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Área de Proteção Ambiental perde 10 mil hectares em Campo Grande

Espaço da Bacia do Córrego Ceroula passa de 66.954 hectares para 56.580 hectares

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Nesta quarta-feira (10), foram alterados os limites originais da Área de Proteção Ambiental da Bacia do Córrego Ceroula (APA do Ceroula), em Campo Grande. O local passa a ter 10 mil hectares a menos em espaço de preservação. 

A área do APA do Ceroula fica localizada junto ao Morro do Ernesto e à Cachoeira do Inferninho. 

Conforme publicado no Diário Oficial (Diogrande), a área total do APA do Ceroula passa a ser de 66.954 hectares para 56.580 hectares.

Segundo a prefeitura, a nova delimitação do espaço se deu em virtude de um plano de manejo, realizado com parceria entre Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano (Planurb) e a Universidade Católica Dom Bosco (UCDB). 

A partir de tal plano, foi delimitado um novo perímetro de proteção ambiental, com base em resultados de pesquisas relacionadas ao seu ecossistema.

Em reportagem de abril deste ano, a diretora de Planejamento Ambiental da Planurb, Mariana Massud, informou ao Correio do Estado que o plano de manejo identificou qual seria, de fato, a área de preservação. 

"No primeiro decreto, feito em 2001, foi observado que não havia uma pesquisa feita com área delimitada por meio de mapeamento, por isso está em processo essa adequação", declarou Mariana Massud.

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Um plano de manejo é algo que objetiva controlar a produção, a administração e a ocupação de uma determinada área florestal ou povoamento. 

Sobre o plano para o APA do Ceroula, a diretora da Planurb explicou que o documento deve definir quais são as atividades que podem ser feitas na área a ser preservada. 

Desse modo, o plano deve ainda alcançar objetivos que incluem a recuperação, a proteção e a conservação dos cursos d'água que compõem a Bacia do Córrego Ceroula. 

Sobretudo, deve-se priorizar proteger os ecossistemas locais, resguardar e valorizar aspectos culturais e históricos associados às comunidades da região e desenvolver programas, projetos e ações de manejo da área que contribuam com a sustentabilidade. (Judson Marinho colaborou). 
 

LETALIDADE

Trânsito do Estado tem ano mais violento da década

Dados da Sejusp mostram que quase 400 pessoas perderam a vida em vias urbanas e rodovias estaduais no ano passado

06/03/2026 08h00

Marcelo Victor / Correio do Estado

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Em 2025, Mato Grosso do Sul registrou o maior número de mortes no trânsito desde 2017, considerando acidentes fatais em vias urbanas e rodovias estaduais.

Segundo o portal de estatística da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp), ocorreram 394 mortes no trânsito no ano passado no Estado, 13 a mais que o número registrado em 2024.

Levando em conta os últimos 10 anos, 2025 fica atrás somente de 2016 e 2017, quando ocorreram 514 e 504 óbitos no trânsito, respectivamente.

Na Capital, a tendência não foi diferente. Em 2025, foram registradas 87 mortes no trânsito campo-grandense, um aumento de 26,09% em relação ao ano anterior, quando ocorreram 69. Novamente, o ano passado ficou atrás de 2016 e 2017, quando foram registradas 115 e 102 mortes, respectivamente.

Em reportagem veiculada recentemente, o Correio do Estado já havia informado que os trechos com corredores de ônibus são os que mais preocupam as autoridades, visto o desconhecimento de boa parte da população sobre como fazer corretamente as conversões nesses locais.

Por exemplo, conforme dados enviados pelo Batalhão de Polícia Militar de Trânsito (BPMTran), as Ruas Brilhante e Rui Barbosa já foram responsáveis por mais de 980 acidentes desde 2022, número que vem aumentando ano a ano.

Os dados da Sejusp levam em consideração somente as mortes em vias urbanas e rodovias estaduais. Neste ano, até o dia 14 de fevereiro, foram 36 mortes em Mato Grosso do Sul – 5 delas em Campo Grande.

Segundo a secretária do Gabinete de Gestão Integrada da Vida no Trânsito (GGIT), Ivanise Rotta, no ano passado, o órgão registrou um aumento no número de pedestres atropelados e, por isso, as ações de prevenção focaram essa questão.

