Dados da Sejusp mostram que quase 400 pessoas perderam a vida em vias urbanas e rodovias estaduais no ano passado
Em 2025, Mato Grosso do Sul registrou o maior número de mortes no trânsito desde 2017, considerando acidentes fatais em vias urbanas e rodovias estaduais.
Segundo o portal de estatística da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp), ocorreram 394 mortes no trânsito no ano passado no Estado, 13 a mais que o número registrado em 2024.
Levando em conta os últimos 10 anos, 2025 fica atrás somente de 2016 e 2017, quando ocorreram 514 e 504 óbitos no trânsito, respectivamente.
Na Capital, a tendência não foi diferente. Em 2025, foram registradas 87 mortes no trânsito campo-grandense, um aumento de 26,09% em relação ao ano anterior, quando ocorreram 69. Novamente, o ano passado ficou atrás de 2016 e 2017, quando foram registradas 115 e 102 mortes, respectivamente.
Em reportagem veiculada recentemente, o Correio do Estado já havia informado que os trechos com corredores de ônibus são os que mais preocupam as autoridades, visto o desconhecimento de boa parte da população sobre como fazer corretamente as conversões nesses locais.
Por exemplo, conforme dados enviados pelo Batalhão de Polícia Militar de Trânsito (BPMTran), as Ruas Brilhante e Rui Barbosa já foram responsáveis por mais de 980 acidentes desde 2022, número que vem aumentando ano a ano.
Os dados da Sejusp levam em consideração somente as mortes em vias urbanas e rodovias estaduais. Neste ano, até o dia 14 de fevereiro, foram 36 mortes em Mato Grosso do Sul – 5 delas em Campo Grande.
Segundo a secretária do Gabinete de Gestão Integrada da Vida no Trânsito (GGIT), Ivanise Rotta, no ano passado, o órgão registrou um aumento no número de pedestres atropelados e, por isso, as ações de prevenção focaram essa questão.
Porém, Ivanise ressalta que em Campo Grande o maior problema no trânsito é a alta velocidade.
“A velocidade em Campo Grande continua sendo nosso grande desafio. Quando uma cidade traz que por segurança a gente tem que andar a 50 km/h e aí há uma defesa de que 50 km/h é algo que precisa ser aumentado, que não pode autuar por videomonitoramento, isso faz com que realmente os acidentes aumentem. A gente precisa, sim, da tecnologia, é o que vai diminuir rapidamente o número de acidentes. O que contribui de forma eficaz é quando você consegue monitorar, fiscalizar. E como não tem como a gente ficar colocando um agente de trânsito em cada esquina, a tecnologia, o videomonitoramento e os equipamentos eletrônicos conhecidos como radares fazem com que a gente tenha menos óbitos”, avalia Ivanise.
DIA INTENSO
Entre o fim da tarde e a noite do dia 6 de fevereiro, cinco pessoas morreram em acidentes de trânsito em Mato Grosso do Sul, quatro delas em vias urbanas ou rodovias estaduais.
Conforme os registros, o primeiro óbito ocorreu durante a tarde, por volta das 15h, quando um homem de 55 anos, identificado como Idecir Lima Moura, ficou preso em meio às ferragens após colidir o veículo que conduzia de frente com uma carreta.
O acidente ocorreu na MS-386, no trecho entre Amambai e Ponta Porã, próximo à Fazenda Cascata. Em razão da força da colisão, ambos os veículos foram arremessados para fora da pista.
Neste caso, o motorista que conduzia a carreta não teve ferimentos e permaneceu no local para prestar apoio a Idecir, que morreu na hora. Seu corpo foi retirado das ferragens pelas equipes de apoio, com auxílio de equipamentos.
O segundo acidente ocorreu entre as 17h e as 18h. Ramão Peixoto, de 71 anos, foi atingido por um caminhão boiadeiro. O homem estava em uma bicicleta e morreu na hora.
A colisão ocorreu na via urbana de Anastácio, no cruzamento da Avenida Integração com a Rua Moisés Flores Nogueira.
De acordo com informações de jornais locais, o homem teria se desequilibrado ao passar por um quebra-mola, porém, antes que pudesse se levantar, foi atingido pelo caminhão, que tentou frear. O caminhoneiro permaneceu no local.
Ainda naquela tarde, o terceiro acidente ocorreu na MS-040, próximo a Bataguassu. Novamente, uma colisão frontal entre um carro e uma carreta. Um homem não identificado morreu.

Motociclistas estão entre as principais vítimas de acidentes de trânsito em Campo Grande - Foto: Marcelo Victor / Correio do Estado
De acordo com notícias de jornais locais, o homem invadiu a pista contrária, em que a carreta trafegava. O condutor da carreta tentou desviar quando notou a invasão do carro, mas não foi possível. O motorista do carro ficou preso às ferragens já sem vida.
Já no início da noite, em Dourados, Maria dos Anjos Lima, de 77 anos, morreu ao ser atropelada por uma caminhonete. O acidente foi em via urbana, no Bairro Canaã 4, e ocorreu no momento em que a idosa atravessava a rua próximo à sua casa.
Neste caso, o motorista que conduzia o veículo tentou frear, mas não foi o suficiente por estar em velocidade muito acima do permitido. Ao analisar, a perícia constatou o excesso de velocidade pelas marcas de arrasto na rua por cerca de 10 metros.
Apesar da tentativa de evitar o atropelamento, o condutor da caminhonete não prestou apoio à mulher e fugiu do local. Maria dos Anjos morreu na hora.
*Saiba
Matar uma pessoa no trânsito pode resultar em pena de 2 a 4 anos de detenção para homicídio culposo (sem intenção), além da suspensão da habilitação. Caso o motorista estiver embriagado, não tiver habilitação, praticar o crime em faixa de pedestre/calçada ou não prestar socorro à vítima, a pena aumenta.
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