Cidades

MATO GROSSO DO SUL

MP exige que condomínios fiscalizem trânsito nas áreas internas

Recomendação publicada nesta quinta-feira determina fiscalização, mudanças em regimentos internos e prevê responsabilização de pais e administradores em caso de descumprimento

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) recomendou a adoção de medidas para impedir que crianças e adolescentes conduzam veículos motorizados em ruas internas de condomínios e loteamentos fechados nos municípios de Três Lagoas e Selvíria. A recomendação foi publicada no Diário Oficial do órgão nesta sexta-feira (6).

O documento expedido alerta para o uso irregular de quadriciclos, motos elétricas e outros equipamentos de mobilidade por menores de idade dentro de áreas residenciais, prática que, segundo o MP, tem sido registrada de forma recorrente.

De acordo com o órgão, apesar de estarem localizadas dentro de condomínios, as ruas internas são consideradas vias terrestres para fins de aplicação das normas do Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Por isso, a condução de veículos automotores nesses locais exige habilitação, registro e equipamentos de segurança obrigatórios.

Segundo a recomendação, foram constatados casos de crianças e adolescentes dirigindo quadriciclos e motos elétricas, inclusive transportando outros menores e sem uso de capacete ou qualquer equipamento de proteção. Em algumas situações, veículos off-road, destinados apenas a terrenos específicos, estariam sendo utilizados em áreas de circulação comum.

O MPMS destaca que a prática representa risco à integridade física das crianças e dos demais moradores, além de poder configurar infrações administrativas e até crimes previstos na legislação de trânsito.

Entre os pontos citados pelo órgão está a responsabilidade dos pais ou responsáveis legais. Conforme o Código Civil, eles respondem pelos atos ilícitos praticados pelos filhos menores. Além disso, entregar veículo a pessoa não habilitada pode caracterizar crime previsto no Código de Trânsito Brasileiro.

A recomendação também ressalta que menores flagrados dirigindo podem ser enquadrados em ato infracional equivalente ao crime de direção sem habilitação quando houver risco de dano.

Medidas exigidas dos condomínios

O Ministério Público orienta que administradoras, associações de moradores e responsáveis por condomínios adotem uma série de providências para prevenir acidentes e garantir o cumprimento da legislação.

Entre as medidas recomendadas estão:

  • comunicação formal ao MPMS, em até 10 dias, informando se a recomendação será acatada;
  • alteração de regimentos internos e estatutos em até 60 dias para prever multas e outras medidas administrativas;
  • implantação de sinalização de trânsito nas vias internas, com limites de velocidade e avisos de proibição de direção por menores;
  • reforço na fiscalização dentro dos condomínios;
  • divulgação da recomendação a todos os moradores.

O órgão também recomenda que os condomínios firmem Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para prevenir novas ocorrências.

Responsabilização pode atingir pais e condomínios

Segundo o MPMS, o descumprimento das normas pode resultar em responsabilização civil, administrativa e criminal tanto dos responsáveis pelas crianças quanto das próprias administrações dos condomínios.

O documento também foi encaminhado para a prefeitura de Três Lagoas, órgãos de trânsito, polícias Militar, Civil e Federal, além do Conselho Tutelar.

O Ministério Público alertou que, caso a recomendação não seja cumprida, poderá adotar medidas judiciais para garantir a aplicação da legislação e evitar acidentes envolvendo crianças e adolescentes.

A iniciativa, conforme o promotor responsável, busca prevenir situações de risco no trânsito e evitar tragédias envolvendo menores em áreas residenciais.

O que diz a lei sobre cada tipo de veículo

Na recomendação, o Ministério Público também detalha como a legislação classifica os veículos utilizados por crianças e adolescentes em condomínios. Veja as regras principais:

  • Quadriciclo

É considerado veículo automotor pelo Código de Trânsito Brasileiro. Para circular em vias terrestres, inclusive dentro de condomínios, exige registro, licenciamento, placa e condutor habilitado na categoria B.
Motocicleta e moto elétrica

Também são veículos automotores e exigem registro, licenciamento, placa e habilitação na categoria A ou autorização para conduzir ciclomotor (ACC), além do uso obrigatório de capacete.

  • Ciclomotor

São veículos de duas ou três rodas com velocidade máxima de até 50 km/h. Desde 2025, exigem registro, emplacamento, licenciamento e habilitação do condutor.

  • Bicicleta elétrica com pedal assistido

Não é considerada veículo automotor. Não exige habilitação, registro ou placa, mas deve respeitar as regras de circulação e limites de velocidade definidos pelas autoridades de trânsito.

  • Equipamentos de mobilidade individual

Patinetes elétricos e equipamentos similares não precisam de registro ou habilitação, mas estão sujeitos às regras de circulação e podem ser autuados em caso de infrações.

  • Veículos de brinquedo

Não são considerados veículos automotores e não podem ser utilizados como meio de circulação em vias públicas ou internas de condomínios.

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Saúde

Governo federal libera R$ 24,7 milhões para construção de unidades de saúde em Mato Grosso do Sul

Recursos do Novo PAC Saúde contemplam sete municípios com UBS e CAPS; obras devem começar imediatamente

24/04/2026 17h42

divulagaçao

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O Ministério da Saúde liberou, nesta sexta-feira (24), R$ 24,7 milhões para a construção de 10 novas unidades de saúde em Mato Grosso do Sul. Os recursos, oriundos do programa Novo PAC Saúde, foram transferidos integralmente aos municípios e estão vinculados ao início imediato das obras.