Porém, Ivanise ressalta que em Campo Grande o maior problema no trânsito é a alta velocidade.

“A velocidade em Campo Grande continua sendo nosso grande desafio. Quando uma cidade traz que por segurança a gente tem que andar a 50 km/h e aí há uma defesa de que 50 km/h é algo que precisa ser aumentado, que não pode autuar por videomonitoramento, isso faz com que realmente os acidentes aumentem. A gente precisa, sim, da tecnologia, é o que vai diminuir rapidamente o número de acidentes. O que contribui de forma eficaz é quando você consegue monitorar, fiscalizar. E como não tem como a gente ficar colocando um agente de trânsito em cada esquina, a tecnologia, o videomonitoramento e os equipamentos eletrônicos conhecidos como radares fazem com que a gente tenha menos óbitos”, avalia Ivanise.

DIA INTENSO

Entre o fim da tarde e a noite do dia 6 de fevereiro, cinco pessoas morreram em acidentes de trânsito em Mato Grosso do Sul, quatro delas em vias urbanas ou rodovias estaduais.

Conforme os registros, o primeiro óbito ocorreu durante a tarde, por volta das 15h, quando um homem de 55 anos, identificado como Idecir Lima Moura, ficou preso em meio às ferragens após colidir o veículo que conduzia de frente com uma carreta.

O acidente ocorreu na MS-386, no trecho entre Amambai e Ponta Porã, próximo à Fazenda Cascata. Em razão da força da colisão, ambos os veículos foram arremessados para fora da pista.

Neste caso, o motorista que conduzia a carreta não teve ferimentos e permaneceu no local para prestar apoio a Idecir, que morreu na hora. Seu corpo foi retirado das ferragens pelas equipes de apoio, com auxílio de equipamentos.

O segundo acidente ocorreu entre as 17h e as 18h. Ramão Peixoto, de 71 anos, foi atingido por um caminhão boiadeiro. O homem estava em uma bicicleta e morreu na hora.

A colisão ocorreu na via urbana de Anastácio, no cruzamento da Avenida Integração com a Rua Moisés Flores Nogueira.

De acordo com informações de jornais locais, o homem teria se desequilibrado ao passar por um quebra-mola, porém, antes que pudesse se levantar, foi atingido pelo caminhão, que tentou frear. O caminhoneiro permaneceu no local.

Ainda naquela tarde, o terceiro acidente ocorreu na MS-040, próximo a Bataguassu. Novamente, uma colisão frontal entre um carro e uma carreta. Um homem não identificado morreu.

Motociclistas estão entre as principais vítimas de acidentes de trânsito em Campo Grande - Foto: Marcelo Victor / Correio do Estado

De acordo com notícias de jornais locais, o homem invadiu a pista contrária, em que a carreta trafegava. O condutor da carreta tentou desviar quando notou a invasão do carro, mas não foi possível. O motorista do carro ficou preso às ferragens já sem vida.

Já no início da noite, em Dourados, Maria dos Anjos Lima, de 77 anos, morreu ao ser atropelada por uma caminhonete. O acidente foi em via urbana, no Bairro Canaã 4, e ocorreu no momento em que a idosa atravessava a rua próximo à sua casa.

Neste caso, o motorista que conduzia o veículo tentou frear, mas não foi o suficiente por estar em velocidade muito acima do permitido. Ao analisar, a perícia constatou o excesso de velocidade pelas marcas de arrasto na rua por cerca de 10 metros.

Apesar da tentativa de evitar o atropelamento, o condutor da caminhonete não prestou apoio à mulher e fugiu do local. Maria dos Anjos morreu na hora.

*Saiba

Matar uma pessoa no trânsito pode resultar em pena de 2 a 4 anos de detenção para homicídio culposo (sem intenção), além da suspensão da habilitação. Caso o motorista estiver embriagado, não tiver habilitação, praticar o crime em faixa de pedestre/calçada ou não prestar socorro à vítima, a pena aumenta.

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Cidades

Transparência Internacional: crime organizado infiltrado nas 'altas esferas do Estado'

Por meio de nota, publicada nesta quinta-feira, 5, a entidade afirmou que o escândalo, que expôs as ligações do banqueiro com autoridades e figuras políticas brasileiras

05/03/2026 21h00

Crédito: Banco Master / Divulgação

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Após a prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a Transparência Internacional Brasil publicou uma nota nesta quinta-feira, 5, afirmando que o escândalo, que expôs as ligações do banqueiro com autoridades e figuras políticas brasileiras, é um alerta de que "lideranças de organizações criminosas violentas infiltraram-se nas mais altas esferas do Estado".

