Nesta edição, mostramos mais um caso de violência nas escolas. Brigas entre estudantes não são novidade. A adolescência, por característica, sempre foi marcada por conflitos, disputas e episódios de agressividade. Não se trata, portanto, de afirmar que a violência escolar nasceu agora.
Não há como negar, contudo, que o problema parece ter se agravado. Ou, ao menos, que hoje conseguimos enxergá-lo com uma clareza que não existia no passado.
Os celulares, presentes nas mãos de praticamente todos os adolescentes, registram as agressões e fazem com que imagens de brigas, ameaças e violência circulem rapidamente. Aquilo que antes ficava restrito aos muros da escola agora pode ser visto por milhares de pessoas.
Mas não são apenas as imagens que mudaram. As brigas parecem estar mais intensas e mais sangrentas. Em uma escola de Campo Grande, um estudante esfaqueou o outro.
E, conforme mostramos na reportagem desta edição, são mais de 500 episódios dessa natureza registrados anualmente. É um número que não pode ser tratado como parte inevitável da adolescência.
Nesta semana, já havíamos mostrado outro aspecto preocupante dessa realidade: a violência que ocorre nas redes sociais. A agressão que começa no ambiente escolar pode continuar no celular, assim como conflitos virtuais podem chegar à escola. Os dois mundos, na prática, não estão mais separados.
Já defendemos aqui que é necessário haver maior controle nas redes sociais para impedir que estas sejam utilizadas como espaço para violência, ameaças e práticas criminosas.
Da mesma forma, as escolas precisam ter mecanismos mais rigorosos para prevenir agressões, identificar conflitos e agir antes que eles terminem em violência física.
Mas há um terceiro ambiente que não pode ser esquecido: a família. O rigor que se espera das plataformas e das escolas precisa começar, na medida do possível, dentro de casa.
Pais e responsáveis precisam acompanhar a vida dos filhos, saber com quem eles convivem, o que fazem na internet, quais conflitos enfrentam e quais comportamentos estão apresentando. Infelizmente, essa responsabilidade tem se perdido em muitas famílias.
Sabemos que uma parcela significativa de crianças e adolescentes vive em famílias desestruturadas ou sem a presença adequada de seus responsáveis.
Não se trata de ignorar essa realidade nem de atribuir toda a culpa aos pais. Trata-se de reconhecer que, quando a família deixa de cumprir seu papel de orientação, proteção e estabelecimento de limites, outras instituições acabam sendo obrigadas a preencher esse espaço.
E nenhuma delas conseguirá fazer isso sozinha. A escola educa, mas não substitui a família. A polícia reprime o crime, mas não pode ensinar limites dentro de cada casa. As redes sociais podem ser reguladas, mas não conseguem acompanhar cada conversa que um adolescente mantém.
Por isso, precisamos agir de maneira mais comunitária. Família, escola, Estado e sociedade precisam reconhecer que a violência entre adolescentes não é um problema isolado de quem aparece nas imagens de uma briga. É uma questão que diz respeito a todos.

