondo a extinção da tecnologia. Proponho a razoabilidade de um retorno, o respeito a nossa sociedade, de quem devemos estar próximos. Nossa magistratura é uma das mais capacitadas do mundo, mas precisamos estar junto do nosso povo, nas nossas comarcas”, afirmou.

 

Resistência

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) pressiona pelo trabalho presencial. A entidade foi aos autos para endossar a decisão do CNJ. Melo Filho negou todos os pleitos das associações e dos sindicatos.

“A OAB entende que a adoção de novas tecnologias para agilizar os atos processuais é benéfica desde que amplie o acesso da população à Justiça, não seja um impeditivo. Por isso, a escolha sobre o modelo das audiências, se presencial ou virtual, deve ser feita pelo jurisdicionado de forma a atender a realidade e a possibilidade de cada um”, afirmou o presidente nacional da entidade, Beto Simonetti.

No acompanhamento do retorno aos tribunais, o CNJ tem recebido denúncias ou mesmo constatado em correições a ausência de juízes em fóruns, o que prejudica a população. Durante inspeção no Tribunal de Justiça do Pará (TJ-PA), na última semana, o corregedor nacional de Justiça, Luis Felipe Salomão, que é ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), invocou o “senso de responsabilidade da magistratura”.

“Temos notícia de que, em muitos Estados, o que estava acontecendo era uma situação de quase abandono, principalmente no interior”, disse o corregedor. Salomão pediu ainda a atenção das corregedorias ao retorno presencial.

 

Critérios mínimos

A decisão preservou a autonomia administrativa dos tribunais para decidir situações específicas, como o trabalho remoto dos magistrados, desde que assegurada a presença do juiz na comarca, o comparecimento mínimo ao local de trabalho de três vezes por semana, a produtividade seja igual ou superior à do trabalho presencial, a publicação prévia da escala de comparecimento presencial do juiz na comarca – com autorização da Presidência ou Corregedoria do tribunal – além de prazo razoável para a realização das audiências.

Advogados e advogadas, defensores e defensoras, promotores e promotoras também receberão atendimento virtual, sempre que o solicitarem.

Diferentemente do trabalho remoto, em que o magistrado poderá atuar fora da unidade judiciária, as audiências telepresenciais só poderão ser realizadas para atender a um pedido de uma das partes do processo ou em situações específicas descritas na Resolução CNJ n. 354/2020, como situação de urgência, durante mutirão ou projeto específico, conciliação ou mediação nos centros judiciários próprios (CEJUSCs) ou quando houver “indisponibilidade temporária do foro, calamidade pública ou força maior”. Em qualquer das hipóteses, devem ser realizadas com a presença física do magistrado no fórum.

Há, ainda, outra exceção à regra, prevista no Código de Processo Penal (CPP), que é o caso de réus presos, em que se atribui ao juiz o poder de decidir o modo pelo qual irá realizar interrogatório, nas circunstâncias descritas no segundo parágrafo do artigo 185 do CPP.

Entre as outras alterações que esse julgamento acarreta aos normativos do Poder Judiciário, destacam-se mudanças na norma que permite o teletrabalho no Poder Judiciário. O Plenário do CNJ aprovou a limitação do número máximo de servidores em teletrabalho a 30% do quadro permanente da vara, gabinete ou unidade administrativa.

Com a decisão do Plenário, ficam revogadas as resoluções editadas ao longo de 2020, para adaptar o funcionamento do Poder Judiciário às restrições impostas pela disseminação do coronavírus: 313, 314, 318, 322, 329, 330 e 357. A medida também altera trechos das Resoluções CNJ n. 227/16, 343/20, 345/20, 354/20 e 465/22.
 

Com informações de: Estadão Conteúdo

Tapa-Buracos

Prefeitura de Campo Grande vê com interesse parceria com Exército para tapa-buracos

Após proposta apresentada pelo vereador Ronilço Guerreiro, administração municipal afirma que avalia cooperação com o Exército Brasileiro e amplia negociações para aumentar equipes e a oferta de massa asfáltica.

15/07/2026 17h28

Imagem de arquivo ilustra os desafios enfrentados pela operação tapa-buracos em Campo Grande.

Imagem de arquivo ilustra os desafios enfrentados pela operação tapa-buracos em Campo Grande. FOTO: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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A Prefeitura de Campo Grande afirmou que vê com interesse a possibilidade de firmar uma parceria institucional com o Exército Brasileiro para reforçar a operação tapa-buracos na Capital.