Vorcaro foi preso na terceira fase da Operação Compliance Zero deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta-feira, 4. Na nova etapa das investigações, foram reveladas mensagens no celular do banqueiro que sugerem a proximidade do empresário com figuras como com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), com o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

A nota da Transparência Internacional Brasil faz um alerta afirmando que as organizações criminosas estão "operando negócios obscuros até mesmo dentro do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal". Segundo a entidade, o "crime organizado domina territórios pelo poder bélico, mas captura o Estado pelo poder financeiro e pela corrupção".

"O aliciamento de autoridades ocorre por meio de contratos superfaturados e sem lastro, convites e favores luxuosos, financiamento ilícito de campanhas e outras formas, mais ou menos explícitas, de suborno e influência indevida", escreve a entidade.

Após a operação, os investigadores descobriram que Vorcaro tinha à sua disposição uma espécie de milícia privada que coletava informações sensíveis, espionava ilegalmente e ameaçava adversários, autoridades e jornalistas. Esse é o caso revelado pelas mensagens do celular do banqueiro contendo um plano para que o jornalista Lauro Jardim, colunista de O Globo, fosse agredido em um assalto forjado.

Segundo a polícia Federal, Vorcaro e seus ajudantes chegaram a acessar sistemas restritos do Ministério Público, da Polícia Federal e até de organismos internacionais como o FBI e a Interpol.

Um de seus ajudantes, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o "Sicário", também foi detido na operação da PF, mas suicidou-se na prisão nesta quarta-feira. O "Sicário" era responsável pela obtenção de informações sigilosas, monitoramento de adversários e neutralização de situações consideradas sensíveis aos interesses de Vorcaro.

Segundo a Transparência Internacional Brasil, "o avanço avassalador do crime organizado e a audácia de suas lideranças resultam diretamente do desmonte, em poucos anos, dos marcos legais e institucionais anticorrupção que levaram décadas para ser construídos".

Veja a nota completa

A prisão de Vorcaro e a exposição de seus métodos milicianos reforçam um alerta urgente ao Brasil: lideranças de organizações criminosas violentas infiltraram-se nas mais altas esferas do Estado, operando negócios obscuros até mesmo dentro do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal

O crime organizado domina territórios pelo poder bélico, mas captura o Estado pelo poder financeiro e pela corrupção. O aliciamento de autoridades ocorre por meio de contratos superfaturados e sem lastro, convites e favores luxuosos, financiamento ilícito de campanhas e outras formas, mais ou menos explícitas, de suborno e influência indevida.

O avanço avassalador do crime organizado e a audácia de suas lideranças resultam diretamente do desmonte, em poucos anos, dos marcos legais e institucionais anticorrupção que levaram décadas para ser construídos.

A anulação generalizada das provas e das condenações no maior e mais bem documentado caso de corrupção transnacional já revelado, os descontos, suspensões e anulações de multas, a devolução de fortunas confiscadas e repatriadas a corruptos outrora condenados, a reabilitação de empresários corruptos com acesso privilegiado até ao gabinete presidencial, os retrocessos nas leis anticorrupção, as reversões casuísticas de jurisprudência, a degradação institucional do sistema de Justiça e a corrosão moral de magistrados, a proliferação da advocacia lobista e corrupta, o silêncio da OAB, a perda de independência da PGR com o fim da lista tríplice, o sequestro do discurso anticorrupção pelo populismo autoritário, as campanhas de difamação, vilanização e assédio judicial contra juízes, promotores, policiais, auditores, jornalistas e ativistas que confrontam interesses corruptos poderosos, o apagamento das vítimas e de seus direitos violados - tudo isso compõe esse quadro trágico.

O Brasil precisa observar atentamente o que ocorreu em países como México, Guatemala e Equador, onde a corrupção sistêmica triunfou e o crime organizado se instalou como poder constituído

Há, em todos os Poderes e em todos os segmentos sociais brasileiros, lideranças comprometidas com o combate à corrupção e a promoção da integridade. É vital que se unam e reajam antes que seja tarde demais.
 

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