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A Copa do Mundo e geopolítica

A realidade, porém, conta outra história. A Copa nunca foi apenas um torneio de futebol assim como as Olimpíadas

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À medida que a Copa do Mundo de deste ano começa a mobilizar torcedores ao redor do mundo, muitos insistem em repetir uma frase bastante conhecida: esporte e política não se misturam.

A realidade, porém, conta outra história. A Copa nunca foi apenas um torneio de futebol – assim como as Olimpíadas.

Ela é também um fenômeno político, econômico e geopolítico, capaz de reverberar tensões internacionais, disputas de poder e transformações globais.

Os acontecimentos das últimas semanas deixam isso evidente. Os Estados Unidos, uma das três sedes do torneio, adotaram políticas migratórias que já afetam diretamente a competição.

Integrantes da delegação iraniana enfrentaram dificuldades para obter vistos, parte da equipe precisou transferir sua base para o México e autoridades esportivas do país denunciaram tratamento discriminatório.

Ao mesmo tempo, torcedores e oficiais de diferentes nacionalidades relataram obstáculos para ingressar em território norte-americano, transformando um evento esportivo em mais um capítulo dos debates sobre fronteiras, segurança internacional e soberania.

O caso iraniano é particularmente simbólico. Num momento de forte tensão entre Washington e Teerã, o simples deslocamento de jogadores, dirigentes e torcedores tornou-se uma questão diplomática.

O futebol, nesse contexto, deixa de ser apenas entretenimento para se tornar um espaço em que rivalidades internacionais continuam negociadas.

Mas a relação entre Copa do Mundo e geopolítica vai muito além dos conflitos diplomáticos mais evidentes.

Em diversos momentos da história, o torneio serviu para expressar mudanças na ordem internacional.

Quando a seleção da Croácia estreou na Copa do Mundo em 1998, por exemplo, não estava apenas disputando partidas de futebol em prol do entretenimento dos torcedores.

A seleção estava simbolizando a consolidação de um novo Estado surgido após o colapso da Iugoslávia.

Da mesma forma, a participação de países recém-independentes ao longo das últimas décadas representou uma forma de reconhecimento internacional e afirmação de soberania.

Quando a Bósnia e Herzegovina disputou sua primeira Copa do Mundo, em 2014, sua participação foi celebrada não apenas como uma conquista esportiva, mas como um símbolo da reconstrução de um país que duas décadas antes havia sido devastado por uma das guerras mais violentas da Europa contemporânea.

A seleção tornou-se uma representação da própria sobrevivência do Estado Bósnio e de sua busca por reconhecimento e estabilidade no cenário internacional.

Em outra dimensão, os países do Golfo transformaram o futebol numa importante ferramenta de projeção de poder. Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos passaram a investir bilhões de dólares em clubes, competições, patrocínios e grandes eventos esportivos, utilizando o esporte como instrumento de projeção global para ampliar sua influência, diversificar as economias e fortalecer a imagem internacional.

Outro exemplo pouco lembrado envolve a escolha das sedes. A disputa para sediar uma Copa do Mundo costuma mobilizar governos, empresas privadas e diplomatas durante anos. Receber o torneio significa projetar uma imagem internacional, atrair investimentos e demonstrar capacidade organizacional e de Engenharia.

Não por acaso, países emergentes frequentemente enxergam o evento como uma ferramenta de soft power, utilizando o esporte para fortalecer sua reputação global.

A geopolítica também aparece nas questões econômicas. Em números, a Copa do Mundo deste ano será a maior da história, com 48 seleções e 104 partidas. Isso envolve negociações complexas sobre infraestrutura, segurança, transporte, telecomunicações, direitos de transmissão e circulação de pessoas.

Em outras palavras, a Copa funciona como uma gigantesca operação internacional que depende da cooperação e, muitas vezes, dos conflitos entre governos, empresas e organizações multilaterais.

Mesmo temas aparentemente distantes do futebol acabam influenciando o torneio. Questões migratórias, políticas de segurança, sanções econômicas, relações diplomáticas e até debates sobre direitos humanos passaram a fazer parte da preparação para o Mundial.

Organizações internacionais já alertam para possíveis impactos das políticas de imigração, fiscalização de fronteiras e monitoramento de visitantes durante a competição.

Talvez o maior equívoco seja imaginar que a política invade o esporte. Na verdade, o esporte sempre esteve inserto na política.

Afinal, seleções representam Estados nacionais, torcedores atravessam fronteiras, governos financiam infraestrutura e organismos internacionais estabelecem regras para a realização dos torneios.

A Copa do Mundo continua um espetáculo esportivo extraordinário – não apenas para quem gosta de futebol.

Ela também funciona como uma janela privilegiada para observar o mundo. Ao acompanhar os jogos, vale a pena prestar atenção não somente no que acontece dentro dos estádios. Muitas vezes, as histórias mais reveladoras estão acontecendo nos bastidores.

E compreender essas conexões é fundamental para entender não só o futebol, mas também a dinâmica das relações internacionais no século 21.

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Discriminação: do pretexto à realidade

Entre outras situações, chamou a atenção um estabelecimento carioca que mencionou, explicitamente, que cidadãos americanos e israelenses não eram bem-vindos

27/06/2026 07h30

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Nos últimos tempos, houve diversos relatos na mídia sobre discriminação na sociedade, como de costume, mas com um elemento cada vez mais presente: a tentativa de atribuir algum motivo supostamente nobre ao ato vil.

Entre outras situações, chamou a atenção um estabelecimento carioca que mencionou, explicitamente, que cidadãos americanos e israelenses não eram bem-vindos. O ato e a forma como foi acolhida tal manifestação pela comunidade são tópicos que merecem alguma reflexão.