Ao todo, serão construídas sete Unidades Básicas de Saúde (UBS) e três Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), distribuídos entre sete cidades do estado. A iniciativa faz parte de um pacote nacional que destinou R$ 1,2 bilhão para a construção de 541 unidades de saúde em 26 estados.

No estado, os municípios contemplados incluem Campo Grande, Dourados, Nova Andradina, Jardim, Sidrolândia, Amambai, Aquidauana, além de outras localidades como Coronel Sapucaia, Tacuru e Douradina.

Lista de municípios de MS que irão receber recursos do PAC Saúde 

Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a medida reforça o compromisso do governo federal com a ampliação do acesso aos serviços públicos. “É o SUS sendo ampliado com rapidez, presença do Governo do Brasil e justiça social. É investimento que vira obra, obra que vira atendimento e atendimento que melhora a vida do povo brasileiro”, afirmou.

A ação também integra o programa Agora Tem Especialistas, voltado à redução de filas e ao aumento da oferta de consultas, exames e procedimentos especializados no Sistema Único de Saúde.

Os repasses foram feitos na modalidade fundo a fundo, conforme a Portaria GM/MS nº 6/2017, e condicionados à emissão da ordem de serviço. Além de ampliar a cobertura assistencial, a iniciativa deve impulsionar a geração de emprego e renda nos municípios beneficiados.

Em âmbito nacional, o Novo PAC já destinou mais de R$ 32 bilhões para fortalecer o SUS, com previsão de construção de milhares de unidades, aquisição de equipamentos e ampliação da frota do SAMU, consolidando o maior programa de investimentos em infraestrutura da saúde pública no país.

com tornozeleira

Lobista investigado na Última Ratio por compra de decisões judiciais tem prisão revogada

Zanin considerou excesso de prazo no andamento da investigação e que prisão pode ter contribuído para piora do estado de saúde do lobista, que está em estado esquelético

24/04/2026 17h28

Andreson de Oliveira Gonçalves emagreceu na prisão

Andreson de Oliveira Gonçalves emagreceu na prisão Foto: Reprodução

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin revogou a prisão preventiva do lobista Andreson de Oliveira Gonçalves, suspeito de comprar decisões e corromper assessores do Superior Tribunal de Justiça (STJ). 

Andreson também foi alvo da operação Ultima Ratio, desencadeada em outubro de 2024, desvendou um amplo esquema de venda de sentenças judiciais, corrupção, lavagem de dinheiro e extorsão envolvendo desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), conselheiros do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS), advogados e empresários. 

O lobista é apontado como um dos personagens centrais do esquema, suspeito de cooptar servidores do Judiciário em troca da obtenção de informações dos tribunais de diversas instâncias.

A decisão de Zanin é referente a Operação Sisammes, deflagrada um mês depois da Última Ratio, no Mato Grosso (MT). O lobista foi preso na ocasião, conseguiu prisão domiciliar entre julho e novembro de 2025, mas retornou à prisão por suspeita de ter fraudado atestados de saúde.

A Polícia Federal apresentou em fevereiro uma conclusão parcial, mas ainda não houve denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Zanin entendeu que houve excesso de prazo no andamento da investigação da Operação Sisamnes e disse que as provas colhidas até o momento “não desoneram o Estado da obrigação de concluir o inquérito em prazo razoável”.

Além disso, o ministro afirma que a prisão pode ter contribuído para a piora no estado de saúde de Andreson, que estaria em estado esquelético.

Ele autorizou a soltura com a imposição de medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica, proibição de contato com os demais investigados, recolhimento domiciliar no período noturno,  proibição de ingressar no STJ e de acessar os sistemas processuais da Corte.

Andreson deve ser solto ainda nesta sexta-feira.

Patrimônio milionário

Conforme reportagem do Correio do Estado, o lobista Andreson de Oliveira Gonçalves acumulou um patrimônio de R$ 113 milhões somente em caminhões, carros e aeronaves. 

As informações foram produzidas em um relatório da PF enviado ao ministro Cristiano Zanin em agosto de 2025.

O suspeito de operar um esquema de venda de decisões nos tribunais de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e no Superior Tribunal de Justiça é dono de 396 veículos e quatro aeronaves. 

A frota de veículos pertence à empresa Florais Transporte, que é suspeita de ser usada por Andreson para lavagem de dinheiro e pagamentos de propina.

A empresa tem apenas 48 funcionários e, segundo a Polícia Federal, não teria capacidade para operar toda a frota que possui. As informações foram levantadas pela PF na investigação sobre o esquema venda de decisões judiciais.

A Florais Transporte é a empresa que fez repasses significativos ao advogado Felix Jayme, apontado como um dos principais envolvidos no esquema de venda de sentenças judiciais no TJMS, segundo a investigação da Polícia Federal durante a operação Ultima Ratio.

O lobista também é dono da Florais Taxi Aéreo, que tem uma frota de quatro aeronaves no valor de R$ 16 milhões. A PF apontou indícios de irregularidades na operação da empresa, como a suspeita de que ela não é usada para aluguel de serviços de táxi aéreo.

Uma das hipóteses que constavam no relatório era de que o lobista emprestava as aeronaves para o uso de autoridades do Judiciário, dentro de seu esquema de venda de decisões.

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