Cidades

Nesta quarta-feira

Após um ano, homem preso por incendiar mulher e filha vai a juri popular

José Augusto Borges vitimou  a esposa Vanessa Eugênia Medeiros e a filha Sophie Eugênia, de 10 meses, em maio do ano passado

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Autor do duplo feminicídio que vitimou  a esposa Vanessa Eugênia Medeiros, 23, e a filha Sophie Eugênia, de 10 meses, em maio do ano passado, João Augusto Borges passará pelo Tribunal do Jurí nesta quarta-feira (27), julgamento que ocorre às 8h no Fórum da Capital. 

Em agosto do ano passado, disse em audiência que ambos os crimes foram cometidos após um "acesso de raiva" contra a mulher. 

Na ocasião, o réu disse não possuir problemas mentais e assumiu“perdeu a cabeça" após um tapa de Vanessa.

“Não tenho nenhum problema mental. Ela (Vanessa) me deu o tapa e eu perdi a cabeça”, declarou João na época, alegando que o tapa ocorreu quando tentou se despedir da vítima com um beijo antes de voltar ao trabalho.

Durante o interrogatório, o homem, então com 25 anos admitiu já ter pensado em matar a companheira em outros momentos e confirmou a premeditação dos crimes. “Tinha pensado, mas não queria colocar em prática. Eu tava me segurando, mas o tapa foi a faísca”, disse. Segundo ele, o tapa apenas desencadeou a ação, que vitimou sua filha, algo que ele disse não querer fazer.

“Não tive controle, eu não queria matar ela, eu queria cuidar, mas eu não conseguia enxergar com amor”, disse. Ao contrário do que disse em depoimento à polícia em maio do ano passado, negou que a motivação dos crimes tenha sido  para evitar o pagamento de pensão à filha. 

Na ocasião, pediu perdão e disse não se lembrar de ter matado a criança. “Quero pedir perdão a Deus, a família dela, a minha família, era a única e primeira neta de sangue, desculpa", afirmou.

José Augusto Borges e VanessaJosé Augusto Borges e Vanessa / Foto: Reprodução / Redes Sociais 

Os lados

Na ocasião, advogado da família, Lucas Brandolis avaliou a audiência como positiva, destacando que as testemunhas confirmaram a premeditação e a personalidade violenta do réu.

“Os familiares estão consternados por ouvirem todos os detalhes dos feminicídios, além da frieza de João ao contá-los. O interrogatório revelou que ele busca redução de pena ao tentar demonstrar arrependimento e afastar o motivo torpe ligado à pensão alimentícia, mas as alegações não resistem às provas e à versão apresentada em delegacia”, disse ao Correio do Estado. 

Brandolis lembrou que o réu optou por permanecer em silêncio diante das perguntas do Ministério Público e do assistente de acusação. “Aguardamos com tranquilidade a pronúncia do réu para que seja levado a julgamento pelo Tribunal do Júri e, finalmente, condenado por todos os crimes imputados na denúncia”, concluiu.

Já a advogada de defesa de João, Maryane Cruz, disse que a audiência foi tranquila, e que apesar de orientado a permanecer em silêncio, o réu optou por falar. “Foram ouvidas testemunhas e, apesar de ter sido orientado a ficar em silêncio, João Augusto relatou sobre o crime, respondendo somente às perguntas do juiz e da defesa.”

O crime

O caso ocorreu na tarde de 26 de maio de 2025, onde, por volta das 16h, na região do Indubrasil. João chamou Vanessa para o quarto sob o pretexto de conversar e a atacou com um golpe de “mata-leão”, causando seu estrangulamento. Logo depois, estrangulou a filha, que brincava na cama do casal.

Após o crime, saiu para trabalhar normalmente. Mais tarde, às 21h, comprou um galão e o abasteceu com R$ 16 de gasolina. Voltando para casa, enrolou os corpos em dois cobertores e os colocou no carro da família, um Gol cinza. Dirigiu até a rua Desembargador Ernesto Borges e ateou fogo nos corpos.

João afirmou que esperava que mulher e filha só fossem encontradas em dois ou três dias, mas as chamas se espalharam rapidamente pela vegetação, chamando a atenção de moradores e do Corpo de Bombeiros.

Questionado sobre o que fez após o crime, disse que voltou para casa e dormiu “tão bem, como não dormia faz tempo”, pois acreditava ter se “livrado de um problema”.

Relacionamento e antecedentes

Vanessa e João se conheceram por meio de um aplicativo de relacionamento e viviam juntos havia dois anos. A família dela é de Chapadão do Sul, onde residia antes de se mudar para Campo Grande em 2023 para morar com João.

À época, um amigo do acusado contou à polícia que não havia histórico de violência no relacionamento, apenas discussões comuns. No entanto, cerca de dois meses antes do crime, João disse que pretendia matar a companheira e a filha para “se livrar", mas a testemunha não levou a sério pela gravidade da declaração.

Investigações e prisão

João Augusto Borges foi preso em 27 de maio e responderá por duplo feminicídio e ocultação de cadáver.

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Brasil

Próximo presidente herdará R$ 204 bilhões em concessões de infraestrutura

Entre os projetos que sofreram atraso e não foram concedidos, estão a Malha Oeste e a Hidrovia do Rio Paraguai, em MS

21/09/2026 08h00

Projeto da Malha Oeste, que passa pela Capital, foi adiado

Projeto da Malha Oeste, que passa pela Capital, foi adiado Foto: Paulo Ribas / Correio do Estado

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O próximo governo federal herdará uma extensa carteira de concessões de infraestrutura com investimentos projetados em, ao menos, R$ 204 bilhões, marcada pelo adiamento de grandes projetos para 2027 ou anos posteriores. Entre as obras represadas que afetam diretamente o escoamento de produção no Centro-Oeste, destacam-se empreendimentos vitais para Mato Grosso do Sul, como a relicitação da Ferrovia Malha Oeste e o pacote de concessões hidroviárias no País.

