Jovem indígena de 19 anos está entre as vítimas fatais; município concentra maioria dos óbitos e ainda investiga três mortes suspeitas relacionadas à doença
Mato Grosso do Sul confirmou a 23ª morte causada por complicações da chikungunya em 2026, reforçando o alerta das autoridades de saúde para os impactos da epidemia que atingiu principalmente o município de Dourados nos últimos meses.
A nova vítima é um jovem indígena de 19 anos, morador da Reserva Indígena de Dourados, que apresentou os primeiros sintomas da doença em 14 de março e morreu no dia 29 de maio, após permanecer internado no Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD).
A confirmação foi divulgada nesta sexta-feira (19) pelo Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE), estrutura criada pela Prefeitura de Dourados para coordenar as ações de enfrentamento à doença.
Com o novo registro, Dourados passa a contabilizar 15 mortes confirmadas por complicações da chikungunya, sendo 11 delas de indígenas residentes nas aldeias Bororó e Jaguapiru.
Embora o óbito já tenha sido validado pelas autoridades municipais, ele ainda não consta no boletim epidemiológico mais recente da Secretaria de Estado de Saúde (SES), que contabilizava até então 22 mortes em Mato Grosso do Sul e outros dois casos sob investigação.
Além dos óbitos já confirmados, o município acompanha três mortes suspeitas que aguardam conclusão das análises epidemiológicas.
As vítimas são uma mulher de 74 anos com histórico de doença renal crônica e hipertensão arterial, um homem de 71 anos diagnosticado com diabetes e um homem de 43 anos sem registro de comorbidades.
Todos eram moradores da área urbana de Dourados e apresentaram agravamento do quadro clínico após a infecção.
Os dados atualizados mostram que Dourados segue como epicentro da epidemia no Estado. Segundo o Informe Epidemiológico Municipal, o município contabiliza 9.772 notificações da doença, das quais 5.242 são consideradas casos prováveis e 4.745 já foram confirmadas laboratorialmente. Outros 497 casos seguem em investigação.
Na Reserva Indígena de Dourados, considerada uma das áreas mais afetadas pela transmissão do vírus, foram registradas 3.151 notificações. Deste total, 2.184 casos foram confirmados, enquanto 159 permanecem sob análise.
RECUO DA EPIDEMIA
Apesar da elevada quantidade de casos e do avanço das mortes, os indicadores mais recentes apontam desaceleração da epidemia. O número de internações por complicações relacionadas à chikungunya apresentou queda significativa nas últimas semanas.
Durante o período mais crítico da crise sanitária, os hospitais chegaram a registrar entre 52 e 58 pacientes internados simultaneamente. Atualmente, 20 pessoas seguem hospitalizadas, distribuídas entre o Hospital Universitário, Hospital Regional, Hospital da Vida, Hospital Unimed e Hospital Cassems.
A redução também é observada na curva epidemiológica monitorada pela Secretaria Municipal de Saúde.
Após atingir o pico da transmissão entre as semanas epidemiológicas 11 e 15, quando o município registrou sucessivas altas e ultrapassou a marca de mil notificações semanais, os números começaram a recuar gradativamente.
O auge da epidemia ocorreu na 12ª semana epidemiológica, com 1.207 notificações registradas. Nas semanas seguintes, os casos oscilaram em patamares elevados, mas iniciaram trajetória de queda a partir da semana 16.
Na semana 23, Dourados registrou 194 notificações, número muito inferior ao observado durante o período mais crítico da transmissão.
De acordo com o secretário municipal de Saúde e coordenador-geral do COE, Márcio Figueiredo, o cenário atual demonstra avanço no controle da doença, mas ainda exige vigilância permanente por parte da população.
Além da redução das notificações, as equipes de combate às endemias também identificaram diminuição na quantidade de focos do mosquito Aedes aegypti durante as inspeções realizadas nos bairros e na Reserva Indígena.
Mesmo assim, as autoridades reforçam a necessidade de eliminação de recipientes que possam acumular água parada, principal medida para interromper o ciclo de reprodução do vetor.
Morte de Idoso
A nova morte ocorre poucos dias após a confirmação do óbito de um idoso de 78 anos, morador da área urbana de Dourados.
O paciente apresentava doença respiratória crônica e diabetes, fatores que contribuíram para o agravamento do quadro clínico. Ele foi internado no Hospital Universitário após apresentar sintomas da doença e morreu no início de junho.
Com a confirmação do jovem indígena de 19 anos como mais uma vítima fatal, Mato Grosso do Sul alcança a marca de 23 mortes associadas à chikungunya em 2026.
Embora os indicadores apontem redução da transmissão em Dourados, a doença continua impondo desafios às autoridades de saúde, especialmente entre grupos mais vulneráveis e regiões historicamente expostas a condições favoráveis à proliferação do mosquito transmissor.