A manifestação representa o primeiro posicionamento oficial do Executivo sobre a proposta apresentada pelo vereador Ronilço Guerreiro (Podemos), que sugeriu a utilização da estrutura do setor de engenharia militar para acelerar a recuperação da malha viária da cidade.

Em nota encaminhada ao Correio do Estado, a administração municipal informou que permanece aberta ao diálogo para avaliar a viabilidade de ações conjuntas que possam fortalecer os serviços prestados à população.

A prefeitura ressaltou, no entanto, que uma eventual cooperação dependerá de análises técnicas, administrativas e jurídicas antes de qualquer decisão.

A sinalização positiva ocorre em um momento em que Campo Grande enfrenta uma das maiores demandas por manutenção asfáltica dos últimos anos.

Buracos espalhados por diferentes regiões da cidade têm sido alvo constante de reclamações de motoristas, motociclistas e moradores, além de frequentes cobranças por parte da Câmara Municipal.

Pedido foi formalizado por ofício

A proposta de envolver o Exército Brasileiro na operação tapa-buracos não ficou restrita ao debate político. A iniciativa foi formalizada pelo vereador Ronilço Guerreiro por meio do Ofício GAB/RG nº 216/26, encaminhado em 1º de julho ao secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), André Moura Brandão.

No documento, o parlamentar solicita a adoção de medidas emergenciais para intensificar a recuperação da malha viária de Campo Grande e pede que a Prefeitura avalie a celebração de um convênio ou outro instrumento de cooperação com o setor de engenharia do Exército Brasileiro para reforçar os serviços. 

Segundo o vereador, a parceria poderá ampliar a capacidade operacional da Prefeitura e dar maior celeridade à recuperação das vias públicas, proporcionando mais segurança e melhores condições de mobilidade para motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres.

No ofício, Ronilço Guerreiro também destaca que a iniciativa contribuiria para reduzir os transtornos enfrentados diariamente pela população e coloca o mandato à disposição para colaborar na viabilização da proposta.

Prefeitura amplia estratégias

Além de admitir a possibilidade de cooperação com o Exército, a Prefeitura informou que já está adotando medidas para ampliar a capacidade operacional da operação tapa-buracos.

Segundo a administração municipal, estão em andamento tratativas com o Consórcio Central, responsável por uma usina de asfalto, para aumentar o fornecimento de massa asfáltica utilizada nas obras de recuperação das vias.

A expectativa é que, com maior disponibilidade do insumo, seja possível expandir o número de equipes em campo e acelerar o atendimento das demandas.

A prefeitura também informou que a eventual participação do Exército poderá ser considerada como um reforço à força de trabalho, desde que a iniciativa se mostre tecnicamente viável e juridicamente adequada.

Modelo já foi utilizado no país

Embora ainda não exista definição sobre a parceria em Campo Grande, o emprego do Exército Brasileiro em obras de infraestrutura urbana não é inédito.

Em diferentes momentos, batalhões de engenharia já atuaram em obras de pavimentação, recuperação de rodovias, construção de pontes e ações emergenciais em municípios afetados por desastres naturais, graças à expertise técnica da corporação em engenharia pesada.

Caso a proposta avance, será necessário definir questões como a formalização do convênio, a divisão de responsabilidades, o fornecimento de materiais, equipamentos e recursos financeiros, além da disponibilidade operacional da instituição militar.

Próximos passos

A manifestação da Prefeitura não representa, por enquanto, a confirmação da parceria, mas indica que a proposta deixou de ser apenas uma iniciativa parlamentar para entrar no radar da administração municipal.

A expectativa agora é saber se as tratativas evoluirão para um acordo formal entre o município e o Exército Brasileiro.

Enquanto isso, a Prefeitura aposta na ampliação do fornecimento de massa asfáltica e no reforço das equipes de manutenção como estratégia para reduzir o passivo de buracos que afeta a mobilidade urbana e gera prejuízos diários aos condutores da Capital.

Leia a íntegra da nota oficial enviada pela Prefeitura de Campo Grande ao Correio do Estado:

A Prefeitura de Campo Grande informa que vê com interesse a possibilidade de estabelecer parcerias institucionais com o Exército Brasileiro e permanece aberta ao diálogo para avaliar a viabilidade de ações conjuntas que possam contribuir para o fortalecimento dos serviços prestados à população.

A administração municipal vem adotando as medidas necessárias para ampliar as equipes que atuam na operação tapa-buracos. Nesse sentido, também estão em andamento tratativas com o Consórcio Central, que possui usina de asfalto, para ampliar o fornecimento de massa asfáltica à Prefeitura. Com maior disponibilidade desse insumo, será possível reforçar a capacidade operacional dos serviços.