No setor ferroviário, a carteira de projetos repassada ao próximo mandato soma R$ 154,9 bilhões. O planejamento inicial previa oito leilões para este ano, mas apenas um deve ser realizado. Apesar dos atrasos gerais na malha nacional, a Ferrovia Malha Oeste, que conecta São Paulo a Mato Grosso do Sul, permanece na lista prioritária do governo para publicação de edital.

Em entrevista à Folha, o ministro dos Transportes, George Santoro, destacou o rito para viabilizar a transferência do trecho ferroviário ao setor privado. “[Fazer]concessão é muito mais complexo, eu não vou fazer na afobação. Eu vou fazer seguindo o rito tranquilo: vou publicar os editais e o próximo governo faz leilão”, afirmou Santoro.

O ministro explicou que a complexidade de estruturar grandes projetos ferroviários do zero exigiu ajustes de viabilidade com órgãos de controle antes da liberação.

“A grande questão é que a gente não tinha uma trajetória de fazer concessões de ferrovias, principalmente greenfield. A gente está colocando no mercado projetos gigantescos. Sem modelagens, sem previsão de cobertura de ‘gap’ de viabilidade, sem previsão de tudo isso, a gente teve que trabalhar no TCU [Tribunal de Contas da União], e tudo isso foi aprovado recentemente. Eu acredito que a gente vai publicar editais neste ano para os leilões acontecerem no início do próximo ano”, acrescentou o titular dos Transportes.

Além do modal sobre trilhos, a logística do Centro-Oeste aguarda a evolução dos transportes fluviais, uma vez que todas as cinco concessões hidroviárias previstas na carteira do governo federal acabaram sendo empurradas para os próximos ciclos, sem datas consolidadas.

O represamento do setor hidroviário compromete a previsão de aportes e a definição do cronograma de leilões para a expansão dos eixos de navegação.

Os atrasos no cronograma global atingiram ainda rodovias e portos. Das 13 licitações rodoviárias prometidas para este ano, a expectativa é de concluir apenas sete, transferindo R$ 28,8 bilhões em investimentos para a futura gestão. Já nos portos, apenas três das 18 concessões anunciadas foram efetuadas até setembro, deixando mais de R$ 20,8 bilhões em aportes travados para depois deste ano.

Fatores como a suspensão de estudos, alterações de cronograma, acúmulo de processos na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e frustração de acordos no Tribunal de Contas da União (TCU) explicam o gargalo das concessões. Para o especialista em infraestrutura e concessões Maurício Portugal, o ambiente político também influencia o ritmo das licitações. “É natural você conseguir fazer menos leilões no ano eleitoral. O governo fica muito mais sensível a esse tipo de pressão”, afirmou Portugal.

Apesar dos adiamentos acumulados neste ano, levantamento conjunto dos ministérios dos Transportes e de Portos e Aeroportos aponta que a atual gestão registrou 50 leilões realizados entre 2023 e 2025 em rodovias, portos e aeroportos. 

O volume supera o número de leilões promovidos durante os mandatos dos ex-presidentes Jair Bolsonaro e Fernando Henrique Cardoso.
 

Educação

IFMS: alunos de dois cursos podem se inscrever no programa Pé-de-Meia

Iniciativa contempla acadêmicos de Computação (Jardim) e Química (Coxim) que ingressaram via Sisu. Bolsas são de R$ 1.050 mensais

20/09/2026 18h50

Divulgação/IFMS

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Alunos matriculados nos cursos presenciais de Licenciatura em Computação, ofertado no Campus Jardim, e Licenciatura em Química, no Campus Coxim, podem se inscrever no programa Pé-de-Meia Licenciaturas, ação do Ministério da Educação (MEC) que integra o programa Mais Professores. 

Para ingressantes de 2026, as inscrições ficam abertas até o dia 19 de dezembro, enquanto houver disponibilidade de vagas, e devem ser realizadas diretamente pela Plataforma Freire.

A análise e aprovação das pré-inscrições são conduzidas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) até o dia 20 de cada mês.

Benefício financeiro - O programa concede apoio financeiro no valor total de R$ 1.050 mensais durante toda a graduação:

  • R$ 700 mensais: disponíveis para saque direto do estudante;
  • R$ 350 mensais: depositados em conta-poupança. O valor acumulado poderá ser resgatado se o formando ingressar como docente em rede pública de ensino em até cinco anos após a formatura.

O pagamento das bolsas é efetuado até o quinto dia útil do mês subsequente ao cadastramento do bolsista no sistema da Capes.

Quem pode participar - Podem solicitar o benefício os acadêmicos que atendam cumulativamente às seguintes condições:

Estar regularmente matriculado em curso presencial de licenciatura do IFMS (Computação em Jardim ou Química em Coxim);
Ter ingressado no curso em 2026 por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu);
Ter alcançado nota igual ou superior a 650 pontos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem);
Cumprir os critérios do Edital nº 2/2025 da Capes e as diretrizes do programa de ingresso.
O atendimento oficial do MEC e da Capes para esclarecimentos sobre o programa é feito pelo e-mail [email protected].

Com informações do Ministério da Educação 

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