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Capacidade institucional: como transformar potencial em resultados

Ampliar capacidade não significa apenas contratar mais pessoas, adquirir tecnologia, criar estruturas ou aumentar recursos, significa mobilizar melhor aquilo que a organização já tem

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Nos últimos meses, aqui no Correio do Estado, tenho escrito sobre temas diferentes: confiança, liderança, segurança psicológica, saúde organizacional, pesquisa de clima, comunicação eficaz, gestão de pessoas e aprendizagem organizacional.

Mas, no centro de todos eles, está a mesma questão: capacidade institucional. Quero voltar a ela, num esforço de síntese.

Resultados importam. Mostram onde uma organização conseguiu chegar. Capacidade institucional revela até onde ela ainda pode ir.

Logo, entre aquilo que uma organização realiza e aquilo que ela é capaz de realizar pode existir uma distância enorme.

O que explica esse fosso? Por que algumas organizações conseguem mobilizar melhor o talento, o conhecimento, a criatividade e a energia das pessoas? E por que conseguem gerir melhor a incerteza e transformar tudo isso em resultado?

Parte importante da resposta está nas lideranças. No plural.

Não apenas naquela que ocupa o topo, mas nas muitas lideranças diretas que, diariamente, ampliam ou reduzem o espaço para que outras pessoas pensem, proponham, questionem e assumam responsabilidades.

É nesse nível que a cultura institucional deixa de ser discurso e adquire expressão prática. Confiança, integridade, inovação e valorização das pessoas podem ocupar documentos e discursos institucionais. Mas são as lideranças que mostram, no cotidiano, quanto esses valores realmente valem.

A forma como reagem a uma ideia diferente, a um erro ou a um problema ensina às pessoas se vale a pena falar, contribuir, questionar, experimentar e assumir responsabilidades ou se é mais seguro permanecer em silêncio.

Por isso escrevi que “o maior desafio da liderança é ampliar, continuamente, a capacidade da organização de continuar tendo sucesso”.

Ampliar capacidade não significa apenas contratar mais pessoas, adquirir tecnologia, criar estruturas ou aumentar recursos. Significa mobilizar melhor aquilo que a organização já tem.

Talvez um dos maiores desperdícios esteja aí: no conhecimento que não circula, na boa ideia sem espaço, no talento não desenvolvido, no risco percebido mas não comunicado e nas pessoas capazes de oferecer muito mais.

Confiança e segurança psicológica são condições para que as pessoas cooperem e comuniquem problemas antes que se transformem em crises. Saúde organizacional amplia esse olhar: é uma infraestrutura estratégica para que as pessoas possam oferecer o seu melhor.

A participação das pessoas nas decisões melhora sua qualidade e legitimidade, produz aprendizado e fortalece a motivação.

A efetividade de um sistema de integridade, por exemplo, depende de fazer com que essas condições existam na prática.

Isso amplia a capacidade da organização de compreender o ambiente, identificar riscos e fragilidades e escolher respostas mais adequadas. Sem um bom diagnóstico, corre-se o risco de investir recursos e esforços em respostas que não enfrentam as causas reais do problema.

Duas organizações podem ter profissionais igualmente qualificados, recursos semelhantes e acesso às mesmas tecnologias e, ainda assim, alcançar resultados muito diferentes. A diferença pode estar menos no que têm e mais no que conseguem mobilizar.

Lideranças podem ser decisivas para construir os resultados de um ciclo. Mas fortalecer capacidade institucional também exige reconhecer quando as competências que trouxeram a organização até aqui já não são suficientes para levá-la além.

Isso não significa desconsiderar o que foi construído nem mudar por mudar. Significa compreender que preservar resultados e ampliar capacidade são desafios diferentes. Em alguns momentos, desenvolver lideranças será suficiente.

Em outros, renovar competências e responsabilidades pode ser necessário para abrir espaço a novas capacidades.

Fortalecer capacidade institucional significa transformar mais do potencial existente em melhores decisões, aprendizagem, inovação, cooperação e entregas.

Talvez, então, a pergunta mais importante diante de bons resultados não seja apenas quanto conseguimos realizar até aqui.

É outra: quanto da capacidade que já existe dentro da nossa organização ainda não conseguimos colocar em movimento?

Porque organizações fortes não vivem apenas do sucesso alcançado. Reconhecem o que funciona, preservam o que merece ser preservado e têm a coragem de desenvolver, renovar e transformar o necessário para ampliar sua capacidade de fazer melhor.

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Geopolítica da transição

Nova arquitetura geopolítica deixa a segurança energética e a disponibilidade de insumos tecnológicos serem meros temas econômicos e passam a constituir elementos centrais da alta estratégia dos Estados

03/09/2026 07h40

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O sistema internacional atravessa uma reconfiguração estrutural profunda. A crescente disputa por hegemonia entre Estados Unidos e China, aliada ao imperativo de transição energética e à corrida pela soberania em inteligência artificial, redefiniu os eixos do poder global.

Nessa nova arquitetura geopolítica, a segurança energética e a disponibilidade de insumos tecnológicos deixaram de ser meros temas econômicos e passaram a constituir elementos centrais da alta estratégia dos Estados.

O Brasil se encontra diante de uma encruzilhada histórica: não como espectador passivo, mas como um ator pivotal.

A questão premente que se impõe à diplomacia e às elites políticas do País é saber se teremos a maturidade estratégica para negociar nosso futuro com altivez ou se repetiremos o erro histórico do alheamento diante das grandes transformações internacionais.