Nesse contexto, uma eventual parceria com o Exército poderá ser avaliada como alternativa para ampliar a força de trabalho empregada na operação, sempre observando a viabilidade técnica, administrativa e legal da iniciativa.


 

encontro das aduelas

Após quatro anos, Brasil e Paraguai se unem pela ponte da Rota Bioceânica

Obras começaram em 2022 e o encontro entre as duas partes da estrutura ocorreu nesta quarta-feira

15/07/2026 17h15

Encontro das aduelas ocorreu nesta quarta-feira

Encontro das aduelas ocorreu nesta quarta-feira Foto: Obras Paraguaias

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Após mais de quatro anos de início das obras, Brasil e Paraguai se uniram aravés da ponte da Rota Biocêanica. O chamado encontro das aduelas, que é a junção entre os dois lados da estrutura sobre o Rio Paraguai, ocorreu nesta quarta-feira (15), com a colocação da última aduela, a peça final de concreto que fechou o vão entre as duas extremidades.

Para simbolizar a ligação física, houve uma cerimônia com o gesto que ficou conhecido como “o beijo da integração”: um abraço seguido de um beijo entre representantes dos dois lados da fronteira, simbolizando amizade, respeito e o compromisso com um futuro construído em conjunto.

A ponte liga as cidades de Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, no Brasil, e Carmelo Peralta, no Paraguai.

A Ponte Bioceânica integra a chamada Rota Bioceânica, que conectará o Brasil aos portos do norte do Chile, atravessando Paraguai e Argentina, levando a produção sul-americana até os portos do norte chileno no Oceano Pacífico, reduzindo custos de transporte e ampliando a competitividade das exportações para os mercados asiáticos.

Com 1.294 metros de comprimento e um vão central elevado para navegação segura, a ponte será um ativo logístico estratégico do Corredor Bioceânico, conectando a Rodovia PY15 à malha rodoviária regional.

A construção da ponte começou oficialmente no dia 14 de janeiro de 2022.

Tráfego ainda não será liberado

Apesar do encontro das duas extremidades, que simboliza a conclusão da ligação física entre os dois países, a ponte ainda será liberada para tráfego.

Isto porque agora será iniciada a etapa final da obra, que consiste na construção e implantação de calçadas, pistas, iluminação viária e ornamental, pavimentação e sinalização.

A expectativa é que essa próxima etapa seja finalizada em agosto e, no fim de novembro, seja totalmente concluído o acesso à ponte do lado paraguaio.

Paralelamente a construção da passarela, estão em andamento os trabalhos nos viadutos que integrarão as cabeceiras da ponte nos dois países.

No Brasil, também estão em andamento as obras da alça de acesso. Orçada em aproximadamente R$ 574 milhões, a alça compreende um trecho de 13,1 quilômetros de rodovia para interligar a BR-267 à ponte sobre o rio em Porto Murtinho. As alças de acesso à rodovia só devem ser concluídas e liberadas para o público até 2028.

A ponte é considerada uma peça central da rota. A passarela tem 1,3 quilômetro de extensão e 21 metros de largura, a 35 metros acima da calha do rio, contando com um trecho estaiado de 632 metros, sustentado por torres de 130 metros de altura.

O investimento é de G. 684.615.904.566, equivalente a aproximadamente USD 103 milhões, financiado por recursos do lado paraguaio da Usina Hidrelétrica Binacional de Itaipu. O Ministério de Obras Públicas e Comunicações (MOPC) atua como órgão executor.

A obra está sendo executada pelo Consórcio Binacional PYBRA, formado pelas empresas Tecnoedil SA, Paulitec Construções e Construtora Cidade Ltda., sob a supervisão do Consórcio Prointec.

Encontro das aduelas ocorreu nesta quarta-feiraPróxima etapa da obra inclui pavimentação, calçadas, sinalização, entre outros (Foto: Obras Paraguaias)

Rota Bioceânica

A Rota Bioceânica terá início em Porto Murtinho, no sudoeste de Mato Grosso do Sul, atravessando o Paraguai e a Argentina até chegar aos portos do Chile.

Essa ligação permitirá que exportações brasileiras cheguem à Ásia com até 17 dias de economia no transporte, em comparação com a saída pelo Porto de Santos, segundo dados da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc).

O projeto, que começou a ser debatido em 2014 e foi iniciado em 2017, tem a promessa de ampliar a relação comercial do Estado com países asiáticos e sul-americanos.

A Rota Bioceânica, segundo especialistas, terá potencial para movimentar US$ 1,5 bilhão por ano em exportações de carnes, açúcar, farelo de soja e couros para os outros países por onde passará.

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