O aviso acima mencionado foi escrito em língua inglesa e exposto na frente de um bar em certo bairro boêmio do Rio de Janeiro, principal destino turístico de lazer do País e lugar que representa o Brasil no imaginário estrangeiro em diversos sentidos.

Como se já não bastasse o conteúdo claramente discriminatório da placa, algo que mereceria repúdio independentemente de quem fosse o objeto da restrição, dois elementos chamaram atenção: a forma como a sociedade reagiu à situação e o argumento utilizado na defesa da atitude do estabelecimento.

Quanto à reação da comunidade, cabe notar que houve um aumento exponencial de seguidores do bar nas redes sociais, fato que levou, inclusive, à tentativa de arrecadação de valor entre os apoiadores do estabelecimento para o pagamento da multa aplicada pela prefeitura do Rio.

Em vez de a comunidade rejeitar a atitude discriminatória, portanto, houve apoio ao referido comportamento, o que demonstra o poder aglutinador e destrutivo que o ódio tem na sociedade atual.

A existência da placa, que deveria provocar ojeriza a qualquer ser humano (seja ele norte-americano, israelense, palestino ou brasileiro), acabou por galvanizar apoio entre os indivíduos que já foram tomados pela politização de todos os aspectos da vida, mas que parecem ter ficado míopes quando o assunto é a dignidade humana.

Além disso, utiliza-se, com frequência, o argumento de que o apoio em casos como esse é uma manifestação favorável aos cidadãos do Oriente Médio que sofrem os efeitos dos ataques realizados, nos últimos tempos, por Estados Unidos e Israel na região, alegando-se, ainda, a necessidade de não confundir o antissionismo com o antissemitismo.

Esse tópico, bastante sensível no debate público, também merece ser analisado com cuidado, pois pode levar a distorções perigosas para o convívio social.

Primeiramente, não parece ser muito produtivo e eticamente correto, sob a ótica dos direitos humanos, discriminar uma parcela da população pelos atos que os respectivos entes estatais produzem internacionalmente.

Ademais, não é tão clara a linha que separa o antissionismo, contrário à existência do Estado de Israel na região da Palestina, do antissemitismo, que consiste no preconceito contra o povo judeu.

Considerando-se que a maior parte da população israelense é de origem judaica, é razoável imaginar que há grande possibilidade de que o antissionismo guarde em seu bojo uma marca antissemita.

É alarmante, portanto, o apoio ao ato discriminatório observado no referido estabelecimento carioca, mais um comportamento entre tantos repudiáveis notados no território nacional e em outros países.

Serve como elemento de reflexão que o ato ignóbil, em vez de provocar repulsa, granjeou apoio ostensivo na comunidade.

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Editorial

Pedágio caro exige contrapartida

O que os usuários esperam não é favor, mas respeito. E respeito, neste caso, significa oferecer uma rodovia segura, bem conservada e com preço justo

27/06/2026 07h15

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Chegou o momento de a Motiva Pantanal, antiga CCR MSVia, demonstrar que é capaz de oferecer aos usuários da BR-163 um serviço compatível com o valor que cobra.

A recente autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para um reajuste superior a 40% nas tarifas de pedágio aumenta a responsabilidade da concessionária perante quem utiliza diariamente a principal rodovia de Mato Grosso do Sul.

É natural que contratos de concessão prevejam atualizações tarifárias. O que não é razoável é que aumentos tão expressivos ocorram sem que os usuários percebam melhorias igualmente expressivas na qualidade da infraestrutura. Quem percorre a BR-163 ainda encontra problemas que deveriam ter sido solucionados há muito tempo.

Em diferentes trechos da rodovia, as faixas de sinalização horizontal apresentam desgaste visível e baixa refletividade, dificultando a condução noturna e em períodos de chuva.

Também há escassez de sinalizadores em alguns pontos e, mais preocupante, trechos em que remendos mal-executados comprometem o conforto e a segurança da viagem.

Em determinadas áreas, os reparos parecem mais buracos do que soluções para os buracos que deveriam corrigir.

É verdade que existem obras em andamento. Alguns segmentos no norte do Estado e nas proximidades de Campo Grande recebem intervenções importantes, incluindo duplicações.

São investimentos necessários e aguardados há anos. No entanto, eles não podem servir de justificativa para ignorar problemas básicos de conservação e segurança ao longo de centenas de quilômetros da rodovia.

O usuário não avalia uma concessão apenas pelas promessas futuras. Ele a avalia pela experiência diária. E essa experiência ainda está longe de justificar tarifas cada vez mais elevadas.

Afinal, não faz sentido pagar um dos pedágios mais caros da região para trafegar em uma rodovia que, em parte considerável de sua extensão, sequer oferece acostamento adequado aos motoristas.

A cobrança de pedágio pressupõe uma relação de equilíbrio. O usuário paga para receber em troca segurança, conforto, fluidez e infraestrutura de qualidade.

Quando essa contrapartida não é percebida, surge a sensação legítima de que a conta está sendo paga apenas por um lado.

Mato Grosso do Sul depende da BR-163 para o transporte de pessoas e mercadorias. Trata-se de uma rodovia estratégica para a economia estadual e nacional.

Por isso, sua concessão precisa ser sinônimo de eficiência e qualidade, e não de insatisfação crescente entre os usuários.

Com um pedágio ainda mais caro, a Motiva Pantanal tem a obrigação de melhorar – e muito – os serviços prestados.

Mais do que obras pontuais, é preciso garantir pavimento de qualidade, sinalização adequada, manutenção permanente e condições compatíveis com o que é cobrado.

O que os usuários esperam não é favor, mas respeito. E respeito, neste caso, significa oferecer uma rodovia segura, bem conservada e com preço justo.

Hoje, infelizmente, o valor cobrado nas praças de pedágio está longe de transmitir essa sensação.

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