As evidências empíricas e geoeconômicas demonstram que o Brasil reúne condições ímpares para alterar qualitativamente sua inserção no cenário global.

Enquanto os centros tradicionais de poder enfrentam complexos dilemas para descarbonizar suas matrizes e suprir a crescente demanda computacional dos centros de dados de inteligência artificial, o Brasil apresenta um ativo de inestimável valor diplomático: aproximadamente 88% de sua geração elétrica provêm de fontes limpas e renováveis, contra uma média global que mal supera o patamar de 30%.

Essa assimetria positiva confere ao País uma vantagem competitiva e negociadora sem paralelo para a atração de indústrias de ponta e infraestrutura de tecnologia crítica.

No plano geológico, a convergência entre transição tecnológica e segurança de suprimentos transforma nosso subsolo em um vetor de projeção de poder.

O Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras raras – estimada em mais de 21 milhões de toneladas –, além de deter mais de 90% das reservas globais de nióbio e depósitos altamente estratégicos de lítio de alta pureza no Vale do Jequitinhonha, além de expressivas jazidas de níquel e cobre.

Insumos dessa natureza constituem o cerne das cadeias de valor dos semicondutores, veículos elétricos, turbinas eólicas e sistemas de defesa de última geração. Deter a posse desses recursos significa possuir as alavancas do novo arranjo produtivo mundial.

Sob a ótica da diplomacia econômica, o desafio fundamental é superar de forma definitiva o modelo tradicional de exportador primário.

Negociar com Washington, Pequim ou Bruxelas exige abandono da passividade em favor de uma estratégia soberana e pragmática: o acesso aos recursos e ao mercado brasileiro deve estar condicionado à transferência efetiva de tecnologia, ao adensamento das cadeias produtivas locais e ao processamento de valor agregado em território nacional.

Trata-se de instrumento político para consolidar a autonomia industrial e tecnológica do País.

O Brasil dispõe dos elementos necessários para sentar-se à mesa das grandes potências não como fornecedor de commodities, mas como formulador geopolítico.

Infelizmente, cabe aos nossos líderes políticos, que estão muito aquém desta tarefa, desenhar um projeto de Estado denso e articulado, capaz de converter nosso potencial estratégico em influência diplomática concreta e desenvolvimento real.

Neste ponto reside o grande desafio das próximas gerações. Sem lideranças de qualidade, perderemos a corrida geopolítica desta transição, tornando-nos mais uma vez expectadores da nova ordem que se desenha.

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A formação do docente contemporâneo: pilares da excelência pedagógica

Não há ensino de excelência sem docentes devidamente qualificados, apoiados por ecossistemas institucionais que promovam sua contínua evolução

03/09/2026 07h35

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A educação contemporânea atravessa um momento de profunda ressignificação. Em um cenário marcado por aceleradas transformações sociais, científicas e tecnológicas, a discussão sobre a qualidade do ensino precisa retornar ao seu núcleo fundador: a figura do professor.

Não há ensino de excelência sem docentes devidamente qualificados, apoiados por ecossistemas institucionais que promovam sua contínua evolução.

Para responder a essa urgência, a formação docente deve se estruturar sobre três pilares fundamentais: a formação continuada em tecnologia, a vivência de oficinas e rodas de conversa integradas às semanas pedagógicas e o incentivo permanente à qualificação acadêmica em nível de pós-graduação stricto sensu, os mestrados e doutorados.

Nesse sentido, como educadora há 28 anos, destaco que o primeiro pilar se tornou inadiável. Diante da emergência das ferramentas digitais e da inteligência artificial na educação, é preciso desenvolver no professor um letramento digital crítico, para que ele integre o presencial e o virtual com intenção pedagógica.

Com mediação do professor, a tecnologia pode tornar a aprendizagem mais diversa, autônoma e conectada à realidade.

Agora, o segundo pilar. O fazer docente é essencialmente relacional e dialógico. As semanas de planejamento não podem se resumir a encontros burocráticos de repasse de diretrizes, devem constituir verdadeiros laboratórios de aprendizagem colaborativa e reflexão sobre a própria prática.

As rodas de conversa e as oficinas práticas oportunizam a troca de experiências curriculares, a análise de casos clínicos de ensino e o aprimoramento contínuo da didática específica. 

Assim, o terceiro pilar sugere estimular e viabilizar a titulação stricto sensu para os professores. Isso é garantir que a prática em sala de aula esteja ancorada em evidências científicas, na reflexão epistemológica e na produção de saberes originais.

O professor pesquisador leva para a graduação e para a Educação Básica a dúvida metódica, a capacidade analítica e o compromisso com a investigação rigorosa, qualificando o debate acadêmico e elevando o patamar das instituições às quais se vincula.

Como membro do Conselho de Educação da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), em recente reunião de trabalho ao lado de referências nacionais do setor educacional debatemos os caminhos da carreira e da formação docente no Brasil.

Na ocasião, o tema sobre contribuições sobre a necessidade de superar visões corporativistas e integrar competências digitais e inteligência artificial às novas diretrizes de formação foi claramente endossado.

Por aqui, no Insted Centro Universitário, acreditamos que a transformação da educação brasileira só vai acontecer com investimento sistemático na qualificação daqueles que conduzem o processo educativo.

Formar o professor contemporâneo é um compromisso de mão dupla: exige do docente a busca incansável pelo aperfeiçoamento e exige das instituições a oferta de condições materiais, científicas e tecnológicas para que essa jornada seja plena.

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