Nesta edição, o Correio do Estado apresenta, com exclusividade, um dos pontos centrais da investigação conduzida pela Polícia Federal (PF) e pela Receita Federal, em parceria com autoridades norte-americanas, que resultou no que pode ser a maior apreensão de cocaína da história do Brasil.
A operação, realizada na semana passada em Cáceres (MT) e Corumbá, retirou de circulação uma quantidade impressionante de droga que tinha um destino bem definido: os Estados Unidos, mais precisamente a cidade de Miami, na Flórida.
A dimensão da apreensão impressiona, mas talvez mais importante do que a quantidade de entorpecentes retirada do mercado seja a forma como o resultado foi alcançado. Operações dessa magnitude não acontecem por acaso.
Elas são fruto de meses, às vezes até anos, de monitoramento, cruzamento de informações, compartilhamento de dados e acompanhamento minucioso dos passos das organizações criminosas.
O combate ao narcotráfico internacional deixou de ser uma atividade baseada apenas em barreiras físicas, patrulhamento ostensivo ou abordagens de rotina.
Hoje, as grandes vitórias contra o crime organizado são construídas principalmente nos centros de inteligência.
É ali que se identificam rotas, movimentações financeiras, conexões internacionais e estratégias utilizadas pelas quadrilhas para transportar toneladas de drogas entre continentes.
Nesse aspecto, a operação revela também uma realidade que precisa ser reconhecida. As forças de segurança da América do Sul ainda têm muito a aprender e a aperfeiçoar em cooperação com as agências norte-americanas.
A experiência acumulada pelos Estados Unidos no enfrentamento ao crime transnacional, especialmente no campo da inteligência e da integração de bancos de dados, tem produzido resultados que merecem ser observados e incorporados por seus parceiros.
O êxito da ação demonstra o valor da cooperação internacional. Quando instituições de diferentes países compartilham informações e atuam de forma coordenada, as organizações criminosas perdem uma de suas principais vantagens: a capacidade de explorar fronteiras e limitações burocráticas entre nações.
Mas a apreensão da droga não pode representar o ponto final dessa investigação. O verdadeiro sucesso será alcançado quando os responsáveis pelas cargas forem identificados, presos e condenados.
Mais importante ainda será localizar e sequestrar os bens acumulados com recursos oriundos do tráfico. Sem atingir o patrimônio das organizações criminosas, o combate ao narcotráfico permanece incompleto.
Também é necessário ampliar a participação de agências europeias nessa rede de cooperação. Afinal, uma parcela significativa da cocaína que atravessa o território brasileiro tem como destino o continente europeu.
Quanto maior for a integração entre autoridades sul-americanas, norte-americanas e europeias, maiores serão as chances de enfraquecer estruturas criminosas que operam em escala global.
Por isso, a operação merece reconhecimento. Ela comprova que inteligência, integração e cooperação continuam sendo as armas mais eficazes contra o narcotráfico.
E, mais uma vez, merece elogios o trabalho das autoridades envolvidas, que demonstraram capacidade técnica, planejamento e persistência para atingir um resultado histórico.

